Divórcio e inventário extrajudicial: novas regras tornam partilha em cartório mais acessível; veja quem pode optar e quais as vantagens
Conselho Nacional de Justiça (CNJ) autorizou opção pela via extrajudicial, geralmente mais barata e rápida, mesmo quando há testamento e menores de idade ou incapazes envolvidos

O fim de casamentos e mortes na família são sempre difíceis do ponto de vista emocional e ainda podem ser caros e demorados. Mas uma decisão recente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) promete facilitar a vida de muitos brasileiros ao flexibilizar as regras de acesso a divórcio e inventário extrajudicial.
Na última terça-feira (20), o CNJ autorizou que partilhas de divórcio e herança possam ser feitas em cartório mesmo em casos envolvendo menores de idade ou incapazes e inventários com testamento, desde que haja concordância entre as partes e sejam seguidas as regras de divisão dos bens estabelecidas em Lei.
A decisão respondeu a um pedido de providências enviado pelo Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM) e vai na linha de uma série de medidas de desjudicialização que vêm sendo implementadas pelo órgão nos últimos anos.
Divórcio em cartório e inventário extrajudicial são relativamente novos
As partilhas de herança e divórcio extrajudiciais foram instituídas pela Lei nº 11.441 de 4 de janeiro de 2007. Até então qualquer inventário ou dissolução conjugal precisava ser conduzido pela via judicial. Mas, a partir daquele ano, alguns procedimentos de partilha passaram a poder ser firmados em cartório.
No caso dos divórcios, porém, exigia-se que o casal não tivesse filhos menores de idade ou incapazes (exceto no caso de jovens de 16 e 17 anos emancipados) e que estivesse de acordo quanto à divisão dos bens. Além disso, a mulher não poderia estar grávida.
Já no caso do inventário extrajudicial, era requerido não só a concordância dos herdeiros quanto à partilha como também a ausência de testamento e herdeiros menores de idade ou incapazes (exceto no caso de jovens de 16 e 17 anos emancipados).
Leia Também
Mesmo com as restrições, desde que a Lei entrou em vigor, os tabelionatos de notas brasileiros já realizaram mais de 2,3 milhões de inventários e 1 milhão de divórcios, de acordo com dados de 2022 da Associação de Notários e Registradores do Brasil (Anoreg).
O que muda com a decisão do CNJ
Agora, com a decisão do CNJ, o único pré-requisito para optar por um divórcio ou inventário extrajudicial passou a ser a concordância entre as partes. No caso dos inventários, é preciso também efetuar a partilha dos bens entre os herdeiros menores de idade ou incapazes com respeito às regras estabelecidas em Lei.
Nestes casos, após feita a partilha, o cartório deverá remeter a escritura ao Ministério Público (MP), que irá avaliar se a divisão dos bens foi feita da maneira correta. Somente se o MP considerar a divisão injusta com o menor ou incapaz é que o caso deverá ser, então, remetido à Justiça.
Assim, a via judicial só permanece obrigatória apenas nos casos de divórcios e inventários litigiosos, em que há conflito entre as partes; e nas discussões relativas a guarda, pensão alimentícia e convivência familiar, no caso de divórcio com filhos menores ou incapazes.
Já no caso dos inventários com testamento elegíveis à via extrajudicial, é necessária uma análise na Justiça antes que o pedido seja encaminhado ao cartório.
Finalmente, a decisão do CNJ estabelece também que pessoas sem condições financeiras para arcar com a escritura tenham direito a assistência judiciária gratuita, assim como já ocorre com os inventários e divórcios judiciais, que conferem a essas pessoas acesso à Justiça gratuita.
- Guia sobre herança: cônjuge tem direito? Posso excluir um filho? É possível herdar dívidas? O guia com o básico que você precisa saber
As vantagens de optar pelo divórcio ou inventário extrajudicial
A via extrajudicial para divórcios e inventários costuma ser mais rápida e barata para as famílias envolvidas, além de desafogar a Justiça e onerar menos o contribuinte, saindo bem mais em conta também para o Estado.
Segundo Daniel Duque, CEO da Herdei, fintech que oferece soluções digitais para inventários em cartório e planejamento sucessório, um inventário extrajudicial costuma custar de 10% a 15% do patrimônio inventariado, a depender do estado, enquanto o percentual tende a subir para 20% na via judicial.
O prazo do procedimento em cartório também costuma ser menor, mas depende muito do caso. Segundo Duque, um inventário extrajudicial leva em torno de dois meses para ser concluído, enquanto na Justiça o processo costuma levar de cinco a seis anos (com um mínimo de dois anos, segundo dados do CNJ).
“A decisão do CNJ tem impacto positivo, pois abre o leque de quem pode fazer o inventário extrajudicial. Antes, em casos muito específicos, até conseguíamos fazer inventários em cartório com herdeiros menores de idade, que eram emancipados, mas ainda era necessário homologar a partilha na Justiça. Então tinha uma morosidade que atrapalhava o processo”, conta.
O processo judicial, aliás, tem muito mais etapas que o extrajudicial, conforme a tabela:
Divórcio e inventário judicial | Divórcio e inventário extrajudicial |
Petição Inicial | Escritura pública |
Contestação | |
Réplica | |
Frase probatória | |
Sentença | |
Fase recursal (1 a 3 tribunais) | |
Cumprimento de sentença |
Quanto ao impacto ao erário, a economia tende a ser substancial. De acordo com a Anoreg, desde 2007, a realização de inventários extrajudiciais economizou R$ 5,6 bilhões aos cofres públicos, enquanto os divórcios em cartório geraram uma economia de R$ 2,5 bilhões.
CEO da Lojas Renner aposta em expansão mesmo com juro alto jogando contra — mas mercado hesita em colocar ações LREN3 no carrinho
Ao Seu Dinheiro, o presidente da varejista, Fabio Faccio, detalhou os planos para crescer este ano e diz que a concorrência que chega de fora não assusta
Bitcoin (BTC) no caixa é só um dos pilares da estratégia do Méliuz (CASH3) para reconquistar atenção para as ações após drenagem de liquidez
Ao Seu Dinheiro, o fundador Israel Salmen conta que quer reduzir a dependência das plataformas de e-commerce e apostar em um novo mercado; confira a entrevista na íntegra
Eletrobras (ELET3) é a nova queridinha dos analistas e divide pódio com Itaú (ITUB4) e Sabesp (SBSP3) como ações mais recomendadas para março
Cada um dos integrantes do trio acumulou três indicações entre as 10 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro; veja o ranking completo
As principais mudanças no ITCMD que podem deixar o imposto sobre heranças e doações mais caro a partir de 2026
Segundo projeto de lei que regulamenta a reforma tributária será apreciado pelo Senado neste ano e versa, entre outros assuntos, sobre mudanças no ITCMD que podem pesar no bolso do contribuinte
Sócio polêmico, alto endividamento, possível risco no caixa: por que a Oncoclínicas (ONCO3) cai 90% desde o IPO e o que esperar da ação
As ações da rede de tratamentos oncológicos praticamente viraram pó desde a estreia na B3, mas há quem acredite que a situação pode ficar ainda mais complexa; entenda
Hilbert ou Santoro… ou melhor, BTG ou XP? O que as campanhas publicitárias com os Rodrigos revelam sobre a estratégia das plataformas de investimento
Instituições financeiras lançam campanhas de marketing na mesma época, usando garotos-propagandas já consagrados aos olhos do público brasileiro
Itaú no topo outra vez: ITUB4 é ação favorita dos analistas para investir em fevereiro, com dividendos extras e balanço do 4T24 no radar
O gigante do setor financeiro acumulou sete recomendações entre as 12 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro; veja o ranking de indicações para este mês
Dos dividendos do Itaú (ITUB4) aos impactos do agro no Banco do Brasil (BBAS3): o que esperar dos resultados dos bancos no 4T24
Mercado espera Itaú mais uma vez na liderança entre os bancos tradicionais e alguma cautela com as perspectivas do Nubank; saiba o que esperar
Super Quarta e super juros: o que os bancos centrais do Brasil e dos EUA devem encarar a partir de agora
A primeira Super Quarta das muitas de 2025 acontece neste dia 29, quando Fed e Bacen anunciam juntos as decisões de política monetária — o primeiro durante a tarde e o segundo no início da noite
O fim do ‘sonho grande’ da Cosan (CSAN3): o futuro da empresa após o fracasso do investimento na Vale e com a Selic em 15%
A holding de Rubens Ometto ainda enfrenta desafios significativos mesmo após zerar a participação na Vale. Entenda quais são as perspectivas para as finanças e as ações CSAN3 neste ano
Onde investir 2025: essas são as 9 ações favoritas para lucrar na bolsa em 2025 — e outros 5 nomes para garantir dividendos pingando na conta
Para quem estiver disposto a desafiar o pessimismo macroeconômico, há quem veja 2025 como uma janela interessante para aproveitar ativos atraentes; veja as indicações
Weg (WEGE3): fábrica de bilionários da B3 segue cobiçada pelos tubarões da Faria Lima e é uma das apostas da AZ Quest em ações para 2025
Em entrevista ao Seu Dinheiro, o gestor de renda variável Welliam Wang alertou para ano turbulento na bolsa brasileira — e revela quais ações estão na carteira da gestora
Para onde viajar em 2025? Turistas buscam autenticidade e experiências únicas em destinos exóticos; descubra as tendências de turismo para o ano
Mercado de turismo vive forte retomada e já supera os níveis pré-pandemia; especialistas no ramo dizem o que esperar do comportamento dos turistas nos próximos 12 meses
Até 52% em dividendos: estas 4 ações ‘desconhecidas’ pagaram mais que a Petrobras (PETR4) em 2024; saiba se elas podem repetir a dose neste ano
Ranking da Quantum Finance destaca empresas que não aparecem tanto no noticiário financeiro; descubra como elas renderam dividendos tão expressivos aos acionistas
Dois anos da fraude na Americanas (AMER3): queda de 99,5% das ações, retomada do lucro e punições a executivos. O que aconteceu com a varejista e como ficam os acionistas agora?
Foi em 11 de janeiro de 2023 que o mercado se deparou pela primeira vez com as notícias de inconsistências contábeis na varejista. Veja o que mudou desde então
Com Selic a caminho dos 14%, Itaú (ITUB4) é a ação favorita dos analistas para investir em janeiro; veja as recomendações de 12 corretoras para começar o ano
O maior banco privado do país acumulou cinco recomendações entre as 12 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro; confira a lista completa
O destino de luxo que provavelmente não está no roteiro da sua viagem pela Europa, mas que tem tudo para ser ‘a próxima Itália’
Este país na região dos Balcãs tem feito fortes investimentos no setor de turismo de alto padrão para atrair turistas já ‘cansados’ das viagens clássicas da Europa
A Índia é a nova ‘mina de ouro’ para o luxo? País tem cada vez mais endinheirados e atrai investimentos de marcas como LVMH e Chanel
Enriquecimento progressivo da população indiana gera oportunidade para bens de consumo de alto padrão, mas marcas de luxo ainda terão desafios para expansão no país
Onde investir na bolsa com a Selic a caminho dos 14%? As ações que se salvam e as que perdem com os juros altos em 2025
Para participantes do mercado, uma “espiral negativa” pode prevalecer sobre a B3 no curto prazo — mas existem potenciais vencedoras diante de um cenário mais avesso ao risco no Brasil
Quando até a morte é incerta: Em dia de agenda fraca, Ibovespa reage ao IBC-Br em meio a expectativa de desaceleração
Mesmo se desacelerar, IBC-Br de outubro não altera sinalizações de alta dos juros para as próximas reuniões