Um fundo imobiliário para lucrar com juros e outro focado em inflação são os mais recomendados para janeiro; confira os FIIs favoritos de nove corretoras
Os analistas acreditam que essa combinação garantirá equilíbrio e potencializará os ganhos e proventos da carteira

Além de ser o casal mais famoso da literatura, Romeu e Julieta também é o nome de uma das mais tradicionais sobremesas brasileiras. A união do queijo com a goiabada é improvável e agridoce, mas faz sucesso por aqui desde o período colonial.
A indústria de fundos imobiliários também tem o seu próprio caso de combinação inesperada que, na visão dos analistas consultados pelo Seu Dinheiro, é a melhor alternativa para lucrar com FIIs no início de 2023.
Os dois membros dessa dupla são fundos de papel — ou seja, que investem em títulos de crédito ligados ao setor imobiliário — e estão presentes entre os favoritos de três carteiras recomendadas para janeiro.
A diferença entre é que um deles, o RBR Rendimento High Grade (RBRR11), está mais alocado em inflação, enquanto o portfólio do outro FII, o Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11), é focado em CDI.
E é essa mistura que traz o aspecto shakespeariano para a conversa, pois os dois indexadores costumam caminhar em direções opostas. O CDI acompanha de perto as variações da taxa Selic, que é elevada em momentos de inflação aquecida justamente para frear o aumento nos preços.
Isso significa que, quando um desses FIIs estiver rendendo mais, o outro provavelmente estará pagando dividendos mais modestos — assim como ocorreu no ano passado, durante o período de deflação.
Leia Também
Mas, da mesma maneira que o queijo ameniza o doce da goiabada, as corretoras acreditam que essa combinação garantirá equilíbrio e potencializará os ganhos e proventos da carteira de fundos dos investidores.
Para quem busca outros sabores além do crédito imobiliário para compor o portfólio, vale destacar também quatro outros FIIs que receberam duas indicações cada. São eles: BTG Pactual Logística (BTLG11), CSGH Renda Urbana (HGRU11), RBR Private Crédito Imobiliário (RBRY11) e Valora RE III (VGIR11).
Confira a seguir os favoritos de cada corretora entre os indicados nas suas respectivas carteiras recomendadas para janeiro:
Entendendo o FII do Mês: todos os meses, o Seu Dinheiro consulta as principais corretoras do país para descobrir quais são suas apostas para o período. Dentro das carteiras recomendadas, normalmente com até 10 fundos imobiliários, os analistas indicam os seus três prediletos. Com o ranking nas mãos, selecionamos os que contaram com pelo menos duas indicações.
RBR Rendimento High Grade (RBRR11) — promoção nas prateleiras da B3?
Se você foi ao mercado em busca de queijo para o seu ‘Romeu e Julieta’, provavelmente se assustou com o preço. A alta nas gôndolas é uma má notícia para os amantes da sobremesa, mas não incomoda quem investe no RBR Rendimento High Grade (RBRR11).
O portfólio do FII — que está no topo da preferência das corretoras pela primeira vez neste mês — é composto por 38 Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). A maioria deles rende mais quando os preços estão aquecidos: a alocação da carteira é 84% em inflação e 16% no CDI.
Essa característica fez com que o fundo caminhasse no sentido contrário do queijo nas prateleiras do mercado. A deflação registrada entre julho e setembro do ano passado provocou temores de queda nos dividendos do FII e levou ao barateamento das cotas.
Atualmente, o RBRR11 negocia com um desconto de 6,7% em relação ao valor patrimonial. A Empiricus, uma das casas a indicá-lo neste mês, afirma que o percentual “gera uma oportunidade interessante de entrada” para novos investidores.
Para a Genial Investimentos, que também incluiu o fundo em seu ‘top 3’ de janeiro, outro diferencial é o foco em operações de originação própria dos CRIs. Na prática, isso permite uma gestão mais customizada das taxas e dos níveis de garantia.
“Sua carteira é composta por devedores com boa qualidade de crédito como Brookfield, Rede D’Or, Direcional e Grupo Pão de Açúcar”, destaca a corretora.
Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11) — na defesa da carteira
O Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11) não oferece um desconto tão grande para quem quiser iniciar uma posição. Ainda assim, o fundo é um dos preferidos das corretoras pelo terceiro mês consecutivo.
A manutenção no primeiro lugar do pódio dos analistas se dá por conta das características defensivas do portfólio, um dos únicos da B3 quase 100% indexados ao CDI — o percentual exato é de 96,9% contra 0,7% em IPCA.
“Neste momento de taxas de juros elevadas, o fundo tende a manter seus dividendos e conta com uma carteira pulverizada de crédito com bons devedores”, explica a Genial.
Além disso, o FII captou recentemente R$ 1,8 bilhão em sua última emissão de cotas. Segundo o Santander, o dinheiro foi bem utilizado: “com os recursos praticamente alocados, a gestão conseguiu ampliar a diversificação do portfólio de ativos e entrar em operações maiores e mais sofisticadas, com atrativas taxas de retorno.”
Os analistas do banco projetam que a combinação da carteira diversificada com o atual momento dos juros brasileiros — que devem se manter no patamar de dois dígitos na maior parte do ano — resultará em proventos atrativos para os cotistas, com um yield acima de 13% nos próximos 12 meses.
Repercussão dos fundos imobiliários
O IFIX, índice que reúne os principais fundos imobiliários da B3, ficou no ‘zero a zero’ em dezembro. Já os FIIs mais recomendados pelas corretoras para o período apresentaram performances mistas.
O destaque positivo foi para a alta de 2,5% do RBR Private Crédito Imobiliário (RBRY11), enquanto o pior desempenho foi registrado pelo Capitania Reit FOF (CPFF11), que caiu mais de 9%.
Veja a seguir como operaram todos os fundos dos top 3 das corretoras:
Após problema com inadimplência, inquilina encerra contrato de locação do FII GLOG11 — mas cotistas (ainda) não vão sentir impactos no bolso
Essa não é a primeira vez que o GLOG11 enfrenta problemas de inadimplência com a inquilina: em 2023, a companhia deixou de pagar diversas parcelas do aluguel de um galpão em Pernambuco
O e-commerce das brasileiras começou a fraquejar? Mercado Livre ofusca rivais no 4T24, enquanto Americanas, Magazine Luiza e Casas Bahia apanham no digital
O setor de varejo doméstico divulgou resultados mistos no trimestre, com players brasileiros deixando a desejar quando o assunto são as vendas online
RBR Properties (RBRP11) encerra contrato de locação por inadimplência de inquilino — e os cotistas vão sentir os impactos no bolso
Após uma série de atrasos dos aluguéis em 2024 e uma nova inadimplência em fevereiro, o fundo anunciou a rescisão do contrato de locação de um dos principais ativos do portfólio
Correios decidem encerrar contrato de locação com o FII TRBL11; fundo imobiliário indica que vai acionar a Justiça
A estatal havia aberto o processo administrativo para a rescisão do contrato de locação com o TRBL11 em dezembro. Com a decisão, os Correios estabeleceram um prazo para a desocupação do galpão
Nova faixa do Minha Casa Minha Vida deve impulsionar construtoras no curto prazo — mas duas ações vão brilhar mais com o programa, diz Itaú BBA
Apesar da faixa 4 trazer benefícios para as construtoras no curto prazo, o Itaú BBA também vê incertezas no horizonte
CEO da Americanas vê mais 5 trimestres de transformação e e-commerce menor, mas sem ‘anabolizantes’; ação AMER3 desaba 25% após balanço
Ao Seu Dinheiro, Leonardo Coelho revelou os planos para tirar a empresa da recuperação e reverter os números do quarto trimestre
FII Kinea Renda Imobiliária (KNRI11) já tem novo inquilino para imóvel que ainda está em construção; veja detalhes do negócio
Por ainda estar em construção, a locação do imóvel ainda não terá impacto nas cotas do KNRI11 no curto prazo
Um café e a conta: o que abertura do Blue Box Café da Tiffany em São Paulo diz sobre o novo mercado de luxo
O café pop-up abre hoje (27) e fica até o dia 30 de abril; joalheria segue tendência mundial de outras companhias de luxo
Fundo imobiliário que investe até em ações: com fundos de FIIs ‘virando’ hedge funds, ainda há espaço para FoFs tradicionais na carteira?
Os fundos imobiliários multiestratégia (ou hedge funds) vão substituir os fundos de FIIs? Conversamos com gestores para entender o perfil de cada um
Após semanas de short squeeze em Casas Bahia, até onde o mercado terá espaço para continuar “apertando” as ações BHIA3?
A principal justificativa citada para a performance de BHIA3 é o desenrolar de um short squeeze, mas há quem veja fundamentos por trás da valorização. Saiba o que esperar das ações
RELG11 dispara mais de 20% na bolsa após proposta do GGRC11 para a aquisição de todo o portfólio do FII
Com o anúncio do GGRC11, o RELG11 convocou uma assembleia para a deliberação da oferta
Dormir bem virou trend no TikTok — mas será que o sleepmaxxing, a ‘rotina de sono perfeita’, realmente funciona?
Especialistas dizem que a criação de uma rotina noturna pode trazer benefícios para a qualidade de vida, mas é preciso ter cuidado com os exageros
CEO da Lojas Renner aposta em expansão mesmo com juro alto jogando contra — mas mercado hesita em colocar ações LREN3 no carrinho
Ao Seu Dinheiro, o presidente da varejista, Fabio Faccio, detalhou os planos para crescer este ano e diz que a concorrência que chega de fora não assusta
Vai liquidar o portfólio? SARE11 sobe mais de 9% na bolsa após Santander receber propostas para venda dos ativos
A alta do SARE 11 na bolsa vem na esteira da divulgação de que o fundo imobiliário teria recebido propostas de possíveis compradores, segundo informações do MetroQuadrado
Sem dividendos no radar e com liquidação paralisada: FII FAMB11 vai pagar R$ 24,5 milhões aos investidores por amortização das cotas
O pagamento de R$ 200 por cota pelo FAMB11 é referente a amortização parcial do fundo. A operação foi aprovada após a paralisação de um processo de liquidação.
R$ 3 milhões por um apê de 25m², mão-inglesa e liberdade relativa: como é Hong Kong vista de perto
Hong Kong é da China ou é independente? Como funciona na prática o lema “um país, dois sistemas” e quais os problemas sociais e econômicos da Região Administrativa Especial colonizada pela Inglaterra até 1997
FII RCRB11 zera vacância com locação de imóvel alvo de inadimplência da WeWork — e os cotistas vão ganhar com isso
Até outubro de 2024, o imóvel estava locado para a WeWork. Porém, após passar por uma série de inadimplências, a empresa firmou acordo com o FII RCRB11, que determinou a desocupação do ativo
B3 abre caminho para nova classe de ativos e permite negociações de ETFs de FIIs e de infraestrutura com distribuição de dividendos
Até então, os ETFs de FIIs não pagavam proventos; já os ETFs de infraestrutura, referenciados em índices de FI-Infra, seriam novidade
Iguatemi fecha aquisição dos shoppings Pátio Higienópolis e Pátio Paulista por R$ 2,59 bilhões; detalhes de acordo colocam ações entre as maiores quedas da bolsa
Apesar de a aquisição já estar no radar dos investidores desde 2024, o mercado não vem reagindo bem ao acordo do Iguatemi. O analista da Empiricus Reasearch, Caio Araujo, explica o motivo
Bitcoin (BTC) no caixa é só um dos pilares da estratégia do Méliuz (CASH3) para reconquistar atenção para as ações após drenagem de liquidez
Ao Seu Dinheiro, o fundador Israel Salmen conta que quer reduzir a dependência das plataformas de e-commerce e apostar em um novo mercado; confira a entrevista na íntegra