CSN (CSNA3) desaba mais de 10% e lidera perdas do Ibovespa; nem a Vale (VALE3) escapa. O que está por trás do tombo?
Pregão foi marcado pela aversão ao risco, mas essa não é a única razão para o tombo das ações; analistas explicam o que esteve por trás do mau humor com CSN e Vale

A pressão sobre as commodities voltou a cobrar seu preço na bolsa brasileira nesta sexta-feira (5). Em um pregão já marcado pela cautela global, as ações da CSN (CSNA3) entraram em queda livre e lideraram as perdas do Ibovespa, enquanto a Vale (VALE3) também figurou entre os principais fatores de pressão do índice.
Os papéis da CSN fecharam o dia com queda de 10,18%, cotadas a R$ 6. Desde o início do ano, a siderúrgica amarga mais de 30% de desvalorização.
Enquanto isso, a Vale recuou 3,78%, a R$ 78,70. Apesar da queda de hoje, a performance acumulada em 2026 ainda é positiva em 9,4%.
O movimento das gigantes da mineração e da siderurgia acontece em uma semana particularmente difícil para o mercado doméstico.
O Ibovespa acumulou sua oitava semana consecutiva de perdas, enquanto investidores revisam expectativas para crescimento global, juros e demanda por commodities.
Minério de ferro volta ao centro das preocupações
A principal explicação para a queda das ações do setor está no comportamento do minério de ferro.
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Na madrugada desta sexta-feira, a commodity metálica recuou cerca de 0,91% na bolsa de Dalian, na China.
Mais do que a variação diária, porém, o mercado voltou a se preocupar com os fundamentos por trás dos preços.
Segundo Felipe Sant'Anna, especialista da Axia Investing, os sinais de excesso de oferta continuam se acumulando.
"Os estoques chineses estão elevados e os embarques tanto do Brasil quanto da Austrália operam próximos dos seus picos. Esse desequilíbrio tende a pressionar os preços da commodity no mercado internacional", afirma.
A preocupação dos analistas é que a combinação entre estoques elevados e uma recuperação econômica chinesa menos robusta reduza o espaço para uma retomada consistente dos preços do minério nos próximos meses.
Para a Vale, cuja geração de caixa continua altamente dependente da commodity, qualquer mudança nas expectativas para o minério costuma ser rapidamente refletida na cotação das ações.
Não por acaso, os papéis da mineradora vêm devolvendo parte dos ganhos acumulados ao longo do ano. Depois de negociar próximo dos R$ 91 nas máximas em 2026, o papel voltou a rondar a faixa dos R$ 78 hoje.
Por que ação da CSN cai ainda mais na bolsa?
A CSN enfrentou uma pressão dupla hoje. Além do impacto direto da queda do minério, o mercado continua monitorando de perto a estratégia da companhia para reduzir seu endividamento.
Segundo informações do Pipeline, o processo de venda da divisão de cimentos da CSN entrou em uma etapa decisiva.
A operação é considerada uma das principais alternativas para acelerar a desalavancagem do grupo e aliviar as preocupações de investidores e credores.
O processo, no entanto, ficou mais restrito após a saída de alguns interessados relevantes durante a fase não vinculante.
De acordo com a publicação, grupos como J&F e Suzano Holding deixaram a disputa. Permanecem na corrida as chinesas Huaxin e Sinoma, a italiana Italcementi e a brasileira Votorantim.
Segundo o site, o prazo para apresentação das propostas vinculantes foi estabelecido para 7 de agosto.
Cenário externo também pesa
O ambiente global também contribuiu para o mau humor dos mercados nesta sexta-feira.
A aversão ao risco ganhou força após dados de emprego nos Estados Unidos reforçarem incertezas sobre a trajetória dos juros norte-americanos, ao mesmo tempo em que investidores seguem monitorando as tensões geopolíticas no Oriente Médio.
O resultado foi uma sessão marcada por quedas em bolsas internacionais e pressão sobre commodities.
"É um dia de realização por tradição, por ser sexta-feira. Junta-se a isso uma bolsa que está num momento péssimo e um dólar que já deixa saudades dos R$ 4,90", afirma Sant'Anna.
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