Renda em dólar: 3 maneiras de receber dividendos na moeda americana
Investidor deve ficar de olho na tributação; veja como investir diretamente em ações estrangeiras, ETFs que pagam dividendos ou BDRs

Os investimentos que pagam uma renda periódica fazem sucesso entre os investidores pessoas físicas. E, num mundo em que o investidor comum tem cada vez mais acesso aos mercados globais, esses rendimentos não precisam ficar restritos à moeda local. Obter uma renda em dólar tornou-se possível.
No mundo da renda variável, quem assume o papel de investimento gerador de renda normalmente são as ações boas pagadoras de dividendos, frequentemente chamadas de “vacas leiteiras”.
Para receber dividendos em dólar, portanto, o investidor brasileiro pode investir em vacas leiteiras estrangeiras. É possível fazer isso diretamente, comprando as ações em bolsas estrangeiras, ou então por meio do investimento em BDRs (Brazilian Depositary Receipts) ou ETFs (Exchange Traded Funds) gringos.
Os BDRs são recibos de ações listadas em bolsas de outros países, negociados na B3 como se fossem ações brasileiras; já os ETFs, também chamados de fundos de índice, são fundos de investimento com cotas negociadas em bolsa que procuram acompanhar a composição e o desempenho de algum índice de mercado – por exemplo, um índice de ações que historicamente pagam bons dividendos.
A seguir, vamos analisar cada uma dessas formas de investir:
3 maneiras de receber uma renda em dólar
1. Ações que pagam bons dividendos
A primeira forma de investir de maneira a receber uma renda em dólar é por meio da compra direta de ações estrangeiras que pagam bons dividendos. E o jeito mais simples de fazer isso é abrindo conta em uma corretora que ofereça investimento para brasileiros nas bolsas americanas.
Leia Também
Essas instituições financeiras facilitaram enormemente o acesso das pessoas físicas brasileiras aos mercados internacionais, reduzindo a burocracia e o obstáculo do idioma para investir lá fora.
A corretora mais conhecida é a Avenue, hoje ligada ao Itaú, mas outras instituições financeiras já oferecem essa possibilidade para os seus clientes, como o Inter, a XP, o C6 Bank e o Bradesco. A conta em dólar Nomad também conta com o serviço.
Para investir de olho em uma renda em dólar, o ideal é escolher uma corretora que não cobre taxas de corretagem, custódia, manutenção ou inatividade, além de praticar um spread de câmbio (custo da conversão da moeda) vantajoso. Lembre-se de que, para investir no exterior, as operações de câmbio também estão sujeitas a um IOF de 0,38%.
Nesta outra reportagem, falamos sobre as vantagens e desvantagens das sete principais contas para investir no exterior disponíveis hoje no mercado brasileiro e indicamos as melhores para o investimento em ações.
- Do zero a uma renda passiva: treinamento completo com os ‘tubarões’ do mercado mostrará as estratégias mais avançadas para poder gerar dinheiro na conta; inscreva-se aqui
2. ETFs que pagam dividendos
Diferentemente dos ETFs brasileiros – que só há bem pouco tempo passaram a poder distribuir dividendos –, os ETFs gringos podem pagar proventos.
ETFs são fundos que investem em ativos de modo a replicar a composição de algum índice de mercado e, dessa forma, ter um desempenho equivalente ao do índice. Assim, os ETFs que espelham índices de ações podem distribuir os dividendos pagos por essas ações.
Nos Estados Unidos, assim como aqui, existem índices de ações focados em empresas que pagam bons dividendos, o que resulta em uma grande diversidade de ETFs com essa natureza.
O investimento em ETFs estrangeiros é feito da mesma forma que o investimento direto em ações no exterior, pois suas cotas são negociadas em bolsa, como se fossem ações. Os custos também tendem a ser semelhantes.
Assim, basta abrir conta numa corretora para investir no exterior, com base nos mesmos critérios para investir em ações, e adquirir os ETFs pela plataforma da instituição.
3. BDRs de ações que pagam bons dividendos
A terceira opção para o investidor brasileiro obter uma renda em dólar é o investimento em BDRs de empresas estrangeiras boas pagadoras de dividendos. Afinal, se a empresa cuja ação lastreia o BDR distribuir dividendos, os detentores desse BDR também os recebem.
Trata-se de uma maneira mais prática de investir em ações no exterior, pois os BDRs são os representantes dessas ações na bolsa brasileira. Assim, por serem recibos lastreados nessas ações, todo o procedimento para investir em BDRs é idêntico ao procedimento para investir em ações listadas na B3.
Em outras palavras, não é preciso fazer operação de câmbio, convertendo seus reais para dólares, nem operar por meio de corretoras estrangeiras ou contas para brasileiros investirem no exterior.
É possível investir em BDRs por meio do home broker da mesma corretora brasileira que você utiliza para comprar e vender ações domésticas.
Os custos também são os mesmos, o que significa que é bem fácil investir com taxa zero, uma vez que diversas corretoras locais hoje em dia já isentam seus clientes de corretagem e custódia para operar na bolsa. Você teria apenas que pagar os emolumentos obrigatórios à B3, dos quais não há como escapar.
Os BDRs, porém, têm algumas desvantagens. A primeira é a menor variedade de empresas disponíveis em comparação ao investimento direto lá fora. Nas corretoras para investir no exterior você tem acesso a todas as ações negociadas nas bolsas americanas, mas nem todas elas têm BDRs negociados na B3, por exemplo.
A segunda é que as custodiantes – instituições financeiras do país de origem da empresa que detêm as ações nas quais o BDR é lastreado – retêm entre 3% e 5% dos dividendos distribuídos.
Como investir em BDRs? Veja a melhor forma de se expor ao dólar com ações internacionais
Quais são as ações e ETFs que pagam bons dividendos em dólar?
Investir com foco em dividendos em dólar é diferente de investir em “vacas leiteiras” brasileiras. Em outros países, como os Estados Unidos, as empresas podem não ser obrigadas a distribuir dividendos, como ocorre no Brasil.
Assim, é importante checar se o pagamento de proventos regularmente é uma prática da companhia, se há uma política específica para a distribuição e se esta tem sido consistente ao longo do tempo.
Além disso, como no Brasil, a periodicidade da distribuição dos proventos varia de uma empresa para outra, podendo ser mensal, trimestral, semestral ou anual.
E quem são as empresas “vacas leiteiras” dos EUA? Como exemplo, podemos citar as companhias que integram o principal índice de pagadoras de dividendos das bolsas americanas: o S&P 500 Dividend Aristocrats, que mede o desempenho das empresas do S&P 500 (principal índice de ações americano) que aumentaram seus dividendos anualmente nos últimos 25 anos.
O índice atualmente é composto por 67 ações de empresas americanas, e as 10 primeiras por ponderação no índice hoje são: Exxon Mobil, AFLAC, Caterpillar, Emerson Electric, Chevron, AbbVie, Chubb, General Dynamics, IBM e ADP. Veja a lista completa aqui.
Existe ainda outro conceito usado no mercado americano, o de Dividend Kings, que são as companhias que aumentaram seu pagamento de dividendos por pelo menos 50 anos consecutivos. Empresas como Procter&Gamble, 3M, Coca-Cola e Johnson&Johnson integram essa lista em 2023.
Quanto aos ETFs, no mercado americano existem 165 ETFs pagadores de dividendos, sendo 66 deles focados em ativos com alto dividend yield (retorno com dividendos). Um ETF que segue o índice S&P 500 Dividend Aristocrats, por exemplo, é o ProShares S&P 500 Dividend Aristocrats (NOBL).
O maior ETF pagador de dividendos dos EUA é o Vanguard Dividend Appreciation (VIG), com patrimônio de mais de US$ 65 bilhões, cujo escopo é o mercado americano como um todo. Em seguida vêm o Schwab U.S. Dividend Equity (SCHD) e o Vanguard High Dividend Yield (VYM), com patrimônios de cerca de US$ 46 bilhões cada um, focados apenas em ações com dividend yield elevado.
