A euforia durou pouco: o que Powell (não) disse e desanimou as bolsas mesmo após o corte de 0,50 ponto porcentual dos juros pelo Fed
Bolsas chegaram a subir depois da decisão de juros do Fed, mas firmaram-se em queda depois da coletiva de Powell

Os investidores reagiram com euforia inicial à deflagração de um ciclo de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).
Wall Street ensaiou uma alta e o até o Ibovespa trocou o vermelho pelo azul durante alguns minutos na esteira do anúncio da decisão.
Pontualmente às 15h, o Fed promoveu um corte de 0,50 ponto porcentual em sua taxa básica de juros.
Com isso, a taxa dos Fed Funds ficará na faixa entre 4,75% e 5,00% ao ano pelos próximos 45 dias. Os detalhes da decisão você confere aqui.
A magnitude do corte confirmou a perspectiva de um início de ciclo mais agressivo por parte do Fed.
Como juros mais baixos costumam abrir o apetite por risco, a reação inicial dos investidores foi de correr para as ações.
Leia Também
Ao mesmo tempo, o dólar perdeu força em todo o mundo. Por aqui, a taxa de câmbio fechou em queda pela quinta sessão seguida, voltando à faixa de R$ 5,46.
Euforia com corte de juros durou pouco
Pouco depois do comunicado, porém, começou a entrevista coletiva tradicionalmente concedida pelo presidente do Fed, Jerome Powell, depois das reuniões de política monetária do banco central dos EUA.
Foi então que os investidores desanimaram. Os principais índices das bolsas de Nova York perderam força e fecharam todos no vermelho.
O Dow Jones cedeu 0,25%, o S&P-500 recuou 0,29% e o Nasdaq caiu 0,31%.
Já o Ibovespa abandonou o arremedo de recuperação e para fechar nas mínimas do pregão, em queda de 0,90%.
O 'culpado'
Analistas de mercado atribuíram o movimento à entrevista coletiva concedida por Powell. No entanto, não foi por nada que ele disse, mas pelo que ele deixou de dizer.
Ao longo da coletiva, os jornalistas presentes buscaram de Powell alguma clareza em relação a como se dará o ciclo de corte de juros nos EUA.
Até porque o gráfico de pontos divulgado junto com o comunicado indica que o Fed vai cortar os juros pelo menos mais uma vez nas duas reuniões de política monetária que ainda restam em 2024.
- VEJA MAIS: Queda dos juros nos EUA pode favorecer ações de empresas tradicionais, em detrimento das big techs
O que Powell deixou de dizer sobre os juros
Na entrevista, Powell preferiu não dar um guidance e enfatizou que as próximas decisões do banco central dos EUA serão tomadas “reunião por reunião”, sujeitas aos dados de inflação, emprego e atividade econômica.
Nada que ele não tenha dito e repetido à exaustão nos últimos meses.
No entanto, em meio a perguntas escorregadias e respostas evasivas, Powell acabou dando a entender que o Fed não tem lá muita pressa para levar os juros a um nível considerado neutro.
Foi esse tom cauteloso que azedou o humor dos investidores hoje.
E o que Powell disse
Embora o mercado tenha se apegado ao que Powell deixou de dizer, algumas declarações do presidente do Fed merecem registro.
Powell deixou claro que a diminuição das pressões inflacionárias agora permite ao banco central voltar a dar mais atenção ao mercado de trabalho.
“Outra fala de destaque foi sobre o nível neutro da taxa de juros por lá, que na visão dele [Powell] é muito maior do que era antigamente, e não vê mais os EUA com taxa de juros negativas no futuro”, disse Andre Fernandes, head de renda variável e sócio da A7 Capital.
O presidente do Fed também não considera que a luta contra o dragão da inflação esteja ganha, mas vê a economia norte-americana em “boa forma” no geral.
Para André Valério, economista sênior do Inter, “as projeções indicam que o Fed acredita estar próximo de alcançar o tão almejado soft landing”.
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade
Assembleia do GPA (PCAR3) ganha apoio de peso e ações sobem 25%: Casino e Iabrudi sinalizam que também querem mudanças no conselho
Juntos, os acionistas somam quase 30% de participação no grupo e são importantes para aprovar ou recusar as propostas feitas pelo fundo controlado por Tanure
Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa
Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA
O Super Bowl das tarifas de Trump: o que pode acontecer a partir de agora e quem está na mira do anúncio de hoje — não é só a China
A expectativa é de que a Casa Branca divulgue oficialmente os detalhes da taxação às 17h (de Brasília). O Seu Dinheiro ouviu especialistas para saber o que está em jogo.
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Adeus, Ibovespa: as ações que se despedem do índice em maio e quem entra no lugar, segundo a primeira prévia divulgada pela B3
A nova carteira passa a valer a partir do dia 5 de maio e ainda deve passar por duas atualizações preliminares
Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos
Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%
Trump preocupa mais do que fiscal no Brasil: Rodolfo Amstalden, sócio da Empiricus, escolhe suas ações vitoriosas em meio aos riscos
No episódio do podcast Touros e Ursos desta semana, o sócio-fundador da Empiricus, Rodolfo Amstalden, fala sobre a alta surpreendente do Ibovespa no primeiro trimestre e quais são os riscos que podem frear a bolsa brasileira
Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário
O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como
Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3
Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista
Ex-CEO da Americanas (AMER3) na mira do MPF: Procuradoria denuncia 13 antigos executivos da varejista após fraude multibilionária
Miguel Gutierrez é descrito como o principal responsável pelo rombo na varejista, denunciado por crimes como insider trading, manipulação e organização criminosa
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump
Boletim Focus mantém projeção de Selic a 15% no fim de 2025 e EQI aponta caminho para buscar lucros de até 18% ao ano; entenda
Com a Selic projetada para 15% ao ano, investidores atentos enxergam oportunidade de buscar até 18% de rentabilidade líquida e isenta de Imposto de Renda
Tarifaço de Trump aciona modo cautela e faz do ouro um dos melhores investimentos de março; IFIX e Ibovespa fecham o pódio
Mudanças nos Estados Unidos também impulsionam a renda variável brasileira, com estrangeiros voltando a olhar para os mercados emergentes em meio às incertezas na terra do Tio Sam
Itaú BBA revela as ações com baixa volatilidade que superam o retorno do Ibovespa — e indica seis papéis favoritos
O levantamento revelou que, durante 13 anos, as carteiras que incluíam ações com baixa volatilidade superaram a rentabilidade do principal índice da bolsa brasileira
Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado
Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq