Inter vai seguir ‘caminho do sucesso’ do Nubank? É o que aposta a Nero Capital — veja outros 20 investimentos da gestora
Em entrevista ao Seu Dinheiro, Daniel Utsch afirmou que os resultados recentes mostram que o banco digital está no “caminho certo”; veja o que esperar da fintech e de outras ações na bolsa brasileira

Mesmo depois de quase dobrar de valor na B3 em um ano em meio a recordes de lucro e rentabilidade, o Inter (INBR32) ainda tem espaço para continuar a se valorizar e trilhar o ‘caminho do sucesso’ do principal rival, o Nubank (ROXO34) — e quem diz isso é um gestor de ações com mais de R$ 500 milhões em ativos sob gestão.
Para Daniel Utsch, responsável pela estratégia de renda variável da Nero Capital, os resultados recentes mostram que o banco digital está no “caminho certo”, com uma base de clientes robusta e avanços nos indicadores de rentabilidade.

- Onde investir neste mês? Veja GRATUITAMENTE as recomendações em ações, dividendos, fundos imobiliários e BDRs para agosto.
Considerado um dos destaques positivos da safra de balanços do segundo trimestre, o Inter, registrou um lucro líquido de R$ 223 milhões, alta de 247% na base anual, e um retorno sobre o patrimônio líquido anualizado (ROE, na sigla em inglês) de 10,4%.
“O Inter não tem o nível de retorno sobre o capital que o Nubank conseguiu atingir, mas está no caminho, com um nível saudável e sem queima de caixa e aumento de alavancagem”, afirmou Utsch, em entrevista ao Seu Dinheiro.
“O mercado agora está se consolidando. Olhando para a competição, não estamos mais naquela fase de boom de neo bancos, com um banco digital novo a cada esquina. Não precisa ser um gênio para ver que o Nubank é um vencedor, mas entendemos que o Inter está nesse caminho — muito aquém ainda do rival, mas com valuation muito atrasado. Tem espaço.”
Além do Inter, a carteira de ações da Nero conta com outra aposta no setor financeiro: o Banco Bmg (BMGB4). Mas o gestor prefere ficar de fora de outros grandes players do setor, sejam eles bancos tradicionais ou fintechs.
Leia Também
As apostas da Nero Capital em ações de construção na B3
Apesar de ter sido fundada em 2021, a estratégia de ações da Nero Capital nasceu há cerca de nove meses, com a chegada de Utsch na gestora — que, antes de ingressar na Nero, trabalhou por cerca de 15 anos no Banco Fator nas áreas de equity research.
Um dos motes da carteira de ações da Nero Capital é a alocação diversificada e “sem preconceitos”. Não à toa, o portfólio atual possui mais de 50 ações na lista, divididas entre posições vendidas e compradas.
Confira a exposição setorial do fundo da Nero Capital:
Setor | Compra | Venda | Líquida |
---|---|---|---|
Agribusiness | 3,00% | 0,00% | 3,00% |
Bancos | 6,00% | 0,00% | 6,00% |
Consumo | 15,00% | 8,50% | 6,50% |
Financials non-banks | 4,50% | 5,50% | -1,00% |
Food & Beverage | 6,00% | 0,00% | 6,00% |
Healthcare | 6,00% | 2,00% | 4,00% |
Homebuilders | 13,50% | 2,00% | 11,50% |
Industrials | 9,00% | 1,50% | 7,50% |
Materials | 0,00% | 5,00% | -5,00% |
Oil & Gas | 0,00% | 2,00% | -2,00% |
Properties | 6,00% | 0,00% | 6,00% |
Serviços | 0,00% | 2,00% | -2,00% |
TMT (tecnologia, mídia e telecomunicações) | 7,50% | 0,00% | 7,50% |
Transportes & Infraestrutura | 10,50% | 5,50% | 5,00% |
Utilities | 0,00% | 0,00% | 0,00% |
Global / US | 12,00% | 0,00% | 12,00% |
Total | 99,00% | 34,00% | 65,00% |
Fonte: Nero Capital | Dados de julho de 2024.
Uma das principais apostas da Nero Capital na bolsa brasileira está concentrada no setor de construção, com cerca de 11% do fundo alocado no setor imobiliário.
Na avaliação de Utsch, as construtoras de baixa renda como a Direcional (DIRR3), Cury (CURY3) e Plano e Plano (PLPL3) estão se destacando dentro do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) em meio às fortes demandas da população por imóveis próprios.
“Essas companhias foram muito bem no controle de custos. Teve muito player pequeno de baixa renda que parou de operar no auge do choque de preço e mesmo agora voltou muito timidamente”, afirmou o gestor.
“Acontece que essas empresas estão tendo recorde de lançamento de rentabilidade num ambiente em que, para o operador médio de construção civil no Brasil, ainda está muito ruim. A gente gosta muito do diferencial competitivo desses três ativos. As ações subiram muito, mas ainda tem espaço, porque há uma geração de valor muito grande”, acrescentou.
Já nos segmentos de média e alta renda, o gestor gosta das ações da Moura Dubeux (MDNE3).
- Ainda vale a pena investir no Ibovespa? Baixe o guia GRATUITO do Seu Dinheiro para saber Onde Investir no 2º semestre.
Outros 15 destaques da carteira da gestora
Apesar da recente performance positiva da bolsa brasileira, com o Ibovespa atingindo um novo recorde histórico nesta semana, o gestor da Nero Capital ainda vê muitas incertezas no horizonte, tanto no cenário doméstico — com o peso do fiscal — quanto no exterior, com as decisões sobre os juros e as eleições nos EUA.
É por isso que a gestora mantém parte do portfólio em ações “defensivas e dolarizadas” — como WEG (WEGE3), Embraer (EMBR3) e Fras-le (FRAS3).
Ainda em uma estratégia de proteção ao portfólio, Utsch revelou apostas em utilities, com as ações da Orizon (ORVR3), e em transporte, com Vamos (VAMO3) e Rumo (RAIL3).
Já para adicionar um pouco mais de risco à carteira, a Nero adicionou papéis focados em consumo, como Vivara (VIVA3) e SBF (SBFG3), duas empresas “de qualidade” que estão passando por um “momento um pouco mais difícil” de resultados, segundo o gestor.
Ainda na bolsa brasileira, Utsch revela estar otimista com uma dupla do setor de saúde: a Hapvida (HAPV3) e a Rede D’Or (RDOR3).
“Daqui para frente, serão resultados ascendentes. Não é fácil realizar essa recomposição de rentabilidade, mas as empresas estão conseguindo fazer. As duas são ativos excelentes e em um setor que tem uma tendência de longo prazo extremamente favorável.”
De olho nas small caps brasileiras, a gestora possui na carteira ações como ClearSale (CLSA3), Bemobi (BMOB3) e Desktop (DESK3).
A Nero ainda ajustou recentemente a carteira e reduziu exposição às grandes empresas de tecnologia do exterior. Hoje, as apostas em big techs se resumem a Apple (AAPL34) e Oracle (ORCL34).
Ações para ficar de fora na B3
Em meio à recente euforia dos investidores com a bolsa brasileira, para a Nero Capital, ainda é preciso manter cautela com alguns setores da B3.
Atualmente, a gestora possui cerca de 35% do fundo vendido — sendo que a principal posição setorial short é em mineração e siderurgia.
Na avaliação de Utsch, apesar do nível de endividamento ainda favorável, há uma perspectiva de piora de resultados daqui para frente.
Isso porque a política do governo da China, de incentivo à produção e exportação de bens industriais, está provocando queda na rentabilidade de algumas cadeias, como o setor siderúrgico.
Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa
Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Tupy (TUPY3): Troca polêmica de CEO teve voto contrário de dois conselheiros; entenda o imbróglio
Minoritários criticaram a troca de comando na metalúrgica, e o mercado reagiu mal à sucessão; ata da reunião do Conselho divulgada ontem mostra divergência de votos entre os conselheiros
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Os bilionários de 2025 no Brasil e no mundo — confira quem subiu e quem caiu na lista da Forbes
Lista de bilionários bate recorde, reunindo 3.000 nomes que, juntos, somam US$ 16,1 trilhões, com Musk, Zuckerberg e Bezos liderando o ranking
Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos
Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%
Trump preocupa mais do que fiscal no Brasil: Rodolfo Amstalden, sócio da Empiricus, escolhe suas ações vitoriosas em meio aos riscos
No episódio do podcast Touros e Ursos desta semana, o sócio-fundador da Empiricus, Rodolfo Amstalden, fala sobre a alta surpreendente do Ibovespa no primeiro trimestre e quais são os riscos que podem frear a bolsa brasileira
Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3
Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista
Ex-CEO da Americanas (AMER3) na mira do MPF: Procuradoria denuncia 13 antigos executivos da varejista após fraude multibilionária
Miguel Gutierrez é descrito como o principal responsável pelo rombo na varejista, denunciado por crimes como insider trading, manipulação e organização criminosa
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump
Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado
Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq
Mais valor ao acionista: Oncoclínicas (ONCO3) dispara quase 20% na B3 em meio a recompra de ações
O programa de aquisição de papéis ONCO3 foi anunciado dias após um balanço aquém das expectativas no quarto trimestre de 2024
Ainda dá para ganhar com as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e BTG Pactual (BPAC11)? Não o suficiente para animar o JP Morgan
O banco norte-americano rebaixou a recomendação para os papéis BBAS3 e BPAC11, de “outperform” (equivalente à compra) para a atual classificação neutra
Casas Bahia (BHIA3) quer pílula de veneno para bloquear ofertas hostis de tomada de controle; ação quadruplica de valor em março
A varejista propôs uma alteração do estatuto para incluir disposições sobre uma poison pill dias após Rafael Ferri atingir uma participação de cerca de 5%
Tanure vai virar o alto escalão do Pão de Açúcar de ponta cabeça? Trustee propõe mudanças no conselho; ações PCAR3 disparam na B3
A gestora quer propor mudanças na administração em busca de uma “maior eficiência e redução de custos” — a começar pela destituição dos atuais conselheiros
Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump
O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”
Nubank (ROXO34): Safra aponta alta da inadimplência no roxinho neste ano; entenda o que pode estar por trás disso
Uma possível explicação, segundo o Safra, é uma nova regra do Banco Central que entrou em vigor em 1º de janeiro deste ano.
O e-commerce das brasileiras começou a fraquejar? Mercado Livre ofusca rivais no 4T24, enquanto Americanas, Magazine Luiza e Casas Bahia apanham no digital
O setor de varejo doméstico divulgou resultados mistos no trimestre, com players brasileiros deixando a desejar quando o assunto são as vendas online
Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump
Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real
Não é a Vale (VALE3): BTG recomenda compra de ação de mineradora que pode subir quase 70% na B3 e está fora do radar do mercado
Para o BTG Pactual, essa mineradora conseguiu virar o jogo em suas finanças e agora oferece um retorno potencial atraente para os investidores; veja qual é o papel