Por que a alta do petróleo pode destravar potencial de até 30% para a Marcopolo (POMO4), segundo o Safra
Com passagens aéreas pressionadas, ônibus ganham espaço — e a fabricante entra no radar de compra dos analistas

Imagine a cena: você abre o computador para planejar a próxima viagem e leva um susto com o preço da passagem aérea. Um reflexo direto de um petróleo mais caro, que pressiona o custo das companhias aéreas. Do outro lado da tela, a tarifa do ônibus aparece mais competitiva e te faz pensar: agora que voar ficou mais caro, será que não vale a pena recalcular a rota e voltar para a estrada?
É justamente nessa mudança de equilíbrio que o Banco Safra enxerga uma oportunidade para o transporte rodoviário ganhar terreno — e colocar a Marcopolo (POMO4) no radar dos investidores.
Segundo os analistas, o encarecimento do barril do petróleo Brent, referência no mercado internacional, reacendeu uma dinâmica favorável às fabricantes de ônibus, o que pode dar fôlego extra para POMO4 na bolsa.
Em meio às perspectivas otimistas para o segmento, o Safra manteve recomendação de compra para as ações da Marcopolo e elevou o preço-alvo da ação para R$ 9,10 — o que representa um potencial de alta de 30%.
O duelo de preços entre avião e ônibus
O ponto de partida da tese do Safra está no comportamento dos combustíveis. Desde o início da guerra no Oriente Médio, o querosene de aviação (QAV) acumulou alta de 53%, enquanto o diesel avançou 24%
No caso das companhias aéreas, o combustível representa cerca de um terço das despesas operacionais. Já no transporte rodoviário, essa fatia varia entre 25% e 33%, nas contas dos analistas.
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Na prática, isso significa que o repasse necessário para preservar margens também é diferente.
Pelas estimativas do Safra, as aéreas precisariam elevar tarifas em cerca de 17%. Já os operadores de ônibus conseguiriam equilibrar as contas com um ajuste próximo de 8%.
É essa assimetria que começa a mudar o comportamento do consumidor — especialmente em viagens de média distância, onde o preço pesa mais na decisão, segundo o Safra.
Para a Marcopolo, isso significa uma sustentação na demanda por veículos rodoviários interestaduais, um segmento que ainda oferece a vantagem de ter uma renovação de frota mais previsível.
O freio de mão das cidades para a Marcopolo (POMO4)
Mas nem tudo é pista livre para a Marcopolo (POMO4). No transporte urbano, a dinâmica é bem diferente.
As operadoras dependem de concessões públicas e de reajustes tarifários que, frequentemente, esbarram em restrições políticas, na visão dos analistas.
“Aumentam as incertezas sobre fluxo de caixa e rentabilidade... esse ambiente tende a adiar decisões de renovação de frota”, avalia o banco.
É por isso que, no curto prazo, o Safra mantém uma visão de impacto neutro para a companhia: o ganho de competitividade no rodoviário é parcialmente compensado pelo ritmo mais lento do mercado urbano.
Vale a pena embarcar em Marcopolo (POMO4)?
Mesmo com esse equilíbrio de forças, a recomendação do Safra para POMO4 segue construtiva.
A confiança vem da revisão das estimativas após os resultados do quarto trimestre de 2025 e de uma análise de valuation atrativa.
Aos preços atuais, a Marcopolo negocia a 6,9 vezes o lucro (P/L), patamar que está cerca de 2% abaixo da sua média histórica, o que reforça a visão construtiva do banco.
Além disso, o banco elevou a projeção de lucro líquido para 2026 em 4,7%, mesmo projetando uma receita ligeiramente menor devido a um câmbio mais fraco e menores volumes no urbano.
Apesar do cenário relativamente favorável, a tese não é isenta de riscos, destaca o Safra.
Os analistas destacam pontos que podem alterar o rumo da história: desaceleração da economia, inflação de insumos, juros mais altos, concorrência mais intensa e até uma nova escalada do diesel — que, neste caso, poderia inverter parte do ganho de competitividade do transporte rodoviário.
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