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BALANÇO DO MÊS

Ações pagam mais que o dobro da renda fixa em julho, mas outro investimento sai à frente dos dois

Boa notícia sobre inflação melhorou perspectiva de juros no Brasil e nos EUA, dando fôlego para os ativos de risco em julho

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Os investimentos que mais renderam e mais caíram no mês de julho. Imagem: iStock/RHJ

Depois de quatro meses no vermelho, o Ibovespa se recuperou em julho. O principal índice de ações da B3 subiu 3,47% no mês, fechando aos 178 mil pontos. Com isso, o retorno total no ano voltou para a faixa dos 10%.

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Esse desempenho foi resultado de algumas boas notícias para o cenário local. A principal delas foi o arrefecimento da inflação. O IPCA-15, índice de preços que funciona como uma prévia do indicador oficial, veio abaixo das expectativas e praticamente neutro em julho, com alta de 0,06%.

Com isso, o mercado consolidou suas apostas de corte de juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que acontecerá na próxima semana. A expectativa é de que a taxa Selic caia para 14% ao ano — frente os atuais 14,25% —, e há quem espere mais um corte residual em setembro, para fechar o ano em 13,75%.

A perspectiva mais positiva para os juros também mexeu com o mercado de renda fixa. O Tesouro Prefixado 2029, mais sensível à variação nas expectativas para a Selic, teve um aumento de 1,15% nos preços neste mês. O desempenho é resultado da queda nas taxas do título público, em linha com a projeção de juros menores no futuro.

Mas o investimento que registrou a melhor performance no mês foi outro: o bitcoin (BTC).

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Bitcoin é o melhor investimento de julho

Assim como aconteceu com o Ibovespa, julho foi um mês de recuperação para o bitcoin. Depois de cair cerca de 20% em junho — registrando o pior desempenho mensal desde meados de 2022 —, a criptomoeda fechou julho com alta próxima de 4%, na faixa dos R$ 320 mil.

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Na reta final do mês, os ETFs de bitcoin à vista dos EUA voltaram a registrar captação líquida, saindo da onda de resgates que estava predominando nos ativos nos meses anteriores. Com isso, a pressão vendedora sobre o bitcoin perdeu força, abrindo espaço para o retorno gradual do apetite dos investidores institucionais.

Em dólares, a valorização da criptomoeda no mês chegou a 10%. Entretanto, na conversão cambial para reais, a moeda norte-americana ficou em desvantagem. Neste mês, o dólar caiu cerca de 2% em relação ao real, fechando aos R$ 5,07, e diminuiu a rentabilidade final do bitcoin em moeda local para cerca de 3,75%.

Confira o ranking de investimentos em junho

Investimento Rentabilidade no mês Rentabilidade no ano 
Bitcoin 3,75% -33,94% 
Ibovespa 3,47% 10,47% 
Tesouro Prefixado 2029 1,15% 5,27% 
Tesouro Selic 2031 1,12% 8,29% 
CDI* 1,11% 8,03% 
IDA - Geral* 1,04% 5,49% 
Poupança** 0,67% 4,76% 
Tesouro IPCA+ 2032*** 0,39% 
Tesouro Prefixado 2032 0,14% 3,18% 
IFIX -0,32% 1,14% 
Ouro (GOLD11) -0,74% -13,77% 
Tesouro Prefixado c/ JS 2037*** -0,82% 
Tesouro IPCA+ c/ JS 2037*** -1,10% 
Dólar à vista -1,79% -7,63% 
Tesouro IPCA+ c/ JS 2045 -1,79% 0,53% 
Dólar PTAX -2,25% -7,72% 
Tesouro IPCA+ c/ JS 2060 -2,39% 0,28% 
Tesouro IPCA+ 2040 -2,92% -2,87% 
Tesouro IPCA+ 2050 -6,27% -6,40% 
(*) Até dia 30/07.
(**) Poupança com aniversário no dia 28.
(***) Títulos públicos começaram a negociar em fevereiro de 2026 e não tem histórico de um ano.
Todos os desempenhos estão cotados em real. A rentabilidade dos títulos públicos considera o preço de compra na manhã da data inicial e o preço de venda na manhã da data final, conforme cálculo do Tesouro Direto.
Fontes: Banco Central, Anbima, Tesouro Direto, Broadcast e Coinbase Inc.

