Pode ser hora de vender seus títulos públicos, diz SulAmérica; confira as projeções da seguradora para os investimentos em 2020
Para quem ganhou dinheiro com prefixados e títulos atrelados à inflação, é prudente reduzir posição, diz vice-presidente responsável pela área de investimentos da instituição; oportunidades no ano que vem estarão na bolsa e no crédito privado, mas é preciso cautela

Todo mundo sabe que, passado o mês de agosto, é um piscar de olhos até o Natal. Já vemos Panettone nas gôndolas dos mercados, e os investidores profissionais já se ocupam das projeções para 2020. E a temporada de divulgação das expectativas para a economia e recomendações de investimento para o ano que vem já começou.
Nesta terça-feira (8), executivos da SulAmérica se reuniram com jornalistas para um bate-papo sobre cenário econômico e os investimentos que a seguradora considera mais promissores para o ano que vem.
“Estamos moderadamente otimistas para a bolsa”, diz Marcelo Mello, vice-presidente de Vida, Previdência e Investimentos da SulAmérica.
“Moderadamente otimista” é a expressão certa. É que apesar das boas oportunidades que 2020 nos reserva, a vida não será fácil para o investidor. Embora o prognóstico para a bolsa brasileira seja positivo, os riscos são muitos, e o cenário externo não vai ajudar.
E a coisa não estará mais fácil no lado da renda fixa. Se neste ano ainda tivemos chance de ganhar dinheiro com a valorização dos títulos públicos prefixados e atrelados à inflação, que se beneficiaram da queda nos juros futuros, em 2020 não devemos mais ter essa mina de ouro.
Para a SulAmérica, o momento de grande alta desses títulos já passou. E quem comprou esses papéis em tempos de Selic elevada e viu sua valorização já pode começar a vender para realizar os lucros - caso tenha o perfil, claro.
Leia Também
“É prudente diminuir a posição, se possível”, diz Mello.
A seguir, eu vou detalhar melhor as projeções e recomendações da seguradora para a economia e os investimentos no ano que vem, que pautam as estratégias dos fundos da casa:
Cenário econômico
Para 2020, a SulAmérica projeta um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,4%, expectativa otimista se comparada aos 2,0% esperados pelo mercado, segundo as previsões consolidadas no Boletim Focus do Banco Central.
O crescimento econômico, diz o economista-chefe Newton Rosa, deve ser puxado pelo investimento privado, na figura de privatizações e concessões, bem como pela aprovação das reformas.
Além de aumentarem a credibilidade do Brasil lá fora, o que pode atrair investimentos estrangeiros, as reformas por si sós já podem ter impacto positivo sobre o PIB.
A reforma tributária, por exemplo, deve simplificar o sistema de impostos, o que já reduziria em muito os custos das empresas, com consequências diretas no crescimento.
O consumo pode continuar contribuindo para o crescimento, mas os fundamentos são frágeis, uma vez que o desemprego permanece alto e deve reduzir muito lentamente.
Além disso, essa diminuição tem se dado muito com base no trabalho informal e por conta própria, o que faz com que a renda da população não cresça muito.
Com isso, a demanda deve permanecer fraca, o que continuará dificultando a recuperação econômica, mas, por outro lado, manterá a inflação baixa e controlada.
Este cenário fará com que os juros continuem baixos no ano que vem. Para o fim de 2020, a SulAmérica projeta uma Selic de 4,5% e uma inflação de 3,9%, ainda abaixo da meta, que será de 4,0%. “A Selic só deve voltar a subir lá para 2021, 2022”, diz Rosa.
Por outro lado, o governo, com sua contenção de gastos, e o cenário externo, com sua desaceleração econômica, não devem ajudar o crescimento brasileiro em nada.
No máximo os gringos podem trazer recursos em busca de maiores retornos, uma vez que os juros no mundo desenvolvido estão negativos e devem continuar em queda.
Isso aliás, é uma possível mola propulsora para a nossa economia e para as ações brasileiras. Mas do ponto de vista da demanda externa, a coisa deve ficar feia, no geral. A expectativa é de queda nos preços das commodities e de um cenário ruim para o comércio exterior.
“A China pode crescer abaixo de 6% já no ano que vem. Isso será fatal para os preços das commodities e para o câmbio dos países emergentes”, diz Newton Rosa.
A SulAmérica não faz projeções para Ibovespa e dólar, mas espera avanço nos preços das ações brasileiras, e um real ainda depreciado, porém estável.
Para Newton Rosa, a moeda pode mesmo valorizar, diminuindo a pressão sobre a cotação do dólar, caso ocorra uma entrada robusta de investimento estrangeiro.
“Os fundamentos da economia brasileira são sólidos”, observa o economista, citando melhorias no ambiente econômico como a reforma trabalhista, o teto de gastos, a MP da liberdade econômica e a reforma da Previdência em vias de ser aprovada.
Estratégia para títulos prefixados e atrelados à inflação mudou
Em tempos de juros elevados, fazia sentido comprar um título de renda fixa prefixado ou atrelado à inflação para levar até o vencimento, pois os retornos eram muito atrativos e o risco praticamente zero.
Nos últimos anos, a aposta nesses papéis para ganhar com a sua valorização, foi uma estratégia que também valeu muito a pena.
Títulos públicos prefixados e Tesouro IPCA+ (NTN-B) têm dado retornos dignos de bolsa de valores com a queda nos juros, fenômeno que tende a valorizar esses papéis.
Porém, esse tempo está ficando para trás, na visão da SulAmérica.
Comprar NTN-B e pré para “sentar em cima” ou para tentar ganhar com a valorização deixaram de ser estratégias promissoras agora que os juros estão muito baixos.
E, para quem adquiriu esses títulos quando a Selic estava alta e já viu seus papéis valorizarem, pode ser hora de vender.
É claro que o investidor precisa atentar para o seu perfil de risco: investidores que precisam casar passivo e ativo, como os fundos de previdência e os investidores pessoa física que vivem de renda, fazem bem em manter seus títulos de taxas altas, pois garantirão esse bom retorno até o vencimento em um cenário de juros muito menores.
Quem investe em busca de rentabilidade para fazer o patrimônio crescer, no entanto, já pode começar a vender seus títulos e realizar os ganhos, recomenda Marcelo Mello.
Segundo o vice-presidente de investimentos da SulAmérica, embora esses títulos ainda possam ter uma valorização adicional, agora é mais provável que eles devolvam parte dos ganhos que já tiveram. O risco de permanecer com uma grande posição nesses ativos está alto.
A recomendação do executivo é manter esses recursos em caixa (em investimentos de renda fixa conservadora) para aproveitar futuras boas oportunidades na própria renda fixa, ou então realocá-los em bolsa (ações ou fundos de ações), caso o investidor tenha perfil para isso.
E quais seriam essas boas oportunidades na renda fixa? Segundo Mello, as apostas em títulos públicos prefixados e atrelados à inflação no ano que vem deverão ser mais táticas do que estruturais.
Traduzindo: em vez de apostar numa queda estrutural de juros, o investidor deverá comprar esses títulos apenas quando, em algum momento de estresse, as perspectivas para os juros forem lá para cima, tornando a remuneração desses papéis atrativa novamente.
Debêntures podem ser boas oportunidades, mas aposta requer cuidado
As maiores oportunidades na renda fixa em 2020, no entanto, devem estar mesmo na renda fixa privada, diz a SulAmérica. Notadamente nas debêntures, títulos de dívida de empresas.
Porém, tal investimento requer certo cuidado.
Com os juros tão baixos, a demanda por esse tipo de investimento está muito alta, ainda mais no Brasil, onde os investimentos em infraestrutura estão dependendo muito mais do investimento privado.
Isso é ótimo para as empresas, que podem captar recursos a um custo menor, mas pode ocasionar distorções nos preços desses ativos.
É que esses papéis costumam pagar uma taxa prefixada mais a variação da inflação ou do CDI, respeitando aquela mesma dinâmica de preços dos títulos públicos prefixados e das NTN-B: valorizam-se quando a taxa cai e desvalorizam-se quando a taxa sobe.
Com a alta demanda por títulos que pagam acima da taxa básica de juros, muitas emissões de debêntures podem acabar saindo a taxas baixas demais.
Mais tarde, pode ser que o mercado corrija a distorção, jogando as taxas lá para cima e desvalorizando esses papéis. Assim, aquele investidor que entrou na emissão vê o seu investimento se desvalorizar.
“A SulAmérica está olhando para isso com bastante atenção. O temor nem é tanto com o risco de calote dos papéis, mas sim com a marcação a mercado [correção diária dos preços dos títulos de renda fixa com base nas taxas praticadas pelo mercado]”, explica Marcelo Mello.
Segundo o executivo, a SulAmérica não entra em emissões que possam ter esse tipo de distorção. Caso haja correção no mercado secundário (negociação das debêntures entre os investidores), aí sim os fundos da casa avaliam comprar o papel.
Devido a esses riscos mais difíceis de mensurar, o mais indicado é que a pessoa física não invista diretamente em debêntures, mas sim por intermédio de fundos, já que os gestores profissionais têm muito mais condições de avaliá-los.
Debêntures podem integrar as carteiras de certos fundos multimercados e planos de previdência, bem como dos fundos de crédito privado e de debêntures incentivadas, que se dedicam inteiramente a esse tipo de papel.
Bolsa: cenário “moderadamente otimista”
Apesar de o exterior não ajudar, a visão da SulAmérica para a bolsa brasileira é, nas palavras de Marcelo Mello, “moderadamente otimista”.
Para a seguradora, o gatilho para os preços das ações continuarem se valorizando, hoje, é o juro baixo.
Os investidores, tanto no Brasil quanto no exterior, estão em busca de retornos maiores. A entrada de recursos estrangeiros contribuiria bastante para a alta das nossas ações, mas mesmo que isso demore a acontecer, o potencial doméstico ainda é enorme.
“Hoje, a bolsa tem mais potencial de valorização que a renda fixa”, diz Mello.
Para a SulAmérica, ainda há muito espaço para os investidores institucionais locais aumentarem suas posições em bolsa, impulsionando os preços.
Segundo a seguradora, os fundos de pensão, por exemplo, já chegaram a ter 27% do seu patrimônio em ações, mas hoje investem apenas 13%; já os fundos de investimento em geral estão com exposição de apenas 6% à bolsa, sendo que ela já foi de 12%.
“Hoje, todos os fundos da SulAmérica que podem ter ações estão posicionados em bolsa”, conclui o executivo.
Um café e um pão na chapa na bolsa: Ibovespa tenta continuar escapando de Trump em dia de payroll e Powell
Mercados internacionais continuam reagindo negativamente a Trump; Ibovespa passou incólume ontem
Cardápio das tarifas de Trump: Ibovespa leva vantagem e ações brasileiras se tornam boas opções no menu da bolsa
O mais importante é que, se você ainda não tem ações brasileiras na carteira, esse me parece um momento oportuno para começar a fazer isso
Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) perdem juntas R$ 26 bilhões em valor de mercado e a culpa é de Trump
Enquanto a petroleira sofreu com a forte desvalorização do petróleo no mercado internacional, a mineradora sentiu os efeitos da queda dos preços do minério de ferro
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump
Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado
Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq
Conservador, sim; com retorno, também: como bater o CDI com uma carteira 100% conservadora, focada em LCIs, LCAs, CDBs e Tesouro Direto
A carteira conservadora tem como foco a proteção patrimonial acima de tudo, porém, com os juros altos, é possível aliar um bom retorno à estratégia. Entenda como
Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump
Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real
Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA
O PCE, como é conhecido o índice de gastos com consumo pessoal nos EUA, é o dado de inflação preferido do Fed para pautar sua política monetária
Não existe almoço grátis no mercado financeiro: verdades e mentiras que te contam sobre diversificação
A diversificação é uma arma importante para qualquer investidor: ajuda a diluir os riscos e aumenta as chances de você ter na carteira um ativo vencedor, mas essa estratégia não é gratuita
Tarifas de Trump derrubam montadoras mundo afora — Tesla se dá bem e ações sobem mais de 3%
O presidente norte-americano anunciou taxas de 25% sobre todos os carros importados pelos EUA; entenda os motivos que fazem os papéis de companhias na América do Norte, na Europa e na Ásia recuarem hoje
110% do CDI e liquidez imediata — Nubank lança nova Caixinha Turbo para todos os clientes, mas com algumas condições; veja quais
Nubank lança novo investimento acessível a todos os usuários e notificará clientes gradualmente sobre a novidade
Esporte radical na bolsa: Ibovespa sobe em dia de IPCA-15, relatório do Banco Central e coletiva de Galípolo
Galípolo concederá entrevista coletiva no fim da manhã, depois da apresentação do Relatório de Política Monetária do BC
Rodolfo Amstalden: Buy the dip, e leve um hedge de brinde
Para o investidor brasileiro, o “buy the dip” não só sustenta uma razão própria como pode funcionar também como instrumento de diversificação, especialmente quando associado às tecnologias de ponta
Debêntures incentivadas captam R$ 26 bilhões até fevereiro e já superam o primeiro trimestre de 2024, com mercado sedento por renda fixa
Somente em fevereiro, a captação recorde chegou a R$ 12,8 bilhões, mais que dobrando o valor do mesmo período do ano passado
Ato falho relevante: Ibovespa tenta manter tom positivo em meio a incertezas com tarifas ‘recíprocas’ de Trump
Na véspera, teor da ata do Copom animou os investidores brasileiros, que fizeram a bolsa subir e o dólar cair