Itadakimasu: um conceito japonês para Lula absorver neste momento tenso da economia
Lula poderia aprender o Itadakimasu, expressão adotada em agradecimento à comida servida, mas de forma ampla, a todos os fornecedores

Há três fases comuns em um bear market. A primeira delas é o chamado “de-rating”. A segunda se refere a uma queda dos lucros. E a terceira é a capitulação.
Um ciclo de mercado normalmente está associado a um ciclo econômico, que, por sua vez, costuma se associar às diretrizes de política monetária. O Banco Central sobe os juros. A renda fixa passa a pagar mais. Logo, para não haver arbitragem e diante de mercados minimamente eficientes, as ações também precisarão pagar mais.
Para que os mercados estejam em equilíbrio, o dinheiro investido em renda variável também vai precisar voltar mais rápido, pois o custo de oportunidade do capital se elevou. Para o mesmo lucro por ação, portanto, o investidor precisará pagar menos. Os múltiplos (preço sobre lucro, por exemplo) caem — esse é o de-rating.
Os fluxos de capital se ajustam mais rápido do que o mercado de bens. Num segundo momento, a elevação dos juros pelo Banco Central bate na economia. Os investimentos caem, o consumo a prazo também. A desaceleração da demanda agregada significa menores lucros corporativos. Se os lucros caem e as empresas vão mal, as ações tendem a seguir…
Então, chegamos à terceira fase da tendência de baixa, tipicamente chamada de capitulação. Nas mesas de operações, recebem uma alcunha mais elegante, em francês, resumida no acrônimo: “ZEM” ou “zera essa merda”: quando a dor já é muito grande ou os sistemas de gerenciamento de risco obrigam à desmontagem de posições. É aí que algumas coisas fogem ao fundamento estrito e ficam excessivamente baratas.
E qual a fase atual do ciclo?
Há alguns sinais de que podemos ter encontrado a fase da capitulação na última quinta-feira. O Ibovespa veio ali para seus 97 mil pontos — se retirarmos a performance de Vale e de todo setor de siderurgia e mineração desde a eleição presidencial, estamos beirando os 100 mil pontos.
Leia Também
A comparação com o CDI, a poupança ou a inflação desde 2020 (e lá se vão três anos) é covarde: o índice marcava 120 mil pontos em janeiro daquele ano.
A intensidade da pressão vendedora chama atenção. Várias ações caíram 5%, 7%, até 10% sem uma mudança muito significativa em seus fundamentos. Como catálise (ou falácia da narrativa), tivemos a reunião do Copom na véspera, quando o comitê de política monetária adotou tom duro e afastou cortes iminentes na taxa Selic.
Ocorre que, segundo a imprensa, Roberto Campos Neto teria ligado já na quinta-feira para o ministro Haddad para se explicar e não explodir pontes. Na sexta-feira, o susto do Deutsche Bank já trouxe de volta uma probabilidade de 20% para corte da Selic em maio. Amanhã temos a ata da última reunião do Copom, quando talvez as coisas se expliquem melhor.
Fato é que temos mais de um mês até a próxima reunião de política monetária, o que significa uma eternidade, dada a velocidade dos acontecimentos e o tanto de cisnes pretos e cinzas por aí. “Muito cisne para pouco lago”, nas palavras de um grande banqueiro.
E agora, o que esperar?
Outro ângulo possível para observação se apoia na ideia de que os fundamentos podem melhorar à frente ou, ao menos, parar de piorar — o que, dado o nível de preços, poderia já ser suficiente —, com o Ibovespa em 6x lucros, nível comparado somente a outras situações de ruptura.
E, talvez ainda mais surpreendente: se mantendo num range de valuation muito barato por muito tempo.
No curto prazo, os preços se movem, na margem, muito mais por conta do fluxo de notícias do que propriamente por valuation. Por mais barato que um ativo esteja, uma notícia ruim inesperada tende a empurrá-lo mais para baixo.
Conforme o tempo passa e novas informações são incorporadas ao preço, seu valor intrínseco vai sendo percebido pela redução da assimetria informacional. O barato pode ficar ainda mais barato antes de ficar caro.
A política e o mercado
Arthur Lira parece ter demarcado uma linha no chão. Ainda que, merecidamente, possa ser criticado por descumprir importantes ritos institucionais (vale ler o editorial de hoje no Estadão) e ter motivações pessoais em sua disputa com Rodrigo Pacheco e Renan Calheiros, emite sinais de estar empenhado em impedir uma regra fiscal muito frouxa.
De acordo com a imprensa, teria se aliado a Haddad em prol de um arcabouço fiscal rigoroso e crível. Voltamos àquela máxima do final do primeiro turno das eleições, quando a composição do Congresso, mais à direita e conservadora, foi vista como garantia contra rompantes heterodoxos exagerados.
Se este pobre redator escrevera há poucos dias estar preocupado com o fato de Haddad representar uma espécie de “exército de um homem só”, único interessado em responsabilidade fiscal num governo de perdulários, agora esse mesmo sujeito precisa reconhecer o relevante apoio.
E chegamos a outro ponto por “serendipity" — perdoe o anglicismo, não encontro tradução razoável. Há malas que vêm de trem. Sem a viagem para a China, Lula e Haddad ficam no Brasil. A paz com Rui Costa teria sido selada na quinta-feira. O caminho está aberto para a apresentação (finalmente!) do novo arcabouço fiscal.
Há uma chance real de retirarmos boa parte da incerteza e recuperarmos algum tipo de âncora, perdida desde os vários puxadinhos feitos no teto de gastos. Feita a regra fiscal, com a melhora dos núcleos da inflação (conforme demonstrado pelo IPCA, na sexta) e com o Fed possivelmente parando de subir sua taxa básica de juros em maio, poderíamos abrir caminho para uma discussão técnica em prol da revisão das metas de inflação.
Se o cenário muda, eu mudo…. E você? As condições estariam postas para redução da taxa Selic. Finalmente, teríamos encerrado o ciclo de aperto monetário para iniciar outro de afrouxamento. Volte ao parágrafo original para tentar dimensionar os efeitos que isso poderia ter.
Segundo se especula, a viagem à China seria remarcada para maio, quando Lula participa de reunião do G-7 no Japão. Aproveitaria a proximidade geográfica pra esticar o passeio. No Japão, talvez pudesse também se dispor a aprender o conceito de “Itadakimasu”, expressão adotada em agradecimento à comida servida, mas feito de forma ampla, a todos os fornecedores: a quem plantou o arroz, ao clima que permitiu sua colheita, por aí vai.
Lula foi eleito por uma Frente Ampla e para representá-la. Parece ter se esquecido disso em seus primeiros três meses de governo. Arthur Lira foi lá para lembrá-lo. Lula acolhe Lira ou perde o Congresso. As lembranças de Eduardo Cunha não são propriamente agradáveis ao PT — deu no que deu.
Uma coisa parece clara: não teremos quatro anos de sofrimento. O país não aguenta. Voltamos ao ditado clássico — mais vale um fim terrível do que um terror sem fim.
Mark Zuckerberg e Elon Musk no vermelho: Os bilionários que mais perdem com as novas tarifas de Trump
Só no último pregão, os 10 homens mais ricos do mundo perderam, juntos, em torno de US$ 74,1 bilhões em patrimônio, de acordo com a Bloomberg
Carrefour Brasil (CRFB3): controladora oferece prêmio mais alto em tentativa de emplacar o fechamento de capital; ações disparam 10%
Depois de pressão dos minoritários e movimentações importantes nos bastidores, a matriz francesa elevou a oferta. Ações disparam na bolsa
China não deixa barato: Xi Jinping interrompe feriado para anunciar retaliação a tarifas de Trump — e mercados derretem em resposta
O Ministério das Finanças da China disse nesta sexta-feira (4) que irá impor uma tarifa de 34% sobre todos os produtos importados dos EUA
Um café e um pão na chapa na bolsa: Ibovespa tenta continuar escapando de Trump em dia de payroll e Powell
Mercados internacionais continuam reagindo negativamente a Trump; Ibovespa passou incólume ontem
Cardápio das tarifas de Trump: Ibovespa leva vantagem e ações brasileiras se tornam boas opções no menu da bolsa
O mais importante é que, se você ainda não tem ações brasileiras na carteira, esse me parece um momento oportuno para começar a fazer isso
Ações para se proteger da inflação: XP monta carteira de baixo risco para navegar no momento de preços e juros altos
A chamada “cesta defensiva” tem dez empresas, entre bancos, seguradoras, companhias de energia e outros setores classificados pela qualidade e baixo risco
Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) perdem juntas R$ 26 bilhões em valor de mercado e a culpa é de Trump
Enquanto a petroleira sofreu com a forte desvalorização do petróleo no mercado internacional, a mineradora sentiu os efeitos da queda dos preços do minério de ferro
Lula reclama e Milei “canta Queen”: as reações de Brasil e Argentina às tarifas de Trump
Os dois países foram alvo da alíquota mínima de 10% para as exportações aos EUA, mas as reações dos presidentes foram completamente diferentes; veja o que cada deles um disse
O ativo que Luis Stuhlberger gosta em meio às tensões globais e à perda de popularidade de Lula — e que está mais barato que a bolsa
Para o gestor do fundo Verde, Brasil não aguenta mais quatro anos de PT sem haver uma “argentinização”
Embraer (EMBR3) tem começo de ano lento, mas analistas seguem animados com a ação em 2025 — mesmo com as tarifas de Trump
A fabricante de aeronaves entregou 30 aviões no primeiro trimestre de 2025. O resultado foi 20% superior ao registrado no mesmo período do ano passado
Eleições 2026: Lula tem empate técnico com Bolsonaro e vence todos os demais no 2º turno, segundo pesquisa Genial/Quaest
Ainda segundo a pesquisa, 62% dos brasileiros acham que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deveria se candidatar à reeleição em 2026
Oportunidades em meio ao caos: XP revela 6 ações brasileiras para lucrar com as novas tarifas de Trump
A recomendação para a carteira é aumentar o foco em empresas com produção nos EUA, com proteção contra a inflação e exportadoras; veja os papéis escolhidos pelos analistas
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Itaú (ITUB4), de novo: ação é a mais recomendada para abril — e leva a Itaúsa (ITSA4) junto; veja outras queridinhas dos analistas
Ação do Itaú levou quatro recomendações entre as 12 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro; veja o ranking completo
A resposta de Lula às tarifas de Trump: Brasil pode pegar pesado e recorrer à OMC
O governo brasileiro estuda todas as opções para se defender das medidas do governo norte-americano e, embora prefira o diálogo, não descarta acionar os EUA na Organização Mundial do Comércio
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Onde investir em abril? As melhores opções em ações, dividendos, FIIs e BDRs para este mês
No novo episódio do Onde Investir, analistas da Empiricus Research compartilham recomendações de olho nos resultados da temporada de balanços e no cenário internacional
Minoritários da Tupy (TUPY3), gestores Charles River e Organon indicam Mauro Cunha para o conselho após polêmica troca de CEO
Insatisfeitos com a substituição do comando da metalúrgica, acionistas indicam nome para substituir conselheiro independente que votou a favor da saída do atual CEO, Fernando Rizzo
Não haverá ‘bala de prata’ — Galípolo destaca desafios nos canais de transmissão da política monetária
Na cerimônia de comemoração dos 60 anos do Banco Central, Gabriel Galípolo destacou a força da instituição, a necessidade de aprimorar os canais de transmissão da política monetária e a importância de se conectar com um público mais amplo