Perdeu a chance de lucrar com a queda dos juros? Saiba o que fazer agora que a Selic caiu mais
Banco Central acaba de cortar a taxa básica de juros, reduzindo ainda mais o retorno das aplicações conservadoras; se você ainda não se preparou para este novo cenário de juro baixo, tenho uma notícia pra você…

"E aí, preparada?", me perguntou o tatuador.
"Não, nunca estou", respondi.
Foi assim que começou a sessão de uma das minhas tatuagens, que fiz nas costas e doeu pacas. E é a mais pura verdade. Apesar de eu ter algumas tattoos grandes, já conhecer o processo e estar acostumada com a dor, a gente nunca está preparado para um negócio desses.
Quando a região é sensível, dói mesmo, e não importa quantas tatuagens você já tenha feito, nem quão durão ou durona você seja. E, se bobear, você ainda passa mal! (Lembre-se de comer e beber água antes de uma sessão de tatuagem.)
Mas nem toda a dor é assim. Com a preparação correta, algumas dores podem ser evitadas, ou pelo menos minimizadas. A dor no bolso, por exemplo.
Se você investe em renda fixa conservadora, aquelas aplicações cuja remuneração é atrelada à taxa Selic ou ao CDI, deve andar bastante insatisfeito com o retorno dos seus investimentos no atual cenário de juro baixo.
Pois na última quarta-feira (31), o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) cortou a meta da taxa Selic pela primeira vez desde março do ano passado, derrubando-a para de 6,50% para 6,00% ao ano.
Leia Também
Isso significa que a rentabilidade dessas aplicações mais conservadoras vai reduzir ainda mais. Nesta outra matéria, eu mostrei, em uma simulação, quanto vão render a poupança, o Tesouro Selic, os fundos de renda fixa conservadora e as LCI depois desse corte nos juros.
Quem acompanha o Seu Dinheiro há algum tempo já está careca de saber que esse movimento do Banco Central já era mais do que esperado. E que deixar todo o patrimônio aplicado em renda fixa conservadora nesse cenário pode ser a maior roubada.
Se o nosso leitor mais antigo não ficou só no plano da informação e partiu para a ação, certamente já estava preparado, tendo se posicionado nos ativos capazes de lucrar com a expectativa do mercado para a taxa Selic.
Afinal, o mercado já vinha antecipando os cortes de juros por parte dos bancos centrais americano e brasileiro, conforme apontava o comportamento dos juros futuros. A decisão mais recente do Copom só veio concretizar essa expectativa.
Agora, se você foi pego de surpresa por esse corte nos juros, ou se já sabia que o mercado vinha precificando essa queda e não fez nada a respeito, sinto informar, mas você já perdeu umas boas oportunidades de ganhar dinheiro.
A maior parte dos ganhos com títulos de renda fixa prefixados e atrelados à inflação meio que já foi. No caso dos títulos públicos, as valorizações chegaram à casa dos 20% no ano passado e dos 40% só no primeiro semestre deste ano. Também houve oportunidades em debêntures atreladas a índices de preços.
Ainda tem espaço para eles valorizarem alguma coisa. Mas, especialmente no caso dos títulos públicos, caso você ainda não tenha nenhum deles na carteira até agora e venha a se posicionar, é provável que seu retorno não seja mais lá grande coisa.
Mas então quer dizer que quem perdeu a chance de surfar a queda nos juros futuros não tem mais o que fazer agora que a Selic caiu? Está condenado a sofrer a dor de dezenas de agulhas no bolso?
Não, vamos lá: ainda dá para correr atrás do prejuízo. Ou melhor, do lucro. Se você ficou conservadorzão até agora, veja o que você pode fazer para melhorar o desempenho dos seus investimentos:
1. Escolha investimentos melhores para a sua reserva de emergência
Não tem muito jeito. Sua reserva de emergência e os recursos voltados para objetivos de curto prazo, para os quais o dinheiro não pode faltar de jeito nenhum, precisam permanecer aplicados em investimentos superconservadores e de liquidez diária, mesmo que eles estejam rendendo pouco.
Mas a poupança não é um deles, ok? A menos que você ainda tenha dinheiro na poupança antiga - que, no caso, está rendendo bem -, esqueça a caderneta. Esqueça também aquele CDB de banco grande que paga um percentual pífio do CDI.
