Exterior ajuda e dólar cai 1,24% na semana, a R$ 3,87; Ibovespa acumula alta de 0,82%
O Ibovespa e o dólar encerraram a semana com saldo positivo. Apesar das instabilidades locais, a confiança no exterior quanto a um ajuste negativo nos juros dos EUA deu ânimo aos ativos globais

A semana foi marcada por uma certa tensão em Brasília. A percepção de risco quanto ao estado da articulação política teve suas idas e vindas desde segunda-feira — e essa constante sucessão de estados de estresse e relaxamento em relação ao noticiário local trouxe volatilidade ao Ibovespa e ao dólar nos últimos dias.
Mas um fator manteve-se constante nas últimas sessões: a tranquilidade no exterior. Não que a guerra comercial tenha regredido, longe disso. Mas um novo fator começa a ganhar força na dinâmica dos mercados: a possibilidade de um novo corte de juros por parte do Federal Reserve (Fed), o Banco Central americano.
Essa perspectiva trouxe alívio às bolsas de Nova York e fez o dólar recuar em termos globais. E essa dinâmica vista lá fora preponderou sobre as instabilidades locais: o dólar à vista caiu 0,16% nesta sexta-feira (7), a R$ 3,8770, acumulando baixa de 1,24% na semana, e o Ibovespa avançou 0,63% hoje, aos 97.821,26 pontos, um ganho de 0,82% desde segunda-feira.
A bola está com o Fed
No exterior, a guerra comercial seguiu nos holofotes: as disputas entre os Estados Unidos e a China continuam a todo o vapor — e o governo americano abriu mais um front de conflito, ameaçando sobretaxar os produtos do México. E esse noticiário, é claro, tem implicações negativas aos mercados.
Em meio à incerteza quanto ao futuro, os agentes financeiros começaram a dar mais atenção aos dados da economia americana no presente — e as informações não são animadoras. Diversos índices já começam a apontar para um desaquecimento da atividade nos Estados Unidos. E esse noticiário, é claro, também traz implicações negativas aos mercados.
Só que, neste caso, dois negativos formam um positivo.
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Eu explico: com a economia americana dando indícios de desaceleração e com a guerra comercial prometendo gerar impactos ainda maiores no futuro, ganhou força uma corrente de pressão sobre o Fed. Afinal, o mercado acredita que esse cenário já é suficiente para que a autoridade americana promova um novo ajuste negativo na política monetária do país
A ideia é baixar os juros para estimular já a economia, evitando que a atividade americana sofra com uma desaceleração ainda maior. E, a julgar pelo tom adotado pelas autoridades do Fed nesta semana, a porta está aberta para esse movimento.
O presidente da instituição, Jerome Powell, disse estar pronto para atuar se a guerra comercial e outros assuntos afetarem a economia americana. O presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, também adotou uma retórica parecida, mostrando-se favorável a um novo corte de juros.
E hoje, dados decepcionantes do mercado de trabalho dos EUA em maio deram mais força a essa narrativa: ao todo, foram criadas 75 mil novas vagas no mês passado, muito abaixo das estimativas, que apontavam para uma geração de 180 mil novos postos.
Com essa perspectiva de estímulo monetário no horizonte, o dólar perdeu força ante a maior parte das divisas globais na semana. E o otimismo também contagiou as bolsas de Nova York.
Nesta sexta-feira, o Dow Jones (+1,02%), o S%P 500 (+1,05%) e o Nasdaq (+1,66%) fecharam com altas firmes. E, no acumulado da semana, os mercados acionários dos EUA tiveram ganhos expressivos: o Dow Jones subiu 4,7%, o S&P 500 avançou 4,4% e o Nasdaq teve valorização de 3,87%.
"A expectativa de corte de juros nos Estados Unidos derruba o dólar frente as outras moedas porque há uma diminuição da aversão a risco", explica Pablo Spyer, diretor da corretora Mirae Asset. "Uma possível queda de juros por lá aumenta o ímpeto dos investidores de trazer dinheiro para países emergentes, como o Brasil".
Idas e vindas em Brasília
Por aqui, a dinâmica segue a mesma: o mercado acompanhou as movimentações em Brasília. Notícias que tragam implicações negativas à reforma da Previdência geram apreensão, e sinalizações de que a revisão nas regras da aposentadoria continuarão caminhando bem trazem alívio aos ativos locais.
A primeira metade da semana trouxe alguma tensão às negociações. A reunião da Comissão Mista de Orçamento (CMO) que votaria a concessão de um crédito extra ao governo, visando o cumprimento da chamada "regra de ouro", foi suspensa, sem que os deputados conseguissem entrar num acordo.
Essa dificuldade enfrentada pelo governo para a aprovação de um tema importante para a gestão Bolsonaro não foi bem recebida pelo mercado. Afinal, se essa pauta não consegue avançar tranquilamente, um tema mais espinhoso, como a reforma da Previdência, tende a passar por dificuldades semelhantes ou maiores.
Além disso, houve certa frustração por causa do adiamento da entrega do parecer da reforma na comissão especial da Câmara — o deputado Samuel Moreira irá entregar o documento apenas na semana que vem.
Só que esse clima de apreensão se dissipou na segunda metade da semana. E o alívio veio do Supremo Tribunal Federal (STF): a corte decidiu que não há necessidade de lei para a venda das subsidiárias de empresas estatais. Também foi revogada a liminar que proibia a venda da TAG pela Petrobras.
A decisão do STF fortalece a percepção de que o "pacto" entre os Três Poderes para a retomada da economia está sendo colocado em prática. Tal cenário eleva o otimismo quanto à cooperação do Legislativo — o terceiro elemento desse acordo — na tramitação da reforma da Previdência.
De olho na Selic
No Brasil, a inflação medida pelo IPCA ficou em 0,13% em maio, desacelerando ante os 0,57% registrados em abril. E esse dado afetou diretamente as curvas de juros.
O cenário de inflação menos intensa soma-se à percepção de que a economia local segue fraca — e essa combinação de fatores faz o mercado aumentar as apostas quanto a um ajuste negativo na Selic no curto prazo, de modo a estimular a atividade econômica.
As curvas de juros refletem essa confiança do mercado e fecharam em forte queda. Na ponta curta, os DIs para janeiro de 2020 caíram de 6,26% para 6,21%, e os com vencimento em janeiro de 2021 recuaram de 6,39% para 6,27%.
Na ponta longa, as curvas com vencimento e janeiro de 2023 tiveram baixa de 7,28% para 7,18%, e as para janeiro de 2025 foram de 7,85% para 7,76%.
Estácio nas alturas
As ações ON da Estácio (ESTC3) tiveram forte alta de 7,44% nesta sexta-feira e lideram os ganhos do Ibovespa. Mais cedo, o Itaú BBA elevou a recomendação para os papéis, passando de neutro para "outperform" (acima da média do mercado), e estabeleceu preço-alvo de R$ 40,00 — os ativos fecharam a R$ 29,45.
Petrobras respira aliviada
Com a liberação da venda da TAG para a Engie, o mercado ficou mais confortável para comprar as ações da Petrobras. Os ativos ON da estatal (PETR3) subiram 2,72% e os PNs (PETR4) tiveram ganho de 1,83% — o bom desempenho do petróleo no exterior, tanto o WTI (+2,66%) quanto o Brent (+2,10%), também deu força às ações.
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