Lucro do Bradesco (BBDC4) sobe 14% no 3T26, a R$ 7,1 bilhões; calotes podem frear a virada?
Veja como os indicadores de crédito se comportaram no 3T26 e o que eles revelam sobre a capacidade de o banco continuar avançando na recuperação

A recuperação do Bradesco (BBDC4) avança trimestre após trimestre, mas ainda enfrenta um desafio: transformar o crescimento dos resultados em rentabilidade maior sem deixar que os calotes consumam parte dos ganhos. No terceiro trimestre de 2026 (3T26), o banco voltou a ampliar o lucro e o retorno, enquanto as despesas para cobrir possíveis perdas com empréstimos seguiram em alta.
O lucro líquido recorrente somou R$ 7,1 bilhões entre julho e setembro, avanço de 14,6% em relação a um ano antes e de 0,8% na comparação trimestral. O resultado ficou praticamente em linha com as expectativas do mercado, que apontavam para R$ 7,145 bilhões, segundo o consenso da Bloomberg.
Já o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE), indicador que mede a rentabilidade do banco, chegou a 16,1%, ligeiramente acima dos 15,9% projetados.
Com isso, o Bradesco completou 11 trimestres consecutivos de melhora desde o início de seu processo de recuperação.
“Nosso lucro líquido cresceu mais uma vez com expansão das receitas, controle das despesas e boa gestão de risco”, afirmou o CEO Marcelo Noronha, em nota à imprensa.
O avanço, porém, vem acompanhado de uma conta que continua pesando: o custo de manter a carteira de crédito saudável em meio a um cenário macroeconômico ainda turbulento.
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Veja os principais indicadores do Bradesco (BBDC4) no 3T26:
| Indicador | Resultado 3T26 | Projeções | Variação (a/a) | Evolução (t/t) |
|---|---|---|---|---|
| Lucro líquido | R$ 7,109 bilhões | R$ 7,145 bilhões | +14,6% | +0,8% |
| ROAE | 16,1% | 15,9% | +1,4 p.p. | -0,1 p.p |
| Carteira de crédito ampliada | R$ 1,150 trilhão | — | +11,1% | +1,1% |
| Inadimplência acima de 90 dias | 4,6% | — | +0,5 p.p | +0,2 p.p |
| Margem financeira | R$ 21,372 bilhões | — | +14,2% | +2,4% |
Bradesco prioriza crescimento com qualidade
A carteira de crédito expandida do Bradesco alcançou R$ 1,15 trilhão, alta de 11,1% em 12 meses e de 1,1% ante o trimestre anterior.
Segundo o banco, a expansão foi puxada por linhas com garantias, como financiamentos imobiliários e de veículos, além de avais, fianças e títulos e valores mobiliários. No trimestre, a carteira de crédito colateralizada alcançou 61,2% do portfólio total, crescimento de 1,7 ponto percentual nos últimos 12 meses.
Desde o início do turnaround, a estratégia do Bradesco é crescer com mais cautela na concessão de empréstimos, priorizando clientes com melhor avaliação de risco e operações que ofereçam garantias. Ao mesmo tempo, o banco busca reforçar receitas de outras fontes, como serviços e produtos de tesouraria.
Noronha destacou o desempenho de áreas como gestão de recursos, mercado de capitais e consórcios, além dos negócios de veículos. Segundo o executivo, as iniciativas de transformação do banco têm contribuído para ampliar sua competitividade.
A diversificação ajuda a sustentar o resultado em um ambiente mais difícil para o crédito. Mas não elimina o principal ponto de atenção dos investidores: a evolução dos atrasos e o volume de recursos que o banco precisa reservar para cobrir eventuais calotes.
A conta dos calotes continua subindo
Na visão do Bradesco, o cenário segue desafiador para bancos e clientes. Juros elevados, desaceleração da economia, renda comprometida das famílias e condições financeiras apertadas para as empresas limitam a capacidade de pagamento e a demanda por crédito.
O banco reconhece que esse ambiente tem desacelerado o crescimento das receitas ligadas aos empréstimos. A compensação, segundo Noronha, vem do avanço de outras fontes de receita e do controle das despesas.
Os indicadores de inadimplência, contudo, mostram pressão adicional. O índice de atrasos superiores a 90 dias subiu para 4,6%, alta de 0,5 ponto percentual em 12 meses e de 0,3 ponto percentual na comparação com o segundo trimestre.
Segundo o banco, a piora foi puxada principalmente pelas micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), com destaque para operações de capital de giro garantidas pelo governo federal, por meio dos fundos FGI e FGO.
Além disso, atrasos sazonais nas operações do banco John Deere, voltado ao agronegócio, também pressionaram os indicadores de pessoas físicas.
O efeito aparece nas despesas com provisões para perdas no crédito (PDD), o colchão que o banco separa para absorver possíveis calotes. No terceiro trimestre, elas somaram R$ 10,6 bilhões, alta de 24,3% em relação a um ano antes e de 6,6% frente ao trimestre anterior.
De onde vem o resultado do Bradesco
Além do risco de crédito, a evolução das margens ajuda a explicar o desempenho operacional do banco. A margem financeira do Bradesco, que reflete o resultado das operações financeiras, somou R$ 21,3 bilhões no trimestre, com alta de 14,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Dentro desse total, a margem financeira com clientes, ligada principalmente às operações bancárias com a clientela, cresceu 10,1%, alcançando R$ 20,5 bilhões. A linha ajuda a acompanhar a contribuição dos negócios tradicionais do banco para o resultado.
Já a margem financeira com o mercado, relacionada às operações de tesouraria e à exposição a movimentos de mercado, somou R$ 875 milhões no trimestre. Trata-se de uma disparada de 783% na comparação com os R$ 99 mihlões registrados há um ano e de 30% frente ao trimestre anterior.
O Bradesco atribuiu o desempenho à gestão de risco e à geração de resultados pela tesouraria, especialmente nas operações de produtos com risco de mercado oferecidos a clientes.
Bradesco vai às compras na bolsa
Junto ao balanço, o Bradesco anunciou a renovação de seu programa de recompra de ações. O banco poderá adquirir até 106,5 milhões de papéis negociados na B3 nos próximos 18 meses.
Do total, até 53,4 milhões serão ações ordinárias (BBDC3) e 53,2 milhões, preferenciais (BBDC4). As compras estão previstas para ocorrer entre 8 de novembro de 2026 e 8 de maio de 2028.
Segundo o banco, a operação pode aumentar proporcionalmente o valor dos dividendos e dos juros sobre capital próprio (JCP) por ação.
Isso porque, se os papéis recomprados forem posteriormente cancelados, haverá menos ações em circulação. Assim, cada ação remanescente passará a representar uma fatia maior do capital da companhia.
O efeito, porém, não é automático. O benefício para os acionistas dependerá do cancelamento dos papéis e da manutenção dos resultados e da política de distribuição de proventos do banco.
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