Copasa (CSMG3) convocada: BTG vê ação como futura máquina de dividendos — e ainda enxerga 44% de potencial de alta
Banco retoma cobertura da ação da companhia mineira recém-privatizada e vê espaço para ganhos de eficiência que ainda não aparecem totalmente no preço

A privatização da Copasa (CSMG3) não mudou apenas o controle da companhia mineira de mãos. Na visão do BTG Pactual, ela marcou o início de uma nova partida para a empresa de saneamento.
Por anos, a Copasa foi vista pelo mercado como um nome defensivo no campeonato das utilities brasileiras: uma companhia com ativos relevantes, mercado cativo e geração de caixa previsível, mas que raramente aparecia entre as principais apostas dos investidores quando o assunto era criação de valor.
Agora, porém, o banco acredita que a empresa está prestes a entrar em campo com uma escalação diferente.
Com a privatização concluída e a Equatorial (EQTL3) assumindo uma participação de 30% e o papel de acionista de referência, a Copasa ganhou um novo comando e uma estratégia voltada para eficiência operacional.
Isto é, um roteiro que a Equatorial já executou em outras concessionárias ao longo das últimas décadas.
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Isso foi o suficiente para recolocar a companhia no radar do BTG. O banco retomou a cobertura das ações CSMG3 com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 81, o que representa um potencial de valorização de 44,3% em relação aos níveis atuais.
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A aposta não está apenas na mudança de controle, mas principalmente no histórico da Equatorial em transformar empresas reguladas por meio de redução de custos, ganhos de produtividade e melhoria dos indicadores operacionais.
Se repetir em Minas Gerais o desempenho que exibiu em outras concessões, a Equatorial pode ajudar a Copasa a voltar a disputar posições de destaque entre as ações de infraestrutura da bolsa — com potencial para uma política de dividendos mais generosa nos próximos anos.
O turnaround entra em campo
A tese de investimento do BTG está centrada na capacidade da Equatorial de acelerar uma transformação operacional semelhante à observada em outras empresas que passaram por seu processo de reestruturação.
Os analistas destacam que a nova fase da Copasa exige uma mudança relevante nas premissas utilizadas pelo mercado para avaliar a companhia.
"Estamos ajustando o modelo da Copasa para refletir seu novo status como uma empresa de gestão privada", afirmam.
A expectativa é de uma redução acumulada de custos de aproximadamente 35% entre 2027 e 2029. Segundo o banco, o novo modelo contratual cria condições para que a companhia capture boa parte desses ganhos de eficiência antes que eles sejam compartilhados com os consumidores por meio das revisões tarifárias.
Além da melhora operacional, o BTG vê espaço para expansão da base de ativos da empresa, sustentada por um plano de investimentos estimado em R$ 21 bilhões até 2030.
Copasa (CSMG3) vira promessa de dividendos
Se a eficiência operacional é o principal motor da tese, os dividendos aparecem como uma das consequências mais atraentes para o acionista.
Com uma alavancagem considerada confortável — de 2,2 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda projetada para 2026 —, o BTG acredita que a companhia terá capacidade para distribuir uma parcela significativa dos lucros nos próximos anos.
A projeção do banco aponta para um dividend yield médio de 7,6% entre 2026 e 2028. A expectativa é que esse retorno avance para patamares de dois dígitos na sequência, à medida que os investimentos amadureçam e os ganhos de eficiência se consolidem.
Além disso, os analistas estimam uma taxa interna de retorno (TIR) real de 11,8%, posicionando a Copasa entre os ativos mais atrativos do universo de saneamento e infraestrutura.
"Acreditamos que a Copasa pode se tornar uma história de dividendos suculentos em um futuro muito próximo", afirma a equipe do BTG.
Nem tudo está decidido
Apesar do otimismo, o banco reconhece que alguns desafios ainda precisam ser superados para que a tese se concretize.
O principal deles envolve a adesão dos municípios ao novo modelo de concessão. Atualmente, cerca de 30% da receita da companhia já está vinculada aos novos contratos, inspirados no modelo adotado em Belo Horizonte.
Os demais municípios têm até setembro para decidir se aderem ao novo formato.
O BTG trabalha com a hipótese de 100% de adesão, considerando que os incentivos financeiros oferecidos pela companhia tendem a facilitar as negociações com as prefeituras.
Ainda assim, uma resistência maior do que a esperada poderia reduzir parte dos ganhos projetados pelo mercado, segundo os analistas.
Outro fator de atenção está no ambiente político. As eleições estaduais de 2026 costumam aumentar as discussões sobre tarifas e regulação em setores essenciais, embora os analistas considerem que a experiência da Equatorial em ambientes regulados funcione como um importante fator de mitigação de risco.
Copasa (CSMG3) de volta ao jogo
Para o BTG, a combinação entre uma base de ativos em expansão, ganhos de eficiência potencialmente relevantes e uma política de dividendos mais robusta cria uma nova narrativa para a Copasa.
Depois de anos ocupando uma posição secundária nas carteiras de utilities, a companhia volta a entrar em campo com ambições maiores.
A avaliação do banco é que, se a Equatorial conseguir reproduzir em Minas Gerais parte do histórico construído no setor elétrico, a Copasa pode deixar de ser apenas uma ação defensiva para assumir um papel de maior protagonismo entre os investimentos em infraestrutura listados na bolsa.
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