O humor dos mercados melhorou e o Ibovespa acumulou alta de 2% na semana
O otimismo dos grandes bancos e casas de análise com o Brasil, somado à percepção mais positiva em relação à guerra comercial, criou as condições certas para o Ibovespa avançar

Até o meio da semana, o mercado brasileiro andava meio cabisbaixo. Na terça-feira (19), o Ibovespa estava com desempenho negativo na semana, enquanto o dólar à vista aparecia perto das máximas. Aí, veio a pausa para o feriado do Dia da Consciência Negra... e tudo mudou.
Como num passe de mágica, as tensões se dissiparam e os humores ficaram leves como uma pluma. O resultado dessa virada? O Ibovespa não só zerou as perdas dos dois primeiros pregões — ele foi além. O principal índice da bolsa brasileira fechou a sessão desta sexta-feira (22) aos 108.692,28 pontos, em alta de 1,11%.
Com isso, o Ibovespa terminou uma semana que parecia fadada ao campo negativo com um ganho acumulado de 2% — tanto ontem quanto hoje, o índice terminou nas máximas intradiárias, registrando avanços de mais de 1%.
O dólar à vista não teve um alívio tão intenso, mas, ainda assim, conseguiu dar um respiro e se afastar das máximas. A moeda americana encerrou a sessão desta sexta-feira rigorosamente estável, a R$ 4,1929, acumulando uma baixa ínfima de 0,01% na semana. É pouco, mas, de qualquer maneira, serviu para a divisa se distanciar do pico do estresse.
E o que provocou essa mudança de percepção dos agentes financeiros?
Bom uma série de fatores. Em primeiro plano, aparece a perspectiva positiva de diversos bancos estrangeiros em relação aos mercados brasileiros em 2020: instituições como Credit Suisse, J.P. Morgan e Goldman Sachs mostraram-se animados com o potencial do Brasil no curto e médio prazo.
Leia Também
Além disso, a guerra comercial entre Estados Unidos e China teve desenvolvimentos mais positivos nos últimos dias. Ok, nada de concreto aconteceu — todos os desdobramentos ocorreram no campo das declarações — mas, de qualquer maneira, o mercado gostou do que viu.
Ibovespa para o alto
Em linhas gerais, os bancos e casas de análise apontam para a mesma direção: o Brasil aparece entre os mercados com maior potencial para terem uma performance positiva em 2020, em meio às perspectivas de retomada do crescimento econômico e manutenção dos juros em níveis baixos.
Assim, as projeções para o Ibovespa em 2020 são animadoras — o BTG Pactual chega a falar num nível próximo a 200 mil pontos caso o cenário mais otimista possível se concretize. O Brasil, afinal, não enfrenta as turbulências verificadas nos demais países emergentes.
Pelo contrário: por aqui, a expectativa é de continuidade da agenda de reformas e das pautas econômicas defendidas pelo governo, o que tende a aumentar a confiança dos investidores e impulsionar o resultado das empresas.
Essa onda de visões positivas a respeito dos ativos brasileiros, assim, deu esse impulso ao Ibovespa na quinta e na sexta-feira, fazendo o índice voltar a se aproximar do topo histórico, de 109.580,57 pontos.
Guerra e paz
O front da guerra comercial segue nebuloso, mas algumas manifestações mais amenas das principais autoridades das duas potências contribuem para elevar a confiança dos mercados quanto à possibilidade de fechamento da primeira fase de um acordo.
O presidente americano, Donald Trump, afirmou em entrevista à Fox News que a assinatura do acerto com os chineses está "potencialmente muito perto". A fala serviu para dar ânimo às bolsas globais: nos EUA, o Dow Jones (+0,39%), o S&P 500 (+0,22%) e o Nasdaq (+0,16%) subiram; na Europa, o tom foi positivo.
A fala de Trump neutralizou parte das preocupações geradas por uma declaração do presidente chinês, Xi Jinping. Mais cedo, ele disse querer fechar um acordo comercial com os EUA, mas afirmou que pode retaliar caso o clima de tensão entre os países continue se arrastando.
Assim, por mais que nenhum avanço concreto tenha sido feito recentemente — nos últimos dias, o noticiário relativo à guerra comercial tem girado em torno de declarações e especulações —, fato é que os agentes financeiros mostram-se ligeiramente mais confiantes quanto ao fechamento do acordo entre Pequim e Washington.
E por aqui?
No front doméstico, os investidores repercutiram o resultado da inflação medida pelo IPCA-15 em novembro, indicando alta de 0,14% no mês — em outubro, o avanço foi de 0,09%. O resultado ficou em linha com as expectativas do mercado e ainda mostra que a inflação segue sob controle.
Esse dado, em conjunto com o dia mais tranquilo no dólar, trouxe algum alívio às curvas de juros — ontem, o mercado pressionou os DIs, ajustando-se às declarações do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, que recentemente afirmou que uma eventual resposta da instituição à alta do dólar ocorreria por meio da política monetária, e não por atuações no câmbio.
A fala foi interpretada como um sinal de que o ciclo de cortes na taxa Selic pode ser interrompido antes do previsto — o que desencadeou esses ajustes positivos nas curvas de juros. Veja como fecharam os principais DIs:
- Janeiro/2021: queda de 4,69% para 4,65%
- Janeiro/2023: alta de 5,86% para 5,88%
- Janeiro/2025: estável em 6,45%
- Janeiro/2027: alta de 6,74% para 6,78%
Mineração e siderurgia em alta
Ações de empresas exportadoras de commodities metálicas apareceram entre os destaques positivos do Ibovespa, em meio às expectativas renovadas de fechamento de um acordo comercial entre EUA e China.
Nesse grupo, mineradoras e siderúrgicas apareceram entre as maiores beneficiadas, dado o consumo expressivo de minério de ferro e aço pelo mercado chinês. É o caso de Vale ON (VALE3), em alta de 3,33%, Gerdau PN (GGBR4), com valorização de 1,46%, e Usiminas PNA (USIM5), com ganho de 0,74%.
Dois fatores extra contribuíram para impulsionar esses ativos. Em primeiro lugar, o minério de ferro vem numa onda de valorização recente — a commodity subiu 1,63% hoje no porto chinês de Qingdao, para US$ 88,08 a tonelada, marcando o oitavo dia seguido de alta.
Além disso, a Gerdau comunicou a seus clientes um aumento no preço dos aços longos, de 8% a 12% para janeiro — a notícia deu forças às ações da empresa e das demais siderúrgicas da bolsa.
Cardápio das tarifas de Trump: Ibovespa leva vantagem e ações brasileiras se tornam boas opções no menu da bolsa
O mais importante é que, se você ainda não tem ações brasileiras na carteira, esse me parece um momento oportuno para começar a fazer isso
Ações para se proteger da inflação: XP monta carteira de baixo risco para navegar no momento de preços e juros altos
A chamada “cesta defensiva” tem dez empresas, entre bancos, seguradoras, companhias de energia e outros setores classificados pela qualidade e baixo risco
Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) perdem juntas R$ 26 bilhões em valor de mercado e a culpa é de Trump
Enquanto a petroleira sofreu com a forte desvalorização do petróleo no mercado internacional, a mineradora sentiu os efeitos da queda dos preços do minério de ferro
Bitcoin (BTC) em queda — como as tarifas de Trump sacudiram o mercado cripto e o que fazer agora
Após as tarifas do Dia da Liberdade de Donald Trump, o mercado de criptomoedas registrou forte queda, com o bitcoin (BTC) recuando 5,85%, mas grande parte dos ativos digitais conseguiu sustentar valores em suportes relativamente elevados
O ativo que Luis Stuhlberger gosta em meio às tensões globais e à perda de popularidade de Lula — e que está mais barato que a bolsa
Para o gestor do fundo Verde, Brasil não aguenta mais quatro anos de PT sem haver uma “argentinização”
Obrigado, Trump! Dólar vai à mínima e cai a R$ 5,59 após tarifaço e com recessão dos EUA no horizonte
A moeda norte-americana perdeu força no mundo inteiro nesta quinta-feira (3) à medida que os investidores recalculam rotas após Dia da Libertação
Embraer (EMBR3) tem começo de ano lento, mas analistas seguem animados com a ação em 2025 — mesmo com as tarifas de Trump
A fabricante de aeronaves entregou 30 aviões no primeiro trimestre de 2025. O resultado foi 20% superior ao registrado no mesmo período do ano passado
Oportunidades em meio ao caos: XP revela 6 ações brasileiras para lucrar com as novas tarifas de Trump
A recomendação para a carteira é aumentar o foco em empresas com produção nos EUA, com proteção contra a inflação e exportadoras; veja os papéis escolhidos pelos analistas
O Dia depois da Libertação: bolsas globais reagem em queda generalizada às tarifas de Trump; nos EUA, Apple tomba mais de 9%
O Dia depois da Libertação não parece estar indo como Trump imaginou: Wall Street reage em queda forte e Ibovespa tem leve alta
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Itaú (ITUB4), de novo: ação é a mais recomendada para abril — e leva a Itaúsa (ITSA4) junto; veja outras queridinhas dos analistas
Ação do Itaú levou quatro recomendações entre as 12 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro; veja o ranking completo
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Onde investir em abril? As melhores opções em ações, dividendos, FIIs e BDRs para este mês
No novo episódio do Onde Investir, analistas da Empiricus Research compartilham recomendações de olho nos resultados da temporada de balanços e no cenário internacional
Minoritários da Tupy (TUPY3), gestores Charles River e Organon indicam Mauro Cunha para o conselho após polêmica troca de CEO
Insatisfeitos com a substituição do comando da metalúrgica, acionistas indicam nome para substituir conselheiro independente que votou a favor da saída do atual CEO, Fernando Rizzo
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade
Assembleia do GPA (PCAR3) ganha apoio de peso e ações sobem 25%: Casino e Iabrudi sinalizam que também querem mudanças no conselho
Juntos, os acionistas somam quase 30% de participação no grupo e são importantes para aprovar ou recusar as propostas feitas pelo fundo controlado por Tanure
Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa
Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA
O Super Bowl das tarifas de Trump: o que pode acontecer a partir de agora e quem está na mira do anúncio de hoje — não é só a China
A expectativa é de que a Casa Branca divulgue oficialmente os detalhes da taxação às 17h (de Brasília). O Seu Dinheiro ouviu especialistas para saber o que está em jogo.
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas