ING aponta ‘calcanhar de Aquiles’ do dólar: o que precisaria acontecer para moeda norte-americana deixar de ser a maior do mundo
Um estudo feito pelo banco ING foi direto: para conseguir superar o dólar, a moeda precisa dominar o mercado internacional de dívidas

O reino animal não costuma gerar encontros improváveis. As diferenças de habitats preveem o leão encontrar a zebra e a onça trombar com a capivara. Mas um embate muito inesperado seria o da águia careca com o urso panda — refiro-me à disputa entre o dólar e a moeda da China, o renminbi, também chamado de yuan.
Mas este início que mais parece uma chamada no Animal Planet tem um motivo.
Não é de hoje que países emergentes pensam em deixar de usar o dólar como principal moeda para transações internacionais. O movimento começou com a Rússia e contagiou os BRICS, bloco que inclui Brasil, a própria Rússia, Índia, China e a África do Sul (o “S” vem do inglês South Africa).
As tentativas de substituir o dólar vão das moedas virtuais nacionais, também chamadas de CBDCs (Central Bank Digital Currencies) até a criação de uma unidade de troca do próprio bloco.
Muitos pensam que dominar o mercado de transações internacionais é o que torna uma moeda forte ou importante. O pensamento é correto, mas não é apenas isso que faria qualquer alternativa ao dólar se tornar o principal veículo de trocas entre países.
Um estudo feito pelo banco ING foi direto: para conseguir superar o dólar, a moeda precisa dominar o mercado internacional de dívidas.
Leia Também
A pressão vem de todos os lados: Trump ordena corte de juros, Powell responde e bolsas seguem ladeira abaixo
O pior dia é sempre o próximo? Petroleiras caem em bloco (de novo) — Brava (BRAV3) desaba 15%
E é aí que a águia careca dos Estados Unidos encontra o panda chinês — afinal, os Panda Bonds, como é chamado o mercado de dívida emitida em renminbi, é o principal adversário dos norte-americanos nesse segmento.
Dólar X Yuan: uma batalha por dívidas
O estudo do ING analisou a evolução de quais moedas dominavam o setor dos títulos de dívida pública pelo mundo. “Outras moedas”, fora dos tradicionais dólar e euro, representam 6% do total circulante desse tipo de ativo, o equivalente a US$ 1,8 trilhão.
O grupo “outras moedas” inclui o renminbi (yuan) da China. A participação do dinheiro chinês no mercado internacional de dívida saiu de valores inexpressivos para pouco menos de US$ 200 bilhões em 2023.
Além disso, de acordo com o Deutsche Bank, foram emitidos o equivalente a US$ 10 bilhões em Panda Bonds só no primeiro semestre de 2023.
A DINHEIRISTA - Ajudei minha namorada a abrir um negócio e ela me deixou! Quero a grana de volta, o que fazer?
Ainda filhote
Mas mesmo com todo o seu tamanho, o urso panda precisa ganhar força antes de enfrentar a poderosa ave de rapina norte-americana. O ING destaca que o mercado de dívida chinesa em yuan ainda é pequeno.
“Uma relativa falta de liquidez e as preocupações persistentes dos investidores sobre potenciais controles sobre o capital podem inibir o crescimento do mercado”, destaca o relatório. Em resumo, o renminbi ainda não conseguiu conquistar os investidores.
Apesar de a “desdolarização” ainda não ser algo presente entre nós, existe um fator potencializador desse fenômeno — e agora estamos falando de uma verdadeira selva com os BRICS.
Dólar: welcome to the jungle
A moeda norte-americana não tem um concorrente à altura. Mesmo o yuan chinês precisa ganhar força, não apenas no mercado de dívida, mas também no volume de transações internacionais, para ter uma chance contra o dólar.
Essa força pode vir do próprio BRICS. Isso porque o yuan já é usado nas transações com a Rússia e a entrada de novos membros abre espaço para a penetração da moeda chinesa no mercado de petróleo — e este cenário pode fazer o dólar estremecer.
Recentemente, o BRICS aceitou a entrada da Arábia Saudita, Argentina, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã. O acréscimo de membros fará com que o BRICS tenha uma produção diária de 36,7 milhões de barris de petróleo por dia (bpd), o que corresponde a 45% da extração mundial.
Os dados são de uma pesquisa do Poder360 com o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP).
História repetida?
O dólar nem sempre foi a moeda mais utilizada no planeta. No século XIX, a britânica libra esterlina dominava o comércio internacional, o mercado de títulos de dívida etc.
E o que aconteceu no passado? Foi no período entre a Primeira Guerra Mundial (1914-1917) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) que houve um aumento da emissão das dívidas nacionais na Europa em dólar, não mais em libras, segundo um estudo do Banco Central Europeu (BCE) de 2012.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, o dólar passou a ser usado como moeda-padrão do comércio internacional.
