De olho no STF, Ibovespa pisa no acelerador e sobe mais de 1%; dólar cai a R$ 3,88
Atento ao julgamento no STF sobre as privatizações, o Ibovespa ganhou força e recuperou os 97 mil pontos. O dólar fechou em queda, acompanhando o movimento da moeda americana no exterior

A sabedoria popular nos ensina: não há nada como um dia após o outro. E o Ibovespa que o diga.
Ontem, o principal índice da bolsa brasileira perdeu força na reta final do pregão e mergulhou aos 95 mil pontos, influenciado pelo noticiário político. Mas, nesta quinta-feira (6), o movimento foi o oposto: o Ibovespa ganhou força no meio da tarde, recuperando os 97 mil pontos — e a política, novamente, foi o gatilho.
Os olhos do mercado estiveram atentos ao Supremo Tribunal Federal (STF) — a corte retomou hoje o debate sobre a necessidade de autorização do Congresso para a venda de empresas estatais. E, embora o julgamento ainda não estivesse concluído no encerramento do pregão, os agentes financeiros gostaram do que viram nesta tarde.
Até o encerramento das negociações desta quinta-feira, o placar do julgamento indicava, em tese, quatro votos favoráveis à venda sem necessidade de lei — outros três sinalizavam a obrigatoriedade de aval do Legislativo. Ao todo, o STF possui 11 ministros.
Apesar de a discussão ainda estar em aberto e de os votos dos ministros permitirem diferentes interpretações, o mercado assumiu uma postura otimista, apostando que os ministros irão dar luz verde para a venda das estatais. E, nesse cenário, o Ibovespa ligou o turbo, recuperando-se do tombo de ontem.
O índice, que passou boa parte do pregão perto da estabilidade, terminou o dia em alta de 1,26%, aos 97.204,85 pontos — na máxima, chegou aos 97.461,97 pontos (+1,52%). As ações de empresas estatais, como Petrobras, Banco do Brasil e Eletrobras, tiveram ganhos firmes.
Leia Também
O dólar à vista também teve um dia de alívio e fechou em queda, terminando a sessão com baixa de 0,30%, a R$ 3,8831. O comportamento da moeda americana, contudo, esteve mais associado aos rumos do mercado de câmbio no exterior, sendo pouco afetado pelos rumos do julgamento do STF.
Otimismo moderado
Apesar da alta firme registrada pelo Ibovespa ao fim do dia, grande parte da sessão foi marcada por um ritmo moderado de alta. E isso porque as movimentações recentes em Brasília diminuíram parte do otimismo do mercado em relação à tramitação da reforma da Previdência.
Ontem, por exemplo, a sessão da Comissão Mista do Orçamento (CMO) que votaria a concessão de um crédito extra de R$ 248,9 bilhões ao governo foi suspensa, em meio aos desentendimentos entre os deputados.
A dificuldade para a aprovação de uma medida importante para a gestão Bolsonaro elevou a apreensão quanto ao futuro da revisão das regras para a aposentadoria — e o adiamento da entrega do parecer do texto na comissão especia da Câmara, Samuel Moreira, para a próxima semana, contribui para elevar a prudência.
"A empolgação da semana passada está começando a ser dissipada, e já estamos vedo uma acomodação maior", diz Victor Cândido, economista-chefe da Guide Investimentos. "Os mercados começam a se dar conta que ainda tem muita água para passar por baixo da ponte, tanto aqui quanto lá fora".
Cândido pondera que, em meio às incertezas, o Ibovespa tem apresentado um comportamento oscilante, mostrando dificuldade para ir muito além da faixa dos 97 mil pontos. Quanto ao dólar, o economista da Guide vê um suporte ao redor dos R$ 3,85.
Exterior fervente
Lá fora, os mercados assumiram um tom semelhante: começaram o dia perto do zero a zero, mas aceleraram na reta final da sessão. O Dow Jones (+0,71%), o S&P 500 (+0,61%) e o Nasdaq (+0,53%) fecharam no campo positivo — e o noticiário referente à guerra comercial foi o responsável por aumentar o otimismo nas bolsas americanas.
Segundo a Bloomberg, o governo americano estuda adiar a adoção de tarifas de importação contra produtos do México, em meio às conversas entre as autoridades dos dois países em relação ao fluxo de imigrantes ilegais. A notícia trouxe algum alívio às negociações, mas não dissipou completamente a tensão lá fora.
E isso porque o presidente americano, Donald Trump, alertou o governo chinês sobre outro possível aumento de tarifas, embora tenha mencionado desdobramentos "interessantes" das discussões comerciais entre Washington e Pequim. E, nesse cenário, o dólar perdeu força em escala global.
A moeda americana perdeu força ante as principais divisas do mundo e recuou na comparação com a maior parte das emergentes, caso do rublo russo, peso colombiano, peso chileno e dólar neozelandês. Assim, esse contexto global serviu como base para que o real ganhasse força nesta quinta-feira.
Por aqui, as curvas de juros acompanham o dólar e também devolvem parte do movimento de ontem. Na ponta curta, os DIs para janeiro de 2021 caem de 6,48% para 6,44%; na longa, as curvas com vencimento em janeiro de 2023 recuam de 7,44%para 7,35%, e as para janeiro e 2025 vão de 8,01% para 7,91%.
Estatais para cima
Em meio à expectativa em relação ao julgamento no STF, as ações de empresas estatais subiram em bloco e puxaram o Ibovespa ao campo positivo.
As ações PN da Petrobras (PETR4) fecharam em alta de 1,62%, enquanto as ONs (PETR3) subiram 1,57% — os papéis exibiam desempenho levemente negativo durante a manhã. Banco do Brasil ON (BBAS3), Eletrobras ON (ELET3) e Eletrobras PNB (ELET6) tiveram ganhos de 2,54%, 3,71% e 3,01%, nesta ordem.
A Petrobras possui duplo interesse na sessão d STF, já que também está em discussão a validade de uma decisão concedida pelo ministro Edson Fachin, barrando a venda da TAG.
Novo competidor
A Via Varejo partiu para a briga no setor de bancos digitais e lançou o banQi, um serviço voltado às classes C, D e E — a ideia é aproveitar a alta capilaridade das Casas Bahia para conseguir um crescimento rápido na base de clientes dessa nova iniciativa.
E o mercado reagiu bem à notícia, embora ainda tenha dúvidas quanto à iniciativa: as ações ON da Via Varejo fecharam em alta de 6,45%, a R$ 4,95, liderando os ganhos do Ibovespa.
Oportunidades em meio ao caos: XP revela 6 ações brasileiras para lucrar com as novas tarifas de Trump
A recomendação para a carteira é aumentar o foco em empresas com produção nos EUA, com proteção contra a inflação e exportadoras; veja os papéis escolhidos pelos analistas
O Dia depois da Libertação: bolsas globais reagem em queda generalizada às tarifas de Trump; nos EUA, Apple tomba mais de 9%
O Dia depois da Libertação não parece estar indo como Trump imaginou: Wall Street reage em queda forte e Ibovespa tem leve alta
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Itaú (ITUB4), de novo: ação é a mais recomendada para abril — e leva a Itaúsa (ITSA4) junto; veja outras queridinhas dos analistas
Ação do Itaú levou quatro recomendações entre as 12 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro; veja o ranking completo
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Onde investir em abril? As melhores opções em ações, dividendos, FIIs e BDRs para este mês
No novo episódio do Onde Investir, analistas da Empiricus Research compartilham recomendações de olho nos resultados da temporada de balanços e no cenário internacional
Minoritários da Tupy (TUPY3), gestores Charles River e Organon indicam Mauro Cunha para o conselho após polêmica troca de CEO
Insatisfeitos com a substituição do comando da metalúrgica, acionistas indicam nome para substituir conselheiro independente que votou a favor da saída do atual CEO, Fernando Rizzo
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade
Assembleia do GPA (PCAR3) ganha apoio de peso e ações sobem 25%: Casino e Iabrudi sinalizam que também querem mudanças no conselho
Juntos, os acionistas somam quase 30% de participação no grupo e são importantes para aprovar ou recusar as propostas feitas pelo fundo controlado por Tanure
Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa
Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Tupy (TUPY3): Troca polêmica de CEO teve voto contrário de dois conselheiros; entenda o imbróglio
Minoritários criticaram a troca de comando na metalúrgica, e o mercado reagiu mal à sucessão; ata da reunião do Conselho divulgada ontem mostra divergência de votos entre os conselheiros
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Adeus, Ibovespa: as ações que se despedem do índice em maio e quem entra no lugar, segundo a primeira prévia divulgada pela B3
A nova carteira passa a valer a partir do dia 5 de maio e ainda deve passar por duas atualizações preliminares
Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos
Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%
Trump preocupa mais do que fiscal no Brasil: Rodolfo Amstalden, sócio da Empiricus, escolhe suas ações vitoriosas em meio aos riscos
No episódio do podcast Touros e Ursos desta semana, o sócio-fundador da Empiricus, Rodolfo Amstalden, fala sobre a alta surpreendente do Ibovespa no primeiro trimestre e quais são os riscos que podem frear a bolsa brasileira
Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário
O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como
Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3
Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista
Ex-CEO da Americanas (AMER3) na mira do MPF: Procuradoria denuncia 13 antigos executivos da varejista após fraude multibilionária
Miguel Gutierrez é descrito como o principal responsável pelo rombo na varejista, denunciado por crimes como insider trading, manipulação e organização criminosa