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HISTÓRIA DE UM CASAMENTO

O divórcio saiu: Azzas 2154 (AZZA3) será dividida entre Arezzo&Co e Soma — e Farm fica em ‘guarda compartilhada’

Pouco mais de dois anos após a fusão, Alexandre Birman e Roberto Jatahy chegaram a um acordo para separar os negócios; acionistas receberão papéis das duas novas companhias, enquanto a “joia da coroa” ganhará estrutura própria e poderá ser vendida

Cena do filme História de um Casamento com o logo da Azzas 2154 no meio
Imagem: Montagem Seu Dinheiro

Pouco mais de dois anos depois de Arezzo&Co e Grupo Soma subirem ao altar para formar uma das maiores empresas de moda da América Latina, o casamento chegou oficialmente ao fim. Com o divórcio na mesa, a dupla já definiu quem fica com o quê — e a única coisa que permanecerá em 'guarda compartilhada' é a Farm Rio.

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A Azzas 2154 (AZZA3) anunciou nesta quarta-feira (2) que os blocos de acionistas liderados por Alexandre Birman e Roberto Jatahy chegaram a um acordo vinculante para dividir o conglomerado em duas companhias abertas independentes: Arezzo&Co e Soma, praticamente como eram antes do casamento. A proposta ainda será submetida ao conselho de administração e aos acionistas.

A Farm Rio ganhará uma empresa própria, controlada conjuntamente pela Arezzo&Co e pela Soma, ao menos até que seja definido o futuro da marca. A Arezzo&Co será dona de 57,4% dessa nova empresa, enquanto a Soma ficará com os 42,6% restantes.

Segundo o fato relevante divulgado nesta manhã, a análise de alternativas estratégicas para a Farm, que pode resultar na entrada de um investidor ou até na venda da operação, continuará mesmo depois da separação.

Com o anúncio, as ações da Azzas abriram o dia em alta de 8,49% e entraram em leilão por oscilação máxima.

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O Citi e JP Morgan avaliam a separação como positiva, por entenderem que a operação resolve os conflitos de governança entre as famílias Birman e Jatahy, aumenta o foco das gestões e pode destravar valor.

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O Citi destaca ainda o potencial de valorização com a separação da Farm, enquanto o JP Morgan alerta para possíveis perdas de sinergias, a pressão vendedora decorrente da participação de 6% dos Birman na nova Soma e a falta de detalhes sobre a divisão de dívidas, caixa e ativos fiscais. Apesar da leitura favorável, ambos mantêm recomendação neutra para AZZA3.

Quem fica com o que na separação da Azzas 2154

A divisão procura reconstruir, em grande medida, os dois grupos existentes antes da fusão concluída em 2024, mas com algumas diferenças importantes.

A nova Arezzo&Co, liderada pelo bloco Birman, concentrará os negócios de calçados e bolsas, incluindo Arezzo, Schutz, Anacapri, Vans, Alexandre Birman e Carol Bassi. Também ficarão deste lado a Hering e suas extensões, embora a companhia de vestuário tenha entrado no conglomerado originalmente por meio do Grupo Soma.

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Já a nova Soma, liderada pelo bloco Jatahy, reunirá Animale, NV, Maria Filó, Cris Barros, Reserva, Oficina e Foxton, além das extensões dessas marcas.

Infográfico mostra a divisão da Azzas 2154 após a cisão
Imagem: Montagem Seu Dinheiro

E como ficam os acionistas de AZZA3?

A separação será realizada em duas etapas. Na primeira, haverá uma cisão parcial da Azzas 2154, com a distribuição das marcas e operações entre Arezzo&Co e Soma e a constituição da empresa que concentrará a Farm.

Cada acionista de AZZA3 receberá ações das duas novas companhias na mesma proporção de sua participação atual. Em outras palavras, quem hoje possui uma determinada fatia da Azzas passará a ter essa mesma participação relativa tanto na Arezzo&Co quanto na Soma.

Na segunda etapa, os blocos Birman e Jatahy farão uma permuta de ações para concentrar suas participações nas respectivas empresas.

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Ao final da operação, o bloco liderado por Roberto Jatahy será dono de 25,95% da Soma. O bloco Birman, por sua vez, ficará com 32,13% da Arezzo&Co e ainda manterá uma participação de 6,18% na Soma.

Os demais acionistas — incluindo os investidores que possuem AZZA3 na bolsa — deterão conjuntamente 67,87% de cada uma das duas companhias. A empresa ainda não informou quais serão os novos códigos de negociação, nem apresentou um cronograma para a conclusão da operação.

Segundo a Azzas, a conclusão da reorganização ainda depende de algumas condições, como a aprovação dos órgãos de administração e da assembleia geral da companhia, além do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da autorização para listar as ações da Soma no segmento Novo Mercado da B3.

A Farm continua à venda?

A separação da Azzas não encerra o processo de avaliação de alternativas estratégicas para a Farm Rio. A marca continuará pertencendo aos dois lados, mas passará a contar com gestão e governança próprias. Essa estrutura pode facilitar uma futura transação, uma vez que isola a Farm das demais operações e permite negociar diretamente uma participação no negócio.

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Por que a fusão entre Arezzo e Grupo Soma não vingou?

A separação coloca um ponto final em uma combinação de negócios anunciada com a promessa de criar uma potência brasileira da moda.

A união de Arezzo&Co e Grupo Soma, concluída em 2024, reuniu dezenas de marcas e criou uma empresa com faturamento superior a R$ 12 bilhões. A expectativa era que o grupo obtivesse ganhos com o compartilhamento de fábricas, canais de distribuição, clientes e estruturas administrativas.

Mas as sinergias nunca se materializaram na intensidade esperada. Ao mesmo tempo, atritos entre Birman e Jatahy passaram a contaminar a gestão do conglomerado, contribuindo para a saída de executivos importantes para a empresa e para disputas relacionadas ao comando de marcas como a Reserva.

No vídeo abaixo, você confere em detalhes os conflitos, as decisões e os problemas operacionais que levaram ao desgaste da fusão e, por fim, à ruína do conglomerado:

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