O Ibovespa passou a semana correndo em círculos. E acabou perdendo o equilíbrio
Assim como um cachorro entediado persegue o próprio rabo para tentar se distrair, o Ibovespa tentou encontrar um fator para dar direção às negociações, em meio ao vácuo deixado pela reforma da Previdência. Mas foi em vão: o índice correu em círculos, sem conseguir abocanhar nada, e fechou a semana com baixa acumulada de 0,44%

O Ibovespa teve uma semana de cão.
Não é que a bolsa brasileira enfrentou dias particularmente difíceis, nada disso. Mas, assim como um cachorro entediado persegue o próprio rabo para tentar se distrair, o índice tentou encontrar um novo fator para dar direção às negociações, em meio ao vácuo deixado pela reforma da Previdência.
E o Ibovespa correu em círculos. Tentou abocanhar o saque do FGTS, mas ele escapou no último minuto. Ensaiou uma alta em conjunto com as bolsas americanas, mas esse fator também se mostrou fugaz. E, depois de tantos giros em vão, os agentes financeiros ficaram tontos — tal qual o melhor amigo do homem, ao passar minutos dando voltas no mesmo lugar.
Essa tontura foi sentida nesta sexta-feira (19): o Ibovespa terminou o pregão em baixa de 1,21%, aos 103.451,93 pontos, acumulando uma perda de 0,44% na semana. O dólar à vista também se desequilibrou: a moeda americana subiu 0,45% hoje, a R$ 3,7458 — um ganho de 0,2% desde segunda-feira.
Vale analisar, contudo, o desempenho dia a dia. Na segunda (15) e na terça (16), o índice caiu 0,10% e 0,03%, respectivamente. Na quarta (17) e na quinta (18), subiu 0,08% e 0,83%, nesta ordem; e, hoje, caiu 1,21%.
Sem bolinha para buscar
O Cãobovespa — desculpem pelo péssimo trocadilho — reage a muitos estímulos, mas um deles se destacava: a reforma da Previdência. E quanto mais longe essa bolinha era arremessada, mais animado ficava o mascote.
Leia Também
Só que, com o início do recesso do Congresso, esse brinquedo foi guardado no armário — só voltará à ativa em agosto. Então, lá foi o cachorro buscar outros jeitos para gastar energia.
Começou vasculhando a própria casa: o que poderia chamar a atenção por aqui? O noticiário corporativo não trazia muitas novidades, e, em Brasília, o cenário político esteve quase em stand by. É importante salientar o quase, já que um detalhe do front do governo foi suficiente para capturar a imaginação do mercado.
No meio da semana, começou a ganhar força a informação de que a administração Bolsonaro iria liberar, na quinta-feira (18), o saque parcial das contas ativas do FGTS — a ideia é estimular o consumo e aquecer a atividade doméstica. E, na ausência da Previdência, essa fagulha foi suficiente para alegrar os agentes.
Só que a animação não deu em nada: afinal, o governo adiou o anúncio para a semana que vem. E lá foi o Cãobovespa buscar alguma outra coisa para se distrair...
Girando em círculos
A saída, então, foi olhar pela janela e ver o que estava acontecendo do lado de fora. E, no exterior, um tema concentrava as atenções: as discussões referentes à taxa de juros dos Estados Unidos.
Em linhas gerais, os mercados mostram-se confiantes quanto ao corte nas taxas americanas já na próxima reunião do Federal Reserve (Fed), no fim desse mês. Mas não há consenso quanto à intensidade desse corte: há quem aposte em 0,25 ponto percentual, e há quem defenda 0,50 ponto percentual.
Só que, ao longo da semana, os sinais vindos lá de fora foram inconclusivos a respeito desse tema. Os dados mais recentes da economia americana ora mostravam enfraquecimento, ora indicavam força — e as indicações de autoridades do BC dos EUA também ficavam em cima do muro.
Mas, na quinta-feira, esse cenário pareceu pender para um dos lados — o dos que defendem um corte mais rápido nos juros. Afinal, o presidente da distrital de Nova York do Fed, John Williams, assumiu um tom agressivo num discurso, dando a entender que era favorável a uma ação intensa da instituição o mais rápido possível.
Com isso, as bolsas americanas ganharam força e foram ao campo positivo — e o Ibovespa se animou. Só que, assim como no caso do FGTS, a alegria durou pouco.
Ainda na quinta-feira, o Fed de Nova York veio a público para colocar panos quentes, afirmando que a fala de Williams não tinha relação com a política monetária do país. E, hoje, outros presidentes distritais do Fed assumiram tons mais amenos — Eric Rosengren, do distrito de Boston, disse inclusive que não via um corte de juros como necessário.
