Nubank frustra expectativas com alta de 41% do lucro líquido e rentabilidade de 29% no 1T26; ações tombam até 10% em NY
Inadimplência e provisões entram no radar e colocam à prova a principal tese do Nubank: crescer com rentabilidade; veja os destaques do trimestre

A reação ao balanço do Nubank veio rápido — e foi dura. Mesmo com crescimento de dois dígitos no lucro, o resultado do primeiro trimestre de 2026 (1T26) deixou um gosto amargo no mercado.
Após a divulgação do balanço, as ações do banco digital (NU) chegaram a tombar mais de 10% no after market em Nova York, reflexo de números ainda robustos, mas abaixo do esperado — e, principalmente, sinais de que o custo do crescimento começa a pesar.
O Nubank encerrou o 1T26 com lucro líquido de US$ 871 milhões, desconsiderando os efeitos cambiais. O montante representa uma expansão de 41% em relação ao mesmo período do ano passado, mas uma queda de 5% na comparação com o trimestre anterior.
Apesar do crescimento considerável, o resultado ficou levemente abaixo das expectativas do mercado, que projetava um lucro médio de US$ 879 milhões, segundo o consenso da Bloomberg.
A frustração também apareceu na rentabilidade. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) ficou em 29% — abaixo dos cerca de 31% esperados pelos analistas. Na base anual, houve avanço de 2 pontos percentuais (p.p), mas, na comparação trimestral, o indicador recuou 4 p.p.
Ainda assim, com esse patamar, o Nubank continua a se posicionar no mesmo campo dos grandes bancos brasileiros — e até acima deles. Para efeito de comparação, o Itaú Unibanco (ITUB4) reportou ROE de 24,4% no mesmo período.
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Inadimplência e provisões entram no radar no 1T26
O ponto central do balanço não está apenas no tamanho do lucro, mas na qualidade desse crescimento.
O Nubank segue expandindo crédito em ritmo acelerado, mas a conta começa a aparecer com mais clareza nas provisões e nos indicadores de inadimplência — hoje, o principal foco de atenção dos investidores.
As despesas com provisão para perdas de crédito — o colchão dos bancos e fintechs contra calotes — saltaram 72% na comparação anual, alcançando US$ 1,79 bilhão no trimestre.
Em termos de qualidade da carteira, a inadimplência acima de 90 dias chegou a 6,5%, com leve alta de 0,1 ponto percentual na base anual e queda marginal na comparação trimestral.
Já os atrasos entre 15 e 90 dias — que funcionam como um sinal antecedente de deterioração — subiram para 5%, avanço de 0,9 p.p. no trimestre e de 0,2 p.p. em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo o Nubank, parte desse movimento é explicada pela sazonalidade do início do ano, quando a inadimplência em estágio inicial historicamente atinge seu pico.
Mas há também um componente estrutural: a expansão deliberada em segmentos de maior risco.
De acordo com o banco digital, os “modelos de risco aprimorados” dão suporte a essa estratégia, permitindo avançar em crédito com rentabilidade. Ainda assim, o mercado começa a testar os limites dessa tese.
Crédito segue como motor do Nubank — mas com mais fricção
O crescimento continua ancorado no crédito, principal motor de receita e rentabilidade do Nubank. A carteira de crédito total da fintech cresceu 40% na comparação anual e 7% frente ao trimestre anterior, alcançando US$ 37,2 bilhões.
O destaque segue sendo o cartão de crédito, com portfólio de US$ 24,3 bilhões. Já a carteira de crédito sem garantia somou US$ 10 bilhões, enquanto o portfólio colateralizado atingiu US$ 3 bilhões no 1T26.
Esse avanço sustentou um novo recorde na receita líquida de juros (NII), que chegou a US$ 3,5 bilhões, alta de 12% em relação aos últimos 12 meses.
Ainda assim, a margem financeira ajustada ao risco (NIM) começou a dar sinais de acomodação. O indicador ficou em 9,5%, praticamente estável na base anual, com leve alta de 0,2 ponto percentual frente ao 1T25, mas com queda de 1 p.p. na comparação trimestral.
Outros destaques do balanço do Nubank no 1T26
Enquanto o debate sobre qualidade ganha peso, o Nubank continua entregando expansão relevante de base e receitas. A receita total atingiu US$ 5,31 bilhões no trimestre, alta de 42% em relação ao mesmo período de 2025, também desconsiderando efeitos do câmbio.
A receita média mensal por cliente ativo (ARPAC) cresceu 23% na mesma base, para US$ 15,9. Já o custo médio mensal de servir cada cliente ativo subiu 19%, para US$ 1.
No trimestre, o banco digital do cartão roxinho adicionou 4 milhões de novos clientes, elevando a base global para 135,2 milhões, crescimento de 14% em um ano.
No Brasil, o Nubank ultrapassou 115 milhões de clientes, com mais de 100 milhões ativos, consolidando-se como a maior instituição financeira privada do país em número de usuários.
Expansão global, mas com disciplina
O avanço, no entanto, não se limita ao mercado doméstico. É fora do país que a próxima alavanca do Nubank começa a ganhar contornos mais claros.
"No México, a mesma fórmula geradora de resultados que construiu o Brasil atingiu seu ponto de inflexão. Alcançamos o break-even e nos tornamos a terceira maior instituição financeira do mercado", afirma o CEO do Nubank, David Vélez.
O país já soma 15 milhões de clientes, enquanto a operação na Colômbia atingiu 5 milhões.
Nos Estados Unidos, o Nubank adota uma abordagem mais cautelosa. Segundo a companhia, a expansão ocorre de forma “ponderada e eficiente em capital”, com foco em testar o modelo sem comprometer o negócio principal.
A expectativa é que o investimento nessa frente permaneça limitado — abaixo de 1 ponto percentual no índice de eficiência consolidado em 2026 e 2027, já dentro da faixa anual projetada, de cerca de 20%.
"Qualquer investimento incremental além desta fase inicial estará condicionado a evidências claras de product-market fit e a um caminho factível para a escalabilidade lucrativa", disse a fintech.
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