Agora vai? 2020 será o ano dos IPOs na bolsa, diz executivo do Credit Suisse
O número de IPOs pode saltar de 5 para até 40 e volume de ofertas de ações pode mais que dobrar no ano que vem, me disse Bruno Fontana, responsável pela área de banco de investimentos da instituição

Depois de mais um ano frustrante, 2020 deve enfim marcar a retomada das ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) de empresas brasileiras. O número de aberturas de capital pode saltar de apenas cinco (ou sete se contarmos as duas operações realizadas na Nasdaq) para até 40 no ano que vem.
A afirmação é de Bruno Fontana, responsável pela área de banco de investimentos do Credit Suisse. Com um sorriso largo no rosto, o executivo me recebeu para uma entrevista no escritório do banco em São Paulo na semana passada.
Para além da simpatia e do otimismo, ele tem vários motivos para estar satisfeito. Afinal, o ano foi bem generoso para as operações realizadas no mercado de capitais brasileiro.
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Até novembro, o volume de captações de empresas com a emissão de títulos como ações e debêntures já superava em mais de 50% todo o ano passado. E mais negócios significam mais comissões para os bancos de investimentos que coordenam essas operações.
As ofertas de ações na B3 também bateram recorde em 2019 (se excluirmos o ano da megacapitalização de Petrobras), com um volume da ordem de R$ 85 bilhões. Mas a maioria esmagadora das emissões foi realizada por empresas que já estão listadas na bolsa – os chamados “follow ons”, no jargão do mercado.
Apenas cinco companhias abriram o capital na bolsa brasileira em 2019: Centauro, Neoenergia, Vivara, Banco BMG e C&A. E a oferta da XP Investimentos, de longe a mais aguardada do ano, acabou acontecendo na bolsa norte-americana Nasdaq, assim como a da empresa de educação Afya. Essa equação, contudo, deve começar a mudar no próximo ano.
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“2019 foi o ano dos follow ons e 2020 com certeza vai ser o ano dos IPOs”, afirmou Fontana.
Por que agora vai decolar?
Atualmente, cinco companhias estão com pedidos de registro de IPO na Comissão de Valores Mobiliários (CVM): Iguá e Cagece, de saneamento, a provedora de serviços de internet Locaweb e as incorporadoras Mitre e Moura Debeux.
A expectativa do executivo do Credit Suisse é de 30 a 40 ofertas de novas empresas na bolsa no ano que vem. Incluindo os IPOs e follow ons, o volume de emissões de ações pode mais que dobrar em relação a 2019. Estamos falando de um mercado que pode movimentar algo como R$ 170 bilhões.
O otimismo se sustenta na perspectiva de retomada da economia e na queda dos juros. A Selic nas mínimas históricas estimula os investidores a migrarem os recursos que hoje estão na renda fixa para a bolsa.
Esse processo já começou. Apenas neste ano, a participação de ações na carteira dos fundos de investimento aumentou de 7,5% para 9%, o que representou um fluxo de R$ 70 bilhões para a B3, segundo Fontana. "Esse percentual não tem por que parar por aí e pode chegar a até 15%."
Para absorver todo esse dinheiro que vai entrar, a bolsa vai precisar de novos nomes. Pelas contas dele, a B3 conta hoje com apenas 273 empresas com ações que negociam pelo menos US$ 5 milhões por dia – patamar mínimo de liquidez considerado adequado para um grande investidor.
O juro baixo, agora de forma sustentável, também viabiliza uma série de negócios que antes não paravam de pé em razão das taxas altas praticadas no Brasil, segundo Fontana. Essas companhias agora podem ir à mercado em busca de sócios na bolsa.
Por que ainda não decolou?
Se as condições para a retomada dos IPOs estão dadas, por que o ano foi tão fraco para as aberturas de capital, em contraste com o recorde nas ofertas das empresas que já têm ações na bolsa (follow ons)?
Para o chefe do banco de investimento do Credit Suisse, dois fatores prejudicaram os planos das empresas que pretendiam abrir o capital: o primeiro foi a expectativa em torno da aprovação da reforma da Previdência.
A tramitação do projeto, que só foi aprovado em outubro, trouxe volatilidade ao mercado na maior parte do ano. "Precificar IPO em um cenário volátil é extremamente delicado", disse.
Já no caso dos follow ons, o investidor já conhece a performance do papel na bolsa e sabe que tem liquidez para comprar e vender se necessário, por isso o impacto das discussões da reforma foi bem menor.
O segundo fator que dificultou o cenário para os IPOs neste ano foi a incerteza sobre a economia brasileira, que deve registrar uma expansão da ordem de 1% em 2019. O desempenho ainda fraco afeta a demanda do investidor, em particular do estrangeiro.
"Agora, com um cenário de crescimento do PIB por volta de 2,5% para 2020, o investidor começa a acreditar que pode colocar suas fichas."
Um dos grandes temas da bolsa ao longo deste ano, aliás, foi justamente a baixa participação do investidor estrangeiro. Para o executivo do Credit Suisse, houve de fato uma frustração, mas isso não significa que os gringos ficaram de fora do mercado brasileiro.
Ele disse que em muitos casos o que houve foi uma "reciclagem do capital". Ou seja, o investidor de fora vendeu ações no mercado à vista na bolsa para montar uma posição mais representativa durante um follow on, o que não seria possível de fazer via compra direta sem mexer no preço dos papéis no pregão.
Com que bolsa eu vou?
A previsão do Credit Suisse de até 40 IPOs ao longo do ano que vem inclui tanto as ofertas realizadas na B3 como nas bolsas norte-americanas. Em 2019, foram cinco operações realizadas no país e duas lá fora.
Os IPOs fora do país são uma pedra no sapato da bolsa brasileira. O presidente da B3, Gilson Finkelsztain, afirmou que "fica um gosto amargo" toda vez que vê uma empresa brasileira o abrir capital no exterior.
"Não vai haver uma fuga do mercado da B3, mas vamos ter que aprender a conviver com mais operações nas bolsas estrangeiras", afirmou Fontana.
E qual o perfil das empresas que se preparam para buscar sócios na bolsa? Ele não falou de casos específicos, mas disse que 2020 deve ser marcado por IPOs de companhias de tecnologia, tanto na B3 como no exterior.
Com a perspectiva de retomada da economia, as empresas de varejo, consumo e educação devem aproveitar o momento para abrir o capital. A retomada da construção civil também deve levar as incorporadoras de volta à bolsa, em particular as voltadas para o segmento de baixa renda.
Outra novidade para 2020 pode ser o IPO de companhias do setor industrial, que há algum tempo não acessam a bolsa, segundo o executivo do Credit Suisse.
Vai ser bom para o investidor?
Momentos de maior euforia da economia e do mercado de capitais costumam ser favoráveis para as empresas que estão em busca de recursos. Mas nem sempre é bom para quem compra as ações no IPO. Quem viveu o "boom" das ofertas no mercado brasileiro em 2007 sabe do que estou falando.
Quando perguntei se os IPOs serão uma boa oportunidade para o investidor, Fontana não titubeou ao responder: "tenho certeza que sim".
A convicção dele vem do atual ambiente econômico favorável e da perspectiva de crescimento dos mercados de atuação das companhias, que viabilizam uma série de histórias que devem chegar à bolsa.
As ameaças mais visíveis para o desempenho dos IPOs hoje estão no plano macro, segundo Fontana. Aqui no Brasil, o maior risco é o de uma eventual mudança na agenda liberal do governo. Lá fora, o desempenho da economia global em ano de eleições nos Estados Unidos pode prejudicar o calendário das ofertas.
Mas se o forte crescimento dos IPOs de fato se confirmar, em algum momento o mercado também deve se deparar com o que Fontana chamou de "estresse do sistema".
"Vamos lidar com um volume que nunca lidamos antes no mercado de capitais. Se tivermos 100 novas companhias na bolsa, teremos a necessidade de 100 áreas de RI, conselhos de administração e analistas para cobrir as empresas. Será que o mercado comporta?"
E você, já investiu ou pretende investir nas empresas com planos de vender suas ações em IPOs na bolsa? Deixe seu comentário logo abaixo.
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