O que move o Ibovespa

Perspectivas melhores para inflação e juros no mercado local deram algum fôlego para o Ibovespa no mês, assim como o início da temporada de balanços com bons resultados das empresas. O cenário internacional, por outro lado, não é exatamente um ponto de sustentação à valorização das ações brasileiras.

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Nesta última semana do mês, o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) decidiu pela manutenção dos juros no país na faixa entre 3,5% e 3,75%. Entretanto, a decisão não foi unânime e a comunicação posterior causou divisão entre os agentes financeiros.

A manutenção ganhou por nove votos contra três, sendo os dissidentes a favor de aumentar as taxas em 0,25 ponto percentual. A incerteza gira em torno da inflação. O dado de junho veio abaixo do esperado, mas foi a primeira vez que os preços ao consumidor caíram no mês em um período de seis anos.

A guerra no Oriente Médio é o principal fator de pressão devido aos preços do petróleo. Além disso, uma nova onda de tarifas gera debate sobre possíveis impactos em bens de consumo e alimentos. Enquanto isso, o mercado de trabalho segue crescendo, ainda que de forma modesta, e a criação de vagas e taxa de desemprego estão estáveis.

O assunto é importante porque uma elevação dos juros nos EUA pode drenar o capital estrangeiro em direção aos títulos públicos norte-americanos. Quando o rendimento das Treasurys sobe, os grandes fundos globais preferem retirar recursos de mercados emergentes e de maior risco, como o Brasil, para garantir retornos elevados e seguros em dólares.

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A manutenção das taxas em julho diminuiu esse receio por enquanto, mas não há clareza sobre os próximos passos do Fed.

Tesouro Direto dividido

A performance dos títulos públicos ficou dividida no mês. Alguns títulos, como o Tesouro Prefixado 2029 e o Tesouro IPCA+ 2032 ficaram no azul, mas a maior parte dos outros títulos públicos fecharam o mês com marcação de preço negativa.

Os vencimentos mais longos continuam com os piores resultados. O Tesouro IPCA+ 2050 chegou a marcar 6% de queda no preço, depois de cair 8% em junho. Os demais tiverem retornos menos negativos, de até -3%.

Os movimentos de preço nos papéis do Tesouro Direto continuam bastante voláteis diante das mudanças nas projeções futuras para juros e inflação no país. Os agentes financeiros estão pessimistas em relação à trajetória de queda da Selic diante da piora nas contas públicas.

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O cenário é quase de compasso de espera pelas eleições presidenciais. Quando definido o próximo presidente, também se espera a definição do Ministro da Fazendo e do plano econômico para o país.

Agora, os títulos públicos e outros ativos de renda fixa precificam uma situação de juros e inflação altos anos à frente, com taxas de vencimentos médios e longos mais esticadas. Somente os papéis mais curtos, sensíveis à taxa Selic, conseguiram alguma correção para baixo nas taxas.

  • Aqui vale lembrar que todas essas oscilações acontecem na marcação de preço e taxa dos títulos do Tesouro Direto. Para o investidor que levar os papéis até o vencimento, a taxa contratada na compra será paga integralmente.

Maiores altas do Ibovespa em julho

Ticker   Empresa  Retorno no mês  Retorno no ano  
CMIN3 CSN Mineração  36,60% 9,39% 
UGPA3 Ultrapar 26,82% 58,13% 
VBBR3 Vibra 20,61% 45,54% 
GGBR4 Gerdau 20,21% 24,09% 
VAMO3 Vamos 18,86% 3,73% 
Fonte: Broadcast 

Maiores quedas do Ibovespa em julho

Ticker   Empresa  Retorno no mês  Retorno no ano  
DIRR3 Direcional -18,46% -19,62% 
EGIE3 Engie -14,44% -3,65% 
CURY3 Cury -14,18% -2,56% 
USIM5 Usiminas -12,90% 23,70% 
CEAB3 C&A  -12,19% -26,02% 
Fonte: Broadcast 

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