Vale reforçar que o ING entende que o dólar ainda não tem um concorrente à altura e que a substituição da moeda por outro padrão internacional será custosa — e provavelmente demorada. O banco, no entanto, deu o caminho das pedras para quem quiser se tornar o rei da selva.
Pix parcelado já tem data marcada: Banco Central deve disponibilizar atualização em setembro e mecanismo de devolução em outubro
Banco Central planeja lançar o Pix parcelado, aprimorar o Mecanismo Especial de Devolução e expandir o pagamento por aproximação ainda em 2025; em 2026, chega o Pix garantido
Lula reclama e Milei “canta Queen”: as reações de Brasil e Argentina às tarifas de Trump
Os dois países foram alvo da alíquota mínima de 10% para as exportações aos EUA, mas as reações dos presidentes foram completamente diferentes; veja o que cada deles um disse
China lança primeiro título soberano verde em yuans no exterior
O volume total de subscrições alcançou 41,58 bilhões de yuans, superando em quase sete vezes o valor inicial da oferta
Bitcoin (BTC) em queda — como as tarifas de Trump sacudiram o mercado cripto e o que fazer agora
Após as tarifas do Dia da Liberdade de Donald Trump, o mercado de criptomoedas registrou forte queda, com o bitcoin (BTC) recuando 5,85%, mas grande parte dos ativos digitais conseguiu sustentar valores em suportes relativamente elevados
Brava (BRAV3) despenca 10% em meio à guerra comercial de Trump e Goldman Sachs rebaixa as ações — mas não é a única a perder o brilho na visão do bancão
Ações das petroleiras caem em bloco nesta quinta-feira (3) com impacto do tarifaço de Donald Trump. Goldman Sachs também muda recomendação de outra empresa do segmento e indica que é hora de proteção
Luis Stuhlberger: ‘Brasil saiu muito beneficiado’ após tarifas de Trump; dos ativos globais, bitcoin e ouro saem ganhando, e uma moeda se destaca
Em evento da Icatu Seguros, o gestor do fundo Verde analisou o impacto das tarifas recíprocas anunciadas ontem nos mercados globais e apontou ganhadores e perdedores
Obrigado, Trump! Dólar vai à mínima e cai a R$ 5,59 após tarifaço e com recessão dos EUA no horizonte
A moeda norte-americana perdeu força no mundo inteiro nesta quinta-feira (3) à medida que os investidores recalculam rotas após Dia da Libertação
O Dia depois da Libertação: bolsas globais reagem em queda generalizada às tarifas de Trump; nos EUA, Apple tomba mais de 9%
O Dia depois da Libertação não parece estar indo como Trump imaginou: Wall Street reage em queda forte e Ibovespa tem leve alta
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
As tarifas de Trump: entenda os principais pontos do anúncio de hoje nos EUA e os impactos para o Brasil
O presidente norte-americano finalmente apresentou o plano tarifário e o Seu Dinheiro reuniu tudo o que você precisa saber sobre esse anúncio tão aguardado pelo mercado e pelos governos; confira
Três museus brasileiros estão entre os 100 mais visitados em 2024, mas nenhum deles é o MASP
Pesquisa feita pelo jornal especializado The Art Newspaper mostra que 2024 parece ter sido a volta aos níveis “normais” de visitações para muitos museus
Não haverá ‘bala de prata’ — Galípolo destaca desafios nos canais de transmissão da política monetária
Na cerimônia de comemoração dos 60 anos do Banco Central, Gabriel Galípolo destacou a força da instituição, a necessidade de aprimorar os canais de transmissão da política monetária e a importância de se conectar com um público mais amplo
Elon Musk fora da Casa Branca? Trump teria confirmado a saída do bilionário do governo nas próximas semanas, segundo site
Ações da Tesla sobem 5% após o Politico reportar que o presidente dos EUA afirmou a aliados sobre a mudança no alto escalão da Casa Branca
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade
Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa
Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA
O Brasil pode ser atingido pelas tarifas de Trump? Veja os riscos que o País corre após o Dia da Libertação dos EUA
O presidente norte-americano deve anunciar nesta quarta-feira (2) as taxas contra parceiros comerciais; entenda os riscos que o Brasil corre com o tarifaço do republicano
O Super Bowl das tarifas de Trump: o que pode acontecer a partir de agora e quem está na mira do anúncio de hoje — não é só a China
A expectativa é de que a Casa Branca divulgue oficialmente os detalhes da taxação às 17h (de Brasília). O Seu Dinheiro ouviu especialistas para saber o que está em jogo.
Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário
O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como
SP–Arte 2025: ingressos, programação e os destaques da maior feira de arte da América Latina
Pavilhão da Bienal será ocupado com mostras de artistas brasileiros e estrangeiros contemporâneos e históricos dos séculos 20 e 21