Lula é reeleito e conquista quarto mandato inédito em votação histórica; entenda o que está em jogo agora
Em uma disputa acirrada e marcada por decisão histórica do STF, presidente vence Flávio Bolsonaro no segundo turno e será o primeiro brasileiro a presidir o país quatro vezes

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu um fato inédito neste domingo (25): o quarto mandato como presidente da República em uma disputa cheia de contornos históricos e decisões nunca vistas antes na democraria brasileira.
Com 99,76% das urnas apuradas, o petista obteve 51,76% dos votos válidos, ou 64.093.998 votos. O senador Flávio Bolsonaro (PL) obteve 48,24%, ou 59.735.422 votos.
Brancos foram 1,12%, ou 1.428.156 dos votos, enquanto os nulos somaram 2.718.318 ou 2,12%. As abstenções, que chamaram atenção no primeiro turno, foram 19,21% ou 30.435.389 dos eleitores.
Lula assume o quarto mandato aos 81 anos, ao lado do vice Geraldo Alckmin (PSB). Ele será o primeiro brasileiro a presidir o país quatro vezes. A posse está prevista para 5 de janeiro de 2027.
Como foi a votação
O transporte público virou uma das principais frentes de tensão no segundo turno das eleições deste ano: denúncias de redução de frota, ônibus fora de circulação, pedidos de prisão e multas milionárias marcaram a votação deste domingo (25).
PT e PL acabaram entrando com pedidos de prorrogação da votação e, em uma decisão inédita, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), acabou estendendo a participação do eleitor por mais 2h, até 19h.
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A partir daí, instalou-se um clima de incerteza em torno da eleição: muitos colégios não receberam a ordem de prorrogação e acabaram encerrando as urnas e fechando os portões às 17h.
A Justiça Eleitoral não forneceu esclarecimentos sobre os procedimentos nestes casos, e especialistas comentaram ao Seu Dinheiro se a eleição pode ou não ser anulada.
No primeiro turno, Lula ficou em segundo lugar, com 45,16% dos votos válidos, contra 47,03% de Flávio, uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos.
As últimas pesquisas indicavam empate técnico entre os candidatos no segundo turno. A Quaest e Datafolha divulgadas no sábado (25) mostrava Flávio Bolsonaro com 51% e Lula com 49%, com margem de erro de 2 pontos percentuais.
Confira a apuração de acordo com dados fornecidos pelo TSE:
Atualizado Data não informada
Não há requisitos suficientes para atribuição de eleitos. O TSE informou as seguintes situações:
Os mercados e a economia
Se a disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula já vinha carregada de pressão, a decisão de estender o horário de votação adicionou uma nova camada de incerteza — e essa turbulência não fica restrita aos bastidores de Brasília: os ativos brasileiros também devem sentir os efeitos da indefinição.
Na avaliação de Matheus Spiess, analista da Empiricus, o cenário se tornou mais complexo diante das incertezas do processo eleitoral neste domingo (25).
Quando surgem dúvidas sobre o calendário ou a legitimidade do processo que definirá esse governo, a avaliação de risco tende a aumentar. De acordo com Spiess, dúvidas em torno do processo podem resultar na queda da bolsa brasileira na segunda-feira (26).
Vale lembrar que, no dia seguinte ao primeiro turno, com Flávio Bolsonaro (PL) a frente de Lula nas urnas, o mercado bateu recordes: o Ibovespa rompeu a marca dos 200 mil pontos pela primeira vez na história, e o dólar voltou a ser negociado abaixo dos R$ 5.
Antes do resultado das urnas, no entanto, parte dos analistas previa ajuste nos preços — dólar em alta e juros futuros mais altos — até que seja apresentado um plano econômico crível. Outros afirmam que o rumo das contas públicas pesa mais do que o resultado das urnas.
E há uma razão para isso: a dívida bruta está em torno de 83% do Produto Interno Bruto (PIB), por isso, o que o mercado quer ver a partir de agora inclui metas fiscais, equipe econômica e propostas para o Congresso.
E este será um desafio para o quarto governo de Lula. A bancada de direita cresceu de 248 para 260 deputados e de 32 para 48 senadores, o que exigirá negociação para aprovar a agenda do governo.
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