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Calçados que combinam características de tênis de corrida e treino funcional ganham espaço entre atletas que precisam alternar velocidade, força e estabilidade durante o treino

Se você já entrou em um box de CrossFit ou acompanhou uma prova de Hyrox, provavelmente reparou em um detalhe nos pés dos atletas. Nem sempre eles estão usando um tênis tradicional de corrida. Cada vez mais pessoas têm recorrido aos chamados tênis híbridos, desenvolvidos para transitar entre diferentes tipos de movimento sem exigir uma troca de calçado no meio do treino.
A tendência ganhou mais um nome de peso. No início deste mês, a Nike anunciou a linha Hybrid, com dois modelos: o Nike Hybrid Fly, voltado a competições híbridas, e o Nike Hybrid RN, para treinos do dia a dia. As novidades, porém, só devem chegar ao Brasil em abril de 2027, sem preço divulgado até o momento.

Segundo a marca, os modelos foram desenvolvidos para ajudar o atleta a se movimentar entre corrida, levantamento de peso e movimentos dinâmicos sem abrir mão de velocidade, estabilidade ou tração. "À medida que o treinamento híbrido e as corridas continuam a crescer, os atletas foram forçados a escolher entre tênis de corrida feitos para velocidade e tênis de treino feitos para estabilidade", escreveu a Nike em comunicado ao explicar por que decidiu criar a coleção.
A marca norte-americana, porém, não está sozinha nessa corrida. Reebok, PUMAA e Adidas também apostam no segmento. A marca alemã, por exemplo, possui o Dropset Elite (R$ 2 mil), apresentado neste ano como um modelo desenvolvido para atletas híbridos. Sempre que volta aos estoques, ele esgota rapidamente no site.
O tênis combina elementos de diferentes famílias da marca. Da linha Adizero, por exemplo, incorpora uma entressola mais alta e um cabedal mais fino, com foco em leveza e velocidade. Já da família Dropset, traz recursos voltados à estabilidade e ao suporte durante mudanças rápidas de direção.

Mas, afinal, o que exatamente é um tênis híbrido, e por que ele faz sentido para quem pratica modalidades como CrossFit e Hyrox?
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O tênis híbrido tenta ocupar um espaço entre dois universos que, tradicionalmente, exigem características bastante diferentes: o da corrida e o do treinamento de força e movimentos funcionais. “Um calçado híbrido é pensado para transitar entre demandas diferentes dentro do mesmo treino”, explica Silvio Prado, personal trainer e fundador da Vibe Sport Concept Lab. Isso significa que o mesmo tênis precisa acompanhar movimentos como correr, produzir força, saltar, mudar de direção e realizar exercícios funcionais.
O profissional conta que a dificuldade está em equilibrar essas necessidades. Um tênis tradicional de corrida tende a priorizar o deslocamento para a frente, com amortecimento e uma geometria pensada para tornar a passada mais eficiente. Já um modelo de treino costuma privilegiar uma base mais firme e estável, além de suporte lateral e tração para movimentos em diferentes direções.
“O tênis híbrido vai tentar construir uma ponte entre esses dois universos”, resume Prado. Por isso, ele não deve ser entendido simplesmente como um “tênis para tudo”. Na verdade, a proposta é atender melhor situações em que diferentes estímulos aparecem juntos.
Na prática, essa diferença do tênis híbrido para os demais aparece em pontos técnicos específicos do calçado. O drop (a diferença de altura entre o calcanhar e a ponta do pé) costuma ser mais baixo e moderado nos híbridos, mantendo o pé mais próximo do chão para dar estabilidade em movimentos de força, sem abrir mão totalmente do amortecimento necessário para correr.
A entressola também é pensada de forma diferente. Em vez da espuma alta e macia dos tênis de corrida (que prioriza retorno de energia, mas “afunda” em exercícios como agachamento) ou da base rígida dos tênis de treino, os híbridos combinam camadas de densidades distintas, com uma base mais firme perto do solo e uma camada superior mais responsiva.
Já o solado costuma ter um desenho de tração mais versátil, capaz de funcionar tanto em pisos de academia quanto no asfalto ou na pista, e reforços laterais no cabedal ajudam a segurar o pé em mudanças bruscas de direção, algo que um tênis de corrida tradicional, mais flexível e voltado ao deslocamento para frente, não entrega.
Este tipo de produto, aliás, ganha ainda mais sentido quando o treino ou a competição exige mudanças constantes de movimento. É exatamente o que acontece no CrossFit e, principalmente, no Hyrox, duas modalidades esportiva que conquistaram milhares de atletas no Brasil nos últimos anos.
Na competição de Hyrox, por exemplo, os participantes alternam trechos de corrida com estações de exercícios funcionais. Ou seja, o atleta pode sair de uma corrida e, poucos segundos depois, precisar de estabilidade para produzir força, empurrar ou puxar cargas e executar movimentos que exigem controle corporal.

“É exatamente o tipo de contexto que um calçado híbrido faz muito sentido”, afirma o personal. Além das competições, o modelo também pode ser interessante para quem monta treinos mistos. Uma pessoa pode correr por 15 ou 20 minutos, fazer um circuito funcional e, em seguida, partir para exercícios de musculação. Nesse cenário, trocar de tênis entre cada etapa seria pouco prático.
Segundo Prado, quanto mais variadas forem as demandas da atividade, maior tende a ser a necessidade de optar por um modelo híbrido. Por outro lado, quando o objetivo é muito específico, o calçado também deve acompanhar essa especificidade.
Apesar da versatilidade, o tênis híbrido não substitui todos os outros modelos. Para quem está treinando para uma maratona, por exemplo, um tênis desenvolvido especificamente para corrida continua sendo uma escolha mais coerente, explica Prado.
Nos últimos anos, os tênis de corrida, por exemplo, ganharam sistemas cada vez mais sofisticados e mais leves, com espumas responsivas, diferentes geometrias e, em alguns casos, placas inseridas na entressola.
Da mesma forma, em um treino pesado de agachamento ou levantamento terra, uma base mais firme e estável pode oferecer vantagens. “Quanto mais específica é a performance, mais sentido vai fazer um tênis criado para aquele exercício”, explica Prado.
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