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Mesmo abrindo mão de parte do lucro no Brasil, estatal compensa com exportações e sustenta geração de caixa; entenda o que está por trás da tese da corretora
A Petrobras (PETR4) continua no topo das apostas da XP Investimentos, mesmo depois de uma disparada de cerca de 60% das ações em 2026.
Para a corretora, o papel ainda tem espaço no portfólio diante de um novo pano de fundo para o petróleo, impulsionado pela guerra no Irã, e pela forte capacidade da estatal de gerar caixa, mesmo com a política de preços segurando parte desse potencial.
Na prática, o que a XP está dizendo é o seguinte: se a Petrobras seguisse à risca a paridade de importação (IPP), poderia colocar no bolso do acionista algo próximo de US$ 29,8 bilhões por ano em fluxo de caixa livre.
Mas não é isso que está acontecendo agora.
Com os preços de diesel e gasolina relativamente controlados no Brasil, a estatal acaba abrindo mão de parte relevante desse ganho. Segundo a XP, isso limita o potencial de valorização no mercado doméstico e concentra a captura de valor em vendas atreladas aos benchmarks internacionais.
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Essa escolha tem um custo: cerca de US$ 15,6 bilhões por ano em potencial que fica pelo caminho. Em compensação, há um alívio vindo dos subsídios do governo federal, estimados em R$ 1,12 por litro, que adicionam algo próximo de US$ 6,5 bilhões ao fluxo de caixa.
No fim, a conta fecha em cerca de US$ 20,7 bilhões anuais para o acionista, considerando o Brent a US$ 100 por barril, de acordo com a XP — mesmo com a estatal mantendo preços domésticos defasados.
Por conta disso, a corretora reforça recomendação positiva para o papel, destacando que a Petrobras segue como uma das principais apostas no setor.
Antes da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, o mercado trabalhava com um Brent na casa dos US$ 60. Nesse cenário, o retorno via geração de caixa da Petrobras seria mais modesto, na faixa de 4% para 2026. Mas o cenário virou.
Com a disparada do petróleo, as expectativas também subiram. Em conversas com investidores, a XP já vê projeções mais próximas de US$ 70 por barril para 2027 — o que levaria o retorno para cerca de 9% nos níveis atuais da ação.
E, no curto prazo, com o Brent orbitando os US$ 100, esse yield pode encostar em 15%.
A corretora destaca ainda que, mesmo com a Petrobras segurando os preços nas refinarias, o consumidor já está sentindo o impacto.
Desde o fim de fevereiro, o diesel S-10 subiu cerca de 24%, chegando a R$ 7,58 por litro, enquanto a gasolina avançou 8%, para R$ 6,77 por litro.
Além da Petrobras, outras empresas do setor também entram no radar como beneficiárias indiretas desse novo ambiente.
As distribuidoras tendem a sair na frente. Com os preços domésticos abaixo da paridade internacional, a importação de combustíveis perde força — o que favorece companhias mais expostas ao produto da estatal, como a Vibra Energia (VBBR3) e a Ultrapar (UGPA3), dona da Ipiranga.
Segundo a XP, esse contexto ajuda a sustentar margens e reduz a pressão competitiva no curto prazo.
Entre as produtoras independentes, o petróleo mais caro segue como principal motor. Mas não sem ressalvas.
A Prio (PRIO3) aparece como principal destaque, graças à maior alavancagem ao Brent e à forte geração de caixa.
Já a Brava Energia (BRAV3) e a PetroReconcavo (RECV3) têm parte desse potencial limitado por estratégias de hedge, que reduzem o ganho com a alta do petróleo, e também pelo impacto do novo imposto sobre exportações.
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