Os melhores investimentos para a sua reserva de emergência hoje, em termos de risco e retorno, são o Tesouro Selic, título público que pode ser negociado pelo Tesouro Direto, e os fundos de renda fixa que aplicam exclusivamente em Tesouro Selic e que não cobram taxas, oferecidos atualmente pelo BTG Pactual Digital, pela corretora Pi e pela Órama.
Outros fundos DI que não invistam em crédito privado e tenham taxas baixas, sendo capazes de entregar perto de 100% do CDI, também são válidos.
E se você, por acaso, tiver acesso a algum título emitido por um grande banco - como CDB, LCI ou LCA - com liquidez diária e pagando um percentual alto do CDI, pode ser interessante também. Mas essas aplicações só costumam estar acessíveis a investidores com muitos recursos e bom relacionamento com a instituição financeira.
2. Corte os custos dos seus investimentos
Para ontem. Fundo de renda fixa conservadora com taxa de administração alta, corretora que cobra taxa de agente de custódia para investir no Tesouro Direto e plano de previdência privada com taxa de carregamento já não deveriam mais estar na sua carteira há muito tempo.
Se você investe em um fundo conservador que vem rendendo consideravelmente abaixo do CDI em razão de uma taxa de administração elevada, já passou da hora de trocá-lo por um fundo mais barato, que consiga, pelo menos, render cerca de 100% do CDI. Ou então por um desses fundos que não cobram taxa.
No caso do Tesouro Direto, a maioria das corretoras independentes e todas as corretoras de grandes bancos isentam seus clientes da taxa de agente de custódia, cobrando apenas a taxa de custódia obrigatória de 0,25% ao ano.
Se você ainda investe por uma corretora que cobra essa taxa, está comendo bola. Você pode, inclusive, transferir a custódia dos seus títulos públicos para uma corretora que não cobre taxa, sem problema algum.
Finalmente, no caso da previdência privada, já existe uma série de seguradoras que oferecem planos sem taxa de carregamento e taxas de administração mais baixas que os planos antigos.
Se a rentabilidade do seu plano atual estiver sendo sacrificada pelos altos custos, você pode pedir portabilidade para um plano mais barato, sem custo e sem precisar voltar a contar do zero o prazo de aplicação, o que poderia afetar a tributação do plano. Eu falo mais sobre como fazer portabilidade de previdência privada nesta matéria.
No vídeo a seguir, eu falo mais sobre os custos que você pode evitar ou reduzir, na hora de investir, de forma a aumentar o retorno das suas aplicações financeiras:
3. Separe seus objetivos em prazos! Nada de deixar todo o dinheiro da sua vida em aplicações conservadoras de liquidez diária
Deixe APENAS a sua reserva de emergência e o dinheiro para objetivos de curto prazo em investimentos conservadores que rendam próximo do CDI. Nada mais.
Se você já construiu um bom patrimônio, não tem por que deixar todo o dinheiro da sua vida em fundo DI, LCI e LCA de grandes bancos, poupança, CDB ou Tesouro Selic. Afinal, dificilmente você vai precisar de todo o seu dinheiro amanhã.
Acostume-se a pensar em objetivos e prazos para esses objetivos. O dinheiro que você não for usar imediatamente, aplique-o em alternativas mais rentáveis, mesmo que tenham mais volatilidade ou menos liquidez. Por exemplo, o dinheiro para quando você se aposentar, ou que você só pretende usar daqui a alguns anos.
Mesmo o seu bancão pode ser que ofereça uma aplicação mais rentável caso você abra mão da liquidez diária. Vale a pena verificar.
4. Busque ativos de maior risco
Embora alguns ativos que se beneficiam dos movimentos de queda nos juros futuros já tenham valorizado bastante, ainda dá tempo de se posicionar para ter retornos maiores que a renda fixa conservadora neste cenário de juro baixo.
Até porque, esse Brasil do juro baixo, pelo visto, veio para ficar por algum tempo. “Os juros estão baixos, mas devem ficar menores ainda. E devem ficar em níveis baixos por um período longo”, diz Marco Bismarchi, sócio gestor da TAG Investimentos.
Então não vai ter muito jeito. Para ter retornos melhores que os da renda fixa pós-fixada, o investidor vai ter que correr um pouco mais de risco em outras classes de ativos.
Mais do que isso: vai ter que diversificar. Não se trata de se jogar na bolsa de valores com tudo, mas de pelo menos começar a olhar com mais atenção para uma gama maior de ativos.
“Num universo de Selic elevada, a necessidade de diversificação não era tão clara. Mas com uma Selic baixa e juros reais abaixo de 1% ao ano depois de descontado o imposto de renda, o único caminho é a diversificação ampla”, diz Martin Iglesias, especialista em investimentos do Itaú Unibanco.
“Independentemente de qualquer coisa, os juros vão ficar baixos, no mínimo, até o fim de 2020. E, se subirem, vai ser só lá para 2021, e não mais para os níveis que víamos antes”, completa.
Além de Bismarchi e Iglesias, eu conversei com mais dois especialistas, de outras duas instituições financeiras, para saber onde aqueles investidores que ainda não se prepararam para o novo cenário de juro baixo podem se posicionar. Confira as orientações a seguir:
Fundos de ações
Para todas as casas, a bolsa é a principal aposta no atual cenário. E todos os especialistas foram unânimes em recomendar o investimento por meio de fundos ativos de ações, aqueles nos quais os gestores escolhem os papéis, e não simplesmente seguem o desempenho do Ibovespa.
Fundos multimercados
Mas, é claro, nem todo mundo tem perfil para investir em ações. Alguns investidores não suportam ver qualquer perda no seu portfólio nunca, jamais. Outros até toleram alguma volatilidade, mas apenas em uma pequena parte da carteira. Outros, ainda, pela idade avançada, devem se preocupar mais em preservar patrimônio do que em ter uma grande rentabilidade.
Nesse sentido, há outros ativos interessantes. Todos os especialistas com quem conversei recomendaram também fundos multimercados, aqueles que podem investir em diversas classes de ativos, incluindo ações, e que podem ter variados níveis de risco.
Eles são pedidas mais interessantes para os mais conservadores ou para aqueles que só vão botar uma pequena parte do patrimônio em fundos de ações.
Tesouro IPCA+ (NTN-B)
Na renda fixa, o grande movimento de valorização dos prefixados e títulos atrelados à inflação, como eu disse anteriormente, parece já ter passado. “Essa parte da renda fixa já foi”, diz Ronaldo Guimarães, head da plataforma de investimentos do Modalmais.
Ele e os demais especialistas acham que agora o espaço para ganhos, tanto com valorização quanto para levar o título até o vencimento, está nos títulos atrelados à inflação de prazo mais longo, o Tesouro IPCA+.
Mesmo assim, eles só devem ter altas mais modestas - ou, nas palavras de Ronaldo, não têm mais “muito suco” -, devendo receber apenas uma pequena parte da carteira do investidor.
O Tesouro IPCA+ pode ser comprado pelo Tesouro Direto. Saiba como investir.
Fundos imobiliários, debêntures incentivadas e dólar
Outro tipo de ativo recomendado por Ronaldo, e que pode ser interessante mesmo para os mais conservadores, são os fundos imobiliários (saiba como investir).
Já Alexandre Hishi, responsável pela área de gestão de investimentos da Azimut Brasil Wealth Management, considera os fundos de debêntures incentivadas como alternativas até mais interessantes do que o Tesouro IPCA+.
As debêntures incentivadas são títulos emitidos por empresas para financiar projetos de infraestrutura, sendo isentas de imposto de renda para a pessoa física. Por consequência, os fundos que investem nelas também são isentos. Eu falo mais sobre esses fundos nesta reportagem.
Finalmente, dois especialistas recomendaram também uma pequena alocação em dólar, de até 5%, apenas para proteção do portfólio.
Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump
Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real
110% do CDI e liquidez imediata — Nubank lança nova Caixinha Turbo para todos os clientes, mas com algumas condições; veja quais
Nubank lança novo investimento acessível a todos os usuários e notificará clientes gradualmente sobre a novidade
Esporte radical na bolsa: Ibovespa sobe em dia de IPCA-15, relatório do Banco Central e coletiva de Galípolo
Galípolo concederá entrevista coletiva no fim da manhã, depois da apresentação do Relatório de Política Monetária do BC
Ato falho relevante: Ibovespa tenta manter tom positivo em meio a incertezas com tarifas ‘recíprocas’ de Trump
Na véspera, teor da ata do Copom animou os investidores brasileiros, que fizeram a bolsa subir e o dólar cair
Selic em 14,25% ao ano é ‘fichinha’? EQI vê juros em até 15,25% e oportunidade de lucro de até 18% ao ano; entenda
Enquanto a Selic pode chegar até 15,25% ao ano segundo analistas, investidores atentos já estão aproveitando oportunidades de ganhos de até 18% ao ano
Sem sinal de leniência: Copom de Galípolo mantém tom duro na ata, anima a bolsa e enfraquece o dólar
Copom reitera compromisso com a convergência da inflação para a meta e adverte que os juros podem ficar mais altos por mais tempo
Com a Selic a 14,25%, analista alerta sobre um erro na estratégia dos investidores; entenda
A alta dos juros deixam os investidores da renda fixa mais contentes, mas este momento é crucial para fazer ajustes na estratégia de investimentos na renda variável, aponta analista
Cuidado com a cabeça: Ibovespa tenta recuperação enquanto investidores repercutem ata do Copom
Ibovespa caiu 0,77% na segunda-feira, mas acumula alta de quase 7% no que vai de março diante das perspectivas para os juros
Inocentes ou culpados? Governo gasta e Banco Central corre atrás enquanto o mercado olha para o (fim da alta dos juros e trade eleitoral no) horizonte
Iminência do fim do ciclo de alta dos juros e fluxo global favorecem, posicionamento técnico ajuda, mas ruídos fiscais e políticos impõem teto a qualquer eventual rali
Felipe Miranda: Dedo no gatilho
Não dá pra saber exatamente quando vai se dar o movimento. O que temos de informação neste momento é que há uma enorme demanda reprimida por Brasil. E essa talvez seja uma informação suficiente.
Eles perderam a fofura? Ibovespa luta contra agenda movimentada para continuar renovando as máximas do ano
Ata do Copom, balanços e prévia da inflação disputam espaço com números sobre a economia dos EUA nos próximos dias
Juros nas alturas têm data para acabar, prevê economista-chefe do BMG. O que esperar do fim do ciclo de alta da Selic?
Para Flávio Serrano, o Banco Central deve absorver informações que gerarão confiança em relação à desaceleração da atividade, que deve resultar em um arrefecimento da inflação nos próximos meses
Co-CEO da Cyrela (CYRE3) sem ânimo para o Brasil no longo prazo, mas aposta na grade de lançamentos. ‘Um dia está fácil, outro está difícil’
O empresário Raphael Horn afirma que as compras de terrenos continuarão acontecendo, sempre com análises caso a caso
Não fique aí esperando: Agenda fraca deixa Ibovespa a reboque do exterior e da temporada de balanços
Ibovespa interrompeu na quinta-feira uma sequência de seis pregões em alta; movimento é visto como correção
Deixou no chinelo: Selic está perto de 15%, mas essa carteira já rendeu mais em três meses
Isso não quer dizer que você deveria vender todos os seus títulos de renda fixa para comprar bolsa neste momento, não se trata de tudo ou nada — é até saudável que você tenha as duas classes na carteira
Ainda sobe antes de cair: Ibovespa tenta emplacar mais uma alta após decisões do Fed e do Copom
Copom elevou os juros por aqui e Fed manteve a taxa básica inalterada nos EUA durante a Super Quarta dos bancos centrais
Rodolfo Amstalden: As expectativas de conflação estão desancoradas
A principal dificuldade epistemológica de se tentar adiantar os próximos passos do mercado financeiro não se limita à já (quase impossível) tarefa de adivinhar o que está por vir
Renda fixa mais rentável: com Selic a 14,25%, veja quanto rendem R$ 100 mil na poupança, em Tesouro Selic, CDB e LCI
Conforme já sinalizado, Copom aumentou a taxa básica em mais 1,00 ponto percentual nesta quarta (19), elevando ainda mais o retorno das aplicações pós-fixadas
Copom não surpreende, eleva a Selic para 14,25% e sinaliza mais um aumento em maio
Decisão foi unânime e elevou os juros para o maior patamar em nove anos. Em comunicado duro, o comitê não sinalizou a trajetória da taxa para os próximos meses
A recessão nos EUA: Powell responde se mercado exagerou ou se a maior economia do mundo está em apuros
Depois que grandes bancos previram mais chance de recessão nos EUA e os mercados encararam liquidações pesadas, o chefe do Fed fala sobre a situação real da economia norte-americana