Tesouro Direto: a taxa histórica do Tesouro IPCA+ que pode render mais de 200% e proteger mais do que o CDI
Relatório da XP simula retorno com os títulos públicos no vencimento e em caso de venda antecipada; confira

O cenário para a renda fixa brasileira sofreu uma transformação profunda ao longo do primeiro semestre de 2026. Se no início do ano a expectativa era de juros menores e inflação controlada, agora o ambiente está significativamente mais desafiador para a economia e se reflete nas taxas dos títulos públicos do Tesouro Direto.
O juro real (Selic menos a inflação) dos papéis indexados à inflação, como o Tesouro IPCA+, rompeu a barreira dos 8% ao ano, renovando patamares nunca vistos. Nesta segunda-feira (22), o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2032 está oferecendo 8,44% de juro real.
A XP descreve esse fenômeno como uma janela rara que vale a atenção do investidor — taxas acima de 7,5% só foram vistas em menos de 10% do tempo desde 2011.
“Sob uma perspectiva histórica, trata-se de uma janela pouco frequente para alocação em ativos indexados à inflação, que hoje combinam proteção do poder de compra com um prêmio real elevado”, diz o relatório assinado pela analista Mayara Rodrigues.
O que significa investir em 8% acima da inflação?
Até o vencimento
Para quem pretende carregar o título até o vencimento, a principal vantagem é poder travar uma taxa real considerada rara pelos padrões históricos.
A simulação da XP mostra que um investimento em Tesouro IPCA+ com juro real de 7,5% ao ano poderia acumular retorno superior a 200% até 2035. Esse título com vencimento em 2035 está disponível apenas no mercado secundário.
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| Ano | IPCA (projetado Focus*) | Retorno acumulado |
|---|---|---|
| 2026 | 5,1% | 13,0% |
| 2027 | 4,0% | 26,4% |
| 2028 | 3,7% | 40,8% |
| 2029 | 3,5% | 56,7% |
| 2030 | 4,0% | 75,1% |
| 2031 | 4,0% | 95,8% |
| 2032 | 4,0% | 118,9% |
| 2033 | 4,0% | 144,7% |
| 2034 | 4,0% | 173,6% |
| 2035 | 4,0% | 205,9% |
Fonte: XP Investimentos
Neste caso, o investidor sabe desde o primeiro dia que receberá a inflação do período investido, mais um ganho real previamente definido — que são os 7,5% de juro real.
A combinação dessas características reforça a proteção do patrimônio no longo prazo.
Já carregando o título de 2032 até o vencimento, que está com juro real acima de 8%, a valorização continua alta, mais do que dobrando o patrimônio do investidor.
Valorização de preço
Outra possibilidade de investir no Tesouro IPCA+ é pensando na mudança de preço do papel: a marcação a mercado.
O juro real que está acima de 8% ao ano varia diariamente, conforme as expectativas dos agentes financeiros para a taxa de juros futura.
- quando o mercado antecipa alta na Selic, o valor de mercado dos títulos públicos tende a cair e o juro real a subir;
- quando a expectativa é de queda nos juros, os preços sobem e as taxas caem.
Ou seja, a marcação a mercado é uma faca de dois gumes.
Da mesma forma que é possível lucrar com a venda do título antes do vencimento no caso de os juros caírem, se a Selic subir de novo o resultado da venda poderá ser de prejuízo.
De acordo com a XP, o Tesouro IPCA+ 2060 pode render 91% se o juro real cair de 7% para 5%, mas pode amargar uma perda de 47% se a taxa prefixada subir para 9%, por exemplo.
Esse efeito nos preços é relevante apenas para quem pretende vender o título antes do vencimento. Para o investidor que permanece até o prazo final, o retorno contratado é garantido, independentemente das oscilações intermediárias — e o retorno pode superar 200%.
- CONFIRA AQUI: Tesouro Direto: A ‘janela de ouro’ do Tesouro IPCA+, que pode render até 91% com a queda dos juros
O CDI perdeu o posto de melhor porto seguro?
Para além da análise do Tesouro IPCA+, os analistas da XP traçam um comparativo dos títulos indexados à inflação com os pós-fixados que acompanham o CDI (indicador de juros que acompanha a taxa Selic).
A XP argumenta que o CDI nem sempre é o melhor ativo para proteger patrimônio no longo prazo.
Embora os títulos pós-fixados, como o Tesouro Selic, tenham baixa volatilidade e sejam referência para aplicações conservadoras, esses papéis não garantem a preservação do poder de compra em momentos de inflação elevada.
Nessa visão, o verdadeiro ativo livre de risco seria aquele capaz de preservar o valor real do dinheiro e ajudar o investidor a cumprir objetivos futuros, como aposentadoria, educação dos filhos ou compra de um imóvel.
“Nesse contexto, o patamar elevado observado nas NTN-Bs não apenas reflete um ambiente macroeconômico mais desafiador, mas também reforça a importância de uma alocação estratégica orientada à proteção real no longo prazo, associada à capacidade de cumprir objetivos financeiros, e não apenas à baixa volatilidade no curto prazo”, diz o relatório.
Onde está o risco do Tesouro IPCA+?
Os títulos IPCA+ de vencimentos longos costumam oscilar bastante quando há mudanças nas expectativas para juros e inflação.
Isso significa que quem precisa vender o papel do Tesouro Direto antes do vencimento pode registrar perdas ou ganhos relevantes por causa da marcação a mercado. Por isso, o vencimento do papel deve estar alinhado aos objetivos do investidor.
Na plataforma do Tesouro Direto é possível encontrar papéis indexados à inflação de diferentes vencimentos: 2032, 2037, 2040, 2045, 2050 e 2060.
Quanto mais alinhado o prazo ao objetivo, menores as chances de um resgate antecipado que pode resultar em prejuízo.
Outro ponto é a sensibilidade dos preços aos cenários de mercado. O atual patamar de juros reais não surgiu por acaso. Ele reflete um ambiente de maior aversão a risco, incertezas fiscais e preocupações com inflação global.
Um investidor que não aguenta oscilações na carteira pode não ter um perfil adequado para esse investimento. Mesmo que o retorno esteja garantido no vencimento, o caminho até lá tende a ser bastante volátil.
A XP avalia que a combinação de proteção inflacionária e juros reais acima de 8% cria uma das melhores oportunidades dos últimos anos na renda fixa brasileira. Mas, ainda assim, precisa ser compatível com o perfil do investidor e seus objetivos futuros.
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