Vinho que custa menos que um drinque em São Paulo acaba de ganhar ouro em um concurso internacional
Produzido no Valle Central chileno, o rótulo superou milhares de concorrentes no Concours Mondial de Bruxelles 2026, uma das avaliações mais rigorosas da indústria do vinho

Em um mercado bastante associado a garrafas de preços elevados e rótulos de produção limitada, um vinho vendido no Brasil por cerca de R$ 35 acaba de conquistar reconhecimento internacional em uma das competições mais respeitadas da indústria.
O Metropolitano Cabernet Sauvignon 2024, desenvolvido pelo brasileiro Grupo Wine e elaborado no Valle Central (a mais tradicional e extensa região vitivinícola do Chile), conquistou a Medalha de Ouro no Concours Mondial de Bruxelles (CMB) 2026, uma das competições mais respeitadas da indústria global do vinho.
Encontrado no mercado brasileiro entre R$ 30 e R$ 35, o vinho se destaca em uma categoria na qual custo-benefício raramente aparece ao lado de reconhecimento internacional. E o desempenho da marca não parou por aí. Além dele, na mesma edição do concurso, outro vinho do Grupo Wine, o Metropolitano Carmènere 2024, recebeu Medalha de Prata.
"Além da medalha, o que nos orgulha é ver um vinho acessível, desenvolvido a partir das preferências do consumidor brasileiro, competir em igualdade de condições com rótulos de vinícolas renomadas e produtos de categorias mais premium. Isso demonstra que é possível unir qualidade, autenticidade e excelente relação custo-benefício", afirma Alexandre Magno, CEO do Grupo Wine.

O rigor por trás das medalhas
Fundado em 1994, o Concours Mondial de Bruxelles tornou-se uma das referências mundiais em avaliação de vinhos. A competição reúne anualmente especialistas de diferentes mercados para uma série de degustações às cegas, formato que busca eliminar qualquer influência relacionada à marca, origem ou reputação dos produtores.
Na edição de 2026, na cidade de Yerevan, na Armênia, aproximadamente 320 jurados de 56 nacionalidades participaram das avaliações de mais de 6.700 rótulos. Entre eles estavam enólogos, sommeliers, compradores, importadores, jornalistas especializados e profissionais do comércio internacional de vinhos.
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As premiações seguem uma hierarquia rigorosa. No topo está a Grande Medalha de Ouro, reservada aos vinhos com as notas mais altas da competição. Em seguida aparecem as Medalhas de Ouro e de Prata.
Segundo as notas divulgadas pelos organizadores, o Metropolitano Cabernet Sauvignon apresentou aromas de groselha, pimenta-preta e especiarias, além de equilíbrio, taninos macios e evolução harmoniosa em boca. Já o Carmènere premiado com prata destacou-se pelas notas de frutas vermelhas, textura suculenta e final elegante.

Acessível e de qualidade
A ideia de que bons vinhos custam caro vem sendo desafiada ano após ano, inclusive. Investimentos em tecnologia, técnicas de vinificação mais precisas e uma leitura das preferências dos consumidores, por exemplo, permitiram que produtores elevassem a qualidade de seus rótulos sem aumentar significativamente os preços.
O fenômeno é particularmente visível na América do Sul. Chile e Argentina, por exemplo, consolidaram-se como alguns dos principais fornecedores de vinhos de excelente relação entre qualidade e preço para mercados como Brasil, Reino Unido e Estados Unidos.
Neste ano, inclusive, dois vinhos latinos estão entre os 50 melhores do mundo na lista Best in Showdo Decanter World Wine Awards. Um deles é da Argentina, o Rutini Single Vineyard Malbec 2023, produzido em Gualtallary na região de Mendoza. O outro é o chileno San Pedro 1865 Las Lagunas Carmenère 2023, original do Vale do Maule.
Um projeto construído a partir de dados
Lançada em 2024, a linha Metropolitano nasceu de uma proposta pouco comum na indústria. Diferentemente do que costuma acontecer na indústria do vinho, o projeto não se apoiou apenas na análise técnica dos especialistas. A equipe também utilizou mais de 800 mil avaliações feitas por consumidores brasileiros para orientar o desenvolvimento dos rótulos.
A partir dessas informações, os Winehunters do Grupo Wine desenvolveram uma coleção pensada para traduzir os hábitos e preferências do público nacional. O resultado foi uma linha composta por quatro rótulos produzidos no Valle Central chileno: Chardonnay, Cabernet Sauvignon, Carmènere e Red Blend.
A resposta do mercado veio rapidamente, aliás. Em pouco mais de dois anos, a linha ultrapassou a marca de 1,5 milhão de garrafas comercializadas, um desempenho expressivo para um projeto tão recente.
Além das medalhas conquistadas neste mês, os vinhos Metropolitano acumulam reconhecimentos em competições como IWSC, IWC, CINVE e IWSA. No International Wine & Spirit Competition (IWSC), por exemplo, a linha alcançou 92 pontos.
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