Quem venceu as eleições em Taiwan? A China tem uma outra interpretação para o resultado das urnas
Pequim contesta interpretação ocidental de vitória retumbante de partido anti-China; Biden diz que EUA não defendem independência de Taiwan

A ascensão geopolítica e econômica da China e o vai-e-vem das tensões entre o gigante asiático e os Estados Unidos tendem a estimular análises apressadas de um lado e de outro.
A vitória de Lai Ching-te nas eleições presidenciais do último sábado em Taiwan desponta como mais uma candidata a ser um desses casos.
A mídia internacional é quase unânime em qualificar o resultado como uma vitória retumbante do Partido Democrático Progressista, principal agremiação política anti-China de Taiwan.
Afinal, trata-se da terceira vitória seguida do partido nas eleições gerais taiuanesas, algo inédito na história da ilha autônoma.
“Taiwan é da China”, afirma representante de Pequim
Já o governo chinês contesta a interpretação — e recorre ao próprio resultado do pleito para cravar que “Taiwan é da China”.
Chen Binhua, porta-voz da divisão de assuntos relacionados a Taiwan do Conselho de Estado, disse que o Partido Democrático Progressista não representa a opinião da maioria dos taiuaneses.
Leia Também
Isso porque Lai elegeu-se presidente com 40,05%. How Yu-ih, do Kuonmintang, terminou com 33,49% da votação. Ko Wen-je, do Partido do Povo de Taiwan, amealhou 26,46% dos votos.
Juntos, o Kuonmintang e o Partido do Povo de Taiwan foram escolhidos por 59,95% dos eleitores. E nenhum dos dois pode ser exatamente acusado de ser anti-China.
Os dois partidos chegaram a negociar uma chapa conjunta na tentativa de derrotar o Partido Democrático Progressista, mas foram incapazes de chegar a um acordo.
Partido de Lai não terá maioria no Parlamento de Taiwan
Se de um lado o partido de Lai emplacou uma inédita terceira vitória eleitoral seguida, de outro esta foi a primeira vez desde 2000 que um candidato foi eleito presidente com votação inferior a 50% dos votos dos taiuaneses.
Isso significa, entre outras coisas, que Lai precisará governar com minoria em um Parlamento hostil.
“Se não conseguir negociar uma maioria, o Partido Democrático Progressista terá de administrar constantes situações de impasse para conseguir governar”, escreveu Josef Gregory Mahoney, professor de Política e Relações Internacionais e diretor do Programa Internacional de Pós-Graduação em Política da Universidade Regular do Leste da China em suas redes sociais.
Os primeiros efeitos dessa conjuntura ficaram explícitos já no discurso da vitória de Lai. Embora tenha mantido a essência de sua retórica, o presidente-eleito declarou-se aberto a conversar com a China em “condições de igualdade”.
Também estendeu a mão aos partidos de oposição com a sugestão de que poderia convidar integrantes dessas agremiações para compor o governo.
- ONDE INVESTIR EM 2024: Descubra o que esperar do cenário econômico brasileiro e internacional e quais são os melhores investimentos para a sua carteira, em diferentes classes de ativos. Clique aqui.
Escolha entre “paz e guerra”
Pequim aproveitou o resultado para marcar mais uma vez sua posição de que Taiwan é uma província rebelde e que existe apenas uma China.
Na avaliação de Pequim, a eleição “não pode mudar o desejo comum dos compatriotas de ambos os lados do Estreito de Formosa de se aproximarem”.
A China vinha enquadrando o processo eleitoral em Taiwan como uma escolha entre “paz e guerra, prosperidade e declínio”. Em relação a Lai, os chineses frequentemente referem-se a ele como “um separatista perigoso”.
O presidente da China, Xi Jinping, costuma falar sobre uma eventual reunificação como “uma inevitabilidade histórica”.
EUA “não apoiam independência” de Taiwan
Além da reação chinesa, também era esperado um posicionamento dos Estados Unidos em relação ao resultado das eleições em Taiwan.
O presidente dos EUA, Joe Biden, costuma se referir a Taiwan como um “estandarte da democracia”.
O governo norte-americano também proporciona ajuda militar de mais de US$ 2 bilhões por ano a fundo perdido para Taiwan.
