Habla mesmo: Lula solta o verbo e não poupa ninguém — presidente fala do BC, do mercado, do Congresso, de Bolsonaro e até de José Dirceu
O petista concedeu entrevista para a CNN Brasil e disse o que pensa sobre os mais diversos assuntos; confira os principais trechos

Falar algo com convicção ou soltar o verbo. É isso que significa ‘habla mesmo’, expressão que tomou conta das redes sociais em 2022 e que agora faz parte do vocabulário de Luiz Inácio Lula da Silva.
O presidente não poupou ninguém em entrevista à CNN nesta quinta-feira (16): hablou mesmo do Banco Central, do mercado financeiro, do Congresso, de Jair Bolsonaro e até de José Dirceu.
Roberto Campos Neto, presidente do BC e conhecido alvo do petista, recebeu um recado direto de Lula: “Que ele entenda que a meta de inflação não pode ser a razão pela qual você aumenta a taxa de juros. A taxa de juros você aumenta se tiver excesso de demanda. Se você não tiver excesso de demanda, não é o juro que vai resolver”.
O presidente disse ainda que a "cabeça política" de Campos Neto é diferente da dele e da cabeça dos eleitores que o elegeram — o atual presidente do BC foi indicado por Bolsonaro com aval do ex-ministro da Economia, Paulo Guedes.
"A única coisa que eu quero é que ele cumpra aquilo que está na lei que aprovou a independência do Banco Central. Ele tem que cuidar da inflação, ele tem que cuidar do crescimento, tem que cuidar do emprego", afirmou Lula, sem mencionar o nome de RCN diretamente.
Os trechos da entrevista foram divulgados ao longo da tarde, e o mercado entendeu muitos deles como um cessar-fogo na guerra do governo contra a inflação, a taxa de juros e o próprio banco central.
Leia Também
Lula reclama e Milei "canta Queen": as reações de Brasil e Argentina às tarifas de Trump
E esse mesmo mercado financeiro que entendeu como uma trégua as declarações do petista sobre o BC não foi poupado. O presidente disse que não governa para o mercado financeiro.
"Eu não estou governando para o mercado. Eu sei da existência do mercado. Eu sei o que o mercado faz para ganhar dinheiro. Mas eu estou governando para o povo brasileiro. Eu estou governando para tentar recuperar o bem-estar social que o povo brasileiro alcançou no tempo em que eu fui presidente", disse Lula.
O Congresso também foi lembrado pelo petista, que declarou que ninguém é obrigado “a aceitar ipsis litteris” o que o governo enviar à Câmara e ao Senado.
Segundo ele, é preciso “estar junto” com os presidentes das casas legislativas, porque o Congresso seria um retrato da vontade do eleitor. “Não pode reclamar, tem que conviver”, afirmou.
- Leia também: Lula quer levar Campos Neto para passear — saiba onde o petista pode ir com o presidente do BC
Lula habla mesmo de Bolsonaro
Se Lula acenou com uma bandeira branca para o banco central e para o Congresso, foi duro com seu principal rival na política atual: Jair Bolsonaro — chegando a compará-lo a Hitler e a Benito Mussolini.
O presidente disse que “nunca se negou tanto a política como se negou nestes últimos 15 anos”, e que Bolsonaro é o resultado disso.
“Quando você nega a política o resultado é esse: Bolsonaro, Hitler, Mussolini. Quando você nega a política, o resultado é o surgimento do autoritarismo”, disse Lula. “Foi assim que o fascismo surgiu no mundo e foi assim que o Bolsonaro [chegou ao poder].”
Lula disse que, antes da eleição do ex-presidente, seria possível perguntar “para mil pessoas” e Jair Bolsonaro jamais apareceria como uma possibilidade para ocupar o cargo de Presidente da República, e mesmo assim foi eleito.
“[Bolsonaro] construiu uma indústria de mentiras, a mais poderosa indústria de mentiras que eu já vi na vida. Uma cópia fiel do que foi o Trump nos Estados Unidos”, falou.
Lula voltou a dizer que o ex-presidente Jair Bolsonaro não voltará a comandar o País. “O Brasil vai ser preparado nos próximos quatro anos a acreditar na verdade”, afirmou.
- Lula X Bolsonaro: compare a gestão de cada um dos governantes através do nosso “Diário dos 100 dias”. Clique aqui para acompanhar gratuitamente.
José Dirceu, um antigo aliado
Lula não esqueceu de antigos aliados. Lula elogiou o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu — envolvido nos escândalos do mensalão e do petrolão — e que voltou a circular em espaços petistas.
“Ninguém pode ser penalizado a vida inteira, ninguém pode ser na política criminalizado de forma perpétua. José Dirceu é um agente político, militante político da maior qualidade e está voltando a participar”, afirmou.
“Vi ele [Dirceu] sentado até meio escondidinho, acho que não tem que andar escondido, tem que colocar a cara para fora e brigar. Tem que brigar para construir outra narrativa na sociedade brasileira”, prosseguiu o presidente, que já descartou publicamente levar para o governo José Dirceu, que foi seu primeiro ministro da Casa Civil com grande poder.
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
A resposta de Lula às tarifas de Trump: Brasil pode pegar pesado e recorrer à OMC
O governo brasileiro estuda todas as opções para se defender das medidas do governo norte-americano e, embora prefira o diálogo, não descarta acionar os EUA na Organização Mundial do Comércio
Genial/Quaest: Aprovação do governo Lula atinge pior nível desde janeiro de 2023 e cai inclusive no Nordeste e entre mulheres
As novas medidas anunciadas e o esforço de comunicação parecem não estar gerando os efeitos positivos esperados pelo governo
O Brasil pode ser atingido pelas tarifas de Trump? Veja os riscos que o País corre após o Dia da Libertação dos EUA
O presidente norte-americano deve anunciar nesta quarta-feira (2) as taxas contra parceiros comerciais; entenda os riscos que o Brasil corre com o tarifaço do republicano
O Super Bowl das tarifas de Trump: o que pode acontecer a partir de agora e quem está na mira do anúncio de hoje — não é só a China
A expectativa é de que a Casa Branca divulgue oficialmente os detalhes da taxação às 17h (de Brasília). O Seu Dinheiro ouviu especialistas para saber o que está em jogo.
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Boletim Focus mantém projeção de Selic a 15% no fim de 2025 e EQI aponta caminho para buscar lucros de até 18% ao ano; entenda
Com a Selic projetada para 15% ao ano, investidores atentos enxergam oportunidade de buscar até 18% de rentabilidade líquida e isenta de Imposto de Renda
Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump
O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”
Agenda econômica: Payroll, balança comercial e PMIs globais marcam a semana de despedida da temporada de balanços
Com o fim de março, a temporada de balanços se despede, e o início de abril chama atenção do mercado brasileiro para o relatório de emprego dos EUA, além do IGP-DI, do IPC-Fipe e de diversos outros indicadores
Protege contra a inflação e pode deixar a Selic ‘no chinelo’: conheça o ativo com retorno-alvo de até 18% ao ano e livre de Imposto de Renda
Investimento garimpado pela EQI Investimentos pode ser “chave” para lucrar com o atual cenário inflacionário no Brasil; veja qual é
Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump
Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real
Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA
O PCE, como é conhecido o índice de gastos com consumo pessoal nos EUA, é o dado de inflação preferido do Fed para pautar sua política monetária
Nova faixa do Minha Casa Minha Vida deve impulsionar construtoras no curto prazo — mas duas ações vão brilhar mais com o programa, diz Itaú BBA
Apesar da faixa 4 trazer benefícios para as construtoras no curto prazo, o Itaú BBA também vê incertezas no horizonte
Esporte radical na bolsa: Ibovespa sobe em dia de IPCA-15, relatório do Banco Central e coletiva de Galípolo
Galípolo concederá entrevista coletiva no fim da manhã, depois da apresentação do Relatório de Política Monetária do BC
Lula firma acordos com Japão, mas frustração do mercado ajuda a derrubar as ações dos frigoríficos na bolsa
Em rara visita de Estado ao Japão, o presidente brasileiro e o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, firmaram nesta quarta-feira (26) dez acordos de cooperação em áreas como comércio, indústria e meio ambiente
Ato falho relevante: Ibovespa tenta manter tom positivo em meio a incertezas com tarifas ‘recíprocas’ de Trump
Na véspera, teor da ata do Copom animou os investidores brasileiros, que fizeram a bolsa subir e o dólar cair
Selic em 14,25% ao ano é ‘fichinha’? EQI vê juros em até 15,25% e oportunidade de lucro de até 18% ao ano; entenda
Enquanto a Selic pode chegar até 15,25% ao ano segundo analistas, investidores atentos já estão aproveitando oportunidades de ganhos de até 18% ao ano
Sem sinal de leniência: Copom de Galípolo mantém tom duro na ata, anima a bolsa e enfraquece o dólar
Copom reitera compromisso com a convergência da inflação para a meta e adverte que os juros podem ficar mais altos por mais tempo
Cuidado com a cabeça: Ibovespa tenta recuperação enquanto investidores repercutem ata do Copom
Ibovespa caiu 0,77% na segunda-feira, mas acumula alta de quase 7% no que vai de março diante das perspectivas para os juros
Inocentes ou culpados? Governo gasta e Banco Central corre atrás enquanto o mercado olha para o (fim da alta dos juros e trade eleitoral no) horizonte
Iminência do fim do ciclo de alta dos juros e fluxo global favorecem, posicionamento técnico ajuda, mas ruídos fiscais e políticos impõem teto a qualquer eventual rali