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Veja as projeções para os resultados dos bancos no segundo trimestre e o que deve separar vencedores e perdedores nesta temporada

A temporada de balanços dos bancos do segundo trimestre de 2026 (2T26) está prestes a começar, e a principal disputa desta safra já está definida. Depois de anos marcados por juros elevados, crédito mais seletivo e inadimplência persistente, o mercado quer saber quais instituições conseguiram atravessar o período sem comprometer a qualidade do balanço.
Na visão dos analistas, a diferença entre vencedores e perdedores desta temporada não será medida pelo ritmo de crescimento, mas pela capacidade de cada banco de controlar o risco de crédito.
Bradesco (BBDC4) e Itaú Unibanco (ITUB4) entram em campo como os nomes que inspiram maior confiança. Enquanto o Bradesco tenta consolidar a recuperação iniciada nos últimos trimestres, o Itaú deve reforçar a imagem de banco mais consistente do setor.
Do outro lado, Santander Brasil (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3) entram na temporada sob maior escrutínio. O primeiro ainda lida com o aumento das provisões para crédito, e o segundo continua enfrentando os reflexos da deterioração da carteira do agronegócio.
Já o BTG Pactual (BPAC11) segue uma trajetória própria: menos exposto ao ciclo tradicional de crédito, o banco deve continuar apoiando seus resultados na diversificação dos negócios.
Você confere todos os detalhes sobre o que esperar dos balanços dos bancos nesta matéria.
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| Banco | Ticker | Data | Horário de divulgação |
| Santander Brasil | SANB11 | 29/07/2026 | Antes da abertura |
| Itaú Unibanco | ITUB4 | 04/08/2026 | Após o fechamento |
| Banco Bradesco | BBDC4 | 05/08/2026 | Após o fechamento |
| Banco BTG Pactual | BPAC11 | 11/08/2026 | Antes da abertura |
| Banco do Brasil | BBAS3 | 12/08/2026 | Após o fechamento |
Fonte: Site de RI das empresas.
Para os analistas, a fotografia do segundo trimestre deve reforçar uma divisão entre os grandes bancos brasileiros.
As instituições que passaram os últimos anos reduzindo exposição a linhas de crédito mais arriscadas, fortalecendo garantias e preservando capital, tendem a entregar resultados mais sólidos.
Já aquelas que ainda convivem com deterioração da qualidade da carteira ou precisam elevar provisões devem continuar pressionadas.
| Banco | Projeções - Lucro líquido - Bloomberg | Projeções - Rentabilidade (ROE) - Bloomberg |
| Santander Brasil (SANB11) | R$ 3,487 bilhões | 14,5% |
| Itaú Unibanco (ITUB4) | R$ 12,427 bilhões | 24,2% |
| Banco Bradesco (BBDC4) | R$ 6,988 bilhões | 16% |
| Banco BTG Pactual (BPAC11) | R$ 4,857 bilhões | 25,6% |
| Banco do Brasil (BBAS3) | R$ 3,532 bilhões | 7,1% |
Na visão do mercado, o Santander Brasil (SANB11) deve ocupar o papel mais delicado entre os grandes bancos privados. O segundo trimestre deve ser o período mais difícil do ano, e o motivo continua sendo o aumento do custo de risco.
Além do avanço da inadimplência em alguns segmentos corporativos e do agronegócio, o banco decidiu ajustar a metodologia de baixa para prejuízo (write-off).
Em linhas gerais, o Santander irá antecipar o prazo para reconhecer perdas em cartões de crédito e empréstimos sem garantia para pessoas físicas e pequenas empresas.
O efeito colateral é que isso acelera o reconhecimento das provisões e pressiona o lucro no curto prazo.
"O 2T26 será provavelmente o período mais difícil do ano em termos de provisões", afirma o BTG.
Para reduzir riscos, o Santander continua priorizando clientes de maior renda e operações garantidas. A estratégia melhora a qualidade da carteira, mas limita o crescimento da margem financeira.
O trimestre também marca o início da gestão de Gilson Finkelsztain, ex-presidente da B3, que assume o desafio de recuperar a rentabilidade do banco.
Enquanto parte do setor ainda tenta reorganizar a casa, o Itaú Unibanco (ITUB4) segue fazendo aquilo que o mercado já espera: entregar consistência. Previsibilidade e resiliência são os mantras aqui.
A expectativa é que o banco continue apresentando a maior rentabilidade entre os grandes bancos brasileiros, mesmo em um ambiente menos favorável para receitas de mercado de capitais.
Para o UBS BB, a qualidade dos ativos deve permanecer praticamente estável, reflexo da estratégia adotada nos últimos anos de reduzir exposição aos segmentos mais arriscados.
"As receitas com tarifas devem sofrer alguma pressão devido à atividade mais fraca nos mercados de capitais e a um ambiente menos favorável para a gestão de recursos", dizem os analistas.
Mesmo assim, o BofA mantém recomendação de compra para as ações, destacando a capacidade de execução da administração como principal diferencial.
Depois de anos tentando recuperar a confiança do mercado, o Bradesco (BBDC4) começa a colher os frutos de uma estratégia mais conservadora na concessão de crédito.
Em vez de perseguir crescimento a qualquer custo, concentrou esforços em linhas garantidas, como crédito para pequenas e médias empresas com colateral, financiamento de veículos, consignado e antecipação de recebíveis.
É por isso que a XP aposta que o Bradesco deve ser o principal destaque positivo do trimestre.
"Esperamos que o Bradesco entregue um sólido 2T26, sustentado por uma forte dinâmica de receitas e continuidade do crescimento da carteira em produtos garantidos", afirma a corretora.
O Bank of America também vê espaço para mais uma melhora da rentabilidade, projetando o décimo trimestre consecutivo de avanço do retorno sobre patrimônio líquido (ROE), atingindo a casa dos 16%.
"O plano de recuperação do Bradesco parece estar funcionando", resume o Citi.
Outro fator que deve favorecer os resultados é a conclusão da operação envolvendo a BradSaúde, finalizada em abril. Segundo o UBS BB, o movimento reforça a posição de capital do banco e deve gerar evidências concretas dessa melhora ao longo dos próximos trimestres.
Além disso, o segmento de seguros continua sendo um importante amortecedor dos resultados, ajudando a compensar um ambiente de crédito ainda seletivo.
"A tendência positiva dos lucros deve continuar principalmente devido à forte margem com clientes e aos resultados de seguros", diz o UBS BB.
Para os analistas, no segundo trimestre, o BTG Pactual (BPAC11) deve mostrar novamente por que sua diversificação continua sendo um diferencial importante.
É verdade que o ambiente de juros elevados reduziu o ritmo das operações de mercado de capitais, principalmente nas emissões de dívida e de ações.
Não à toa, UBS BB e Goldman Sachs projetam uma queda relevante nas receitas da divisão de Investment Banking (IB).
Mas essa desaceleração deve ser amplamente compensada por outras áreas. Na projeção do mercado, fatores como crédito corporativo, gestão de patrimônio, asset management e sales & trading devem seguir sustentando o crescimento dos resultados.
Mesmo com a desaceleração do IB, o consenso aponta para um lucro próximo de R$ 4,9 bilhões e um ROE acima de 25%, um dos maiores do sistema financeiro.
"Acreditamos que o BTG Pactual apresenta a melhor relação risco-retorno para o 2T26", afirma o Goldman Sachs.
Para os analistas, a menor exposição ao crédito tradicional e a maior diversificação das fontes de receita continuam colocando o banco em posição privilegiada em um cenário de juros elevados e maior seletividade por parte dos investidores.
O Banco do Brasil (BBAS3) deve continuar a inspirar cautela neste trimestre. O mercado segue de olho nos efeitos da deterioração da carteira de crédito rural, afetada por problemas climáticos, questões geopolíticas e atrasos de pagamento.
Para o Goldman Sachs, o BB enfrenta as maiores incertezas em relação às provisões entre os grandes incumbentes.
Os dados mais recentes do Banco Central mostram que a inadimplência rural continuou avançando até maio, reforçando a preocupação dos analistas.
"A pressão persistente da carteira de agronegócio deve continuar pesando sobre os resultados", afirma a XP.
Outro ponto de atenção é a velocidade com que o banco vem consumindo sua projeção (guidance) de provisões, aumentando o risco de uma eventual revisão das projeções para o restante do ano.
O Goldman Sachs projeta que o BB deve atingir 65% do teto do seu guidance de provisões já no primeiro semestre. Em bom português: o BB está queimando o cartucho de perdas esperadas muito mais rápido do que o planejado.
"A deterioração da qualidade dos ativos aumenta o risco de uma revisão do guidance", alerta o Citi.
Já a XP acredita que essa dinâmica faz parte de uma "trajetória de recuperação dos lucros em formato de ‘W’", conforme discutido pela própria administração do banco.
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