🔴 AÇÕES, FIIs, DIVIDENDOS, BDRs: ONDE INVESTIR EM ABRIL? CONFIRA +30 RECOMENDAÇÕES AQUI

Eduardo Campos

Eduardo Campos

Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.

Câmbio

Pode parecer estranho, mas usamos as reservas internacionais diariamente

Em um país com grave crise fiscal e baixo crescimento, reservas internacionais são a única salvação que temos

Eduardo Campos
Eduardo Campos
1 de novembro de 2018
5:01 - atualizado às 14:08
Imagem: Andrei Morais - Montagem/Shutterstock

O futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, causou furor nos últimos dias com suas falas sobre eventual uso das reservas internacionais. Guedes condicionou o uso de parte dos US$ 380 bilhões a uma situação hipotética de eventual ataque especulativo, com posterior abatimento de dívida. Mas o fato é que já usamos esse “seguro” diariamente, não só como garantia nas os famosos swaps cambiais, mas como uma barreira constante a eventuais ataques especulativos e mesmo como uma forma de melhorar a percepção de risco do país quando o caldo entorna para os emergentes.

Ainda sobre a fala de Guedes, mesmo que em condições não factuais, o futuro ministro cometeu alguns pecados quando se trata de intervenção cambial. Mencionou um possível preço, de R$ 4 a R$ 5, e o montante que pretende usar para acalmar os ânimos do mercado e abater dívida pública, US$ 100 bilhões.

O primeiro pecado é que Guedes fala como ministro da Fazenda (ou da Economia) e reservas internacionais são da alçada de outro órgão, o Banco Central (BC). Não que os dois órgãos não se conversem, mas é o famoso “cada um no seu quadrado”. Ainda mais quando Guedes afirma que vai buscar a independência ou autonomia formal do BC e o regime em voga no país é de câmbio flutuante.

Além disso, o manual do bom banqueiro central ensina que: "intervenção cambial não se anuncia, se faz". De nada adianta o BC avisar ao mercado que vai atuar quando a cotação atingir referido preço e que vai dispor de tal montante para isso.

O sucesso de uma intervenção no câmbio é diretamente proporcional ao seu efeito surpresa. O BC tem de entrar no mercado para tirar o comprado ou o vendido da zona de conforto. Ou como dizem nas mesas, “tem que dar nos dedos do mercado”.

Descuidos à parte, pois o futuro ministro parece estar se acostumando com o burburinho de repórteres e ao natural tumulto de um “quebra-queixo”, Guedes tem profundo entendimento sobre o tema, pois de acordo com relato do “O Globo”, ele gosta de repetir que “só precisa desse nível elevado de reservas quem não faz ajuste fiscal”.

Leia Também

Yes! Nós temos reservas!

É natural que uma montanha de dinheiro de US$ 380 bilhões desperte todo tipo de interesses e “boas ideias”. Ao longo da campanha ouvimos planos infalíveis de usar parte desse dinheiro para pagar dívida, financiar investimentos em infraestrutura, saúde ou educação.

Debater academicamente se o patamar é elevado (ou não) ou se custa caro ou muito caro é expediente usual e saudável. Mas a questão de fundo é quais seriam as condições macroeconômicas gerais que permitiram sair desse debate para uma ação coordenada de venda de reservas. E tudo sugere que nunca estivemos, não estamos e parecemos um pouco longe de chegar a essas condições.

O déficit fiscal brasileiro é elevado e a trajetória de endividamento é explosiva. O cenário não é ainda pior, pois nos últimos anos saímos de um déficit externo de mais de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), geralmente associado a crises no balanço de pagamentos, para menos de 1% do PIB, com larga margem de financiamento pelo fluxo de investimento externo. Em outras palavras “sobra dólar” e isso ajuda a "comprar" um tempo para a aprovação das reformas.

Não fosse o ajuste externo, mas principalmente esses US$ 380 bilhões em reservas, certamente teríamos o mesmo destino da Argentina e da Turquia, que tiveram de subir o juro de forma rápida e para patamares hoje impensáveis de modo a lidar com uma fuga de capitais ou descrédito com relação à capacidade de pagamento de compromissos externos. Aliás, crises no balanço de pagamentos foram doença recorrente na história brasileira e são mazela contumaz nos ditos países emergentes.

Colocando de outra forma, um país com uma dívida bruta de 77% do PIB e zero de reservas internacionais não é avaliado por seus credores da mesma forma que um outro país com os mesmos 77% de dívida, mas com reservas de cerca de 20% do PIB, que é o nosso caso. Assim, as reservas são um seguro, um colchão de liquidez, e um contraponto à expansão da dívida pública.

Quanto custa um seguro contra crises?

O custo das reservas decorre do fato de elas terem sido formadas com a emissão de dívida doméstica, grosso modo a taxa Selic, mas estão aplicadas em títulos da dívida americana, que retornam um juro menor. Em outras palavras, somos financiadores dos EUA, carregando mais de US$ 371,8 bilhões em títulos. Entre os maiores detentores de dívida americana perdemos apenas para a China, com US$ 1,165 trilhão, e o Japão, com US$ 1,029 trilhão, segundo dados do Tesouro dos EUA.

O nosso dinheiro está em títulos americanos não por sermos "entreguistas" ou por "subserviência à CIA", mas pelo simples fato de que os Treasuries são considerados “quase dinheiro”, ou seja, apresentam liquidez imediata em caso de necessidade. E quando há uma crise, todo mundo só pensa em liquidez e em dólar. Há uma pequena parcela em ouro físico e outros ativos.

A Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado fez um estudo detalhado sobre o tema em 2017, onde mostra essa relação da Selic com o custo. Quanto maior a Selic, maior o custo de carregamento. Na época do estudo, esse custo em percentual das reservas rondava os 12%, mas deve estar pouco menor, já que Selic caiu e juro americano aumentou.

Podemos fazer críticas ao custo e ao tamanho das reservas, mas o fato é que essa avaliação não pode ser feita sem levar em conta os benefícios que essa montanha de dólares representa.

É muito difícil fazer um contrafactual do que seria o país sem as reservas. Além disso, as reservas são instrumento de outra missão do BC, que além de garantir o poder de compra da moeda, tem de preservar a estabilidade financeira. Embora pareça pouco palpável, a estabilidade do sistema financeiro é um bem público. Crises financeiras deixam marcas indeléveis na vida de todos.

Vender reservas em um momento como o atual ou sem fazer o devido ajuste nas contas fiscais seria como cancelar o seguro contra incêndio assim que a casa começasse a pegar fogo.

Para mostrar que não estou falando sozinho, cito aqui partes de um artigo recente do ex-chefe do Departamento das Reservas Internacionais (Depin), do Banco Central, Ariosto Revoredo de Carvalho.

Carvalho lembra que estudos feitos por vários BCs e pelo Fundo Monetário Internacional se debruçam sobre o assunto do volume ideal de reservas. Mas se algumas métricas indicam que nossas reservas são altas, a comparação com outros países indica que estamos na média. Não somos um ponto fora da curva.

"Esse volume de reservas é sempre mencionado como uma das grandes defesas para enfrentar as turbulências no mercado, ao longo dos últimos anos. Mais de uma vez já ouvimos a frase: 'ainda bem que vocês têm as reservas'. O uso das reservas, como se fossem uma poupança à nossa disposição, pode e deve ser estudado, mas devemos sempre ter em mente que elas foram criadas através de dívida, isto é, tiveram um custo para serem acumuladas, e que sua função de seguro contra crises, importadas ou não, não pode ser subestimada. O fato é que já usamos as reservas e, pelas evidências, de forma adequada."*

Reservas e swaps cambiais

Uma forma de garantir um sistema financeiro sólido e eficiente é oferecer proteção cambial ao setor privado em momentos de instabilidade. Para fazer isso, o BC conta com alguns instrumentos, como a venda de reservas, leilões de swap e leilões de linha com compromisso de recompra.

Vamos centrar atenção nos swaps, pois é o instrumento principal que vem sendo utilizado nos últimos anos, já que desde o começo de 2009 o BC não compra ou vende reservas.

O swap é um derivativo que relaciona a variação cambial com a taxa de juros em determinado período de tempo. Ele é engenhoso pois é capaz de prover proteção cambial com toda sua liquidação acontecendo em reais. Não se gasta um centavo das reservas.

De forma simplificada, no swap tradicional, que equivale à venda de dólares no mercado futuro, o BC é ganhador quando o dólar cai e perdedor quando a moeda americana sobe ante o real. Há o swap reverso, que como o nome diz, equivale à compra de moeda no mercado futuro.

O fato é que o mercado aceita os swaps e eles funcionam em momentos de instabilidade porque há um lastro nas reservas internacionais. Para cada “dólar sintético” vendido pelo BC há uma quantia bastante superior em “dólares de verdade” nas reservas internacionais. Não fosse isso, os investidores certamente demandariam “dólar de verdade” para proteger sua exposição ao real.

No ápice da política de uso dos swaps, o estoque de operações passou os US$ 100 bilhões, entre 2015 e 2016, reflexo de uma “ração diária” iniciada em 2013, instituída para lidar com os primeiros acenos do Federal Reserve (Fed), banco central americano, sobre uma normalização de sua política monetária. Ao longo de 2016, o BC tirou contratos de circulação, deixando os swaps vencerem ou atuando com o swap reverso.

Agora, o estoque está na casa dos US$ 68,8 bilhões, com o BC fazendo apenas a rolagem dos contratos vincendos. A última colocação líquida de novos contratos aconteceu em junho e agora, com a cotação do dólar testando a linha dos R$ 3,70, passa a se discutir qual seria a postura do BC. Manter as rolagens integrais, fazer rolagens parciais ou retirar contratos do mercado com swaps reversos. Nesta quinta-feira, o BC começa a rolagem integral do lote de US$ 12,2 bilhões que vence em dezembro.

Os swaps implicam em custo fiscal, pois seus ajustes são creditados na conta de juros do governo. Em 2015, a fatura fechou o ano em quase R$ 90 bilhões, resultado de uma alta de quase 50% do dólar. Em 2016, com a queda do dólar e do estoque, o BC embolsou R$ 75,5 bilhões. No ano passado, o ganho foi de R$ 7 bilhões e agora em 2018, a conta está negativa para o BC em R$ 3,2 bilhões.

Para encerrar, sempre que ouvir ou ler o termo “crise” e ver os mercados se desmanchando em vermelho na tela do home broker, lembre-se de pensar: ainda bem que temos reservas.

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
conteúdo EQI

Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário

1 de abril de 2025 - 12:00

O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como

BALANÇO DO MÊS

Tarifaço de Trump aciona modo cautela e faz do ouro um dos melhores investimentos de março; IFIX e Ibovespa fecham o pódio

31 de março de 2025 - 19:08

Mudanças nos Estados Unidos também impulsionam a renda variável brasileira, com estrangeiros voltando a olhar para os mercados emergentes em meio às incertezas na terra do Tio Sam

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump

31 de março de 2025 - 8:18

O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”

conteúdo EQI

Dólar atinge o menor patamar desde novembro de 2024: veja como buscar lucros com a oscilação da moeda

26 de março de 2025 - 8:00

A recente queda do dólar pode abrir oportunidades estratégicas para investidores atentos; descubra uma forma inteligente de expor seu capital neste momento

TÁ NA ATA

Sem sinal de leniência: Copom de Galípolo mantém tom duro na ata, anima a bolsa e enfraquece o dólar

25 de março de 2025 - 12:10

Copom reitera compromisso com a convergência da inflação para a meta e adverte que os juros podem ficar mais altos por mais tempo

MACRO EM FOCO

Juros nas alturas têm data para acabar, prevê economista-chefe do BMG. O que esperar do fim do ciclo de alta da Selic?

23 de março de 2025 - 12:01

Para Flávio Serrano, o Banco Central deve absorver informações que gerarão confiança em relação à desaceleração da atividade, que deve resultar em um arrefecimento da inflação nos próximos meses

APROVADO PARA SUA CARTEIRA

Mercado Livre (MELI34) recebe o selo de compra da XP: anúncios e Mercado Pago são as alavancas de valor 

18 de março de 2025 - 13:57

Analistas esperam valorização da ação e indicam que o valuation no curto prazo aponta para um preço 40% abaixo da média histórica de 3 anos

MERCADOS HOJE

Ibovespa acima de 130 mil pela primeira vez em 3 meses: o que dá fôlego para a bolsa subir — e não é Nova York

17 de março de 2025 - 13:36

Além de dados locais, o principal índice da bolsa brasileira recebeu uma forcinha externa; o dólar operou em queda no mercado à vista

O DIA DOS MERCADOS

Bolsa em disparada: Ibovespa avança 2,64%, dólar cai a R$ 5,7433 e Wall Street se recupera — tudo graças à China

14 de março de 2025 - 17:37

Governo chinês incentiva consumo e uso do cartão de crédito, elevando expectativas por novos estímulos e impulsionando o mercado por aqui

FECHAMENTO DOS MERCADOS

Nem Trump para o Ibovespa: índice descola de Nova York e sobe 1,43% com a ajuda de “quarteto fantástico”

13 de março de 2025 - 17:16

Na Europa, a maioria da bolsas fechou em baixa depois que o presidente norte-americano disse que pode impor tarifas de 200% sobre bebidas alcoólicas da UE — as fabricantes de vinho e champagne da região recuaram forte nesta quinta-feira (13)

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Contradições na bolsa: Ibovespa busca reação em dia de indicadores de atividade no Brasil e nos EUA

13 de março de 2025 - 8:16

Investidores também reagem ao andamento da temporada de balanços, com destaque para o resultado da Casas Bahia

DÓLAR DESCENTRALIZADO

Stablecoins ocupam o espaço de dólar digital nos EUA — regulação avança no Senado e impulsiona modernização financeira

12 de março de 2025 - 16:37

Comitê Bancário do Senado norte-americano vota regulação das stablecoins nesta quinta-feira (13), enquanto Brasil busca avançar com moedas digitais no Brics

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Decisão polêmica: Ibovespa busca recuperação depois de temor de recessão nos EUA derrubar bolsas ao redor do mundo

11 de março de 2025 - 8:29

Temores de uma recessão nos EUA provocaram uma forte queda em Wall Street e lançaram o dólar de volta à faixa de R$ 5,85

VERÃO CHEGOU (NOS EUA)

Investidores, preparem-se: bolsa brasileira em novo horário — e tudo o que você precisa saber sobre os mercados e o dólar

9 de março de 2025 - 15:57

O horário de verão nos Estados Unidos e no Canadá altera o funcionamento das negociações aqui e lá a partir desta segunda-feira (10); o Seu Dinheiro detalha as mudanças e também faz um resumo da semana mais curta nos mercados por conta do Carnaval

NO FLOW

Haddad solta o verbo: dólar, PIB, Gleisi, Trump e até Argentina — nada escapou ao ministro da Fazenda

8 de março de 2025 - 9:54

Ele participou na noite de sexta-feira (7) do podcast Flow e comentou sobre diversos assuntos caros ao governo; o Seu Dinheiro separou os principais pontos para você

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Quando você é o técnico: Ibovespa busca motivos para subir em dia decisão de juros do BCE

6 de março de 2025 - 8:09

Além do BCE, os investidores seguem de olho nas consequências da guerra comercial de Donald Trump

TUDO EM TODO LUGAR AO MESMO TEMPO

O dólar vai cair mais? Kinea reduz posição comprada na moeda americana, segue vendida em bolsa brasileira, mas mantém uma aposta de alta

28 de fevereiro de 2025 - 18:01

A desaceleração da economia brasileira, os juros altos e o cenário político incerto levaram a gestora a manter a posição vendida na bolsa do Brasil — e, taticamente, também vendida em real

conteúdo EQI

‘Tarifaço’ de Trump faz moeda americana oscilar, o que pode ser uma oportunidade: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário

28 de fevereiro de 2025 - 8:00

Tarifas sobre produtos importados impostas por Donald Trump tem incentivado oscilações do dólar, mas é possível buscar lucros com esse movimento; veja como

Conteúdo Opt.me

80% em um ano: Robô 100% automatizado bateu o CDI, o ouro e o dólar; saiba como usar a ferramenta

27 de fevereiro de 2025 - 12:00

Robô que investe em ativos americanos ‘sozinho’ teve um desempenho 8 vezes melhor que o CDI em 2024, com rendimento em dólar

CEO CONFERENCE 2025

O calcanhar de Aquiles que pode derrubar Trump e a maior economia do mundo

26 de fevereiro de 2025 - 16:50

Kevin Warsh, antigo membro do conselho de governadores do Fed, fala dos pontos fortes e fracos do novo governo norte-americano em uma conversa com André Esteves, chairman e sócio sênior do BTG Pactual

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar