🔴 ONDE INVESTIR EM ABRIL? CONFIRA +30 RECOMENDAÇÕES DE GRAÇA – ACESSE AQUI

Do “economês” para o bom português: o que você precisa saber sobre os termos hard, soft e no landing e como eles afetam os juros nos Estados Unidos

Por mais distante que pareça, muitas das discussões giram em torno das decisões tomadas pelo Fed — o que acontece lá influencia diretamente o nosso mercado.

23 de outubro de 2023
10:43
banco central, bc, bolsas, juros e renda fixa, inflação e selic
Imagem: Shutterstock

Entre as mesas de almoço e as salas de reunião da Faria Lima, o que não faltam são discursos recheados de expressões em inglês. 

Valuation, bull market, default, hedge, spread... e por aí vai. 

Para quem está envolvido nesse mercado ao menos oito horas por dia, cinco dias na semana, tudo parece tão simples quanto ensinar um bebê a falar. 

Contudo, você e eu sabemos que não é bem assim para os “não-viventes” desse mercado. 

Lembro quando comecei a me interessar pelo mercado financeiro. Estava cursando o segundo ano de engenharia e a bolsa de valores parecia muito mais interessante do que as aulas de cálculo e estruturas de concreto. 

Por mais chamativos que fossem os gráficos de altas e baixas das ações no meu home broker (olha aí, mais uma palavra apropriada do inglês), eu precisava entender o que movia essa engrenagem, então passei a acompanhar grandes nomes do mercado nas minhas redes sociais. 

Leia Também

Caramba... aquilo era muito mais complexo do que eu esperava. 

Descobri o que hoje me parece óbvio: comprar uma cesta de boas ações e mais alguns títulos de dívida envolve realmente entender o que acontece na economia, no Brasil e no mundo. 

Não basta só comprar a ação de uma empresa por simplesmente gostar do que ela vende. Nem mesmo adquirir o CDB de um banco só porque ele me parece sólido. 

É preciso compreender o contexto em que o negócio está inserido e avaliar se adquiri-lo naquele momento faz sentido de fato. 

‘É a melhor empresa do brasil’: ação já decolou 4.200% desde o ipo, é líder de mercado e está barata

O que os juros e o banco central dos EUA tem a ver com a economia brasileira?

Por mais distante que pareça, muitas das discussões giram em torno das decisões tomadas pelo banco central norte-americano, o Fed (Federal Reserve) — o que acontece lá influencia diretamente o nosso mercado. 

Isso tem a ver com a estabilidade financeira dos países desenvolvidos contra emergentes e os efeitos nas taxas de juros do Brasil e no valor do real perante o dólar. 

Após o fim da pandemia, pela população ter passado bastante tempo em casa, as reservas das famílias cresceram consideravelmente, aquecendo a economia dos Estados Unidos.

Com as pessoas gastando mais, houve o aumento dos preços de produtos e serviços, pressionando os índices americanos de inflação – tão conhecida por nós brasileiros, mas pouco discutida entre os países desenvolvidos nas últimas décadas. 

Para tratar do problema, o Fed precisou aumentar as taxas de juros do país (Fed Funds Rates, similar a nossa taxa Selic). 

As altas começaram em março do ano passado e, atualmente, a taxa chegou ao patamar entre 5,25% e 5,50% ao ano – maior nível em mais de 15 anos. O mercado ainda precifica a possibilidade de mais uma alta por lá, mas o final do ciclo atual já está próximo.

Dentro desse cenário, muito se discute sobre a trajetória da economia até esse final de ciclo e alguns termos são utilizados para designar as principais possibilidades – todos em inglês, obviamente. 

"Hard landing", "soft landing" e "no landing" são as expressões mais utilizadas e o objetivo é que você saia daqui sabendo exatamente o que significam – e para onde possivelmente estamos caminhando. 

Hard Landing, que na tradução livre para o português seria algo como “pouso forçado”, ocorre quando há a convergência da inflação à meta com significativo prejuízo para o crescimento econômico. 

Imagine um avião que precisa pousar forçadamente em algum lugar no meio do nada. Não seria nada fácil, não é? Esse tipo de “pouso econômico” também não é. 

Nessa situação, a economia entra em recessão, com aumento no desemprego e queda nos retornos dos investimentos mais sensíveis a ciclos econômicos – geralmente, os bancos centrais evitam esse cenário ao máximo. 

Um caso clássico de hard landing nos EUA ocorreu na época em que Paul Volcker era presidente do Fed, entre 1979 e 1983 (ele ficou no comando até 1987). 

No período, a inflação alcançou o patamar de 11% no acumulado de 12 meses até meados de 1980 e, para contê-la, de julho de 1980 até janeiro de 1981, o Fed subiu as taxas de juros acentuadamente até marcas acima de 19% ao ano. 

O resultado foi uma recessão profunda entre julho de 1981 e novembro de 1982, com as taxas de desemprego em níveis superiores a 10%. Por consequência, até a metade de 1983, a inflação de 12 meses já havia voltado para o patamar de 3%. 

A economia pousou onde deveria, mas não foi fácil, não é? 

O tal do soft landing

A segunda possibilidade é o soft landing, ou “pouso suave”. Nesse caso, o processo de desaceleração da economia é feito de forma lenta e gradual, evitando assim uma desaceleração abrupta ou uma recessão.

Seria como se um avião que fizesse o seu pouso de forma tranquila na pista de aterrissagem. 

Alan Greenspan foi responsável por um dos melhores casos de soft landing da história (considerado por alguns, inclusive, o único caso em que realmente se teve um pouso suave).

Em 1994, os Estados Unidos estavam passando por um momento de recuperação após a recessão que aconteceu entre 1990 e 1991. A taxa de desemprego caía rapidamente, a inflação estava próxima dos 3% ao ano e a taxa de juros dos Fed Funds também estava na casa dos 3%. 

Greenspan foi presidente do Fed entre 1987 e 2006 e, naquele cenário, dada a aceleração da economia, a recuperação da inflação começou a preocupá-lo. De forma preventiva, o Fed optou por aumentar as taxas de juros sete vezes, chegando aos patamares de 6% ao ano. 

Em 1995 a economia começou a desacelerar, então o Fed optou por cortar os juros três vezes e o melhor cenário possível aconteceu: a inflação se manteve baixa e estável, o desemprego continuou a registar uma tendência descendente e o crescimento real do PIB situou-se, em média, acima dos 3% ao ano pelo resto da década.

No landing é a aposta dos gestores

A terceira possibilidade – e a mais cotada entre os gestores de hedge funds e fundos de ações lá fora para o momento – é o no landing (sem pouso). Nesse caso, a economia continua em crescimento, mas a inflação não é controlada da forma como os banqueiros centrais gostariam. 

A inflação americana hoje tem sido chamada de “sticky inflation”, ou seja, mais “pegajosa”, mantendo-se por mais tempo nos níveis atuais. 

Em outra ótica, há um mercado de trabalho ainda aquecido na terra do Tio Sam, com níveis baixíssimos de desemprego e crescimento salarial, além de um consumidor que continua com recursos para gastar. 

O problema deste terceiro caso é que, como a economia não está desacelerando, isso atrasa o objetivo do Fed em retornar a inflação à meta para poder, enfim, reduzir as taxas de juros, o que faz com que elas fiquem em níveis mais altos por mais tempo (mais uma expressão usual em inglês, o “higher for longer”). 

Taxas de juros mais altas podem desencadear uma série de consequências negativas, como empréstimos mais caros, redução da demanda por imóveis e uma correção do mercado acionário – já que o mercado exigirá um prêmio maior para ativos de risco. 

O avião da inflação americana ainda está em voo de cruzeiro, em comunicação com a torre de controle (Fed) para iniciar o procedimento de aterrissagem.

Resta agora saber se passaremos por uma turbulência severa nos momentos finais da viagem ou se esse pouso será digno de aplausos.

Grande abraço e até a próxima, 

Rafaela Ribas

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
MERCADOS HOJE

Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump

28 de março de 2025 - 14:15

Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Esporte radical na bolsa: Ibovespa sobe em dia de IPCA-15, relatório do Banco Central e coletiva de Galípolo

27 de março de 2025 - 8:20

Galípolo concederá entrevista coletiva no fim da manhã, depois da apresentação do Relatório de Política Monetária do BC

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Ato falho relevante: Ibovespa tenta manter tom positivo em meio a incertezas com tarifas ‘recíprocas’ de Trump

26 de março de 2025 - 8:22

Na véspera, teor da ata do Copom animou os investidores brasileiros, que fizeram a bolsa subir e o dólar cair

conteúdo EQI

Selic em 14,25% ao ano é ‘fichinha’? EQI vê juros em até 15,25% e oportunidade de lucro de até 18% ao ano; entenda

25 de março de 2025 - 14:00

Enquanto a Selic pode chegar até 15,25% ao ano segundo analistas, investidores atentos já estão aproveitando oportunidades de ganhos de até 18% ao ano

TÁ NA ATA

Sem sinal de leniência: Copom de Galípolo mantém tom duro na ata, anima a bolsa e enfraquece o dólar

25 de março de 2025 - 12:10

Copom reitera compromisso com a convergência da inflação para a meta e adverte que os juros podem ficar mais altos por mais tempo

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Cuidado com a cabeça: Ibovespa tenta recuperação enquanto investidores repercutem ata do Copom

25 de março de 2025 - 8:13

Ibovespa caiu 0,77% na segunda-feira, mas acumula alta de quase 7% no que vai de março diante das perspectivas para os juros

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Inocentes ou culpados? Governo gasta e Banco Central corre atrás enquanto o mercado olha para o (fim da alta dos juros e trade eleitoral no) horizonte

25 de março de 2025 - 6:39

Iminência do fim do ciclo de alta dos juros e fluxo global favorecem, posicionamento técnico ajuda, mas ruídos fiscais e políticos impõem teto a qualquer eventual rali

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: Dedo no gatilho

24 de março de 2025 - 20:00

Não dá pra saber exatamente quando vai se dar o movimento. O que temos de informação neste momento é que há uma enorme demanda reprimida por Brasil. E essa talvez seja uma informação suficiente.

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Eles perderam a fofura? Ibovespa luta contra agenda movimentada para continuar renovando as máximas do ano

24 de março de 2025 - 8:05

Ata do Copom, balanços e prévia da inflação disputam espaço com números sobre a economia dos EUA nos próximos dias

MACRO EM FOCO

Juros nas alturas têm data para acabar, prevê economista-chefe do BMG. O que esperar do fim do ciclo de alta da Selic?

23 de março de 2025 - 12:01

Para Flávio Serrano, o Banco Central deve absorver informações que gerarão confiança em relação à desaceleração da atividade, que deve resultar em um arrefecimento da inflação nos próximos meses

O PESO DO MACRO

Co-CEO da Cyrela (CYRE3) sem ânimo para o Brasil no longo prazo, mas aposta na grade de lançamentos. ‘Um dia está fácil, outro está difícil’

23 de março de 2025 - 10:23

O empresário Raphael Horn afirma que as compras de terrenos continuarão acontecendo, sempre com análises caso a caso

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Não fique aí esperando: Agenda fraca deixa Ibovespa a reboque do exterior e da temporada de balanços

21 de março de 2025 - 8:21

Ibovespa interrompeu na quinta-feira uma sequência de seis pregões em alta; movimento é visto como correção

SEXTOU COM O RUY

Deixou no chinelo: Selic está perto de 15%, mas essa carteira já rendeu mais em três meses

21 de março de 2025 - 5:42

Isso não quer dizer que você deveria vender todos os seus títulos de renda fixa para comprar bolsa neste momento, não se trata de tudo ou nada — é até saudável que você tenha as duas classes na carteira

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Ainda sobe antes de cair: Ibovespa tenta emplacar mais uma alta após decisões do Fed e do Copom

20 de março de 2025 - 8:18

Copom elevou os juros por aqui e Fed manteve a taxa básica inalterada nos EUA durante a Super Quarta dos bancos centrais

E DEVE CONTINUAR

Renda fixa mais rentável: com Selic a 14,25%, veja quanto rendem R$ 100 mil na poupança, em Tesouro Selic, CDB e LCI

19 de março de 2025 - 19:51

Conforme já sinalizado, Copom aumentou a taxa básica em mais 1,00 ponto percentual nesta quarta (19), elevando ainda mais o retorno das aplicações pós-fixadas

CICLO CHEGANDO AO FIM?

Copom não surpreende, eleva a Selic para 14,25% e sinaliza mais um aumento em maio 

19 de março de 2025 - 19:35

Decisão foi unânime e elevou os juros para o maior patamar em nove anos. Em comunicado duro, o comitê não sinalizou a trajetória da taxa para os próximos meses

VAI OU NÃO CAI

A recessão nos EUA: Powell responde se mercado exagerou ou se a maior economia do mundo está em apuros

19 de março de 2025 - 19:32

Depois que grandes bancos previram mais chance de recessão nos EUA e os mercados encararam liquidações pesadas, o chefe do Fed fala sobre a situação real da economia norte-americana

RECUPERANDO A CONFIANÇA

Decisão do Federal Reserve traz dia de alívio para as criptomoedas e mercado respira após notícias positivas

19 de março de 2025 - 17:46

Expectativa de suporte do Fed ao mercado, ETF de Solana em Wall Street e recuo da SEC no processo contra Ripple impulsionam recuperação do mercado cripto após semanas de perdas

FECHAMENTO DOS MERCADOS

Nova York vai às máximas, Ibovespa acompanha e dólar cai: previsão do Fed dá força para a bolsa lá fora e aqui

19 de março de 2025 - 17:18

O banco central norte-americano manteve os juros inalterados, como amplamente esperado, mas bancou a projeção para o ciclo de afrouxamento monetário mesmo com as tarifas de Trump à espreita

VAI ENCARAR?

Sem medo de Trump: BC dos EUA banca previsão de dois cortes de juros este ano e bolsas comemoram decisão

19 de março de 2025 - 15:31

O desfecho da reunião desta quarta-feira (19) veio como o esperado: os juros foram mantidos na faixa entre 4,25% e 4,50% ao ano, mas Fed mexe no ritmo de compra de títulos

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar