🔴 AÇÕES, FIIs, DIVIDENDOS, BDRs: ONDE INVESTIR EM ABRIL? CONFIRA +30 RECOMENDAÇÕES AQUI

Eduardo Campos

Eduardo Campos

Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.

Ministro de volta à Câmara

Guedes: Se Congresso não discutisse Previdência agora, estaríamos em crise enorme

Segundo Ministro da Economia, reforma não é tudo, mas é o início de um projeto. Ele também defende o regime de capitalização e afirma que a próxima reforma é a tributária

Eduardo Campos
Eduardo Campos
4 de junho de 2019
14:53 - atualizado às 19:11
Paulo Guedes
O ex-ministro da Economia, Paulo Guedes - Imagem: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, se o Congresso não estive discutindo, nesse momento, a reforma da Previdência, o país poderia estar em crise enorme, com “o dólar estourando”.

De acordo com Guedes, a reforma da Previdência não é tudo, mas o início de um projeto. A economia de R$ 1 trilhão, na verdade, é recalibrar a trajetória futura das despesas públicas, não só na esfera fiscal, mas também na dimensão social, de remover desigualdades e desequilíbrios.

O ministro está na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados. Ele comparece na condição de convocado e não de convidado. Sua convocação foi aprovada depois dele pedir, novamente, para mudar a data de sua audiência por conflito de agendas. Também participam os parlamentares das comissões de Seguridade Social e Educação.

Se o mercado produz desigualdades e diferenças de oportunidade, disse Guedes, o Estado existe para aparar essas arestas e tentar corrigir eventuais diferenças que persistam. "O que não se pode conceber é que tenhamos uma máquina pública que promove transferências de renda perversas", disse.

Como exemplo desse Estado perverso, Guedes citou os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Caixa para empresas que menos precisavam, mas que tinham as melhores conexões políticas, gerando problemas policiais depois.

Falando em bancos públicos, o ministro comentou que a ideia do governo será "despedalar" as instituições. Guedes criticou a postura dos governos anteriores, quando, segundo ele, os empréstimos eram voltados para empresas mais capitalizadas, aprofundando desigualdades. "Vamos cortar os recursos para os grandes, sem atingir os pequenininhos", disse o ministro.

Leia Também

Guedes também insistiu na importância da mudança de regime para a capitalização. Segundo ele, sem capitalização a economia já começa a andar, mas com essa mudança de regime poderíamos ver um choque de emprego entre os jovens. O ministro ressaltou, no entanto, que a aprovação da reforma não significa o lançamento imediato da capitalização. "Vamos mandar um novo projeto ao Congresso e explicaremos tudo de novo".

O próximo passo

Feito o ajuste fiscal, que tira o Brasil de um buraco negro, Guedes disse que teremos uma “agenda construtiva”. A próxima reforma, segundo ele, é a tributária, mas que a definição sobre esse assunto está nas mãos da política.

Ao falar que o governo sustentará uma proposta de criação de imposto único, com base no chamado IVA (Imposto sobre valor agregado), o ministro adiantou que as deduções e isenções de tributos deverão ser atacadas na reforma tributária.

O bloco falido

Guedes também comentou sobre as negociações do Mercosul para fechar um acordo comercial com a União Europeia. Segundo ele, uma definição deve ser anunciada em três ou quatro semanas.

O ministro ainda criticou os resultados obtidos pelo bloco sul-americano nos últimos anos. Para Guedes, a criação do Mercosul não funcionou para nenhum país integrante e serviu apenas para "deixa todo mundo para trás".

"Conversamos muito mais com Argentina e com os europeus do que com os norte-americanos (...) Tivemos uma postura dura. Ou fechamos (o acordo com a UE) ou vamos parar de conversar. Quem conversa 20 anos e não resolve é porque não quer fechar acordo", completou.

Conselho à Dilma Rousseff

O primeiro bloco de perguntas foi dominado por  deputados da oposição, com perguntas sobre juro de dívida, impostos, capitalização e desconstitucionalização. A parte mais interessante foi quando Guedes falou sobre uma conversa que teve com a então presidente Dilma Rousseff, que o sondou para ser ministro da Economia, na época que Joaquim Levy sairia do então Ministério da Fazenda.

Segundo Guedes, ele falou para a então presidente que ela tinha de fazer "uma reforma já" e que se isso não fosse feito, o desemprego e a inflação subiriam. Seis meses depois dessa conversa, disse Guedes, o desemprego estava em 14% e a presidente estava fragilizada. Guedes também disse que não imaginava que Dilma fosse sofrer um processo de impeachment.

Antes disso, Guedes falou que Michel Temer teve um governo virtuoso, ao colocar o teto de gastos e fazer a reforma trabalhista.

Herança maldita e privatizações

Segundo Guedes, o gasto com juro da dívida é uma despesa desafortunada, resultado de um passado de irresponsabilidade fiscal. “A dívida é uma herança maldita de R$ 5 trilhões”, disse o ministro, lembrando que a dívida subiu de R$ 800 bilhões para R$ 5 trilhões. “Isso é colocar o país, literalmente, no buraco.”

Para resolver a dívida, disse o ministro, tem que ter a equalização fiscal, que segura o ritmo de aumento da dívida, e somar isso ao programa de privatizações que vende empresas que estão “dando buraco”.

Segundo o ministro, quem brincou com dívida alta e estatais, como Venezuela e Argentina, está quebrado, com seu povo na miséria.

“Quem está preocupado com verbas para o social tem que entender que não tem sentido o dinheiro ficar no setor público”, disse.

Ministro se irrita

No segundo bloco, mais perguntas da oposição sobre taxação de lucros e dividendos e algumas afrontas às regras matemáticas. Perguntas também sobre contingenciamento na Educação. Rui Falcão (PT-SP) também voltou a falar do trabalho do ministro com, fundos públicos e disse que o superministro está impotente para fazer o país crescer. Alice Portugal (PCdoB-BA) insinuou que irmã do ministro teria benefícios no setor de Educação privada.

Guedes perdeu brevemente a paciência ao responder sobre sua irmã. “Vocês estão acostumados a desrespeitar respeitosamente. Vocês andam em território diferente e acham que todo mundo anda no mesmo território de vocês”, disse.

O ministro falou que é absurdo ouvir certas coisas que só existem na imaginação de alguns deputados. Ele lembrou sua irmã está há mais de 20 anos trabalhando no setor.

A Rui Falcão, Guedes disse que sabe o que fez, mas que teve gente que foi indicada para alguns fundos que quebraram tudo.

Depois os dois voltaram a discutir e Guedes disse que: “só me irrito quando educadamente estão fazendo perguntas ofensivas”.

Insanidade Argentina

Questionado sobre o governo de Mauricio Macri, Guedes voltou a dizer que ele “empurrou com a barriga”, que faltou intensidade necessária no ajuste e que o problema de excesso de gastos não é do governo atual nem do passado, mas sim da Argentina.

Segundo Guedes, alguns países continuam repetindo a insanidade de fazer a mesmo coisa o tempo todo esperando resultados diferentes. “Alguns países ficam anos, décadas insanos. A Argentina foi picada por um vírus que não vou dizer qual é.”

Tudo cartelizado

Segundo Guedes, o lucro dos bancos é alto mesmo, pois são apenas cinco ou seis bancos. “Precisamos de competição. Competição só não é boa para empresário que tem amizades no governo. Mas ela é amiga do trabalhador”, disse.

Depois de falar do setor de energia e petróleo, Guedes finalizou dizendo que “tudo no Brasil está cartelizado”.

Sentindo o bafo

Segundo o ministro, uma reforma da Previdência forte coloca o Brasil para crescer já, com investimentos acontecendo imediatamente. Agora, no entanto, está tudo bloqueado esperando se vamos fazer o ajuste fiscal.

“A bolsa é uma sinalização. Investimentos de verdade estão esperando clarear esse horizonte fiscal e tem muita coisa vindo para óleo e gás, saneamento. Vamos sentir muito rápido esse bafo”, disse Guedes.

O ministro também falou que é errada a avaliação de que o Brasil estava crescendo e caiu. Estão imputando que esse governo não fez nada, mas o que foi revisto, segundo Guedes, foram as expectativas enquanto “ficamos esperando”, tomando o tempo democrático de discussão das reformas.

Ainda de acordo com Guedes, se além da reforma for aprovado um modelo de capitalização, o país pode crescer 3% a 4% por vários anos.

FGTS

Segundo Guedes, a liberação das contas do PIS/Pasep já está pronta para ser anunciada, já as contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) “estamos estudando, não está pronto, tem a delicadeza da construção civil”.

Sobre o momento de liberação após a reforma, Guedes explicou que sem reforma essas medidas são só um empurrão sem sustentação fiscal, só piora o déficit.

Onde foi o dinheiro?

Perguntando para onde foi o dinheiro que o governo gastou nesses últimos anos, Guedes disse que o dinheiro do BNDES virou empréstimo para Moçambique e outros países e que o dinheiro que foi para a JBS também terminou lá fora.

Sobre o que teria sido o fundo do poço recente, Guedes disse que foi o período no qual a economia caiu 4% por dois anos e a inflação foi a 11%. Com alguns ajustes, como teto de gastos, a economia começou a estabilizar, mas parou lá no fundo do poço. “Para subir só com as reformas”.

Salário Mínimo

Segundo Guedes, dar aumento do salário mínimo acima da inflação depende do crescimento. “Hoje, com a maior franqueza do mundo, não temos definição sobre regra para salário mínimo. Se o crescimento ficar anêmico, em 0,5%, não vai fazer muita diferença também”, disse.

O ministro lembrou que o comprometimento, por ora, é com reposição pela inflação.

Custo de transição

Guedes disse que as contas que chegam a várias veze o PIB sobre o custo do modelo de capitalização são superestimadas. O ministro ressaltou que o novo modelo seria apenas para os jovens no seu primeiro emprego.

“Não estamos falando em transição para tudo mundo. Aprovar a reforma não aprova capitalização, apenas dá condição de conversar”, disse.

Segundo Guedes, se no futuro a Câmara decidir que todos devem migra para a capitalização, estaremos debatendo um problema bom.

Nova Teoria Monetária

Guedes foi questionado sobre a nova teoria monetária defendida pelo economista André Lara Resende. Segundo Guedes, Resende é um economista interessante, pois apoiou o congelamento de preços, depois o congelamento de ativos financeiros, apoiou o Plano Real, depois defendeu a dolarização da economia. “Ele muda de ideia com certa frequência”, disse Guedes, complementando que o mesmo economista defendeu a teoria fiscal do nível de preço. Depois defende o contrário, que tem de ampliar o gasto público.

“Não dá para debater, sem fundamentos não dá para debater. A pessoa não está aqui. Não é nem réplica. Eu diria mais, eu já debati o que tinha para debater com esse pessoal nos anos 1980, quando eles levaram o Brasil para a hiperinflação. Ali eu já gastei minha cota de debate com eles”, disse o ministro.

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?

2 de abril de 2025 - 20:00

As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?

FIM DO MISTÉRIO

As tarifas de Trump: entenda os principais pontos do anúncio de hoje nos EUA e os impactos para o Brasil

2 de abril de 2025 - 18:09

O presidente norte-americano finalmente apresentou o plano tarifário e o Seu Dinheiro reuniu tudo o que você precisa saber sobre esse anúncio tão aguardado pelo mercado e pelos governos; confira

ARTE EM ALTA

Três museus brasileiros estão entre os 100 mais visitados em 2024, mas nenhum deles é o MASP

2 de abril de 2025 - 18:00

Pesquisa feita pelo jornal especializado The Art Newspaper mostra que 2024 parece ter sido a volta aos níveis “normais” de visitações para muitos museus

60 ANOS DE BC

Não haverá ‘bala de prata’ — Galípolo destaca desafios nos canais de transmissão da política monetária

2 de abril de 2025 - 16:50

Na cerimônia de comemoração dos 60 anos do Banco Central, Gabriel Galípolo destacou a força da instituição, a necessidade de aprimorar os canais de transmissão da política monetária e a importância de se conectar com um público mais amplo

DEIXANDO O PALCO

Elon Musk fora da Casa Branca? Trump teria confirmado a saída do bilionário do governo nas próximas semanas, segundo site

2 de abril de 2025 - 15:05

Ações da Tesla sobem 5% após o Politico reportar que o presidente dos EUA afirmou a aliados sobre a mudança no alto escalão da Casa Branca

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa

2 de abril de 2025 - 8:13

Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA

E AGORA, LULA

O Brasil pode ser atingido pelas tarifas de Trump? Veja os riscos que o País corre após o Dia da Libertação dos EUA

2 de abril de 2025 - 6:29

O presidente norte-americano deve anunciar nesta quarta-feira (2) as taxas contra parceiros comerciais; entenda os riscos que o Brasil corre com o tarifaço do republicano

O DIA DA LIBERTAÇÃO

O Super Bowl das tarifas de Trump: o que pode acontecer a partir de agora e quem está na mira do anúncio de hoje — não é só a China

2 de abril de 2025 - 6:01

A expectativa é de que a Casa Branca divulgue oficialmente os detalhes da taxação às 17h (de Brasília). O Seu Dinheiro ouviu especialistas para saber o que está em jogo.

BALANÇO

Lucro do Banco Master, alvo de compra do BRB, dobra e passa de R$ 1 bilhão em 2024

1 de abril de 2025 - 20:17

O banco de Daniel Vorcaro divulgou os resultados após o término do prazo oficial para a apresentação de balanços e em meio a um negócio polêmico com o BRB

“LEILÃO VERDE”

Petrobras faz parceria com BNDES e busca rentabilidade no mercado de créditos de carbono

1 de abril de 2025 - 17:15

Protocolo de intenções prevê compra de créditos de carbono de projetos de reflorestamento na Amazônia financiados pelo Banco

O QUE ESPERAR?

Banco Master: Compra é ‘operação resgate’? CDBs serão honrados? BC vai barrar? CEO do BRB responde principais dúvidas do mercado

1 de abril de 2025 - 10:23

O CEO do BRB, Paulo Henrique Costa, nega pressão política pela compra do Master e endereça principais dúvidas do mercado

MOSTRAS NA BIENAL

SP–Arte 2025: ingressos, programação e os destaques da maior feira de arte da América Latina 

1 de abril de 2025 - 9:01

Pavilhão da Bienal será ocupado com mostras de artistas brasileiros e estrangeiros contemporâneos e históricos dos séculos 20 e 21

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump

1 de abril de 2025 - 8:13

Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump

PRIMEIRO EMPREGO

Últimos dias para se inscrever na Tenaris, Shopee, Ingredion, Dürr e Aon; confira essas e outras vagas para estágio e trainee com bolsa-auxílio de até R$ 7 mil

31 de março de 2025 - 18:12

Os aprovados nos programas de estágio e trainee devem começar a atuar até o segundo semestre de 2025; as inscrições ocorrem durante todo o ano

MADE IN AMERICA

Família Trump entra no setor de mineração de bitcoin — American Bitcoin mira o topo da indústria

31 de março de 2025 - 15:32

Donald Trump Jr. e Eric Trump ingressaram no setor de mineração de bitcoin e, em parceria com a Bitcoin Hut 8, buscam construir a maior empresa do ramo

NO BANCO DOS RESERVAS

Ainda dá para ganhar com as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e BTG Pactual (BPAC11)? Não o suficiente para animar o JP Morgan

31 de março de 2025 - 14:49

O banco norte-americano rebaixou a recomendação para os papéis BBAS3 e BPAC11, de “outperform” (equivalente à compra) para a atual classificação neutra

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump

31 de março de 2025 - 8:18

O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”

ANOTE NO CALENDÁRIO

Agenda econômica: Payroll, balança comercial e PMIs globais marcam a semana de despedida da temporada de balanços

31 de março de 2025 - 7:03

Com o fim de março, a temporada de balanços se despede, e o início de abril chama atenção do mercado brasileiro para o relatório de emprego dos EUA, além do IGP-DI, do IPC-Fipe e de diversos outros indicadores

QUEM VAI FICAR COM ELE

Impasse no setor bancário: Banco Central deve barrar compra do Banco Master pelo BRB

30 de março de 2025 - 8:50

Negócio avaliado em R$ 2 bilhões é visto como ‘salvação’ do Banco Master. Ativos problemáticos, no entanto, são entraves para a venda.

DE OLHO NOS CALOTES

Nubank (ROXO34): Safra aponta alta da inadimplência no roxinho neste ano; entenda o que pode estar por trás disso

28 de março de 2025 - 19:00

Uma possível explicação, segundo o Safra, é uma nova regra do Banco Central que entrou em vigor em 1º de janeiro deste ano. 

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar