Alimentação ainda pesa, e IPCA se aproxima do teto da meta para o ano — mas inflação terá poder de influenciar decisão sobre juros amanhã?
Além de Alimentação e bebidas, os grupos que também impactaram o IPCA foram Transportes e Despesas pessoais

A culinária brasileira é conhecida por seus temperos variados, e há especialistas na área que defendem que o sal não pode ser considerado exatamente uma especiaria. Seja como for, a alimentação continua salgada para os brasileiros — e quem diz isso é o índice de inflação de novembro.
O IBGE acaba de divulgar o IPCA do mês anterior, que foi de 0,39% em relação a outubro, em linha com a mediana das expectativas do mercado, de 0,38%. Com isso, em 2024, a inflação acumula 4,29%, próxima do teto da meta de 4,5% estipulada pelo Banco Central.
E o vilão desse índice de inflação mais salgado foi o grupo de Alimentação e bebidas, que contribuiu com o maior impacto no índice de novembro, de 0,33 ponto percentual (p.p.), com uma alta de 1,55% dos preços no mês.
Na sequência, os grupos que também impactaram o IPCA foram Transportes (0,89% e 0,18 p.p.) e Despesas pessoais (1,43% e 0,14 p.p.).
Dessa forma, nos últimos 12 meses, o acumulado da inflação é de 4,87%, acima dos 4,76% mensurados nos 12 meses imediatamente anteriores.
De acordo com as estimativas do Boletim Focus desta semana, a expectativa dos integrantes do mercado é de que o IPCA acumulado em 2024 termine em 4,84%.
Leia Também
Uma lupa na inflação: alimentos saltam até 11%
Entre os vilões da alimentação estão os produtos da cesta básica dos brasileiros, como as carnes. Entre as que mais tiveram alta estão a alcatra (9,31%), o chã de dentro (8,57%), o contrafilé (7,83%) e a costela (7,83%).
Além disso, o item que mais disparou nesse mês foi o óleo de soja (11,00%), seguido pelo café moído (2,33%).
Com isso, a alimentação fora do domicílio também avançou este mês, com alta de 0,88% — variação superior à do mês anterior, de 0,65%. O subitem refeição acelerou de 0,53% em outubro para 0,78% em novembro, enquanto o lanche passou de 0,88% para 1,11% no mesmo intervalo.
Bom, ruim, ou dentro do esperado?
O número da inflação por si só precisa ser colocado em contexto. Vale lembrar que houve uma desaceleração da inflação em relação ao mês passado, saindo de 0,56% para os atuais 0,39%.
“A mudança na bandeira de energia elétrica e a Black Friday levaram à deflação de 6 dos 9 grupos do IPCA, levando à desaceleração”, escreve Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura Investimentos.
Borsoi ainda ressalta que a média dos núcleos da inflação — que exclui itens mais voláteis, como energia elétrica — desacelerou de 0,44% para 0,39%, com a taxa em 12 meses passando para 4,20%, a menor em 10 meses.
“Na média dos núcleos, esperávamos uma alta de 0,30%, enquanto foi observada uma alta de 0,33%, indicando que a dinâmica dos preços está dentro do intervalo considerado em nossas projeções”, diz Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.
No fim do dia, inflação impactará decisão do Copom
O que os investidores realmente querem saber é se o dado mais recente de inflação poderá influenciar na decisão sobre a Selic, que acontece na próxima quarta-feira (11).
E a resposta é um decepcionante depende.
Acontece que, já no início da semana, as apostas de que o Banco Central eleve os juros em 1,00 p.p. superaram as estimativas de um aumento de 0,75 p.p. nesta reunião.
Os analistas destacam que uma deterioração do câmbio, somada com a desancoragem das expectativas inflacionárias criaram o terreno fértil para uma postura mais hawkish do BC.
Além disso, Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research chama a atenção para a média móvel de três meses anualizada e ajustada sazonalmente. “Observamos acelerações no índice cheio, nos preços de serviços, serviços subjacentes, serviços intensivos em mão de obra e a média dos núcleos”.
Em outras palavras, esse é um indicador de que a dinâmica inflacionária seguirá uma tendência negativa, em especial com a disparada do dólar e os custos de bens industriais e agrícolas, o que deve ser repassado aos consumidores.
O Super Bowl das tarifas de Trump: o que pode acontecer a partir de agora e quem está na mira do anúncio de hoje — não é só a China
A expectativa é de que a Casa Branca divulgue oficialmente os detalhes da taxação às 17h (de Brasília). O Seu Dinheiro ouviu especialistas para saber o que está em jogo.
Boletim Focus mantém projeção de Selic a 15% no fim de 2025 e EQI aponta caminho para buscar lucros de até 18% ao ano; entenda
Com a Selic projetada para 15% ao ano, investidores atentos enxergam oportunidade de buscar até 18% de rentabilidade líquida e isenta de Imposto de Renda
Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump
O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”
Agenda econômica: Payroll, balança comercial e PMIs globais marcam a semana de despedida da temporada de balanços
Com o fim de março, a temporada de balanços se despede, e o início de abril chama atenção do mercado brasileiro para o relatório de emprego dos EUA, além do IGP-DI, do IPC-Fipe e de diversos outros indicadores
Agenda econômica: últimos balanços e dados dos Estados Unidos mobilizam o mercado esta semana
No Brasil, ciclo de divulgação de balanços do 4T24 termina na segunda-feira; informações sobre o mercado de trabalho norte-americano estarão no foco dos analistas nos primeiros dias de abril.
Protege contra a inflação e pode deixar a Selic ‘no chinelo’: conheça o ativo com retorno-alvo de até 18% ao ano e livre de Imposto de Renda
Investimento garimpado pela EQI Investimentos pode ser “chave” para lucrar com o atual cenário inflacionário no Brasil; veja qual é
Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump
Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real
Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA
O PCE, como é conhecido o índice de gastos com consumo pessoal nos EUA, é o dado de inflação preferido do Fed para pautar sua política monetária
Esporte radical na bolsa: Ibovespa sobe em dia de IPCA-15, relatório do Banco Central e coletiva de Galípolo
Galípolo concederá entrevista coletiva no fim da manhã, depois da apresentação do Relatório de Política Monetária do BC
Ato falho relevante: Ibovespa tenta manter tom positivo em meio a incertezas com tarifas ‘recíprocas’ de Trump
Na véspera, teor da ata do Copom animou os investidores brasileiros, que fizeram a bolsa subir e o dólar cair
Selic em 14,25% ao ano é ‘fichinha’? EQI vê juros em até 15,25% e oportunidade de lucro de até 18% ao ano; entenda
Enquanto a Selic pode chegar até 15,25% ao ano segundo analistas, investidores atentos já estão aproveitando oportunidades de ganhos de até 18% ao ano
Sem sinal de leniência: Copom de Galípolo mantém tom duro na ata, anima a bolsa e enfraquece o dólar
Copom reitera compromisso com a convergência da inflação para a meta e adverte que os juros podem ficar mais altos por mais tempo
Cuidado com a cabeça: Ibovespa tenta recuperação enquanto investidores repercutem ata do Copom
Ibovespa caiu 0,77% na segunda-feira, mas acumula alta de quase 7% no que vai de março diante das perspectivas para os juros
Inocentes ou culpados? Governo gasta e Banco Central corre atrás enquanto o mercado olha para o (fim da alta dos juros e trade eleitoral no) horizonte
Iminência do fim do ciclo de alta dos juros e fluxo global favorecem, posicionamento técnico ajuda, mas ruídos fiscais e políticos impõem teto a qualquer eventual rali
Felipe Miranda: Dedo no gatilho
Não dá pra saber exatamente quando vai se dar o movimento. O que temos de informação neste momento é que há uma enorme demanda reprimida por Brasil. E essa talvez seja uma informação suficiente.
Eles perderam a fofura? Ibovespa luta contra agenda movimentada para continuar renovando as máximas do ano
Ata do Copom, balanços e prévia da inflação disputam espaço com números sobre a economia dos EUA nos próximos dias
Agenda econômica: Ata do Copom, IPCA-15 e PIB nos EUA e Reino Unido dividem espaço com reta final da temporada de balanços no Brasil
Semana pós-Super Quarta mantém investidores em alerta com indicadores-chave, como a Reunião do CMN, o Relatório Trimestral de Inflação do BC e o IGP-M de março
Juros nas alturas têm data para acabar, prevê economista-chefe do BMG. O que esperar do fim do ciclo de alta da Selic?
Para Flávio Serrano, o Banco Central deve absorver informações que gerarão confiança em relação à desaceleração da atividade, que deve resultar em um arrefecimento da inflação nos próximos meses
Co-CEO da Cyrela (CYRE3) sem ânimo para o Brasil no longo prazo, mas aposta na grade de lançamentos. ‘Um dia está fácil, outro está difícil’
O empresário Raphael Horn afirma que as compras de terrenos continuarão acontecendo, sempre com análises caso a caso
Não fique aí esperando: Agenda fraca deixa Ibovespa a reboque do exterior e da temporada de balanços
Ibovespa interrompeu na quinta-feira uma sequência de seis pregões em alta; movimento é visto como correção