Mesmo com pacote de corte de gastos, Brasil carrega a “pedra fiscal” de Sísifo — mas há um FII atraente para os mais avessos a risco
No Brasil, mesmo com o projeto de corte de gastos, seguimos com um problema fiscal significativo para os próximos anos

Na última quinta-feira (28), tivemos o aniversário da Empiricus, que completou 15 anos de história – tenho orgulho de colaborar com essa trajetória nos últimos oito anos. Em momento econômico importante, o evento contou com a participação de figuras relevantes, como Eduardo Giannetti, André Esteves e Daniel Goldberg.
Em seu painel, Giannetti destacou a incapacidade de previsão dos economistas nos últimos anos, que erraram consecutivamente suas estimativas, diante de diversos fatores, inclusive políticos.
- VEJA MAIS: carteira que rendeu 470% acima do Ifix aponta 5 fundos imobiliários para buscar superar o índice
O episódio desta semana foi um bom exemplo desse movimento.
Na quarta-feira (27), foi apresentado o tão esperado pacote de corte de gastos do governo. Após um período de alta expectativa para o ajuste, os destaques iniciais frustraram os economistas e participantes do mercado.
Ao lado de uma redução pertinente de despesas, o Ministério da Fazenda também anunciou a proposta de isenção de imposto de renda para salários de até R$ 5 mil. Nas estimativas preliminares do mercado, este mecanismo teria um impacto negativo de ao menos R$ 40 bilhões nas contas públicas.
Este panorama me lembrou o Mito de Sísifo, no qual ele é castigado pelos deuses a rolar uma enorme pedra até o topo de uma montanha. Porém, sempre que estava prestes a alcançar o cume, a pedra rolava de volta para baixo, obrigando-o a começar tudo de novo. No Brasil, mesmo com o projeto de corte de gastos, seguimos com um problema fiscal significativo para os próximos anos.
Leia Também
Não é a Vale (VALE3): BTG recomenda compra de ação de mineradora que pode subir quase 70% na B3 e está fora do radar do mercado
Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA
A queda dos mercados
Para os mercados locais, no qual já se via um pessimismo generalizado, a reação foi desastrosa. Na última semana, o Ibovespa recuou em torno de 4% e a cotação do dólar superou a marca dos R$ 6,00.
Com o custo de oportunidade aumentando, obviamente os ativos de risco são penalizados. Ainda assim, enxergo um certo exagero nas cotações.
Quando olhamos para o Índice de Fundos Imobiliários (Ifix), o desconto sobre valor patrimonial atingiu o menor valor dos últimos oito anos, na casa de 14%. Nos fundos de crédito, encontramos um indicador P/VP na mínima dos últimos cinco anos, quando consideramos os 15 principais FIIs de papel presentes no Ifix.
Assim como descrito na última coluna, reafirmo a oportunidade nesta categoria (recebíveis), tendo em vista a possibilidade de exposição ao CDI e ao elevado nível de spread nos portfólios indexados ao IPCA.
No portfólio de tijolos, apesar do cenário desafiador, gostaria de reforçar a performance operacional dos setores.
Nos shoppings centers, conversei com grandes administradoras no último mês, que sinalizaram perspectivas favoráveis para o orçamento de 2025.
As vendas dos lojistas, que estão na casa de 8% em 2024 para os FIIs de shoppings (vs 2023), devem permanecer em patamar consistente.
- Quanto investir por mês para se aposentar com bom ‘salário’? Planilha do Seu Dinheiro ajuda a fazer as contas; cadastre-se e receba gratuitamente
Não à toa, temos observado um movimento setorial de expansões de ABL nos imóveis, tal como anunciado no Iguatemi Brasília, Multiplan ParkShoppingBarigui e Shopping Uberaba – nestes casos, as operações promovem cap rates de dois dígitos para os proprietários, o que consideramos atrativo.
Para o curto prazo, um possível crescimento de aluguéis também é pertinente, dado a retomada do IGP-M no segundo semestre, índice que baliza o aluguel mínimo dos locatários. Lembrando que o custo de ocupação permanece em níveis bastante saudáveis.
Como ponto de monitoramento, diante da redução de ritmo de reciclagem de portfólio – reflexo de um custo de oportunidade mais restritivo –, temos menor espaço para distribuição de ganho de capital de alguns FIIs, que podem diminuir ao longo de 2025.
Em logística, a taxa de vacância dos galpões permanece em níveis historicamente baixos, diante de uma sólida demanda de diversos integrantes da cadeia. Inclusive, estamos em uma época bem importante para o segmento, referente à Black Friday. Essa distribuição last mile tem sido muito pertinente, com dados de absorção e preço bem sólidos.
Fonte: BTG Pactual
Com restrições de financiamento e custos de construção elevados, dificultando a entrada de novos galpões no mercado, tenho bons olhos para o segmento em 2025.
Obviamente, o curto prazo ainda confere desafios para os FIIs de tijolo, especialmente em um cenário de juros elevados e possível desaceleração econômica.
De todo modo, entendo que a “foto” do mercado imobiliário está razoável em termos operacionais e, em um cenário de ciclo de recuperação (com horizonte de médio prazo), pode ser uma oportunidade de ganho de capital com carrego razoável.
- LEIA TAMBÉM: 1ª parcela do décimo terceiro salário caiu? Veja ações, FIIs e títulos de renda fixa para fazer seu dinheiro render mais com dividendos
KNCR11: um fundo para os mais avessos a risco
O Kinea Rendimentos é um dos maiores nomes da Bolsa, com participação de 7% no Ifix e liquidez diária de aproximadamente R$ 14 milhões. Sua alocação é concentrada em CRIs indexados ao CDI (96,5% do portfólio), com taxa prefixada média de 2,2% ao ano.
Em geral, a alocação tem perfil high grade, uma vez que há concentração em títulos de alta qualidade de crédito, minimizando o risco de inadimplência.
Além disso, há uma pulverização de mais de 60 ativos investidos, o que dilui o impacto de eventuais prejuízos em operações específicas.
Favorecida pela alta do CDI, a distribuição do fundo imobiliário em outubro foi de R$ 1,02 por cota, que representa um yield (retorno) anualizado de 11,8%, acima do CDI.
Vale citar que, historicamente, o FII opera com ágio de 2% da média sobre o valor patrimonial. No nível de preço atual, ele opera praticamente alinhado a essa média, diante de uma perspectiva de CDI mais elevado no próximo ano.
De forma geral, o KNCR11 segue bem posicionado para manutenção de uma geração de renda elevada para a carteira (dividend yield de dois dígitos), sem grande exposição ao risco de mercado.
Um abraço,
Caio
Oncoclínicas (ONCO3) fecha parceria para atendimento oncológico em ambulatórios da rede da Hapvida (HAPV3)
Anunciado a um dia da divulgação do balanço do quarto trimestre, o acordo busca oferecer atendimento ambulatorial em oncologia na região metropolitana de São Paulo
Esporte radical na bolsa: Ibovespa sobe em dia de IPCA-15, relatório do Banco Central e coletiva de Galípolo
Galípolo concederá entrevista coletiva no fim da manhã, depois da apresentação do Relatório de Política Monetária do BC
Braskem (BRKM5) salta na bolsa com rumores de negociações entre credores e Petrobras (PETR4)
Os bancos credores da Novonor estão negociando com a Petrobras (PETR4) um novo acordo de acionistas para a petroquímica, diz jornal
JBS (JBSS3): Com lucro em expansão e novos dividendos bilionários, CEO ainda vê espaço para mais. É hora de comprar as ações?
Na visão de Gilberto Tomazoni, os resultados de 2024 confirmaram as perspectivas positivas para este ano e a proposta de dupla listagem das ações deve impulsionar a geração de valor aos acionistas
Não é só o short squeeze: Casas Bahia (BHIA3) triplica de valor em 2025. Veja três motivos que impulsionam as ações hoje
Além do movimento técnico, um aumento da pressão compradora na bolsa e o alívio no cenário macroeconômico ajudam a performance da varejista hoje; entenda o movimento
É hora de comprar a líder do Ibovespa hoje: Vamos (VAMO3) dispara mais de 17% após dados do 4T24 e banco diz que ação está barata
A companhia apresentou os primeiros resultados trimestrais após a cisão dos negócios de locação e concessionária e apresenta lucro acima das projeções
Hapvida (HAPV3) salta na B3 com Squadra reforçando o apetite pela ação. É o nascer de uma nova favorita no setor de saúde?
A Squadra Investimentos adquiriu 388.369.181 ações HAPV3, o equivalente a 5,15% da companhia de saúde
Sem sinal de leniência: Copom de Galípolo mantém tom duro na ata, anima a bolsa e enfraquece o dólar
Copom reitera compromisso com a convergência da inflação para a meta e adverte que os juros podem ficar mais altos por mais tempo
Cuidado com a cabeça: Ibovespa tenta recuperação enquanto investidores repercutem ata do Copom
Ibovespa caiu 0,77% na segunda-feira, mas acumula alta de quase 7% no que vai de março diante das perspectivas para os juros
Goldman Sachs de saída da Oncoclínicas? Banco vende maior parte da fatia em ONCO3 para gestora de private equity; operação reacende discussão sobre OPA
O banco norte-americano anunciou a venda de 102.914.808 ações ordinárias ONCO3, representando 15,79% do capital social total da Oncoclínicas
Investir em Petrobras ficou mais arriscado, mas ainda vale a pena colocar as ações PETR4 na carteira, diz UBS BB
Mesmo com a visão positiva, o UBS BB cortou o preço-alvo para a petroleira estatal, de R$ 51,00 para os atuais de R$ 49,00
Eles perderam a fofura? Ibovespa luta contra agenda movimentada para continuar renovando as máximas do ano
Ata do Copom, balanços e prévia da inflação disputam espaço com números sobre a economia dos EUA nos próximos dias
Sem OPA na Oncoclínicas (ONCO3): Empresa descarta necessidade de oferta pelas ações dos minoritários após reestruturação societária
Minoritários pediram esclarecimentos sobre a falta de convocação de uma OPA após o Fundo Centaurus passar a deter uma fatia de 16,05% na empresa em novembro de 2024
Co-CEO da Cyrela (CYRE3) sem ânimo para o Brasil no longo prazo, mas aposta na grade de lançamentos. ‘Um dia está fácil, outro está difícil’
O empresário Raphael Horn afirma que as compras de terrenos continuarão acontecendo, sempre com análises caso a caso
FIIs: alívio tributário e mudança de rota
Se comparado ao sentimento do comecinho do ano, certamente os participantes da indústria estão aliviados com o panorama atual das cotas de FIIs — ainda assim, enxergamos diversos descontos nos fundos listados, especialmente nos segmentos de tijolos
Bolão fatura sozinho a Mega-Sena, a resposta da XP às acusações de esquema de pirâmide e renda fixa mais rentável: as mais lidas da semana no Seu Dinheiro
Loterias da Caixa Econômica foram destaque no Seu Dinheiro, mas outros assuntos dividiram a atenção dos leitores; veja as matérias mais lidas dos últimos dias
Engie Brasil (EGIE3) anuncia compra usinas hidrelétricas da EDP por quase R$ 3 bilhões — e montante pode ser ainda maior; entenda
O acordo foi firmado com a EDP Brasil (ENBR3) e a China Three Gorges Energia, com um investimento total de R$ 2,95 bilhões
AgroGalaxy (AGXY3) adia outra vez balanço financeiro em meio à recuperação judicial
A varejista de insumos para o agronegócio agora prevê que os resultados do quarto trimestre de 2024 serão divulgados em 22 de abril
Dividendos e JCP pingando na carteira: Rede D’Or (RDOR3) e outras 4 empresas anunciam mais de R$ 1 bilhão em proventos
Além do gigante hospitalar, a Localiza, Grupo Mateus, Track & Field e Copasa anunciaram JCPs e dividendos; saiba como receber
Por que a ação da Casas Bahia (BHIA3) salta 45% na B3 na semana, enquanto outra varejista desaba 18%?
A ação da varejista acumulou uma valorização estelar superior a 45% nos últimos pregões; entenda o movimento