3tentos (TTEN3) derrete mais de 13%; o que está por trás da queda da queridinha do agro?
A queda das ações da 3tentos reflete revisões nas projeções do setor e questionamentos sobre divulgação seletiva de informações a um grupo restrito de analistas

A 3tentos (TTEN3), top pick do agronegócio para casas como JPMorgan, Itaú BBA, Santander e XP Investimentos, está derretendo na bolsa. Os papéis recuavam 11,15% por volta de 15h15 desta terça (28); a queda chegou a superar os 13%.
A empresa tem atuação na agroindústria, venda de sementes e insumos agrícolas, crédito ao produtor e trading de commodities. Desde o início de 2026, o papel já perdeu 17,40% do seu valor.
A companhia divulga seus resultados referentes ao segundo trimestre de 2026 no dia 13 de agosto.
O que está derrubando o papel da 3tentos hoje?
De acordo com analistas de mercado ouvidos pelo Money Times, a queda está atrelada a uma reunião fechada entre a direção da 3tentos e o sell side, onde a companhia teria revisado para baixo suas projeções.
No mercado, reuniões privadas entre empresas e analistas são comuns, mas elas não podem servir para divulgar informações relevantes ainda não públicas apenas a um grupo restrito de investidores.
Quando há a percepção de divulgação seletiva, aumentam os questionamentos sobre a igualdade de acesso às informações e o risco de negociações baseadas em vantagem informacional, o que tende a pressionar as ações.
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Segundo fontes próximas à companhia ouvidas pela reportagem, a reunião entre a 3tentos e analistas do sell side não ocorreu. De acordo com essas pessoas, a queda das ações está relacionada à revisão das estimativas de casas de análise para o desempenho da companhia no segundo trimestre de 2026 (2T26).
Já um gestor que falou com o Money Times salientou que a 3tentos realizou nesta terça uma prévia do 2T26 com o sell side e que os números vieram piores do que o mercado esperava. “O problema está na margem do crushing, porque há mais soja do que milho nesse trimestre. Não há nada sobre uma reunião privada. A companhia está no processo habitual de falar com o sell side 1 por 1″.
Na semana passada, o Santander elevou o preço-alvo da companhia de R$ 20 para R$ 26,60 por ação e manteve a recomendação de outperform (equivalente à compra), sustentada por três pilares: etanol de milho, a expansão da rede de lojas e o avanço da canola.
Há duas semanas, Seu Dinheiro conversou com o CFO da companhia, Cristiano Machado Costa, que falou sobre a expansão dos ramos de atuação da empresa. Ele também mencionou que os planos de investimentos em uma nova planta de etanol de milho dependem do ciclo de corte de juros.
A reportagem entrou em contato com a 3tentos, que não se manifestou até a publicação do texto. O espaço segue aberto.
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