Nubank trouxe Campos Neto. A Revolut respondeu com Paulo Guedes — e CEO revela o que esperar da próxima fronteira no Brasil
Ao Seu Dinheiro, o CEO da Revolut Brasil, Glauber Mota, fala sobre o que motivou a contratação do ex-ministro da Economia e detalha os próximos passos da empresa no país

Primeiro foi o Nubank com Roberto Campos Neto. Agora, a Revolut foi buscar Paulo Guedes como conselheiro. Em menos de um ano, duas das maiores fintechs do mundo recorreram aos principais nomes da política econômica brasileira recente para reforçar seus quadros.
Mas, por trás das contratações, há uma disputa muito maior do que a simples busca por executivos de peso no mercado.
À medida que o Brasil ganha peso nos planos globais das plataformas financeiras digitais, cresce também a necessidade de navegar um dos ambientes regulatórios, institucionais e competitivos mais complexos do mundo.
Foi nesse contexto que a Revolut anunciou, nesta quinta-feira (11), a criação de seu conselho consultivo no Brasil e a entrada do ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, no colegiado.
"A Revolut representa um dos principais players globais da nova geração de serviços financeiros, reconhecida por desenvolver soluções a partir de uma obsessão pela satisfação do cliente. Estou entusiasmado em contribuir para o fortalecimento institucional e a expansão sustentável da empresa", afirmou Guedes, em nota.
A fintech britânica também nomeou Luiz Lobo, ex-conselheiro da Caixa Econômica Federal, e Ana Novaes, ex-B3, para integrar a estrutura, que passa a funcionar como uma espécie de conselho estratégico para apoiar a próxima fase de crescimento da operação brasileira.
Leia Também
Em entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro, o CEO da Revolut Brasil, Glauber Mota, reconhece a semelhança com o movimento feito pela rival do cartão roxinho.
"Eu acho que o Nubank fez um movimento parecido com o Roberto Campos Neto. A gente foi além, trouxe o Paulo Guedes", afirmou Mota.
A comparação não é por acaso. Em 2025, o Nubank recrutou o ex-presidente do Banco Central para o seu conselho de administração e liderança de políticas públicas globais. Agora, a Revolut decidiu apostar justamente no "ex-chefe" dele.
Campos Neto e Guedes formaram a principal dupla da equipe econômica do governo Bolsonaro entre 2019 e 2022, dividindo o comando da agenda econômica do país.
Por que a Revolut escolheu Paulo Guedes?
Na visão da Revolut, a contratação de Guedes reúne atributos que vão além de sua passagem pelo Ministério da Economia.
Segundo Mota, a busca era por profissionais que já tivessem enfrentado ciclos econômicos complexos, crises financeiras, desafios regulatórios e momentos de expansão acelerada.
A leitura da fintech britânica é que o ex-ministro carrega uma “combinação rara” entre em macroeconomia global, mercados financeiros e de capitais, além do conhecimento acumulado sobre o ambiente de negócios na América Latina.
"Não tem ninguém no Brasil que tem um histórico tão completo e tão longo quanto o Guedes. A combinação é que ele estava disponível, não queria mais se envolver em política e ainda não estava em outra instituição", diz o executivo.
Doutor em Economia pela Universidade de Chicago, Guedes foi ministro da Economia entre 2019 e 2022 e participou da fundação de instituições relevantes do mercado financeiro brasileiro, como o Banco Pactual e a gestora JGP.
O "processo seletivo" de um ex-ministro
A contratação de Guedes também teve um aspecto incomum – embora tradicional. Segundo Mota, o ex-ministro passou pelo mesmo processo aplicado a qualquer candidato considerado para uma posição estratégica na companhia.
O economista participou de entrevistas técnicas e conversas com executivos internacionais da Revolut para avaliação das competências e fit cultural.
"Ficava até constrangido. Falava: 'Ministro, você vai ter que agora falar com mais duas pessoas aqui que vão perguntar se você tem experiência suficiente para fazer tais coisas'. Mas ele enfrentou com tranquilidade", conta.
Segundo o executivo, a preocupação da empresa era encontrar alguém capaz de dialogar tanto com o ambiente regulatório brasileiro quanto com investidores globais que acompanham a expansão da Revolut.
Não é só Paulo Guedes que desembarca na Revolut
Embora o ex-ministro seja o nome mais conhecido do novo colegiado, a Revolut afirma que a construção do conselho foi pensada como um conjunto de competências complementares.
A estrutura reúne três perfis distintos:
- Paulo Guedes traz a experiência em negócios, macroeconomia e construção de instituições financeiras;
- Luiz Lobo, membro do Comissão de Gerenciamento de Riscos Corporativos do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) e ex-Caixa, acrescenta décadas de atuação em gestão de riscos, compliance, controles internos e governança no sistema financeiro brasileiro; e
- Ana Novaes soma experiência em infraestrutura de mercado, regulação e mercado de capitais, com passagens por instituições como a B3 e Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
"Quando você junta os três, eu peguei business, infraestrutura e compliance e riscos. Tudo junto fez essa combinação poderosa para essa próxima fase de crescimento da Revolut", afirma o executivo.
O modelo que a Revolut está replicando no Brasil
A iniciativa não foi criada especificamente para a operação brasileira. Segundo a empresa britânica, a formação de conselhos locais faz parte de um modelo já adotado em outros mercados considerados estratégicos para a expansão global da fintech.
A lógica é combinar uma plataforma construída globalmente com conhecimento local profundo sobre regulação, governança e ambiente institucional. Em outras palavras, a Revolut busca adaptar sua atuação às particularidades de cada país.
O próximo capítulo da Revolut no Brasil
O fortalecimento da governança acontece em um momento em que a Revolut amplia suas ambições no mercado brasileiro.
Para a companhia, o Brasil reúne características difíceis de encontrar em outros lugares: grande escala, alto nível de digitalização financeira, forte concorrência e potencial de crescimento em diversas linhas de negócio.
"Temos que nos preparar agora para que esse crescimento seja sustentável, alinhado com boas práticas de gestão e com pessoas que já viveram momentos de expansão e de crise no Brasil", afirma Mota.
"Não existe shortcut para isso. Não dá para ficar à margem da regulação. Você tem que ir ao nível mais profundo da governança e da regulação que cada país exige”, acrescenta.
A meta da Revolut vai além do crescimento da operação de pessoa física.
Segundo o CEO, o próximo passo é acelerar a entrada no segmento de empresas (PJ), uma frente que já representa cerca de 25% dos resultados globais da Revolut.
"Agora que a pessoa física está muito bem atendida, quero começar a olhar pessoa jurídica para poder fazer solução B2B. É um mercado mal servido e a Revolut faz isso muito bem no exterior", afirma.
Ao mesmo tempo, a fintech pretende ampliar sua oferta de crédito e investimentos para clientes brasileiros.
NÃO PODE CONTRA, JUNTE-SE
Magazine Luiza (MGLU3) se junta ao Mercado Livre (MELI34) para recuperar vendas online — mas Fred Trajano tem outra aposta para o longo prazo
2 de setembro de 2026 - 9:32SE NÃO MINÉRIO, QUEM VAI FAZER VOCÊ FELIZ?
O novo motor de crescimento da Vale (VALE3): por que a aposta em metais de transição é tão importante para a mineradora?
2 de setembro de 2026 - 6:01SD EXPLICA
A Braskem (BRKM5) quebrou? Entenda a crise na petroquímica e saiba se Petrobras (PETR4) pode pagar a conta
1 de setembro de 2026 - 17:30FICOU BARATA?
Safra volta a recomendar Bradsaúde (SAUD3) após tombo na bolsa. Por que o banco vê espaço para alta de mais de 35%?
1 de setembro de 2026 - 15:02O QUE MUDA AGORA
Ri Happy é vendida pela gestora SPX e tem novo CEO menos de um mês depois de divulgar nova estratégia
1 de setembro de 2026 - 14:30ANOTE NA AGENDA
Santander (SANB11) diz quando deve fechar o capital no Brasil; confira o prazo dado pelo banco espanhol
31 de agosto de 2026 - 20:18CORRIDA PELO PRIVATE
Santander acirra briga pela altíssima renda com novo cartão com até 8 pontos por dólar; veja o que ele oferece
31 de agosto de 2026 - 19:51MUDANÇAS NO TOPO
Uma nova dança das cadeiras na Cemig (CMIG4): CEO deixa o cargo três meses depois de assumir
31 de agosto de 2026 - 10:52MUDANÇA NO TOPO
Depois de 10 anos, Natura (NATU3) troca de CEO; veja quem irá liderar a próxima fase da empresa
31 de agosto de 2026 - 9:30EM CRISE
Os Correios tentam virar a página, mas o balanço conta outra história; governo deve entrar com ajuda bilionária em 2027
30 de agosto de 2026 - 14:52COMPETIÇÃO ACIRRADA
Casas Bahia, Americanas, Magazine Luiza e outras varejistas fecham mais de 1,1 mil lojas em quatro anos
30 de agosto de 2026 - 13:25MODO FULL POWER
C&A (CEAB3) prepara uma “colheita” de caixa e ação pode disparar mais de 120%, segundo Itaú BBA
29 de agosto de 2026 - 17:01SOB NOVA DIREÇÃO
Dança das cadeiras na Brava Energia (BRAV3): conselheiro renuncia em meio às mudanças promovidas pela Ecopetrol
29 de agosto de 2026 - 13:17BOM DEMAIS PARA SER VERDADE?
Ganho de 1200%: Por que os acionistas da Oncoclínicas (ONCO3) podem receber cerca de R$ 16 por uma ação que hoje vale menos de R$ 2?
29 de agosto de 2026 - 10:30REI DOS DIVIDENDOS
A ação queridinha de Luiz Barsi entra na cobertura do BTG — mas recomendação não é o que se espera
28 de agosto de 2026 - 18:00Conteúdo BTG Pactual
Macro Day: O que os principais economistas e gestores projetam para os próximos meses? Descubra no evento anual e gratuito do BTG Pactual
28 de agosto de 2026 - 14:00DÍVIDAS
Mais uma: Fertilizantes Heringer S.A. (FHER3) pede proteção na Justiça contra credores
28 de agosto de 2026 - 10:34A ALEGRIA DUROU POUCO
Ações da Braskem (BRKM5) disparam 19% com ajuda da Petrobras (PETR4), mas DPU cobra R$ 5 bilhões no fim do dia
27 de agosto de 2026 - 19:56ARRUMANDO A CASA