Por que você deveria assistir ‘A Odisseia’ em IMAX (mas provavelmente não vai conseguir)
Novo filme de Christopher Nolan foi o primeiro longa gravado inteiramente em película IMAX 70 mm; o problema é que nenhuma sala brasileira consegue projetá-lo no formato original

Assistir a A Odisseia em uma sala convencional não significa desperdiçar o ingresso. Pelo contrário: o filme continuará com imagens grandiosas, cores intensas e o tipo de espetáculo visual que se espera de Christopher Nolan. No entanto, também não será exatamente a experiência que o diretor imaginou.
A nova adaptação do poema épico de Homero entrou para a história como o primeiro longa-metragem gravado integralmente com câmeras de película IMAX. Para o espectador, isso significa uma imagem maior, mais detalhada e capaz de revelar até 40% mais do quadro do que projeções convencionais.
O problema é que assistir a A Odisseia exatamente como Nolan filmou é um privilégio para pouquíssimas pessoas. Isso porque a versão completa exige uma sala equipada para projetar película IMAX 70 mm, tecnologia disponível em apenas 41 cinemas no mundo — nenhum deles no Brasil.
Por aqui, o público terá acesso às salas IMAX digitais — mas elas também são acessíveis para poucos

Existem apenas 13 salas IMAX no Brasil (uma oferta pequena diante do tamanho do país). E, embora as salas brasileiras não tenham a projeção em película 70 mm, elas utilizam projetores digitais de alta resolução, oferecendo tela maior e som superior aos cinemas comuns.
A exceção está no Cinépolis JK Iguatemi, em São Paulo, que possui a única sala IMAX Laser do Brasil. O sistema usa projeção 4K a laser, com mais brilho, contraste e precisão de cores, além de som IMAX de 12 canais.
Onde encontrar salas IMAX no Brasil
Cinemas com tecnologia IMAX podem ser encontrados em 8 estados brasileiros. Confira:
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- Cinépolis JK Iguatemi (IMAX Laser), em São Paulo (SP);
- Cinesystem Bourbon Shopping, São Paulo (SP);
- UCI Shopping Anália Franco, São Paulo (SP);
- Kinoplex Parque D. Pedro Shopping, em Campinas (SP);
- Cineflix The Square, na Granja Viana, em Cotia (SP);
- UCI RibeirãoShopping, em Ribeirão Preto (SP);
- UCI Orient Shopping da Bahia, em Salvador (BA);
- UCI Kinoplex Iguatemi, em Fortaleza (CE);
- Cineart Boulevard Shopping, em Belo Horizonte (MG);
- UCI Palladium Shopping, em Curitiba (PR);
- UCI Kinoplex Shopping Recife, em Recife (PE);
- UCI New York City Center, no Rio de Janeiro (RJ);
- Cinemark Bourbon Shopping Wallig, em Porto Alegre (RS).
O que muda quando um filme é gravado em IMAX?
Em A Odisseia, o ganho do IMAX aparece principalmente na escala. As câmeras de 70 mm registram uma área maior da imagem, com mais definição e até 40% mais informação por quadro em comparação a formatos convencionais.

A diferença fica ainda mais evidente nas salas capazes de projetar o filme em IMAX 70 mm, na proporção 1.43:1. Nelas, a imagem é mais alta e revela porções do enquadramento que podem desaparecer em exibições tradicionais. No Brasil, o público terá acesso às versões digitais, que ainda entregam tela ampliada, som mais imersivo e melhor qualidade de imagem, mas não reproduzem integralmente o formato usado nas filmagens.
A escassez não impede que o IMAX ganhe espaço no mercado. Pelo contrário: enquanto a bilheteria tradicional enfrenta dificuldades para recuperar os níveis anteriores à pandemia, as experiências premium vêm crescendo mais rapidamente.
Nos Estados Unidos e no Canadá, as telas premium responderam por 16% dos ingressos vendidos até o início de abril, acima do recorde de 13% registrado em 2021, segundo a empresa de dados EntTelligence. Além disso, o IMAX, uma das principais marcas desse segmento, ampliou sua própria participação na bilheteria norte-americana de 3,2% em 2019 para 5,2% no ano passado.
O crescimento também aparece nos números da companhia. A receita do IMAX deve alcançar cerca de US$ 448 milhões em 2026, segundo estimativa da CNBC. O valor supera os US$ 369 milhões registrados em 2019, antes da pandemia.
Na bolsa, a valorização também chamou atenção
As ações da empresa subiram cerca de 40% desde o verão passado no Hemisfério Norte, enquanto seu valor de mercado chegou a aproximadamente US$ 1,85 bilhão.
Esse desempenho colocou a companhia no radar de possíveis compradores. Segundo o The Wall Street Journal, o IMAX começou a explorar uma eventual venda, embora as conversas ainda estejam em fase inicial e possam não resultar em negócio.
A Odisseia: um épico clássico, caro — e lucrativo

Com um orçamento de US$ 250 milhões (mais de R$ 1,2 bilhão), A Odisseia se tornou a produção mais cara da carreira de Christopher Nolan.
O investimento, no entanto, já se pagou no fim de semana de estreia, arrecadando US$ 264 milhões (R$ 1,3 bilhão) e superando a estreia de Oppenheimer. Desse total, US$ 52 milhões (R$ 263 milhões) vieram de sessões IMAX, que responderam por 20% da abertura global.
O uso de câmeras IMAX não é novidade na carreira de Christopher Nolan. O diretor já havia empregado o formato em produções como Batman: O Cavaleiro das Trevas, Dunkirk, Tenet e Oppenheimer.
A diferença é que, nesses filmes, o IMAX costumava ser reservado para cenas específicas. Em A Odisseia, Nolan decidiu utilizá-lo do primeiro ao último quadro.
Por que isso impressiona tanto?
A ambição esbarrava em um problema antigo: as câmeras de película IMAX são grandes, pesadas (mais de 130 kg) e barulhentas. O ruído do mecanismo dificultava a gravação de diálogos com som sincronizado, o que restringia o equipamento a sequências de ação, paisagens ou cenas nas quais as falas poderiam ser regravadas posteriormente.

Para tornar o projeto possível, a IMAX desenvolveu uma nova geração de câmera e uma estrutura de isolamento acústico conhecida como blimp. O mecanismo reduziu o barulho a ponto de permitir que Nolan e o diretor de fotografia Hoyte van Hoytema filmassem diálogos e momentos mais íntimos diretamente no formato.
A produção também recorreu a soluções com espelhos para aproximar a câmera dos atores sem impedir que eles se enxergassem durante as cenas. Ao todo, foram usados mais de 600 km película em 90 dias de gravação, distância superior ao trajeto entre São Paulo e Florianópolis.
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