BB Investimentos corta preço-alvo para ações da MRV — mas analistas revelam por que você ainda deveria estar animado com MRVE3
A redução de preço-alvo para as ações da construtora de baixa renda teve um principal “culpado”: o desaperto monetário mais lento nos Estados Unidos

O BB Investimentos (BB-BI) trouxe notícias mistas para os investidores da MRV (MRVE3) nesta terça-feira (1º). Por um lado, os analistas se mostraram um pouco mais conservadores com as perspectivas para as ações e cortaram o preço-alvo para o fim de 2025, de R$ 17,50 para R$ 14.
No entanto, apesar do corte, o banco afirmou que continua otimista e manteve recomendação de compra para as ações. Além disso, é importante destacar que a nova cifra ainda prevê um retorno potencial elevado no investimento.
Considerando as cotações do último fechamento, os papéis da construtora de imóveis de baixa renda podem quase dobrar de valor no ano que vem, com valorização potencial implícita de 93%.
A visão construtiva — ainda que mais contida — do BB-BI impulsionaram a MRV na bolsa brasileira hoje. Os papéis subiram 4,56% na sessão e lideraram a ponta positiva do Ibovespa, cotados a R$ 7,57.
No entanto, as ações ainda acumulam desvalorização de 32% na B3 desde janeiro, em meio à maior cautela sobre o patamar de endividamento e queima de caixa até o fim do primeiro semestre de 2024.
Se o BB-BI está otimista com a MRV (MRVE3), por que reduziu as previsões?
O corte de preço-alvo do BB Investimentos para as ações da MRV (MRVE3) teve um principal “culpado”: o desaperto monetário mais lento nos Estados Unidos.
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Inicialmente, os analistas projetavam que o início das reduções de juros por lá começassem mais cedo em 2024, o que resultaria em um “crescimento substancial para a operação da companhia no mercado internacional”.
Isso porque a Resia, a divisão norte-americana de incorporação da MRV, tenderia a ser beneficiada por uma demanda mais pujante como resultado das taxas de juros mais baixas, segundo o banco.
No entanto, as expectativas de cortes de juros nos EUA receberam inúmeros “baldes de água” ao longo do ano — e, em certo ponto, começaram até mesmo discussões sobre a possibilidade de o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) não realizar reduções em 2024.
No fim, o mercado conseguiu uma diminuição das taxas em setembro — e a expectativa é que novos “relaxamentos” monetários aconteçam nas duas próximas reuniões do Fed neste ano.
Porém, segundo o BB-BI, dada a manutenção das taxas em patamar ainda elevado por um período mais longo que o esperado, o efeito na demanda pelas unidades produzidas pela Resia foi afetado para baixo, com vendas pontuais realizadas para reciclagem de portfólio e alívio da situação de caixa atual da companhia.
“A redução do preço alvo se deu em função especialmente de uma recaracterização da curva de crescimento esperada para as operações da companhia no mercado americano por meio da subsidiária Resia”, afirmaram os analistas.
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O que os analistas esperam daqui para frente
Segundo o BB Investimentos, a manutenção da recomendação de compra para as ações da MRV (MRVE3) tem base no “bom momento operacional que o braço de incorporação do Brasil vem apresentando”.
Relembrando, a MRV&Co teve um prejuízo líquido de R$ 71 milhões no segundo trimestre.
No entanto, no critério ajustado, o resultado ficou positivo em R$ 29 milhões — e de acordo com a XP Investimentos, o número foi impulsionado pelo crescimento dos ganhos com a MRV Incorporação, a divisão brasileira que inclui o MCMV e a Sensia, e com a Luggo, focada em imóveis residenciais para locação.
“Nossa expectativa para a MRV segue positiva, em função de uma operação doméstica entregando bons resultados, e com margens cada vez mais atrativas à medida que os empreendimentos de safras menos interessantes começam a deixar de impactar o balanço à frente”, afirmaram os analistas do BB-BI, em relatório.
Porém, a perspectiva para a Resia é mais contida. De acordo com os analistas, a estimativa ainda é de crescimento das operações para os próximos anos, porém, mais modesto.
Para o banco, a incorporadora deve vivenciar uma redução significativa do número de unidades lançadas e vendidas até 2025, devido ao menor ritmo de reciclagens dado o cenário macroeconômico ainda complexo nos EUA.
“Dessa maneira, o receitamento desses empreendimentos deve ser menos intenso que antes projetado, ainda que exista potencial para destravar valor nos próximos exercícios, acompanhando expectativa de redução de juros nos mercados internacionais”, afirmou o BB-BI.
Segundo os analistas, a recente venda do empreendimento em Miami também permitiu que a incorporadora norte-americana reduzisse significativamente sua queima de caixa consolidada, ainda que as margens tenham ficado aquém da média histórica.
Vale destacar que, no segundo trimestre, a geração de caixa da Resia foi negativa em R$ 370 milhões, uma piora de quase quatro vezes em relação à queima vista no mesmo período de 2023.
A expectativa do banco é que a incorporadora continue a realizar novas vendas até o fim do ano, o que permitiria uma equalização da situação de caixa consolidada da companhia ao longo do quarto trimestre.
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