Com isso, os mercados americanos murcharam e fecharam em queda nesta sexta-feira: o Dow Jones caiu 0,25%, o S&P 500 recuou 0,62% e o Nasdaq teve baixa de 0,74%. E o Ibovespa, cansado de correr atrás do rabo, cedeu à realização de lucros.
As únicas ações que se salvaram do banho de sangue no Ibovespa hoje — e o que está por trás disso
O que está por trás das únicas altas no Ibovespa hoje? Carrefour sobe mais de 10%, na liderança do índice
A pressão vem de todos os lados: Trump ordena corte de juros, Powell responde e bolsas seguem ladeira abaixo
O presidente do banco central norte-americano enfrenta o republicano e manda recado aos investidores, mas sangria nas bolsas mundo afora continua e dólar dispara
O combo do mal: dólar dispara mais de 3% com guerra comercial e juros nos EUA no radar
Investidores correm para ativos considerados mais seguros e recaculam as apostas de corte de juros nos EUA neste ano
Mark Zuckerberg e Elon Musk no vermelho: Os bilionários que mais perdem com as novas tarifas de Trump
Só no último pregão, os 10 homens mais ricos do mundo perderam, juntos, em torno de US$ 74,1 bilhões em patrimônio, de acordo com a Bloomberg
Carrefour Brasil (CRFB3): controladora oferece prêmio mais alto em tentativa de emplacar o fechamento de capital; ações disparam 10%
Depois de pressão dos minoritários e movimentações importantes nos bastidores, a matriz francesa elevou a oferta. Ações disparam na bolsa
China não deixa barato: Xi Jinping interrompe feriado para anunciar retaliação a tarifas de Trump — e mercados derretem em resposta
O Ministério das Finanças da China disse nesta sexta-feira (4) que irá impor uma tarifa de 34% sobre todos os produtos importados dos EUA
Um café e um pão na chapa na bolsa: Ibovespa tenta continuar escapando de Trump em dia de payroll e Powell
Mercados internacionais continuam reagindo negativamente a Trump; Ibovespa passou incólume ontem
Cardápio das tarifas de Trump: Ibovespa leva vantagem e ações brasileiras se tornam boas opções no menu da bolsa
O mais importante é que, se você ainda não tem ações brasileiras na carteira, esse me parece um momento oportuno para começar a fazer isso
Ações para se proteger da inflação: XP monta carteira de baixo risco para navegar no momento de preços e juros altos
A chamada “cesta defensiva” tem dez empresas, entre bancos, seguradoras, companhias de energia e outros setores classificados pela qualidade e baixo risco
Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) perdem juntas R$ 26 bilhões em valor de mercado e a culpa é de Trump
Enquanto a petroleira sofreu com a forte desvalorização do petróleo no mercado internacional, a mineradora sentiu os efeitos da queda dos preços do minério de ferro
Bitcoin (BTC) em queda — como as tarifas de Trump sacudiram o mercado cripto e o que fazer agora
Após as tarifas do Dia da Liberdade de Donald Trump, o mercado de criptomoedas registrou forte queda, com o bitcoin (BTC) recuando 5,85%, mas grande parte dos ativos digitais conseguiu sustentar valores em suportes relativamente elevados
Obrigado, Trump! Dólar vai à mínima e cai a R$ 5,59 após tarifaço e com recessão dos EUA no horizonte
A moeda norte-americana perdeu força no mundo inteiro nesta quinta-feira (3) à medida que os investidores recalculam rotas após Dia da Libertação
Embraer (EMBR3) tem começo de ano lento, mas analistas seguem animados com a ação em 2025 — mesmo com as tarifas de Trump
A fabricante de aeronaves entregou 30 aviões no primeiro trimestre de 2025. O resultado foi 20% superior ao registrado no mesmo período do ano passado
Oportunidades em meio ao caos: XP revela 6 ações brasileiras para lucrar com as novas tarifas de Trump
A recomendação para a carteira é aumentar o foco em empresas com produção nos EUA, com proteção contra a inflação e exportadoras; veja os papéis escolhidos pelos analistas
O Dia depois da Libertação: bolsas globais reagem em queda generalizada às tarifas de Trump; nos EUA, Apple tomba mais de 9%
O Dia depois da Libertação não parece estar indo como Trump imaginou: Wall Street reage em queda forte e Ibovespa tem leve alta
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Itaú (ITUB4), de novo: ação é a mais recomendada para abril — e leva a Itaúsa (ITSA4) junto; veja outras queridinhas dos analistas
Ação do Itaú levou quatro recomendações entre as 12 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro; veja o ranking completo
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Onde investir em abril? As melhores opções em ações, dividendos, FIIs e BDRs para este mês
No novo episódio do Onde Investir, analistas da Empiricus Research compartilham recomendações de olho nos resultados da temporada de balanços e no cenário internacional