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Em carta ao mercado, Jorge Pinheiro anunciou sua saída do cargo de CEO e reconheceu que os resultados financeiros recentes ficaram abaixo do potencial da companhia
Depois de quase três décadas à frente da Hapvida (HAPV3), Jorge Pinheiro decidiu mudar de lugar — e o timing não parece aleatório. Em meio a questionamentos sobre governança e após um período de resultados abaixo do esperado, o executivo deixará o cargo de CEO para assumir uma cadeira no conselho de administração.
A mudança foi comunicada em carta ao mercado na noite desta segunda-feira (6) e ocorre após críticas recentes à governança da companhia pela gestora Squadra Investimentos.
Após 27 anos no comando da Hapvida, Pinheiro afirmou que a transição marca o encerramento de um ciclo e o início de uma nova fase para a empresa.
Segundo ele, a empresa entra em 2026 “mais leve e focada”, após concluir as grandes integrações, com prioridade em eficiência, qualidade e experiência do usuário.
O executivo reconheceu, contudo, que os resultados financeiros recentes ficaram abaixo do potencial da companhia. “Poderíamos ter feito mais e melhor. Essa consciência nos move”, afirmou.
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Pinheiro também confirmou a escolha de Luccas Adib como próximo CEO, destacando que a transição busca trazer novas competências e perspectivas à companhia. Segundo ele, o novo executivo contará com suporte do conselho e de um time executivo que ainda será apresentado ao mercado.
O comunicado também aponta como prioridades a recuperação da rentabilidade histórica, a desalavancagem e a avaliação de possíveis desinvestimentos em ativos considerados menos estratégicos.
Além disso, a companhia pretende intensificar o uso de tecnologia e dados para automatizar práticas médicas, digitalizar operações e melhorar a jornada dos usuários.
A saída de Pinheiro acontece em um momento crítico para a Hapvida. Na semana passada, a Squadra divulgou uma carta questionando a governança da companhia e defendendo a adoção do voto múltiplo na eleição do conselho.
No documento, a gestora afirma deter 6,98% do capital votante da Hapvida e indicou três nomes para o colegiado, além de defender mudanças na composição do board.
A gestora ainda criticou decisões estratégicas da companhia, a integração após a fusão com a NotreDame Intermédica, a deterioração operacional e a remuneração da administração.
Segundo dados da própria Squadra, a previsão é que os conselheiros da companhia ganhem R$ 57 milhões neste ano, com o terceiro maior pagamento entre as empresas do Ibovespa — mesmo valor que o time do Itaú (ITUB4).
Não é de hoje que a Hapvida vem sofrendo, com resultados cada vez mais fracos. No quarto trimestre de 2025, por exemplo, a empresa reportou números desastrosos — ainda mais do que nos três meses imediatamente anteriores, quando as ações chegaram a cair mais de 40% em reação ao balanço.
Entre os grandes destaques negativos, está a perda significativa de 140 mil beneficiários no trimestre, como reflexo de um desequilíbrio entre vendas e retenção. Apesar de vendas brutas acima de 600 mil vidas, os cancelamentos superaram 700 mil.
Além disso, a Hapvida enfrentou inimigos antigos que já pesam no balanço há alguns trimestres, como é o caso do aumento na sinistralidade e da falta de sinais sobre ganhos de sinergia com a NotreDame Intermédica.
Você pode conferir mais detalhes da história nesta reportagem especial do Seu Dinheiro.
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