Quais ações, BDRs ou ETFs bons pagadores de dividendos comprar?
Para que o investidor saiba quais ações ou ETFs comprar a fim de obter uma renda em dólar, algumas corretoras com contas para investir no exterior já trabalham com assessoria ou relatórios de recomendações para esses clientes.
O C6 Bank, por exemplo, oferece assessoria de investimentos para os clientes da sua conta Global Invest. Já a Avenue e o Inter Invest, do banco Inter, publicam relatórios com os ativos recomendados por suas equipes de análise. A Avenue inclusive dá recomendações específicas para dividendos, até mesmo de ETFs.
As recomendações de BDRs, por sua vez, têm se tornado cada vez mais comuns entre as corretoras brasileiras. Algumas publicam relatórios com carteiras recomendadas de BDRs, especificamente, enquanto outras integram os BDRs nas suas carteiras recomendadas gerais, misturando ativos locais com estrangeiros.
Imposto de renda: dividendos no exterior são tributados!
Agora convém falar um pouco sobre a tributação de investimentos no exterior. Diferentemente do que ocorre com os dividendos distribuídos por empresas brasileiras – que são isentos de IR, ao menos por enquanto – dividendos pagos por ações e ETFs estrangeiros, bem como BDRs, podem ser tributados no país de origem. Nos EUA, por exemplo, a alíquota é de 30%, e o tributo é retido na fonte.
Além disso, eles também são tributados no Brasil, conforme a tabela progressiva do imposto de renda, cuja alíquota máxima é de 27,5%, e o recolhimento do imposto deve ser feito pelo próprio investidor quando o recurso é recebido.
Tabela progressiva do IR válida a partir de maio de 2023
Base de cálculo | Alíquota | Dedução |
Até R$ 2.112,00 | - | - |
De R$ 2.112,01 até R$ 2.826,65 | 7,5% | R$ 158,40 |
De R$ 2.826,66 até R$ 3.751,05 | 15,0% | R$ 370,40 |
De R$ 3.751,06 até R$ 4.664,68 | 22,5% | R$ 651,73 |
Acima de R$ 4.664,68 | 27,5% | R$ 884,96 |
O lado bom é que, no caso dos países que têm acordo de não bitributação com o Brasil, como é o caso dos EUA, é possível compensar o imposto pago lá fora do imposto a ser cobrado aqui dentro.
Além disso, a venda com lucro de ações, ETFs e BDRs também é tributada. No caso dos BDRs, a cobrança de imposto e a forma de declarar são similares ao que ocorre com as ações negociadas na B3: as alíquotas são as mesmas (15% ou 20%, a depender do tipo de transação) e é possível compensar prejuízos, embora não haja aquela isenção para valores negociados de até R$ 20 mil por mês.
Já no caso de ações e ETFs negociados no exterior, as vendas são consideradas negociações de bens móveis, e o lucro auferido é classificado como ganho de capital, ficando sujeito a uma tributação que varia de 15% a 22,5% de acordo com o valor do lucro. Não há compensação de prejuízos, mas vale a isenção de IR para bens de pequeno valor para quantias negociadas de até R$ 35 mil por mês.
Eu falo mais sobre como recolher e declarar IR sobre rendimentos no exterior, incluindo dividendos em dólar, nesta outra reportagem; já nesta matéria sobre como declarar BDRs no imposto de renda eu falo também sobre como é feita a compensação de imposto sobre dividendos a fim de evitar a bitributação.
O combo do mal: dólar dispara mais de 3% com guerra comercial e juros nos EUA no radar
Investidores correm para ativos considerados mais seguros e recaculam as apostas de corte de juros nos EUA neste ano
Carrefour Brasil (CRFB3): controladora oferece prêmio mais alto em tentativa de emplacar o fechamento de capital; ações disparam 10%
Depois de pressão dos minoritários e movimentações importantes nos bastidores, a matriz francesa elevou a oferta. Ações disparam na bolsa
China não deixa barato: Xi Jinping interrompe feriado para anunciar retaliação a tarifas de Trump — e mercados derretem em resposta
O Ministério das Finanças da China disse nesta sexta-feira (4) que irá impor uma tarifa de 34% sobre todos os produtos importados dos EUA
Um café e um pão na chapa na bolsa: Ibovespa tenta continuar escapando de Trump em dia de payroll e Powell
Mercados internacionais continuam reagindo negativamente a Trump; Ibovespa passou incólume ontem
Cardápio das tarifas de Trump: Ibovespa leva vantagem e ações brasileiras se tornam boas opções no menu da bolsa
O mais importante é que, se você ainda não tem ações brasileiras na carteira, esse me parece um momento oportuno para começar a fazer isso
Ações para se proteger da inflação: XP monta carteira de baixo risco para navegar no momento de preços e juros altos
A chamada “cesta defensiva” tem dez empresas, entre bancos, seguradoras, companhias de energia e outros setores classificados pela qualidade e baixo risco
Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) perdem juntas R$ 26 bilhões em valor de mercado e a culpa é de Trump
Enquanto a petroleira sofreu com a forte desvalorização do petróleo no mercado internacional, a mineradora sentiu os efeitos da queda dos preços do minério de ferro
Bitcoin (BTC) em queda — como as tarifas de Trump sacudiram o mercado cripto e o que fazer agora
Após as tarifas do Dia da Liberdade de Donald Trump, o mercado de criptomoedas registrou forte queda, com o bitcoin (BTC) recuando 5,85%, mas grande parte dos ativos digitais conseguiu sustentar valores em suportes relativamente elevados
Obrigado, Trump! Dólar vai à mínima e cai a R$ 5,59 após tarifaço e com recessão dos EUA no horizonte
A moeda norte-americana perdeu força no mundo inteiro nesta quinta-feira (3) à medida que os investidores recalculam rotas após Dia da Libertação
Embraer (EMBR3) tem começo de ano lento, mas analistas seguem animados com a ação em 2025 — mesmo com as tarifas de Trump
A fabricante de aeronaves entregou 30 aviões no primeiro trimestre de 2025. O resultado foi 20% superior ao registrado no mesmo período do ano passado
Oportunidades em meio ao caos: XP revela 6 ações brasileiras para lucrar com as novas tarifas de Trump
A recomendação para a carteira é aumentar o foco em empresas com produção nos EUA, com proteção contra a inflação e exportadoras; veja os papéis escolhidos pelos analistas
O Dia depois da Libertação: bolsas globais reagem em queda generalizada às tarifas de Trump; nos EUA, Apple tomba mais de 9%
O Dia depois da Libertação não parece estar indo como Trump imaginou: Wall Street reage em queda forte e Ibovespa tem leve alta
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Nike vai recuperar o pace? Marca perdeu espaço para Adidas e On, mas pode voltar aos pés dos consumidores
Após anos de marasmo, perdendo espaço para concorrentes, empresa americana tenta recuperar influência no mercado focando em um segmento que sempre liderou
Itaú (ITUB4), de novo: ação é a mais recomendada para abril — e leva a Itaúsa (ITSA4) junto; veja outras queridinhas dos analistas
Ação do Itaú levou quatro recomendações entre as 12 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro; veja o ranking completo
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Onde investir em abril? As melhores opções em ações, dividendos, FIIs e BDRs para este mês
No novo episódio do Onde Investir, analistas da Empiricus Research compartilham recomendações de olho nos resultados da temporada de balanços e no cenário internacional
Minoritários da Tupy (TUPY3), gestores Charles River e Organon indicam Mauro Cunha para o conselho após polêmica troca de CEO
Insatisfeitos com a substituição do comando da metalúrgica, acionistas indicam nome para substituir conselheiro independente que votou a favor da saída do atual CEO, Fernando Rizzo
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade