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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

Retorno negativo na renda fixa

Por que alguns títulos públicos andaram apanhando ultimamente

Campeões de rentabilidade no ano, títulos prefixados e atrelados à inflação deram retorno negativo em novembro e deixaram investidores preocupados; entenda o que está acontecendo

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
4 de dezembro de 2019
5:30 - atualizado às 19:38
Boxeador acerta adversário
Imagem: Shutterstock

Alguns leitores do Seu Dinheiro têm me enviado e-mails preocupados com o desempenho negativo de certos títulos públicos e fundos de renda fixa em novembro.

Eles vinham animados com a formidável valorização dos títulos prefixados e atrelados à inflação em 2019, mas foram pegos de surpresa por uma reversão nessa tendência de alta.

Os títulos chamados de Tesouro Prefixado (LTN e NTN-F) e Tesouro IPCA+ (NTN-B e NTN-B Principal), bem como os fundos que procuram reproduzir os desempenhos de índices de renda fixa compostos por esses títulos (como os IMA-B) andaram apanhando um bocado.

Quanto maior o prazo do título, maior tende a ser o tombo, pois os papéis mais longos são mais voláteis. Antes, os títulos de vencimento mais distante eram justamente os que vinham brilhando no acumulado do ano.

Repare nas rentabilidades dos títulos prefixados e atrelados à inflação nos últimos 30 dias, conforme dados do Tesouro Direto, do pior para o melhor rendimento:

O maior perdedor de novembro e também dos últimos 30 dias foi o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2045, justamente o título que vinha apresentando uma das maiores rentabilidades do ano entre os ativos e indicadores que nós costumamos acompanhar aqui no Seu Dinheiro. Em 2019, seu retorno beira os 60%.

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Essa desvalorização recente se deve a uma abertura na curva de juros: as taxas de juros esperadas pelo mercado para as datas de vencimento dos títulos subiram, o que impacta negativamente os preços dos papéis.

No caso dos títulos de renda fixa que têm parte ou toda a remuneração prefixada, os preços sobem quando os juros futuros caem e caem quando os juros futuros sobem, como eu já expliquei nesta outra matéria.

Assim, essa alta recente nos juros futuros levou os títulos a se desvalorizarem no último mês.

Veja, os contratos de juros (DI de um dia) negociados na bolsa com vencimento em janeiro de 2021 acumulam alta de 4,90% no último mês. Já os contratos que vencem em janeiro de 2023 subiram 9,29% no período, enquanto aqueles que vencem em 2025 avançaram 8,36%. O DI para janeiro de 2029 avançou por volta de 6,68% nos últimos 30 dias.

No ano, entretanto, os juros futuros ainda acumulam uma forte queda, o que levou à grande valorização que tiveram esses títulos públicos e os fundos que investem neles.

Por que a curva de juros abriu

A alta dos juros futuros tem forte ligação com a alta do dólar. Em novembro, a moeda americana chegou a novas máximas históricas e fechou o mês com alta de quase 6%.

A cotação já estava em um patamar mais alto antes desse estirão, principalmente por conta da Selic na sua mínima histórica. Este fato tornou o país menos atrativo para o capital estrangeiro especulativo, dos investidores que tomam dinheiro emprestado em moeda forte para investir na dívida pública dos países de juros altos.

Além disso, os juros baixos estimularam as empresas brasileiras a trocarem dívida em dólar por dívida em real. O gringo também não tem investido no mercado de capitais brasileiro conforme o esperado. Todos esses fatos contribuíram para que houvesse uma escassez de dólares no país.

Só que, mais recentemente, novos fatores importantes vieram se somar a este cenário. O principal foram as convulsões sociais que começaram a pipocar na América Latina, em países como Chile e Bolívia. Elas vieram se somar à crise argentina para elevar o risco da região aos olhos dos investidores estrangeiros.

O Brasil acabou sendo contaminado pela onda de desvalorização das moedas latino-americanas ante o dólar, uma vez que a aversão a risco em relação à região cresceu.

A libertação do ex-presidente Lula também acendeu um sinal amarelo para o gringo, que passou a temer que a polarização política aumentasse, gerando protestos por aqui também.

Houve ainda uma frustração das expectativas com os leilões de exploração de petróleo, que tiveram muito menos participação de empresas estrangeiras do que o mercado e o próprio governo projetavam. A perspectiva era de uma grande entrada de dólares no país que acabou não acontecendo.

Também começaram a surgir os primeiros sinais, ainda tímidos, de recuperação da nossa economia. Alta do dólar e melhora no cenário econômico são fatores que podem vir a pressionar a inflação, ensejando um ajuste dos juros para cima.

O próprio presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, deixou claro que a instituição mexerá nos juros caso as perspectivas para a inflação mudem por causa do dólar mais forte.

Tal declaração levou os investidores a concluírem que, no mínimo, o atual ciclo de queda nos juros poderia terminar antes do que era esperado inicialmente.

“O mercado se animou muito com a possibilidade de a Selic ir abaixo de 4% e se decepcionou com a alta do dólar”, diz Dan Kawa, sócio da TAG Investimentos, lembrando que agora o BC começou a sinalizar que agiria com mais parcimônia.

Rodrigo Franchini, estrategista da assessoria de investimentos Monte Bravo, também acredita que o fechamento nas curvas de juros pode ter sido exagerado, embalado pelo otimismo dos investidores, e que agora passa por um ajuste.

“Não dava para achar que, com diferencial de juros tão baixo [entre as taxas do Brasil e dos EUA], a gente ia ter a mesma demanda por reais e renda fixa brasileira. As curvas fecharam muito mais do que poderíamos esperar”, disse.

Sobre a maior abertura ter acontecido justamente entre os juros de longo prazo, ele explica que essa parte da curva reflete mais o risco-país do que os efeitos de política monetária, tendo sido impactada pelo clima político e institucional ruim na América Latina.

Essa alta recente nos juros abriu oportunidades entre os títulos públicos?

O forte movimento de queda nos juros futuros em 2019 e a consequente valorização dos títulos pré e NTN-B derrubaram as remunerações desses papéis, tornando-os pouco atrativos para novas compras.

Quem conseguiu adquiri-los a taxas altas e surfou o movimento de valorização pode até começar a realizar ganhos, vendendo parte dos seus títulos públicos, caso tenha algum outro uso para esses recursos - como investir em renda variável ou mesmo efetivar um objetivo financeiro.

A recomendação é válida principalmente para quem tem títulos que vencem no curto ou médio prazo. Mesmo que os juros futuros voltem a cair, esses papéis já não têm muito o que ganhar, e até correm o risco de acabar devolvendo boa parte da valorização recente. Ou seja, tem mais risco do que possibilidade de retorno.

No caso dos títulos de longo prazo, a recomendação é um pouco diferente. Papéis com vencimentos lá para 2045 e 2050 ainda podem ganhar alguma coisa com um novo fechamento nas curvas de juros.

Especialistas no mercado de renda fixa descrevem as apostas nos juros de curto prazo como apostas conjunturais, mais ligadas à política monetária. Isto é, os juros curtos são mais afetados pelas perspectivas de alta ou queda da taxa Selic no curto prazo.

Como o ciclo de cortes pode estar chegando ao fim, as oportunidades não se encontram mais nessa parte da curva.

Já as apostas nos juros de longo prazo são apostas estruturais, ou seja, ligadas a mudanças mais profundas na economia do país.

Apostar na queda dos juros longos significa apostar que o Brasil resolverá seus problemas fiscais, terá uma inflação controlada no longo prazo e conseguirá ter um crescimento econômico mais sustentável.

Assim, a alta mais recente nos juros futuros, que elevou a remuneração dessas NTN-B de prazo longo, abriu uma oportunidade de entrada nestes papéis.

“Não que seja uma grande oportunidade”, diz Dan Kawa. “E também não é para comprar NTN-B longa com visão de curto prazo, mas sim para carregar por alguns anos”, alerta.

Para quem já tem títulos públicos prefixados e atrelados à inflação na carteira, os especialistas com quem eu conversei recomendam não comprar mais e também não vender se for para realizar algum tipo de prejuízo ou reinvestir no próprio Tesouro Direto.

“O investidor não deve se assustar com as flutuações, elas são normais”, lembra Rodrigo Franchini.

Se a intenção for levar o papel até o vencimento, aí mesmo que você não deve se desesperar

Vale frisar que, para o investidor que pensa em levar esses papéis até o vencimento, a rentabilidade será exatamente aquela que foi acordada no ato da compra do título.

Essas altas ou perdas nos títulos públicos refletem os seus preços de mercado dia a dia. O investidor só realiza os ganhos ou prejuízos se vender o papel antes do vencimento.

Se você comprou, por exemplo, uma NTN-B que remunera 3% ao ano mais IPCA, será exatamente esta a sua rentabilidade na data de vencimento do título - nem mais, nem menos.

Quem investe em fundos de renda fixa indexados, como os fundos IMA-B, já não tem essa possibilidade de “sentar em cima” do título, pois esse tipo de escolha fica a cargo do gestor.

Quando ocorre uma desvalorização, esse investidor de fato vê seu investimento minguar, pois as cotas dos fundos precisam ser marcadas a mercado. Isto é, precisam ter seu valor atualizado diariamente conforme os preços de mercado dos seus ativos.

Assim, ao efetuar resgates, o investidor estará sempre realizando perdas ou ganhos, dependendo do preço da cota quando ele entrou e do preço da cota quando ele saiu do fundo.

Essas dinâmicas de preço são o que permite investir em títulos públicos de duas formas: de maneira passiva, para ganhar com a rentabilidade no vencimento, e de maneira ativa, para ganhar com a valorização. A segunda, como você pode perceber com a recente queda nos preços dos títulos, é mais arriscada.

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