Balanços, commodities, FGTS… o Ibovespa teve um dia cheio e fechou em alta
O Ibovespa terminou a sessão no campo positivo, com o mercado reagindo a uma série de fatores ao longo do dia. O dólar à vista teve leve queda, retornando ao nível de R$ 3,76

Quem bate o olho nos dados do fechamento da sessão desta quarta-feira (24) — o Ibovespa teve alta de 0,40%, aos 104.119,54 pontos, enquanto o dólar à vista caiu 0,09%, a R$ 3,7693 — pode ter a impressão de que o dia foi relativamente parado.
O que os números não mostram é que o pregão contou com diversos pequenos fatores de influência: os balanços corporativos, o noticiário referente ao FGTS, a queda das commodities e o tom de otimismo dos mercados acionários americanos foram alguns dos pontos que influenciaram as negociações ao longo do dia.
E, ao fim da sessão, o saldo foi positivo para os ativos domésticos. Contudo, convém analisar separadamente cada um desses vetores, para ter uma dimensão exata do que esteve em jogo nesta quarta-feira.
De olho no FGTS
O governo confirmou nesta tarde a liberação do saque de até R$ 500 das contas ativas e inativas do FGTS, numa tentativa de estimular o crescimento do país. Segundo a administração Bolsonaro, o projeto irá injetar R$ 30 bilhões na economia — também foi anunciada uma nova modalidade de acesso aos recursos, o "saque aniversário".
A autorização para retirada de R$ 500 das contas do Fundo de Garantia, contudo, já havia sido sinalizada nesta manhã pelo ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. E, em linhas gerais, o mercado reagiu com cautela às novidades.
Um operador afirmou que, depois de diversas idas e vindas em relação ao fundo de garantia, os agentes financeiros acabaram reduzindo as expectativas nesse front. "Esse teto de R$ 500 já tinha sido ventilado há uns dias, e o mercado já se ajustou a esse cenário".
Leia Também
Operadores e analistas fizeram duas leituras quanto à imposição desse limite. Por um lado, parte dos agentes financeiros mostra frustração com a quantia relativamente pequena a ser sacada, ponderando que esse montante tende a gerar um estímulo pequeno à economia.
Por outro, há o entendimento de que, ao disponibilizar montantes de até R$ 500, esses recursos serão direcionados ao consumo, e não ao pagamento de dívidas — o que deu forças às ações de empresas do setor de varejo. Foi o caso de Via Varejo ON (VVAR3), que subiu 5,78%, Magazine Luiza ON (MGLU3), em alta de 1,57% e B2W ON (BTOW3), com ganho de 2,40%.
Balanços, balanços, balanços
Em meio às diferentes interpretações do noticiário ligado ao FGTS, os agentes financeiros domésticos mostraram-se mais propensos a reagir aos resultados trimestrais de três empresas que compõem o Ibovespa: Cielo, Telefônica Brasil e Weg.
Os ativos ON da operadora de máquinas de cartão (CIEL3) dispararam 12,89% e lideraram a ponta positiva do Ibovespa, apesar de a companhia ter reportado queda de 33,3% em seu lucro líquido em base anual, para R$ 431,2 milhões.
Nesta manhã, o presidente da empresa, Paulo Caffarelli, afirmou que a Cielo possui "bastante apetite" para continuar a guerra das maquininhas. E essa sinalização ajuda a explicar o bom desempenho dos papéis: mesmo com a queda no lucro, a disposição para seguir competindo agradou o mercado.
Quem também fechou em alta foi Weg ON (WEGE3), com ganhos de 1,86%. A companhia terminou o período entre abril e junho deste ano com lucro de R$ 389 milhões — um ganho de 15,6% ante igual intervalo de 2018.
Já Telefônica Brasil ON (VIVT4) teve um dia relativamente estável, terminando o pregão com valorização de 0,41% após a empresa encerrar o segundo trimestre deste ano com lucro líquido contábil de R$ 1,42 bilhão, queda de 55,2% em um ano.
Pressão das commodities
Até agora, todas as ações citadas terminaram o dia com desempenho positivo. No entanto, os papéis de empresas ligadas ao setor de commodities — como Petrobras, Vale e siderúrgicas — encerraram o dia em baixa, limitando o potencial de ganhos do Ibovespa.
O destaque negativo ficou com os ativos que dependem do preço do minério de ferro — a commodity fechou em baixa de 2,42% na China. Nesse cenário, Vale ON (VALE3) caiu 2,14%, CSN ON (CSNA3) recuou 3,92%, Gerdau PN desvalorizou 1,49% e Usiminas PNA (USIM5) teve queda de 1,43%.
O petróleo também teve um dia negativo, tanto o WTI (-1,57%) quanto o Brent (-1,02%), o que afetou Petrobras ON (PETR3), em baixa de 0,83%, e Petrobras PN (PETR4), com queda de 0,62%.
E o exterior?
Nos Estados Unidos, o sentimento dos agentes financeiros permaneceu positivo, em meio à expectativa em relação à reunião do Federal Reserve (Fed), na semana que vem — os mercados apostam que a autoridade monetária americana poderá iniciar um processo de corte de juros já no encontro do dia 31.
Nesse contexto, o S&P 500 teve alta de 0,47% e o Nasdaq avançou 0,85%. Já o Dow Jones fechou em baixa de 0,29%, influenciado negativamente pelo mau desempenho de duas importantes ações do índice: Boeing e Caterpillar, que reportaram resultados trimestrais que desagradaram o mercado.
Essa tranquilidade também foi sentida nas negociações de câmbio, com os agentes financeiros mostrando-se ligeiramente mais propensos ao risco — o que deu força às divisas emergentes, incluindo o real.
Ajustes nos juros
A curva de juros passou a sessão oscilando perto da estabilidade, com os mercados promovendo ajustes pontuais, em meio à percepção cada vez mais firme por parte do mercado de que o Banco Central (BC) irá cortar a taxa Selic na próxima reunião do Copom, no dia 31.
Os debates, agora, concentram-se na magnitude desse ajuste: 0,25 ou 0,50 ponto percentual. Com esse cenário em mente, as curvas com vencimento em janeiro de 2020 recuaram de 5,59% para 5,58%, enquanto as para janeiro de 2021 ficaram inalteradas em 5,41%.
No vértice longo, os DIs para janeiro de 2023 tiveram baixa de 6,31% para 6,27%, e as para janeiro de 2025 foram de 6,87% para 6,83%.
Oportunidades em meio ao caos: XP revela 6 ações brasileiras para lucrar com as novas tarifas de Trump
A recomendação para a carteira é aumentar o foco em empresas com produção nos EUA, com proteção contra a inflação e exportadoras; veja os papéis escolhidos pelos analistas
O Dia depois da Libertação: bolsas globais reagem em queda generalizada às tarifas de Trump; nos EUA, Apple tomba mais de 9%
O Dia depois da Libertação não parece estar indo como Trump imaginou: Wall Street reage em queda forte e Ibovespa tem leve alta
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Itaú (ITUB4), de novo: ação é a mais recomendada para abril — e leva a Itaúsa (ITSA4) junto; veja outras queridinhas dos analistas
Ação do Itaú levou quatro recomendações entre as 12 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro; veja o ranking completo
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Onde investir em abril? As melhores opções em ações, dividendos, FIIs e BDRs para este mês
No novo episódio do Onde Investir, analistas da Empiricus Research compartilham recomendações de olho nos resultados da temporada de balanços e no cenário internacional
Minoritários da Tupy (TUPY3), gestores Charles River e Organon indicam Mauro Cunha para o conselho após polêmica troca de CEO
Insatisfeitos com a substituição do comando da metalúrgica, acionistas indicam nome para substituir conselheiro independente que votou a favor da saída do atual CEO, Fernando Rizzo
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade
Assembleia do GPA (PCAR3) ganha apoio de peso e ações sobem 25%: Casino e Iabrudi sinalizam que também querem mudanças no conselho
Juntos, os acionistas somam quase 30% de participação no grupo e são importantes para aprovar ou recusar as propostas feitas pelo fundo controlado por Tanure
Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa
Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Tupy (TUPY3): Troca polêmica de CEO teve voto contrário de dois conselheiros; entenda o imbróglio
Minoritários criticaram a troca de comando na metalúrgica, e o mercado reagiu mal à sucessão; ata da reunião do Conselho divulgada ontem mostra divergência de votos entre os conselheiros
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Adeus, Ibovespa: as ações que se despedem do índice em maio e quem entra no lugar, segundo a primeira prévia divulgada pela B3
A nova carteira passa a valer a partir do dia 5 de maio e ainda deve passar por duas atualizações preliminares
Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos
Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%
Trump preocupa mais do que fiscal no Brasil: Rodolfo Amstalden, sócio da Empiricus, escolhe suas ações vitoriosas em meio aos riscos
No episódio do podcast Touros e Ursos desta semana, o sócio-fundador da Empiricus, Rodolfo Amstalden, fala sobre a alta surpreendente do Ibovespa no primeiro trimestre e quais são os riscos que podem frear a bolsa brasileira
Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário
O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como
Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3
Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista
Ex-CEO da Americanas (AMER3) na mira do MPF: Procuradoria denuncia 13 antigos executivos da varejista após fraude multibilionária
Miguel Gutierrez é descrito como o principal responsável pelo rombo na varejista, denunciado por crimes como insider trading, manipulação e organização criminosa