🔴 RETORNOS REAIS DE ATÉ 8,67% AO ANO, ISENTO DE IR – CONHEÇA A RENDA FIXA ‘TURBINADA’

Eduardo Campos

Eduardo Campos

Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.

Juros

BC reconhece que PIB pode cair no 1º trimestre, mas acredita em retomada adiante

A palavra incerteza pontua a ata do Copom, que reforça a necessidade de reformas fiscais para melhora da atividade e inflação nas metas. E a Selic? Bem, seguirá em 6,5% ao ano

Eduardo Campos
Eduardo Campos
14 de maio de 2019
9:31 - atualizado às 9:42
Copom
Diretores do Banco Central (BC) na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) - Imagem: Banco Central do Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) dedicou boa parte da ata de sua última reunião para explicar que tem ciência de que o quadro econômico está pior que o antecipado, mas pondera que não teria muito o que fazer. A Selic em 6,5% ao ano já está em terreno estimulativo e a atividade não reage pela elevada incerteza que ronda a agenda de reformas.

Com relação à trajetória futura da Selic, podemos olhar o texto sob dois prismas. Para parte do mercado, o maior número de parágrafos dedicados à fraqueza da atividade pode reforçar as expectativas de novos cortes até o fim do ano.

Outra avaliação possível é que com as reformas andando, esse nevoeiro de incerteza se dissipa, a confiança volta a aumentar e os investimentos saem das gavetas. Nesse cenário, fica reforçada a manutenção dos juros enquanto o Banco Central (BC) observa o impacto da esperada retomada sobre os preços.

Colocando de outra forma, juros menores não impulsionariam o crescimento neste momento de elevada incerteza. O BC estaria apenas gastando graus de liberdade que poderia utilizar melhor quando conseguir fazer um diagnóstico mais claro da economia. O BC repete que esse tipo de avaliação demanda tempo e não deverá ser concluída a curto prazo.

Como dissemos na semana passada, quando a decisão foi divulgada, se a Selic não cai, também não sobe, o que não deixa de ser boa notícia para os investimentos, notadamente, bolsa de valoresfundos imobiliários e títulos longos do Tesouro Direto.

PIB negativo?

Segundo o Copom, os indicadores disponíveis sugerem probabilidade relevante de que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha recuado ligeiramente no primeiro trimestre do ano, na comparação com o trimestre anterior, após considerados os padrões sazonais.

Leia Também

A chance de PIB negativo vem rondando os mercados depois da decepção com a produção industrial de março e dados fracos de varejo. O índice de atividade econômica do BC, que sai ainda nesta semana, pode reforçar tal avaliação.

O BC também reconhece que os indicadores do primeiro trimestre induziram revisões substantivas nas projeções para o crescimento do PIB em 2019 compiladas pela pesquisa Focus. A mediana está em 1,45% ante 1,95% há apenas um mês e diversos bancos e consultorias já trabalham com crescimento ao redor de 1% para o ano.

“Essas revisões refletem um primeiro trimestre aquém do esperado, com implicações para o ‘carregamento estatístico’, mas também embutem alguma redução do ritmo de crescimento previsto para os próximos trimestres”, diz o BC.

Para o BC, o processo de recuperação gradual da atividade econômica sofreu interrupção no período recente, “mas o cenário básico contempla sua retomada adiante”. O BC mantém previsão de crescimento de 2%, que será revisada em junho.

A culpa é da incerteza

O BC voltou a lembrar que a economia brasileira sofreu diversos choques ao longo de 2018, que produziram impactos sobre a economia e aperto relevante das condições financeiras. Embora esses impactos tendam a decair com o tempo, seus efeitos sobre a atividade econômica persistem mesmo após cessados seus impactos diretos.

Para o BC, é importante restar claro que, além dos choques já abordados, incertezas sobre aspectos fundamentais do ambiente econômico futuro, notadamente sobre sustentabilidade fiscal, têm efeitos adversos sobre a atividade econômica. A palavra "incerteza" aparece oito vezes no texto.

“Em especial, incertezas afetam decisões de investimento que envolvem elevado grau de irreversibilidade e, por conseguinte, necessitam de maior previsibilidade em relação a cenários futuros”, diz a ata.

Também foram debatidos outros fatores que poderiam restringir o crescimento econômico, diante da necessidade de “ajustes profundos" na economia, especialmente os de natureza fiscal.

A conclusão do BC é de que incerteza quanto à sustentabilidade fiscal tende a ser contracionista.

“Reformas que geram sustentabilidade da trajetória fiscal futura têm potencial expansionista, que pode contrabalançar efeitos de ajustes fiscais de curto prazo sobre a atividade econômica, além de mitigar os riscos de episódios de instabilidade com elevação de prêmios de risco, como o ocorrido em 2018”, explica o Copom.

Além da questão fiscal, uma aceleração no ritmo de retomada também passa por outras iniciativas, “que visam ao aumento de produtividade, ganhos de eficiência, maior flexibilidade da economia e melhoria do ambiente de negócios.”

Inflação e balanço de riscos

O Copom reafirma sua percepção de que a inflação acumulada em doze meses deve atingir um pico no curto prazo para, em seguida, recuar e encerrar 2019 em torno da meta para a inflação.

Mas ressalta que a consolidação desse cenário favorável, com inflação nas metas no médio e longo prazos, depende do andamento das reformas e ajustes necessários na economia brasileira, que são fundamentais para a manutenção do ambiente com expectativas de inflação ancoradas.

No debate sobre os vetores que podem influenciar a inflação para cima ou para baixo, a ata reafirma a avaliação de que o risco associado à ociosidade dos fatores de produção se elevou na margem, mas que todos os membros do colegiado julgaram que o balanço de riscos mostra-se simétrico.

Adeus à cautela, serenidade e perseverança

A ata também mostra que o BC deixará de falar explicitamente que a melhor forma de manter a trajetória da inflação em direção às metas, diante de incertezas quanto aos cenários econômicos, é conduzir a política monetária com cautela, serenidade e perseverança.

Segundo o Copom, tal postura é uma “questão principiológica” e seu membros concordaram em excluir essa mensagem a partir de sua próxima reunião. Mas reforçam que isso não deveria ser interpretado como mudança de sua forma de condução da política monetária.

Projeções

No cenário com juros constantes a 6,5% e taxa de câmbio a R$ 3,95, as projeções geradas pelo modelo do BC estão em torno de 4,3% para 2019 e 4,0% para 2020. Em março, com dólar a R$ 3,85, as projeções eram de 4,1% e 4%, respectivamente.

Vale notar que o BC já deixa claro que suas ações visam, “em maior grau”, o ano de 2020. Isso ocorre porque as ações têm efeito defasado sobre o lado real da economia. A meta de 2019 é de 4,25% e de 4% em 2020.

Aqui o comportamento do dólar, que ronda os R$ 4 tem algum impacto nas projeções. A fraqueza da atividade pode reduzir o repasse do dólar mais alto sobre os preços, mas esse ambiente de elevada incerteza também parece impedir que os agentes consigam embutir a fraqueza da atividade de forma mais clara nas projeções de inflação.

Cenário externo

A palavra “desafiador” continua sendo utilizada para descrever o ambiente internacional. Levando em considerações informações recentes sobre economias desenvolvidas e a comunicação de importantes bancos centrais, o Copom diz que seu cenário básico considera que os riscos associados à normalização das taxas de juros nas economias centrais mostram-se reduzidos no curto e médio prazos.

Aqui, vemos uma referência ao Federal Reserve (Fed), banco central americano, que vem reafirmando paciência na condução de sua política monetária e manutenção do juro no patamar atual.

Já os riscos associados a uma desaceleração da economia global permanecem e incertezas sobre políticas econômicas e de natureza geopolítica podem contribuir para um crescimento global ainda menor.

O BC não fala diretamente, mas a questão aqui passa pela guerra comercial. Na semana passada, quando o Copom esteve reunido, Donald Trump já tinha acenado que colocaria novas taxas sobre os produtos chineses. Algo que se confirmou na sexta-feira. Ontem, os chineses revidaram, mas Trump já amenizou o tom falando em fechar algum tipo de acordo nas próximas semanas.

Dentro desse contexto, o Copom voltou a destacar a capacidade que a economia brasileira apresenta de absorver revés no cenário internacional, devido ao seu balanço de pagamentos robusto, à ancoragem das expectativas de inflação e à perspectiva de recuperação econômica.

 

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
SD Select

Com a Selic a 14,25%, analista alerta sobre um erro na estratégia dos investidores; entenda

25 de março de 2025 - 10:00

A alta dos juros deixam os investidores da renda fixa mais contentes, mas este momento é crucial para fazer ajustes na estratégia de investimentos na renda variável, aponta analista

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Cuidado com a cabeça: Ibovespa tenta recuperação enquanto investidores repercutem ata do Copom

25 de março de 2025 - 8:13

Ibovespa caiu 0,77% na segunda-feira, mas acumula alta de quase 7% no que vai de março diante das perspectivas para os juros

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Inocentes ou culpados? Governo gasta e Banco Central corre atrás enquanto o mercado olha para o (fim da alta dos juros e trade eleitoral no) horizonte

25 de março de 2025 - 6:39

Iminência do fim do ciclo de alta dos juros e fluxo global favorecem, posicionamento técnico ajuda, mas ruídos fiscais e políticos impõem teto a qualquer eventual rali

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: Dedo no gatilho

24 de março de 2025 - 20:00

Não dá pra saber exatamente quando vai se dar o movimento. O que temos de informação neste momento é que há uma enorme demanda reprimida por Brasil. E essa talvez seja uma informação suficiente.

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Eles perderam a fofura? Ibovespa luta contra agenda movimentada para continuar renovando as máximas do ano

24 de março de 2025 - 8:05

Ata do Copom, balanços e prévia da inflação disputam espaço com números sobre a economia dos EUA nos próximos dias

ANOTE NO CALENDÁRIO

Agenda econômica: Ata do Copom, IPCA-15 e PIB nos EUA e Reino Unido dividem espaço com reta final da temporada de balanços no Brasil

24 de março de 2025 - 7:03

Semana pós-Super Quarta mantém investidores em alerta com indicadores-chave, como a Reunião do CMN, o Relatório Trimestral de Inflação do BC e o IGP-M de março

MACRO EM FOCO

Juros nas alturas têm data para acabar, prevê economista-chefe do BMG. O que esperar do fim do ciclo de alta da Selic?

23 de março de 2025 - 12:01

Para Flávio Serrano, o Banco Central deve absorver informações que gerarão confiança em relação à desaceleração da atividade, que deve resultar em um arrefecimento da inflação nos próximos meses

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Não fique aí esperando: Agenda fraca deixa Ibovespa a reboque do exterior e da temporada de balanços

21 de março de 2025 - 8:21

Ibovespa interrompeu na quinta-feira uma sequência de seis pregões em alta; movimento é visto como correção

SEXTOU COM O RUY

Deixou no chinelo: Selic está perto de 15%, mas essa carteira já rendeu mais em três meses

21 de março de 2025 - 5:42

Isso não quer dizer que você deveria vender todos os seus títulos de renda fixa para comprar bolsa neste momento, não se trata de tudo ou nada — é até saudável que você tenha as duas classes na carteira

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Ainda sobe antes de cair: Ibovespa tenta emplacar mais uma alta após decisões do Fed e do Copom

20 de março de 2025 - 8:18

Copom elevou os juros por aqui e Fed manteve a taxa básica inalterada nos EUA durante a Super Quarta dos bancos centrais

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: As expectativas de conflação estão desancoradas

19 de março de 2025 - 20:00

A principal dificuldade epistemológica de se tentar adiantar os próximos passos do mercado financeiro não se limita à já (quase impossível) tarefa de adivinhar o que está por vir

E DEVE CONTINUAR

Renda fixa mais rentável: com Selic a 14,25%, veja quanto rendem R$ 100 mil na poupança, em Tesouro Selic, CDB e LCI

19 de março de 2025 - 19:51

Conforme já sinalizado, Copom aumentou a taxa básica em mais 1,00 ponto percentual nesta quarta (19), elevando ainda mais o retorno das aplicações pós-fixadas

CICLO CHEGANDO AO FIM?

Copom não surpreende, eleva a Selic para 14,25% e sinaliza mais um aumento em maio 

19 de março de 2025 - 19:35

Decisão foi unânime e elevou os juros para o maior patamar em nove anos. Em comunicado duro, o comitê não sinalizou a trajetória da taxa para os próximos meses

SEU MENTOR DE INVESTIMENTOS

O que o meu primeiro bull market da bolsa ensina sobre a alta das ações hoje

19 de março de 2025 - 10:30

Nada me impactou tanto como a alta do mercado de ações entre 1968 e 1971. Bolsas de Valores seguem regras próprias, e é preciso entendê-las bem para se tirar proveito

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

De volta à Terra: Ibovespa tenta manter boa sequência na Super Quarta dos bancos centrais

19 de março de 2025 - 8:35

Em momentos diferentes, Copom e Fed decidem hoje os rumos das taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos

SEM BOLA DE CRISTAL, MAS COM SINAIS

A decisão é o que menos importa: o que está em jogo na Super Quarta com as reuniões do Copom e do Fed sobre os juros

19 de março de 2025 - 6:07

O Banco Central brasileiro contratou para hoje um novo aumento de 1 ponto para a Selic, o que colocará a taxa em 14,25% ao ano. Nos EUA, o caminho é da manutenção na faixa entre 4,25% e 4,50% — são os sinais que virão com essas decisões que indicarão o futuro da política monetária tanto aqui como lá

TOUROS E URSOS #215

Até onde vai a alta da Selic — e como investir nesse cenário? Analista vê juros de até 15,5% e faz recomendações de investimentos

18 de março de 2025 - 13:51

No episódio da semana do Touros e Ursos, Lais Costa, da Empiricus Research, fala sobre o que esperar da política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, após a Super Quarta

SD Select

Super Quarta no radar: saiba o que esperar das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos e como investir

18 de março de 2025 - 10:00

Na quarta-feira (19), os bancos centrais do Brasil e dos EUA devem anunciar suas decisões de juros; veja o que fazer com seus investimentos, segundo especialistas do mercado

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Não é um pássaro (nem um avião): Ibovespa tenta manter bom momento enquanto investidores se preparam para a Super Quarta

18 de março de 2025 - 8:16

Investidores tentam antecipar os próximos passos dos bancos centrais enquanto Lula assina projeto sobre isenção de imposto de renda

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Mais uma Super Quarta vem aí: dois Bancos Centrais com níveis de juros, caminhos e problemas diferentes pela frente

18 de março de 2025 - 6:28

Desaceleração da atividade econômica já leva o mercado a tentar antecipar quando os juros começarão a cair no Brasil, mas essa não é necessariamente uma boa notícia

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar