Guedes não recua e não se rende na CCJ
Ministro foi com um objetivo, defender a constitucionalidade do pretendido regime de capitalização. Foi agredido e revidou, levando a ferro e fogo o lema de sua equipe

Já falei outro dia que o lema do ministro da economia Paulo Guedes é não recuar e não se render. E foi exatamente a isso que assistimos ao longo de pouco mais de 6 horas, ontem, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O epílogo, com o bate-boca envolvendo “tigrão”, “tchutchuca”, “mãe”, “avó” e quase vias de fato, pode acabar por eclipsar o que foi o gesto político mais relevante.
A chegada do ministro à comissão com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e com uma penca de deputados do chamado centrão. Guedes chegou com os votos, todo o resto é um jogo de cena.
Nesse jogo de cena, a percepção é de que a oposição levou a melhor. De fato, a oposição montou esse cenário e soube pilotar boa parte do espetáculo. Fez os requerimentos da audiência, colocou os seus para serem os primeiros na lista de inscrição, entrou na fila pouco antes das 13 horas para pegar os primeiros lugares na CCJ.
Por isso, quem assistiu às primeiras horas da audiência ficou com a clara impressão de que Guedes estava sozinho. No fim, cerca de 40 deputados falaram, sendo pouco menos da metade da base.
Guedes, no entanto, se disse seguro e otimista, pois sabe que tem apoio e que o Congresso, mesmo fazendo cortes e correções, vai votar a medida.
Leia Também
Cenas ou rounds
O ministro também soube se colocar em cena. Reagiu ao primeiro ataque, mas logo recuou, falando que estava errado ao interagir, pois os deputados tornam a discussão técnica sobre as vantagens da mudança de sistema “em outra coisa”.
“Não cabe a mim entrar no debate político. Tenho que dar explicações técnicas e os senhores decidem. Não preciso me exaltar, desculpem”, disse.
Do segundo ato, ou round, para frente, Guedes soube se colocar, entendeu que ninguém está muito preocupado com os fatos, mas com fazer cena ou falar com seu eleitorado. A primeira lição no mundo dos investimentos, do qual Guedes é egresso, é sobreviver. E foi isso que ele fez.
Intercalando toques técnicos, com pancadaria para cima do PT e outros partidos de oposição, o ministro falou que o partido esteve por 16 anos no poder e não fez as medidas que cobrava, como tributação de dividendos, além de aumentar gastos com subsídios e financiar empresários riscos. A plateia aplaudiu.
Em um dos pontos altos, rebateu a crítica sobre o modelo proposto aos militares, que além de assistência também veio com uma revisão de carreiras. “Militares? Cortem vocês. Vocês são o Congresso Nacional. Vocês estão com medo?”
Conselho a Arminio Fraga
Ao longo de boa parte da fala dos deputados, seja da base, independentes ou de oposição, me vinha à mente um conselho que o ex-presidente Fernando Henrique Cardos (FHC) deu ao então postulante ao cargo de presidente do Banco Central, Arminio Fraga, que seria sabatinado pelo Senado.
“O Brasil não gosta do sistema capitalista. Os congressistas não gostam do capitalismo, os jornalistas não gostam do capitalismo, os universitários não gostam do capitalismo. Eles não sabem que não gostam do sistema capitalista, mas não gostam. Eles gostam do Estado, eles gostam de intervenção.”
Mas aí fui surpreendido pela colocação do próprio Guedes, de que o presidente e a tentativa de um modelo liberal chegaram até aqui por meio do voto. Como diz Guedes, o pessoal falou “pera aí”, depois dos 30 anos de centro-esquerda, ponto que ele sempre aborda em suas apresentações. Será que desta vez será diferente?
Ponto objetivo
Guedes tentou mostrar aos deputados que não há escolha, o atual sistema já faliu. Ou se refunda o sistema previdenciário ou em três ou quatro anos estaremos, novamente, discutindo uma “reforma”.
No seu plano, esse arranjo passa por reformar o sistema atual de repartição, que é solidário, para um regime de capitalização. O ponto aqui é a solidariedade, Guedes tentou mostrar que o que se pede é solidariedade nossa para com filhos e netos e não apenas com os idosos que já trabalharam.
Guedes pede, no entanto, a coisa mais difícil para os parlamentares: fazerem uma escolha entre o voto certo ou quase certo na próxima eleição por um futuro que pode se mostrar brilhante.
Pragmático, Guedes disse que ser contra uma reforma, não necessariamente a atual, é “caso para internação” e que se o Congresso optar por não fazer uma reforma ou fazer um ajuste muito tímido, ficará clara a opção por comprometer as gerações futuras.
“Somos solidários, mas não podemos ser contra a aritmética, contra o juro composto”, disse.
De onde não se espera nada: Ibovespa repercute balanços e entrevista de Haddad depois de surpresa com a Vale
Agenda vazia de indicadores obriga investidores a concentrarem foco em balanços e comentários do ministro da Fazenda
Nova reforma da previdência? Aposentadoria pública brasileira é uma das menos sustentáveis do mundo; veja ranking dos melhores sistemas
Apesar da necessidade de mais reformas, Previdência Social do Brasil tem a maior taxa de benefícios do mundo e alta cobertura da população, mostra levantamento da seguradora Allianz
6 em cada 10 reais dos brasileiros foi investido em renda fixa em 2024 — e 2025 deve repetir o mesmo feito, diz Anbima
Brasileiros investiram 12,6% mais no ano passado e a renda fixa é a ‘queridinha’ na hora de fazer a alocação, segundo dados da associação
Você tem até o dia 30 de dezembro para reduzir seu imposto de renda ou aumentar sua restituição em 2025; veja como
Está terminando o prazo para contribuir para um PGBL e abater os aportes já na declaração de imposto de renda 2025
Previdência privada: vale a pena mesmo ou é cilada? E é uma boa investir no fim do ano?
Décimo terceiro salário, confraternizações, presentes e talvez até uma viagem. Mas para além das festividades, o fim do ano também é marcado pelas tradicionais ofertas de planos de previdência privada por parte das instituições financeiras. Mas investir em previdência é mesmo uma boa? Por muito tempo esses produtos, voltados para a poupança de longo prazo […]
Voltado para a aposentadoria, Tesouro RendA+ chega a cair 30% em 2024; investidor deve fazer algo a respeito?
Quem comprou esses títulos públicos no Tesouro Direto pode até estar pensando no longo prazo, mas deve estar incomodado com o desempenho vermelho da carteira
Concorrente da Embraer à beira da falência, novas regras de previdência, a ‘mágica’ de Elon Musk e o futuro dos juros no Brasil
Além disso, Inter Asset revelou 5 ações para investir na bolsa até o final de 2024; veja os destaques de audiência do Seu Dinheiro nesta semana
Resgate ou renda? Bradesco muda a grade da previdência privada de olho nas mudanças das regras de PGBL e VGBL
Após nova regulação para estimular a contratação de renda na fase de desacumulação dos planos de previdência privada, a Bradesco Vida e Previdência criou novos produtos, de olho nos segurados que estão prestes a se aposentar
Campos Neto defende “choque fiscal positivo” como condição para Selic cair de forma sustentável
Falta de confiança na política fiscal dificulta o processo de convergência da inflação para a meta, disse o presidente do BC; saiba mais
Não vai rolar: STF forma maioria para rejeitar a volta da ‘revisão da vida toda’ das aposentadorias
“Revisão da vida toda” das aposentadorias havia sido autorizada pelo STF em 2022, mas foi anulada em março deste ano
Mercado de previdência cresce a dois dígitos por ano, mas investimento ainda gera polêmica entre especialistas e beneficiários
No Brasil, o tema costuma ser um dos mais polêmicos e desafiadores, tanto para especialistas quanto para beneficiários
Previsão de déficit zero, corte no Bolsa Família e salário mínimo de R$ 1.509: o plano do governo para o Orçamento de 2025
Projeto de lei com os detalhes do Orçamento de 2025 foi enviado por Lula ao Congresso Nacional na noite de sexta-feira
Marcação a mercado: o ponto de discórdia entre o Ministério da Fazenda e os fundos de previdência complementar
Ministério da Fazenda defende a marcação a mercado também nos saldos dos fundos de previdência complementar; entidades temem que percepção de volatilidade leve a saques
Voltas e reviravoltas: Ibovespa tenta manter alta em semana de dados de inflação enquanto bolsas repercutem eleições na França
Ibovespa ainda não sabe o que é cair em julho; testemunhos de Powell, futuro de Biden e regulamentação da reforma tributária estão no radar
Previdência em risco: desvincular benefício do salário mínimo para cumprir meta fiscal pode criar efeito rebote nas contas
Em entrevista à Agência Brasil, especialista em Previdência Social afirma que os benefícios previdenciários e assistenciais não vão para a poupança, mas para custo de vida
PGBLs e VGBLs escaparam, mas fundos de pensão ainda podem ser taxados; veja o impacto no benefício na aposentadoria
Taxação dos fundos de pensão de estatais e daqueles que as empresas privadas oferecem aos funcionários ainda será debatida no Congresso no âmbito da reforma tributária
INSS vai pagar R$ 2,4 bilhões por decisões judiciais; veja se você pode receber uma parte desse dinheiro
Valores serão pagos a quem aguarda pelo benefício do INSS, pensões e auxílio-doença, entre outros
Como declarar aposentadorias e pensões da Previdência Social no imposto de renda
Aposentados e pensionistas da Previdência Social têm direito à isenção de imposto de renda sobre uma parte de seus rendimentos. Veja os detalhes de como declará-los no IR 2024
Quanto você precisa juntar para se aposentar aos 40, 50 e 60 anos com uma renda de R$ 5 mil por mês
Simulamos quanto um jovem de 30 anos precisa investir por mês em prazos de 10, 20 ou 30 anos para garantir uma “mesada” de R$ 5 mil por duas décadas
Por que FoFs de previdência privada serão os grandes vencedores das mudanças recentes na tributação
Esse tipo de fundo mantem a mesma característica tributária de um exclusivo de previdência, mas, por ser um fundo coletivo, de varejo, não tem o limite de R$ 5 milhões de patrimônio