Made in America(nas): o que temos a aprender com o rombo na Americanas
O caso da Americanas mostra uma vez mais que o segredo de um investidor consistente no longo prazo é a diversificação

Olá, caro leitor,
Se você já nos acompanha desde dezembro, quando começamos a Linha D’Água, deve se lembrar da minha primeira coluna, em que falei sobre traçar metas para o início do ano e como tirar algumas delas do papel.
Sei que deveria te dizer que já coloquei a teoria em prática e estou começando o ano a todo vapor..., mas eu e você sabemos que não é BEM assim que funciona, não é?!
Sou humana (até demais) nesse quesito. Alguns objetivos já estão engatilhados. Outros, nem tanto.
Porém, como já dizia a minha mãe: se a culpa é minha eu tenho direito de colocá-la em quem eu quiser – e já tenho um grande culpado!
A verdade é difícil de dizer em voz alta: depois das festas do final de ano, eu sabia muito bem que era hora de começar o ano com trabalho, dieta e sono em dia.
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Porém, um reality show em particular lotou as páginas de fofoca com especulações sobre seus prováveis participantes e eu não conseguia parar de ler sobre o assunto.
Acredite se quiser: o BBB (Big Brother Brasil) conquistou espectadores até aqui na Faria Lima, antes mesmo de começar.
E veja só: existia um “participante” que era praticamente certo, mas que precisou ser substituído de última hora. A notícia foi bombástica. Estou falando de quem era para ser o maior patrocinador do programa: a Americanas.
E o motivo? Brincadeiras à parte, essa sim é a “fofoca” que vamos discutir por aqui.
O rombo na Americanas
Nas duas últimas semanas ficou impossível não ouvir falar sobre o rombo contábil de R$ 20 bilhões da companhia.
Assim que o até então CEO, Sérgio Rial, anunciou a saída do seu cargo após a descoberta das inconsistências no balanço patrimonial, os jornais brasileiros não deixaram de estampar a fachada das Lojas Americanas para tratar sobre os diferentes desdobramentos do assunto.
Dada a repercussão do caso, as consequências da notícia já começaram a aparecer praticamente no mesmo instante em que as informações passaram a ser divulgadas.
As ações da companhia (AMER3) despencaram, fazendo o papel desvalorizar mais de 80%, chegando a valer menos do que R$ 1 por ação.
Os acionistas sentiram na pele a sensação de perder dinheiro em um piscar de olhos, fruto de um evento que não era esperado nem mesmo pelos grandes analistas.
Como isso foi acontecer
Ainda que a reação do mercado acionário tenha sido bastante rápida, nenhum rombo bilionário dessa magnitude acontece na mesma velocidade, como você já deve imaginar.
De forma breve e simplificando bem os fatos, fornecedores da Americanas adiantavam o que tinham para receber a partir de empréstimos bancários, oferecendo os recebíveis da varejista aos bancos como forma de pagamento pelo empréstimo. Assim, a Americanas deixava de dever ao fornecedor e passava a dever ao banco. A dívida só mudava de mão.
Para você que não conhece, esse tipo de operação é muito comum no mercado de varejo e utilizado frequentemente para financiamento de capital de giro no curto prazo.
Contudo, a Americanas também pedia ao banco para alongar a dívida, o que era cobrado juros para a varejista quitar.
Esse procedimento foi feito recorrentemente por anos e a Americanas não contabilizou os custos com os empréstimos da forma correta nas demonstrações financeiras.
Como consequência, a dívida ficou bem maior do que era apresentada e o lucro ficou, obviamente, superestimado.
E para quem a Americanas passou a dever?
A lista de credores foi divulgada pela companhia em 25 de janeiro, contendo desde grandes bancos, como BTG Pactual e Santander até fornecedores como Samsung e Nestlé.
A lista conta com quase 8 mil nomes e a dívida total chega a ser maior do que R$ 40 bilhões. Essa matéria do Seu Dinheiro detalha mais sobre o assunto.
Quem dera se esse pesadelo acabasse por aqui. Quem investe sabe do que eu estou falando.
Existem duas classes de investimento que sofreram diretamente com as consequências do ocorrido: ações e crédito privado.
Para as ações, já dei o spoiler. O valor do papel despencou e todos aqueles que o tinham, sejam pessoas físicas ou jurídicas (como fundos de investimento), experenciaram a dor de enxergar seu capital reduzir drasticamente (ou não, dependendo do tamanho da posição). Até dos índices acionários, como o Ibovespa, o papel deixou de fazer parte.
No universo dos fundos de ações, dentro do nosso seleto grupo de indicados pela série Os Melhores Fundos de Investimento, o Moat Capital FIA tinha a maior posição em AMER3, de 8%, na data do ocorrido. A gestora zerou a posição entre os dias 13 e 17 de janeiro, gerando um prejuízo irrecuperável ao fundo de –5,04%.
Se nos arrependemos de ter a casa como indicada? Longe disso.
A decisão foi baseada nos fatos que os gestores tinham até então: a Americanas era uma empresa respeitada há anos e que, desde outubro de 2022, contava com Sérgio Rial como CEO, o que animava o mercado como um todo, já que estamos falando de um dos maiores nomes que o Santander – e o Brasil – já teve em sua história.
O tamanho da posição no fundo da Moat era justo e ninguém poderia imaginar uma diferença contábil tão grande nos balanços da companhia.
Diante dos fatos, o time tomou a decisão mais coerente ao vender as ações assim que soube do ocorrido, não havendo motivos para reduzir nossa confiança na gestão, muito pelo contrário.
As decisões tomadas em momentos de estresse é que revelam a natureza do gestor e como ele se comporta sob pressão.
Nos títulos de renda fixa – que, de “fixa”, nesse caso, não tem nada –, a situação não foi diferente. Os títulos de dívida emitidos pela empresa (debêntures) também se desvalorizaram após os eventos, visto que, com o aumento das chances de calote por parte da Americanas, o prêmio de risco das debêntures também aumentou, ou seja, seus preços caíram.
Para os fundos de crédito privado que investiam nesses títulos, a maior parte já passou pela precificação de mercado, revelando a queda das cotas de alguns veículos de grandes casas como a Sparta, Ibiuna e SPX – sem que nenhum fundo tivesse uma posição maior do que 3,5% o que, como consequência, não gerou grandes impactos negativos para as estratégias.
Pensa que acabamos por aqui?
Ainda não.
Como se já não fosse o suficiente, ainda temos que falar sobre os fundos de investimento que se diziam seguros e ideais para a “reserva de emergência”, mas que não cumpriram exatamente com esse propósito.
Este é o caso do Nu Reserva Imediata, do Nubank. O próprio nome do veículo já dá a entender que estamos falando de um fundo especial para a reserva de recursos para o curto prazo.
Segundo o site do próprio banco, esse seria um fundo DI com aplicações de baixo risco. Contudo, a informação “oculta” é a de que ele possuía posições em títulos de dívida corporativas, que não possuem a mesma segurança dos títulos do governo (geralmente utilizados para a reserva de emergência).
Se você pedisse a minha opinião sobre a estrutura do fundo do Nubank, diria de cara que não há nada de errado nela e que é, na realidade, bastante comum. No entanto, a forma como o veículo está sendo vendido é algo que eu jamais poderia concordar.
A reserva de emergência precisa estar no local mais seguro possível, longe da menor possibilidade de que, em algum dia, o retorno do investidor seja negativo. Se alguma situação urgente aparecer, você pode precisar de todo o montante.
E agora? Voltamos a colocar o dinheiro embaixo do colchão? Resgatamos tudo?
Na minha humilde opinião, definitivamente não. Na história mundial, não conseguiremos contar nos dedos quantos escândalos ocorreram em companhias, bancos e nem mesmo em entidades públicas.
O segredo de um investidor consistente no longo prazo é a diversificação, mesmo que seja oferecido o que parece ser o pote de ouro no fim do arco-íris.
Jamais esqueça disso.
Com muito amor e até a próxima,
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