Casas Bahia (BHIA3) supera projeção, quebra sequência de prejuízos e anuncia lucro de R$ 37 milhões no 2T24
O resultado ultrapassou as expectativas dos analistas, que previam um prejuízo líquido ajustado na casa dos R$ 293,5 milhões; veja os destaques do balanço

Em meio ao avanço dos concorrentes internacionais no e-commerce local, as perspectivas para o varejo brasileiro continuavam desanimadoras, mas a Casas Bahia (BHIA3) conseguiu surpreender, superando — e muito — as projeções dos analistas e acabou com a sequência de resultados no vermelho — pelo menos no segundo trimestre de 2024.
A companhia registrou lucro líquido de R$ 37 milhões no segundo trimestre, revertendo as perdas de R$ 492 milhões vistas no mesmo período do ano anterior.
De acordo com a companhia, o resultado foi impulsionado pela “modificação da dívida” no reperfilamento de débitos com os credores na recuperação extrajudicial e pelas iniciativas de eficiência do plano de transformação estratégico da varejista, “apesar do desempenho do mercado e do recuo das vendas”.
"Apesar do recuo das vendas líquidas, a margem saudável e já em patamares históricos é explicada pela melhor combinação do mix de produtos e serviços e a qualidade dos estoques, resultado de melhores compras e vendas rentáveis, principalmente após redução de estoques mais antigos e não core", conforme iniciativa do Plano de Transformação", escreveu a empresa.
O resultado veio bastante acima das expectativas dos analistas, que previam um prejuízo líquido ajustado na casa dos R$ 293,5 milhões, de acordo com as perspectivas compiladas pelo consenso Bloomberg.
Apesar de superar as projeções, a varejista ainda têm um longo caminho a percorrer para reconquistar território na briga contra players como o Mercado Livre (MELI34) — que viu o lucro mais do que dobrar no 2T24, para US$ 531 milhões (R$ 2,99 bilhões, no câmbio atual).
Leia Também
Vale lembrar que desde o ano passado, as ações da Casas Bahia (BHIA3) vêm sendo penalizadas na bolsa em meio ao processo de reestruturação financeira, em curso desde agosto de 2023.
Ainda que os papéis tenham subido quase 6% na B3 no pregão desta quarta-feira (7) em meio às expectativas com o balanço, de janeiro para cá, a varejista ainda queda de 62% na bolsa.
Outros destaques do balanço da Casas Bahia (BHIA3) no 2T24
O processo de reestruturação da Casas Bahia (BHIA3) continuou a fazer peso no faturamento da varejista.
Apesar da estratégia de fortalecer as categorias mais rentáveis com “apostas seletivas” em busca de faturamento, a receita líquida caiu 13,5% frente a igual intervalo de 2023, encerrando o segundo trimestre a R$ 6,47 bilhões. Ainda assim, a cifra veio levemente acima das estimativas, de R$ 6,46 bilhões.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado — usado pelo mercado para mensurar a geração de caixa de uma empresa – chegou a R$ 452 milhões, recuo de 3,5% no comparativo anual.
O indicador continuou a sofrer pressão do processo de desalavancagem operacional da varejista. No fim do trimestre, a alavancagem, medida pela relação entre caixa líquido sobre Ebitda ajustado dos últimos 12 meses, foi negativa em 1,1 vez.
Já o GMV (volume bruto de mercadorias — indicador de volume de receita gerada nos canais digitais) total caiu 11,8% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, para R$ 9,71 bilhões.
O número foi impactado pelo fraco desempenho do canal 1P — vendas diretas de mercadoria própria online —, que encolheu 13,7%, e pelo ambiente macroeconômico. Por outro lado, o segmento 3P, de produtos vendidos por terceiros, avançou 0,7% no período.
- Receba em primeira mão as análises dos balanços do 2T24. Clique aqui e acesse relatórios de investimentos gratuitos, feitos pelos profissionais da Empiricus Research.
A recuperação extrajudicial da varejista
Em meados de julho, duas das credoras do Grupo Casas Bahia (BHIA3) que chegaram a questionar na Justiça o plano de recuperação extrajudicial da varejista, aceitaram os termos da companhia para pagamento de débitos.
Com o sinal verde da Opea Securitizadora e da Pentágono Distribuidora, todos os credores aderiram oficialmente ao plano da empresa — que pode colocar as estratégias em prática, incluindo uma nova emissão de debêntures que está incluída no documento.
Vale relembrar que a Casas Bahia tem em torno de R$ 4,1 bilhões em dívidas renegociadas com seus principais credores. Com a reestruturação, o prazo de vencimento dos débitos foi alongado de 22 meses para até 78 meses — ou de pouco menos de dois anos para seis anos e meio.
Segundo a empresa, a liquidez incluindo recebíveis não descontados totalizou R$ 2,9 bilhões no segundo trimestre de 2024.
“Após o novo reperfilamento e seus efeitos contábeis, dos R$ 3,9 bilhões da dívida, temos cerca de 90% com vencimentos no longo prazo”, afirmou a companhia,
Já o custo médio dos empréstimos e financiamentos chegou a CDI + 1,95% ao ano.
O Grupo Casas Bahia já havia negociado uma ampliação do prazo das dívidas relacionadas às 6ª, 7ª, 8ª e 9ª séries de debêntures da varejista com os principais credores.
O Bradesco (BBDC4) possui R$ 953 milhões em debêntures, e o Banco do Brasil (BBAS3), R$ 1,272 bilhão, o que representa 54,5% do total das emissões contempladas no plano.
Assembleia do GPA (PCAR3) ganha apoio de peso e ações sobem 25%: Casino e Iabrudi sinalizam que também querem mudanças no conselho
Juntos, os acionistas somam quase 30% de participação no grupo e são importantes para aprovar ou recusar as propostas feitas pelo fundo controlado por Tanure
Michael Klein eleva posição acionária na Casas Bahia (BHIA3) e dá mais um passo para retornar ao conselho da varejista
Segundo o comunicado, o aumento da posição acionária tem como objetivo viabilizar o envolvimento de Michael Klein na gestão da Casas Bahia (BHIA3)
Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa
Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA
Lucro do Banco Master, alvo de compra do BRB, dobra e passa de R$ 1 bilhão em 2024
O banco de Daniel Vorcaro divulgou os resultados após o término do prazo oficial para a apresentação de balanços e em meio a um negócio polêmico com o BRB
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Tupy (TUPY3): Troca polêmica de CEO teve voto contrário de dois conselheiros; entenda o imbróglio
Minoritários criticaram a troca de comando na metalúrgica, e o mercado reagiu mal à sucessão; ata da reunião do Conselho divulgada ontem mostra divergência de votos entre os conselheiros
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos
Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%
Trump preocupa mais do que fiscal no Brasil: Rodolfo Amstalden, sócio da Empiricus, escolhe suas ações vitoriosas em meio aos riscos
No episódio do podcast Touros e Ursos desta semana, o sócio-fundador da Empiricus, Rodolfo Amstalden, fala sobre a alta surpreendente do Ibovespa no primeiro trimestre e quais são os riscos que podem frear a bolsa brasileira
Shopee quer bater de frente com Mercado Livre e Amazon no Brasil — mas BTG faz alerta
O banco destaca a mudança na estratégia da Shopee que pode ser um alerta para as rivais — mas deixa claro: não será nada fácil
Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3
Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista
Ex-CEO da Americanas (AMER3) na mira do MPF: Procuradoria denuncia 13 antigos executivos da varejista após fraude multibilionária
Miguel Gutierrez é descrito como o principal responsável pelo rombo na varejista, denunciado por crimes como insider trading, manipulação e organização criminosa
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump
Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado
Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq
Mais valor ao acionista: Oncoclínicas (ONCO3) dispara quase 20% na B3 em meio a recompra de ações
O programa de aquisição de papéis ONCO3 foi anunciado dias após um balanço aquém das expectativas no quarto trimestre de 2024
Ainda dá para ganhar com as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e BTG Pactual (BPAC11)? Não o suficiente para animar o JP Morgan
O banco norte-americano rebaixou a recomendação para os papéis BBAS3 e BPAC11, de “outperform” (equivalente à compra) para a atual classificação neutra
Casas Bahia (BHIA3) quer pílula de veneno para bloquear ofertas hostis de tomada de controle; ação quadruplica de valor em março
A varejista propôs uma alteração do estatuto para incluir disposições sobre uma poison pill dias após Rafael Ferri atingir uma participação de cerca de 5%
Tanure vai virar o alto escalão do Pão de Açúcar de ponta cabeça? Trustee propõe mudanças no conselho; ações PCAR3 disparam na B3
A gestora quer propor mudanças na administração em busca de uma “maior eficiência e redução de custos” — a começar pela destituição dos atuais conselheiros
Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump
O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”
Agenda econômica: Payroll, balança comercial e PMIs globais marcam a semana de despedida da temporada de balanços
Com o fim de março, a temporada de balanços se despede, e o início de abril chama atenção do mercado brasileiro para o relatório de emprego dos EUA, além do IGP-DI, do IPC-Fipe e de diversos outros indicadores