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Provisões e inadimplência continuam no centro do balanço enquanto o BB dá primeiros sinais de recuperação da rentabilidade

Enquanto ainda tenta deixar para trás os estragos provocados pela deterioração do crédito rural, o Banco do Brasil (BBAS3) começou a dar alguns sinais de reação no segundo trimestre de 2026 (2T26). O lucro voltou a crescer, veio acima das expectativas e a rentabilidade melhorou na comparação trimestral — mas a qualidade da carteira continua sendo o principal ponto de atenção.
Entre abril e junho, o lucro líquido recorrente do banco chegou a R$ 3,9 bilhões, um avanço de 13,9% em relação ao mesmo período de 2025 e de 3,3% frente ao trimestre imediatamente anterior.
O resultado também superou as estimativas do mercado, que projetava lucro médio de R$ 3,532 bilhões, segundo estimativas compiladas pela Bloomberg.
“Os números apresentados hoje são fruto de uma execução estratégica consistente e reforço dos vetores de geração de valor”, afirma a CEO do BB, Tarciana Medeiros, em nota à imprensa.
Segundo a executiva, o desempenho reflete a evolução da margem financeira bruta, “sustentada por um mix de crédito que tem uma melhor relação risco x retorno, pela diversificação das captações e pela boa alocação da nossa liquidez”.
Na rentabilidade, o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) ficou em 8,3%. O indicador ficou praticamente estável na base anual, com recuo de apenas 0,1 ponto percentual (p.p.) em relação ao 2T25, mas avançou 1 p.p. na comparação com o trimestre anterior.
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Também nesse quesito, o resultado veio melhor do que o esperado: o mercado projetava um ROAE de 7,1%.
O número, porém, ainda não muda a posição do Banco do Brasil entre os grandes bancos. A instituição continua na última colocação em rentabilidade, bem abaixo de concorrentes privados como Bradesco e Santander Brasil e ainda distante dos cerca de 24,2% entregues pelo Itaú Unibanco.
Embora os indicadores sejam o lado mais animador do balanço, a qualidade da carteira de crédito continua funcionando como um termômetro do desafio que o banco tem pela frente.
Apesar da melhora no resultado e na rentabilidade no segundo trimestre, a inadimplência continuou a avançar, mostrando que a normalização dos ativos ainda está em curso — e deve levar tempo.
Os atrasos acima de 90 dias avançaram 1,65 ponto percentual na comparação com o mesmo período de 2025 e 0,56 p.p. frente ao trimestre anterior, chegando a 5,61%.
O movimento segue pressionando as provisões para devedores duvidosos (PDD), o colchão financeiro que os bancos mantêm para absorver eventuais calotes. No segundo trimestre, as provisões subiram 23,7% em relação ao mesmo período do ano passado.
Os analistas já esperavam que o balanço mostrasse, mais uma vez, o peso das provisões sobre o resultado.
O custo do crédito, por sua vez, recuou 2,1% na comparação trimestral, mas ainda subiu 16,1% em relação ao 2T25, alcançando R$ 18,5 bilhões no período.
A resposta do Banco do Brasil para esse cenário passa também por uma expansão mais contida da carteira. A carteira de crédito ampliada do BB cresceu 1,5% na comparação anual e 0,6% frente ao trimestre anterior, superando R$ 1,3 trilhão.
O ritmo mais moderado reflete uma estratégia mais conservadora, com foco no controle de risco e na preservação de capital — ainda que isso limite o potencial de crescimento no curto prazo.
Na pessoa física, a carteira cresceu 4,4% em relação ao ano passado, puxada pelo crédito consignado privado. Já o crédito corporativo encolheu 2,5% em um ano, com maior destaque para linhas garantidas como Pronampe e PEAC FGI.
No agronegócio, um dos principais focos de preocupação do banco nos últimos trimestres, a carteira avançou 4,1%, puxada pelas operações contratadas com alienação fiduciária. Essa modalidade alcançou 70% na safra 25/26, em linha com os planos da administração para virar a página da inadimplência no portfólio rural.
Do lado das receitas, o ambiente mais apertado também deixou suas marcas, embora algumas linhas tenham ajudado a sustentar a recuperação do resultado.
A margem financeira bruta, que mede o resultado das operações de crédito depois do custo de captação, subiu 9,6% em 12 meses, para R$ 27,4 bilhões no período.
Dentro desse resultado, a margem com clientes avançou 5,1% na comparação anual e 2,2% frente ao trimestre passado, chegando a R$ 23,4 bilhões.
Já a margem financeira com o mercado, ligada aos ganhos do banco com operações de tesouraria, saltou 45,6% em relação ao mesmo trimestre de 2025. Na comparação com o 1T26, porém, houve queda de 10,2%, para R$ 4 bilhões.
As receitas de prestação de serviços do Banco do Brasil (BBAS3) também cresceram: alta de 4,2% em um ano, para R$ 9,1 bilhões no segundo trimestre.
Enquanto isso, as despesas administrativas avançaram 4,1% na comparação anual, para R$ 10,1 bilhões. Segundo o BB, a expansão está alinhada ao “constante investimento em pessoas e tecnologia”.
“O aumento das receitas com prestação de serviços ganha potência pela complementariedade do nosso conglomerado e os custos permaneceram sob controle, a partir de um trabalho constante de eficiência, sem abrir mão de investir naquilo que constrói o futuro: pessoas e tecnologia”, afirma Tarciana.
Assim, o 2T26 deixa uma fotografia menos negativa para o Banco do Brasil do que a vista nos trimestres anteriores: lucro e rentabilidade reagiram, mas a inadimplência e o custo de crédito ainda lembram que a virada não está completa.
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