Recentemente, Biden irritou Pequim ao sugerir que os Estados Unidos defenderiam Taiwan se a ilha fosse atacada.
Ao falar sobre as eleições, porém, Biden manteve a estratégia do “morde-assopra”.
Questionado sobre o resultado das eleições, Biden respondeu: “não apoiamos a independência” de Taiwan.
As “duas Chinas”
Taiwan é a peça que falta para a reunificação da China.
O rompimento ocorreu em 1949.
Depois de terem lutado lado a lado para expulsar os invasores japoneses, as forças nacionalistas e comunistas chinesas voltaram-se uma contra a outra ao término da Segunda Guerra Mundial.
Diante da vitória dos comunistas sobre os nacionalistas, Mao Tsé-tung estabeleceu-se em Pequim, fundando a República Popular da China.
Já as tropas lideradas por Chiang Kai-shek refugiaram-se na Ilha Formosa, onde foi fundada a República da China.
A fuga dos nacionalistas para Taiwan contou com o apoio dos Estados Unidos. Assim como sua presença no poderoso Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU), que durou até o início dos 1970.
Foi quando a reaproximação entre Pequim e Washington refez o xadrez geopolítico internacional.
A intenção original de Henry Kissinger, então conselheiro de segurança nacional de Richard Nixon, era tirar proveito das divergências entre a China e a União Soviética para potencializar um racha no bloco comunista.
Essa parte da estratégia funcionou. O que Kissinger talvez tenha deixado de fora da equação foram a capacidade de organização e a disciplina dos chineses.
A partir de um plano de reformas implementado nos anos 1980, a China saiu de uma economia eminentemente agrícola para transformar-se em uma potência industrial, econômica e tecnológica.
Com o passar das décadas, a política de “uma China” aplicada por Pequim prevaleceu. Em resumo, o país que mantém relações com a República Popular da China reconhece a existência de uma só China.
Atualmente, Taiwan é plenamente reconhecido por pouco mais de uma dúzia de países.
Nem mesmo os Estados Unidos, principais patrocinadores externos do arquipélago, mantêm relações diplomáticas plenas com Taiwan.
Em relação ao sistema político, Taiwan foi governada com mão de ferro por Chiang Kai-shek até sua morte, em 1975.
O poder foi então transmitido nos moldes dinásticos até 1996, quando a ilha começou a realizar eleições para presidente.
Um país, dois sistemas
É justamente com base na ideia de que existe apenas uma China que Pequim propõe o modelo de “um país, dois sistemas”.
Aplicada com sucesso em Hong Kong desde 1997, a China desenvolveu a proposta com a reunificação em mente.
No modelo de “um país, dois sistemas”, Pequim mantém o modelo econômico e permite o funcionamento de um sistema político autônomo no arquipélago em torno da Península de Kowloon.
Em contrapartida, depois de ter passado mais de 100 anos sob domínio do Reino Unido, o governo de Hong Kong passou a reconhecer-se como parte da China há pouco mais de um quarto de século.
Assim como aguardou pacientemente pela reassimilação de Hong Kong, o governo chinês busca uma abordagem similar em relação a Taiwan na expectativa de que a promessa de aplicação do modelo de “um país, dois sistemas” ajude a conquistar corações e mentes entre os taiuaneses.
E, embora não descarte a possibilidade de uma guerra, o governo chinês considera que tem mais a perder do que a ganhar com um conflito armado na região.
Mais um Ozempic vem aí: Novo Nordisk licencia caneta emagrecedora chinesa em acordo de US$ 2 bilhões
Medicamento está nos estágios iniciais de desenvolvimento e vem sendo testado em pessoas com sobrepeso e obesidade na China continental
BYD acelera em 2024 e supera Tesla em receita, em mais uma notícia ruim para Elon Musk
Montadora chinesa divulgou receita de US$ 107 bilhões no ano passado, contra US$ 97 bilhões da americana
Ainda sobe antes de cair: Ibovespa tenta emplacar mais uma alta após decisões do Fed e do Copom
Copom elevou os juros por aqui e Fed manteve a taxa básica inalterada nos EUA durante a Super Quarta dos bancos centrais
A bolsa da China vai engolir Wall Street? Como a pausa do excepcionalismo dos EUA abre portas para Pequim
Enquanto o S&P 500 entrou em território de correção pela primeira vez desde 2023, o MSCI já avançou 19%, marcando o melhor começo de ano na história do índice chinês
Não é um pássaro (nem um avião): Ibovespa tenta manter bom momento enquanto investidores se preparam para a Super Quarta
Investidores tentam antecipar os próximos passos dos bancos centrais enquanto Lula assina projeto sobre isenção de imposto de renda
Amigos & rivais: a ligação de Trump para Putin e a visita de Xi Jinping a Washington
Se a vida imita a arte, o republicano é a prova disso: está tentando manter os amigos perto e os inimigos ainda mais próximos
Ibovespa acima de 130 mil pela primeira vez em 3 meses: o que dá fôlego para a bolsa subir — e não é Nova York
Além de dados locais, o principal índice da bolsa brasileira recebeu uma forcinha externa; o dólar operou em queda no mercado à vista
O rugido do leão: Ibovespa se prepara para Super Semana dos bancos centrais e mais balanços
Além das decisões de juros, os investidores seguem repercutindo as medidas de estímulo ao consumo na China
Agenda econômica: Super Quarta vem acompanhada por decisões de juros no Reino Unido, China e Japão e a temporada de balanços segue em pleno vapor
Além dos balanços e indicadores que já movimentam a agenda dos investidores, uma série de decisões de política monetária de bancos centrais ao redor do mundo promete agitar ainda mais o mercado
R$ 3 milhões por um apê de 25m², mão-inglesa e liberdade relativa: como é Hong Kong vista de perto
Hong Kong é da China ou é independente? Como funciona na prática o lema “um país, dois sistemas” e quais os problemas sociais e econômicos da Região Administrativa Especial colonizada pela Inglaterra até 1997
Bolsa em disparada: Ibovespa avança 2,64%, dólar cai a R$ 5,7433 e Wall Street se recupera — tudo graças à China
Governo chinês incentiva consumo e uso do cartão de crédito, elevando expectativas por novos estímulos e impulsionando o mercado por aqui
Sem exceções: Ibovespa reage à guerra comercial de Trump em dia de dados de inflação no Brasil e nos EUA
Analistas projetam aceleração do IPCA no Brasil e desaceleração da inflação ao consumidor norte-americano em fevereiro
A bolsa americana já era? Citi muda estratégia e diz que é hora de comprar ações da China
Modelo do banco dispara alerta e provoca mudança na estratégia; saiba o que pode fazer o mercado dos EUA brilhar de novo
A lua de mel do mercado com Trump acabou? Bolsa de Nova York cai forte e arrasta Ibovespa com o temor de recessão no radar
Saiba o que fazer com os seus investimentos; especialistas dizem se há motivo para pânico e se chegou a hora de comprar ou vender ativos nos EUA
Essa nova tecnologia chinesa muda tudo o que sabemos até agora sobre inteligência artificial — e não é o DeepSeek
Criada pela startup chinesa Monica, a nova IA está disponível apenas para convidados no momento
Hegemonia em disputa: Ibovespa tenta manter bom momento em semana de IPCA, dados de emprego nos EUA e balanços
Temporada de balanços volta a ganhar fôlego enquanto bolsas têm novo horário de funcionamento, inclusive no Brasil
A batalha da China está longe do fim — e a primeira deflação em mais de um ano é um sinal disso
O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da China caiu 0,7% em fevereiro em relação ao mesmo período do ano passado, invertendo o aumento de 0,5% visto em janeiro
O gigante acordou e não está para brincadeira: China incendeia guerra comercial com tarifa de 100% — mas alvo não é Trump
As medidas ocorrem em meio a uma guerra comercial global em andamento, após vários anúncios de tarifas por EUA, China, Canadá e México nos últimos meses
Mata-mata ou pontos corridos? Ibovespa busca nova alta em dia de PIB, medidas de Lula, payroll e Powell
Em meio às idas e vindas da guerra comercial de Donald Trump, PIB fechado de 2024 é o destaque entre os indicadores de hoje
Estas duas empresas brasileiras podem lucrar com a guerra comercial entre EUA e China — e este bancão recomenda comprar as ações
Na avaliação do Santander, outras empresas do mesmo setor podem se beneficiar indiretamente com a troca de tarifas entre Trump e Xi Jinping