🔴 AÇÕES, FIIs, DIVIDENDOS, BDRs: ONDE INVESTIR EM ABRIL? CONFIRA +30 RECOMENDAÇÕES AQUI

Eduardo Campos

Eduardo Campos

Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.

Mercados

Não, meus nobres, corte de juro nem sempre é uma coisa boa

Data maxima venia, mas em meio a euforia do mercado com decisões do Fed e Copom, vale refletir sobre o que leva um BC a cortar os juros

Eduardo Campos
Eduardo Campos
29 de julho de 2019
5:51 - atualizado às 8:45
Os presidentes do Fed, Jerome Powell, e do Banco Central brasileiro, Roberto Campos Neto.
Imagem: Federal Reserve e Banco Central do Brasil

Teremos, novamente, uma superquarta da política monetária no dia 31, com decisões do Federal Reserve (Fed), banco central americano, e do nosso Comitê de Política Monetária (Copom). Juros menores aqui e lá são dados como certo. Diverge-se da dose de estímulo e tamanho de ciclo. Mas o que leva um BC a cortar o juro? É sempre algo a se comemorar? Podem os BCs salvar o mundo indefinidamente?

Para nos ajudar a fazer uma avaliação um pouco mais criteriosa desse otimismo geral e praticamente irrestrito dos mercados vou lançar mão do último “memo” de investimentos de Howard Marks, gestor da Oaktree, com mais de US$ 120 bilhões sob gestão (já falamos dele aqui e aqui).

Os comentários de Marks são sobre o Fed, mas também não deixam de ser um bom guia para qualquer banco central. Depois tentarei falar das particularidades do nosso cenário, que no fim não escapa do que acontece no segundo andar do Eccles Building, portentosa sede do BC americano.

Quando o Fed corta o juro, o consenso é ver um enorme sinal de compra nos mercados. A linha de raciocínio é simples: Economia fraca – corte de juro – estímulo econômico – alta no PIB – maiores lucros corporativos – alta no preço das ações.

Mas se você pensar um pouco mais, deve se perguntar: “o que leva o Fed a cortar o juro?” A resposta é que o Fed antecipa uma fraqueza da economia e quer tirá-la do caminho. Dando sequência a esse raciocínio um degrau acima do consenso, devemos nos perguntar quão feia a situação poderia ficar sem esse corte e se mesmo essa redução de juro será suficiente para evitar a desaceleração da atividade.

Um exemplo do mundo real

Como a conversa parece um tanto abstrata, vamos a um exemplo trazido por Marks em seu “memo”. Em 2006, no caminho da crise financeira, os calotes nas hipotecas subprime começaram a subir. Em 2007, o assunto virou notícia e em 31 de julho dois fundos atrelados a ativos hipotecários do Bear Stearns pediram falência.

Leia Também

Os investidores clamaram por ajuda e o Fed foi ao resgate. Em setembro do mesmo ano cortou a taxa básica em meio ponto, de 5,25% para 4,75%, e disse que a ação buscava conter efeitos adversos dos problemas financeiros na economia e sustentar o crescimento.

O corte de juro e a mensagem foram comemorados, com o S&P 500 subindo mais de 6% nas semanas subsequentes. “Poucas pessoas questionaram se isso era mesmo uma boa notícia”, pontua Marks, que foi um dos poucos a ganhar com a crise.

Pouco depois desse primeiro corte, Marks relata que se pegou pensando na seguinte questão: Se você vai ao médico para uma consulta e ele saca uma injeção enorme, isso é uma boa ou uma má notícia?

A maioria das ações do Fed acontece em passos de 0,25 ponto percentual. Então um corte de 0,5 ponto não seria algo preocupante? Se um corte de 0,25 é boa notícia, uma redução de meio ponto é melhor ou pior?

O ponto de Marks é que as implicações de corte de juros não são sempre uma simples questão do que elas parecem ser. Assumindo que o Fed tem uma boa capacidade de previsão, um corte de juros nem sempre é boa notícia.

Podemos argumentar que se temos problemas pela frente é melhor ter juros menores. Mas, ainda assim, isso não é uma boa notícia. Primeiro, porque o Fed acha que o problema está aumentando. Segundo, não há garantia de que o problema será resolvido.

Para fechar o exemplo do mundo real, basta lembrar que 18 meses depois do primeiro corte, em 2007, o Fed fez mais dez reduções, levando o juro para zero, e o S&P estava 50% abaixo do que estava na primeira redução.

Dois últimos ciclos de corte do Fed. Áreas cinzas são recessões. Será diferente desta vez?

Juro baixo é uma boa coisa?

Bom, o aceno do Fed de sair do modo de aperto de juros em que estava até o fim de 2018 é apontado como principal vetor da valorização do mercado neste ano. Temos o S&P 500 subindo 20%. Mas como exatamente juros menores contribuem para a criação de riqueza? Vamos aos pontos listados por Marks.

  • Juro menor estimula o gasto de parte dos consumidores. Reduz o custo dos empréstimos, elevando a demanda por bens que são geralmente financiados, como carros e casas. Também há impacto nos empréstimos que têm taxas flutuantes, ampliando a renda disponível. O custo de oportunidade entre gastar e guardar diminui.
  • Juro menor estimula o investimento de parte das empresas, pois reduz o custo de capital.
  • O aumento na demanda por bens e serviços eleva a demanda por mão de obra, reduz o desemprego e promove uma inflação de salários. Maiores salários encorajam maiores gastos e melhoram o humor da população.
  • Ao reduzir o gasto financeiro das empresas, juros menores impulsionam os lucros, facilitam o pagamento de dívidas, e liberam mais recursos para investimentos, dividendos ou recompra de ações.
  • Juro menor reduz a taxa de desconto utilizada para calcular o valor presente dos fluxos de caixa futuros. Tudo mais constante, há uma ligação direta entre juros baixos e elevação no preço dos ativos. Para Marks esse é o vetor dominante das finanças mundiais na última década.
  • Por fim, corte de juro é visto como sinal de novos cortes de juros, realimentando o ciclo acima, criando a ideia de um ciclo virtuoso.

Quando deixa de ser bom?

Pode parecer chatice do Marks (e minha também por replicar), mas há circunstâncias nas quais juros baixo sãos potencialmente prejudiciais.

  • Ao estimular a atividade, como visto acima, alguns economistas e empresários acreditam que existe a possibilidade de a economia ficar “aquecida demais”. A principal preocupação é a inflação. Que pode resultar de um excesso de demanda, mercado de trabalho muito apertado, elevado poder de preço na mão dos vendedores...
  • Inflação é um fardo sobre aqueles que têm salários rígidos. O aumento de custo acontece de forma mais rápida que a renda. Além disso, as pessoas de menor renda não conseguem se proteger da inflação, enquanto quem pode, corre para ativos reais, como imóveis, por exemplo.
  • Como o juro baixo tira a atratividade de investimentos mais seguros, como dinheiro, fundos de renda fixa, e mesmo poupança, os poupadores aceitam assumir riscos maiores em busca de retornos.
  • Assim, juro baixo pode resultar em má alocação de capital, financiamento de negócios não sustentáveis, alavancagem excessiva e criação de bolha no preço dos ativos. No limite, essa busca por retornos pode desaguar em tomada de risco excessiva, minando a estabilidade financeira.
  • Por fim, mas o mais importante, quando os juros estão baixos, os BCs não têm à disposição a melhor ferramenta para estimular a economia: corte de juro.

Tá, mas e daí?

Como tudo em economia temos lados positivos e negativos. O resultado, no entanto, depende muito de como esses vetores são percebidos. Exemplo disso, a bolsa cai com notícias de emprego forte nos EUA e comemora dados ruins de atividade...

Segundo Marks, muita gente acredita que a economia é uma máquina que opera de acordo com diagramas e regras e que os BCs acionam alavancas que ajustam o funcionamento dessa máquina.

Mas, a visão dele é de que há muita incerteza e distintas variáveis atuando no funcionamento da economia e dos BCs. Por isso, o trabalho do BC é bastante desafiador.

Para ilustrar esse ponto da apresentação, Marks lança mão de um cartoon falando das reações do mercado à decisão de juros. Detalhe, a tirinha tem mais de 38 anos.

A conclusão é que a opinião prevalente sobre a capacidade do Fed (e de outros BCs) é ponto crucial para que suas ações tenham o efeito desejado. Há uma boa dose de psicologia na atuação dos banqueiros centrais. É tal da credibilidade.

Para fechar, Marks avalia que a atuação do Fed no momento atual está entre o desnecessário e o contraproducente, já que a economia cresce de forma aceitável, o desemprego é o menor em 50 anos, os salários estão subindo e a recuperação, que já passa de dez anos, é a maior da história.

Por outro lado, há a preocupação sobre uma potencial perda de fôlego econômico. E o mercado tem reagido da forma de sempre após os acenos de corte (Economia fraca – corte de juro – estímulo econômico – alta no PIB – maiores lucros corporativos – alta no preço das ações).

Assim, é sempre bom considerar se os investidores estão reagindo de forma muito positiva às perspectivas de corte de juros e prestando muito pouca atenção à fraqueza econômica que está sendo prevista.

Finalmente, quando Marks ouve alguém dizer que o Fed vai evitar uma recessão, ele se pergunta se ter esse objetivo é algo desejável. Recessões são um fenômeno evitável ou meramente conseguimos atrasar o seu acontecimento? Os esforços não podem gerar uma fé inabalável do poder do Fed e um cenário de risco moral? E mesmo que o Fed consiga evitar uma série de pequenas recessões, isso apenas não pode indicar que quando sua capacidade acabar, teremos uma recessão de proporções históricas?

A resposta a todas essas perguntas vem em alguns meses.

Mas o Copom com isso?

Por aqui, o corte de juros também não acontece por motivos louváveis. Temos uma economia que não consegue se recuperar da recessão, desemprego elevado e inflação abaixo ou redor das metas.

A avaliação é de que o BC pode dar uma maior contribuição deixando o juro ainda mais estimulativo. O próprio BC vinha falando dessa possibilidade, mas ponderava que o risco de decepção com as reformas pesava mais no seu balanço de riscos que os demais vetores desinflacionários.

No entanto, o próprio presidente Roberto Campos Neto já reconheceu um óbvio avanço das reformas com a aprovação da Previdência em primeiro turno. Mas isso é suficiente? Ainda há um segundo turno na Câmara e todo um trâmite no Senado. Seria prudente tomar risco político?

Além disso, o BC vem falando que a retomada da atividade não depende apenas da Selic, mas também da redução das incertezas e melhora da confiança. Houve essa redução de incerteza? Quão mais estimulativa a Selic pode ficar sem colocar em risco as metas? As respostas devem vir já nesta semana.

 

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
60 ANOS DE BC

Não haverá ‘bala de prata’ — Galípolo destaca desafios nos canais de transmissão da política monetária

2 de abril de 2025 - 16:50

Na cerimônia de comemoração dos 60 anos do Banco Central, Gabriel Galípolo destacou a força da instituição, a necessidade de aprimorar os canais de transmissão da política monetária e a importância de se conectar com um público mais amplo

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa

2 de abril de 2025 - 8:13

Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA

O DIA DA LIBERTAÇÃO

O Super Bowl das tarifas de Trump: o que pode acontecer a partir de agora e quem está na mira do anúncio de hoje — não é só a China

2 de abril de 2025 - 6:01

A expectativa é de que a Casa Branca divulgue oficialmente os detalhes da taxação às 17h (de Brasília). O Seu Dinheiro ouviu especialistas para saber o que está em jogo.

DIA 72

Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA

1 de abril de 2025 - 19:32

Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas

ACORDO ELETRIZANTE

Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos

1 de abril de 2025 - 14:35

Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%

MUDANÇAS NO CONSELHO

Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3

1 de abril de 2025 - 11:49

Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista

APÓS O ROMBO

Ex-CEO da Americanas (AMER3) na mira do MPF: Procuradoria denuncia 13 antigos executivos da varejista após fraude multibilionária

1 de abril de 2025 - 9:51

Miguel Gutierrez é descrito como o principal responsável pelo rombo na varejista, denunciado por crimes como insider trading, manipulação e organização criminosa

conteúdo EQI

Boletim Focus mantém projeção de Selic a 15% no fim de 2025 e EQI aponta caminho para buscar lucros de até 18% ao ano; entenda

1 de abril de 2025 - 8:00

Com a Selic projetada para 15% ao ano, investidores atentos enxergam oportunidade de buscar até 18% de rentabilidade líquida e isenta de Imposto de Renda

DESTAQUES DA BOLSA

Mais valor ao acionista: Oncoclínicas (ONCO3) dispara quase 20% na B3 em meio a recompra de ações

31 de março de 2025 - 16:35

O programa de aquisição de papéis ONCO3 foi anunciado dias após um balanço aquém das expectativas no quarto trimestre de 2024

NO BANCO DOS RESERVAS

Ainda dá para ganhar com as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e BTG Pactual (BPAC11)? Não o suficiente para animar o JP Morgan

31 de março de 2025 - 14:49

O banco norte-americano rebaixou a recomendação para os papéis BBAS3 e BPAC11, de “outperform” (equivalente à compra) para a atual classificação neutra

EM BUSCA DE PROTEÇÃO

Casas Bahia (BHIA3) quer pílula de veneno para bloquear ofertas hostis de tomada de controle; ação quadruplica de valor em março 

31 de março de 2025 - 11:37

A varejista propôs uma alteração do estatuto para incluir disposições sobre uma poison pill dias após Rafael Ferri atingir uma participação de cerca de 5%

GOVERNANÇA

Tanure vai virar o alto escalão do Pão de Açúcar de ponta cabeça? Trustee propõe mudanças no conselho; ações PCAR3 disparam na B3

31 de março de 2025 - 9:34

A gestora quer propor mudanças na administração em busca de uma “maior eficiência e redução de custos” — a começar pela destituição dos atuais conselheiros

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump

31 de março de 2025 - 8:18

O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”

conteúdo EQI

Protege contra a inflação e pode deixar a Selic ‘no chinelo’: conheça o ativo com retorno-alvo de até 18% ao ano e livre de Imposto de Renda

30 de março de 2025 - 8:00

Investimento garimpado pela EQI Investimentos pode ser “chave” para lucrar com o atual cenário inflacionário no Brasil; veja qual é

BALANÇO DOS BALANÇOS

O e-commerce das brasileiras começou a fraquejar? Mercado Livre ofusca rivais no 4T24, enquanto Americanas, Magazine Luiza e Casas Bahia apanham no digital

28 de março de 2025 - 16:02

O setor de varejo doméstico divulgou resultados mistos no trimestre, com players brasileiros deixando a desejar quando o assunto são as vendas online

MERCADOS HOJE

Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump

28 de março de 2025 - 14:15

Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real

JANELA DE OPORTUNIDADE

Não é a Vale (VALE3): BTG recomenda compra de ação de mineradora que pode subir quase 70% na B3 e está fora do radar do mercado

28 de março de 2025 - 11:51

Para o BTG Pactual, essa mineradora conseguiu virar o jogo em suas finanças e agora oferece um retorno potencial atraente para os investidores; veja qual é o papel

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA

28 de março de 2025 - 8:04

O PCE, como é conhecido o índice de gastos com consumo pessoal nos EUA, é o dado de inflação preferido do Fed para pautar sua política monetária

SEXTOU COM O RUY

Não existe almoço grátis no mercado financeiro: verdades e mentiras que te contam sobre diversificação

28 de março de 2025 - 6:11

A diversificação é uma arma importante para qualquer investidor: ajuda a diluir os riscos e aumenta as chances de você ter na carteira um ativo vencedor, mas essa estratégia não é gratuita

EFEITO COLATERAL

Tarifas de Trump derrubam montadoras mundo afora — Tesla se dá bem e ações sobem mais de 3%

27 de março de 2025 - 16:38

O presidente norte-americano anunciou taxas de 25% sobre todos os carros importados pelos EUA; entenda os motivos que fazem os papéis de companhias na América do Norte, na Europa e na Ásia recuarem hoje

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar