Felipe Miranda: O petróleo como proteção nos investimentos — entenda como a guerra em Israel impacta a busca pelo hedge perfeito
Getninjas está propondo uma redução de capital de R$ 4,40 por ação. Na prática, equivale a uma distribuição de dividendos de quase todo o caixa da companhia

Poucas coisas são tão caras quanto um hedge barato. Caras aqui, claro, no sentido de preciosas, valiosas, úteis.
Um famoso gestor costuma dizer que parte importante do seu trabalho é adivinhar o futuro. Embora eu o admire fortemente, temos uma discordância nesse ponto.
Se nosso trabalho fosse mesmo adivinhar o futuro, estaríamos condenados ao fracasso, porque o futuro, surpreendentemente, sempre estará… no futuro, impermeável, opaco e sem possibilidade de ser antecipado.
Nosso trabalho tem mais a ver com tentar vislumbrar distribuições de probabilidades variadas, elucubrando sobre eventos à frente e reconhecendo que, em muitas situações, sequer conseguimos mapear todas as possibilidades.
A distribuição de probabilidades que conseguimos desenhar a priori será sempre menos dispersa do que a efetiva distribuição.
Temos os riscos conhecidos e mapeáveis, que já costumam ser suficientemente amedrontadores.
Leia Também
E, para piorar, temos os ainda mais assustadores riscos desconhecidos, os “unknown unknowns” de Donald Rumsfeld, aquilo que sequer conseguimos conceber ex-ante como uma ameaça (até que ela venha a nos surpreender e nos pegar desprevenidos, causando ainda maior impacto).
Guerra em Israel
Rumsfeld usou a expressão em referência à guerra do Iraque em 2002.
Cerca de 21 anos depois, cá estamos de novo debruçados sobre o mesmo problema epistemológico e as semelhantes aflições históricas envolvendo o Oriente Médio.
Com a atrocidade cometida pelo Hamas contra Israel, os mercados amanhecem sob maior aversão a risco.
As ações caem, o dólar sobe contra as principais moedas, o ouro se valoriza.
As negociações com Treasuries estão suspensas por conta do feriado de Columbus Day.
O petróleo é o grande destaque de alta e arrasta consigo ações de empresas ligadas ao setor.
O segmento de defesa também está entre os destaques positivos, sob o temor de escalada dos conflitos e necessidade de remilitarização adicional do mundo.
Investimentos em petróleo
No último Palavra do Estrategista, fomos bastante vocais sobre a necessidade de termos uma posição relevante em petróleo e/ou em empresas ligadas ao setor.
O título de uma seção inteira era: "Você precisa ter petróleo na sua carteira: potencial de valorização e hedge ao mesmo tempo”.
Ali, destacávamos como o mercado de petróleo se mostra bastante apertado, com uma demanda crescente não encontrando a mesma contrapartida na oferta.
Os fundamentos estritos indicavam bom potencial de valorização para a commodity.
Ao mesmo tempo, o petróleo também representa uma possibilidade interessante de proteção para o restante da carteira.
Como temos posição importante em ações e em juros reais brasileiros, uma eventual escalada adicional do petróleo poderia pesar negativamente sobre o portfólio, ao alimentar o medo de mais inflação à frente e juros maiores.
Essa reunião de potencial de valorização significativo com uma pitada de hedge confere à commodity uma atratividade especial no momento.
Agora, há também um recrudescimento das relações geopolíticas no Oriente Médio, servindo de reforço ao argumento.
O petróleo e os conflitos em Israel
O trade óbvio parece ser mesmo manter uma posição expressiva na commodity ou até mesmo incrementá-la.
A oferta de petróleo não é afetada num primeiro momento a partir da atrocidade do Hamas.
No entanto, existe uma probabilidade de que o conflito escale fortemente. Estamos diante do Paradoxo da Tolerância, de Karl Popper.
Não há como sermos tolerantes com os intolerantes, sob o risco de dominarem o mundo e nos levar a um resultado pior, com a perda dos valores ocidentais clássicos e a desvalorização da democracia liberal. Entra em cena um potencial evento de cauda.
Não se trata apenas de um ataque bárbaro de um grupo terrorista, mas do eventual envolvimento do Irã (próximo da Rússia) e do Hezbollah.
Um recrudescimento das relações geopolíticas na região que chegasse ao estreito de Ormuz poderia ferir fortemente a oferta de óleo, tornando ainda mais apertadas as condições para o produto.
Nesse cenário mais extremo, poderíamos com alguma facilidade chegar aos US$ 120 por barril ou até mesmo US$ 150 por barril.
Os riscos do investimento em petróleo
Há um risco, no entanto, de incorrermos naquilo que Howard Marks costuma chamar de “pensamento de primeiro nível”.
Ainda que faça sentido a posição em petróleo, ela parece óbvia e consensual demais, sob o risco de estarmos num daqueles “crowded trades” (todos já comprados). Então, deveríamos nos perguntar o que seria um pensamento de segundo nível aqui?
Um elemento a se considerar é que preços do petróleo muito altos começam a destruir a demanda. O mecanismo de preços promove um auto ajustamento.
Em adição, poucas coisas historicamente são mais efetivas para produzir uma coordenação global (ou regional) do que uma guerra sangrenta e com imagens fortes na televisão.
A depender dos próximos passos, poderíamos começar a debater uma reaproximação da Arábia Saudita aos EUA com consequente aumento da produção de petróleo pelos árabes.
Seria uma forma de reduzir o poder mais imediato de teocracias ou autocracias sobre a oferta de petróleo, a partir da influência norte-americana.
A diferença entre o remédio e o veneno
A guerra costuma forçar um reordenamento de prioridades — o capitalismo woke terá mais dificuldades de combater o aumento da oferta de petróleo diante de sequestros e maus tratos a céu aberto, sobretudo se a commodity muito cara vier a afetar a qualidade de vida na região e na aproximação o inverno europeu.
Sempre que houver um trade muito óbvio na sua frente valerá a pena revisitar se não há questões de segunda ordem relevantes.
A posição de petróleo é importante e precisa compor portfólios. No entanto, ela precisa ser devidamente bem dimensionada. A diferença entre o remédio e o veneno é a dose.
O hedge tradicional para o recrudescimento das tensões geopolíticas costuma ser o ouro. Ele não tem recebido a devida atenção por conta do aumento dos juros reais praticados no mundo.
Contudo, se o juro real norte-americano se acomodar (e vale observar que os patamares próximos a 2,50% parecem bem acima do neutro), poderíamos iniciar uma corrida pelo ouro.
Teremos dificuldade para a acomodação nos níveis atuais justamente se o que estiver em jogo for a forma com que o mundo financia o déficit norte-americano.
Em sendo o caso, qual será a alternativa aos Treasuries? O euro parece ainda pior. O iene sofre com uma política monetária ainda muito acomodatícia. O iuan ficou para escanteio com uma China combalida. O bitcoin enfrenta comportamento muito diferente do que seria um seguro-catástrofe típico.
Por uma espécie de W.O. generalizada, chegamos ao ouro como último refúgio possível.
Antes de encerrarmos, vale uma nota sobre a posição privilegiada da América Latina num ambiente de recrudescimento das tensões geopolíticas globais.
Mais uma vez, estamos longe da zona de conflito e isso deveria ser premiado, ao menos em termos relativos.
O Brasil, em particular, pode ver as expectativas de inflação se deteriorando a partir do petróleo mais caro, mas tem suas perspectivas fiscais notadamente melhores a partir do encarecimento da commodity, hoje muito relevante para arrecadação.
Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa
Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Tupy (TUPY3): Troca polêmica de CEO teve voto contrário de dois conselheiros; entenda o imbróglio
Minoritários criticaram a troca de comando na metalúrgica, e o mercado reagiu mal à sucessão; ata da reunião do Conselho divulgada ontem mostra divergência de votos entre os conselheiros
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos
Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%
Trump preocupa mais do que fiscal no Brasil: Rodolfo Amstalden, sócio da Empiricus, escolhe suas ações vitoriosas em meio aos riscos
No episódio do podcast Touros e Ursos desta semana, o sócio-fundador da Empiricus, Rodolfo Amstalden, fala sobre a alta surpreendente do Ibovespa no primeiro trimestre e quais são os riscos que podem frear a bolsa brasileira
Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3
Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista
Ex-CEO da Americanas (AMER3) na mira do MPF: Procuradoria denuncia 13 antigos executivos da varejista após fraude multibilionária
Miguel Gutierrez é descrito como o principal responsável pelo rombo na varejista, denunciado por crimes como insider trading, manipulação e organização criminosa
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump
Drill, deal or die: o novo xadrez do petróleo sob o fogo cruzado das guerras e das tarifas de Trump
Promessa de Trump de detalhar um tarifaço a partir de amanhã ameaça bagunçar de vez o tabuleiro global
Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado
Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq
Mais valor ao acionista: Oncoclínicas (ONCO3) dispara quase 20% na B3 em meio a recompra de ações
O programa de aquisição de papéis ONCO3 foi anunciado dias após um balanço aquém das expectativas no quarto trimestre de 2024
Ainda dá para ganhar com as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e BTG Pactual (BPAC11)? Não o suficiente para animar o JP Morgan
O banco norte-americano rebaixou a recomendação para os papéis BBAS3 e BPAC11, de “outperform” (equivalente à compra) para a atual classificação neutra
Casas Bahia (BHIA3) quer pílula de veneno para bloquear ofertas hostis de tomada de controle; ação quadruplica de valor em março
A varejista propôs uma alteração do estatuto para incluir disposições sobre uma poison pill dias após Rafael Ferri atingir uma participação de cerca de 5%
Tanure vai virar o alto escalão do Pão de Açúcar de ponta cabeça? Trustee propõe mudanças no conselho; ações PCAR3 disparam na B3
A gestora quer propor mudanças na administração em busca de uma “maior eficiência e redução de custos” — a começar pela destituição dos atuais conselheiros
Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump
O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”
O e-commerce das brasileiras começou a fraquejar? Mercado Livre ofusca rivais no 4T24, enquanto Americanas, Magazine Luiza e Casas Bahia apanham no digital
O setor de varejo doméstico divulgou resultados mistos no trimestre, com players brasileiros deixando a desejar quando o assunto são as vendas online
Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump
Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real
Não é a Vale (VALE3): BTG recomenda compra de ação de mineradora que pode subir quase 70% na B3 e está fora do radar do mercado
Para o BTG Pactual, essa mineradora conseguiu virar o jogo em suas finanças e agora oferece um retorno potencial atraente para os investidores; veja qual é o papel
TIM (TIMS3) anuncia pagamento de mais de R$ 2 bilhões em dividendos; veja quem tem direito e quando a bolada cai na conta
Além dos proventos, empresa anunciou também grupamento, seguido de desdobramento das suas ações