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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

TR acima de zero

A rentabilidade da poupança melhorou um pouco mais – e você talvez não tenha percebido. Vale a pena voltar para a caderneta?

A Taxa Referencial (TR) saiu do zero pela primeira vez em quatro anos devido às altas recentes nos juros, incrementando o retorno da caderneta

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
18 de fevereiro de 2022
6:12 - atualizado às 16:20
mão segura cédulas de real
Apesar de mais rentável, poupança ainda perde de outras aplicações de renda fixa conservadoras. Imagem: Shutterstock

Com a alta na taxa básica de juros, o brasileiro que tem dinheiro na caderneta de poupança já deve ter percebido uma melhora na rentabilidade da aplicação mais popular do país.

Primeiro, com a alta dos juros de 2% para 7,75% ao longo de 2021, o que elevou a rentabilidade da caderneta, então atrelada à Selic, de 0,12% para 0,44% ao mês.

Em seguida, com a alta da Selic de 7,75% para 9,25%, em dezembro do ano passado, o que acionou o gatilho que muda a regra de remuneração da poupança sempre que a taxa básica supera 8,5% ao ano.

Assim, os novos depósitos na caderneta deixaram de ser remunerados a 70% da Selic mais Taxa Referencial (TR) para voltarem a pagar 0,5% ao mês mais TR, rentabilidade máxima da caderneta, equiparável à da poupança antiga.

O que você talvez não tenha notado, caso tenha dinheiro aplicado na poupança, é que a rentabilidade mensal da caderneta não parou em 0,5%. Ela tem sido um pouquinho maior e vem aumentando desde dezembro.

Do dia 9 de dezembro de 2021, data em que a rentabilidade de 0,5% mais TR voltou a vigorar para a poupança nova, até 9 de janeiro de 2022, o retorno da caderneta foi de 0,5655%. No segundo mês, de 9 de janeiro a 9 de fevereiro, o rendimento foi de 0,5946%.

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Taxa Referencial (TR) saiu do zero depois de quatro anos

O que acontece é que a TR voltou ao campo positivo após cerca de quatro anos zerada. A taxa, que além da remuneração da poupança também indexa contratos de financiamentos, caiu a zero quando o gatilho da mudança da regra da poupança foi ativado pela última vez, em setembro de 2017.

Na ocasião, porém, o país vivia um ciclo de cortes nas taxas de juros, e o Banco Central reduziu a Selic de 9,25% a 8,25% ao ano.

Isso significa que, durante todos esses anos em que a poupança vinha remunerando 70% da Selic mais TR, na prática ela só pagava o equivalente a 70% da Selic.

A TR guarda certa correlação com a Selic, embora esta não seja perfeita. A Taxa Referencial é calculada a partir da Taxa Básica Financeira (TBF), que por sua vez tem ligação com as taxas de juros dos títulos públicos prefixados, também relacionadas, de certa forma, à Selic.

O cálculo da TR, no entanto, conta com um redutor estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que contribui para mantê-la próxima de zero mesmo quando a Selic está mais elevada.

Ainda assim, em tempos de juros altos, sempre que a Selic é ajustada para cima, a TR tende a subir um pouco mais, incrementando a remuneração da caderneta de poupança.

Em dezembro, quando o BC aumentou a Selic de 7,75% para 9,25% ao ano, a TR foi de 0,0488%; em janeiro, a taxa já subiu para 0,0605%; em fevereiro, com o ajuste da Selic no início do mês de 9,25% para 10,75% ao ano, é possível que a TR seja ainda maior. Do dia 14 de janeiro ao dia 14 de fevereiro, por exemplo, a TR foi de 0,07470%.

E pode ser que a TR ainda veja novas altas pela frente, elevando ainda mais a rentabilidade da poupança, já que o Banco Central deve aumentar a Selic mais uma ou duas vezes neste ano, para um patamar próximo dos 12%, segundo expectativas do mercado.

Então a poupança ficou atrativa?

Bem… não exatamente. É certo que a caderneta agora está pagando bem mais que a “miséria” da época dos juros próximos das mínimas. Mas da mesma forma que sua remuneração melhorou com a alta da Selic, a rentabilidade de outras aplicações de renda fixa igualmente conservadoras também melhorou.

Por sinal, a diferença entre a remuneração da poupança e a das demais aplicações de renda fixa conservadora aumentou. Quanto maior a taxa Selic, menos a poupança paga em relação a seus pares.

Observe a comparação a seguir em três momentos diferentes de Selic:

InvestimentoJaneiro de 2021 (Selic a 2,00%)Setembro de 2021 (Selic a 5,25%-6,25%)Janeiro de 2022 (Selic a 9,25%)
Poupança0,12%0,30%0,56%
Tesouro Selic*0,12%0,40%0,67%
CDB 100% do CDI**0,12%0,34%0,57%
LCI ou LCA 100% do CDI0,15%0,44%0,73%
(*) Retorno líquido nos últimos 30 dias, considerando uma cobrança de IR de 22,5%, a maior alíquota na renda fixa, válida para as aplicações de prazos mais curtos (menos 180 dias). As alíquotas vão reduzindo conforme o prazo da aplicação até chegar ao mínimo de 15% sobre os ganhos.
(**) Retorno líquido considerando uma cobrança de IR de 22,5%.
Fontes: Tesouro Direto e Banco Central.

Nos patamares mais baixos de juros, o retorno da poupança e o das aplicações mais conservadoras que sofrem cobrança de imposto de renda praticamente se equiparam nos prazos mais curtos, quando a alíquota de IR é mais alta.

Mas conforme a taxa de juros vai subindo, a diferença entre as aplicações financeiras vai ficando mais evidente, e a poupança vai ficando para trás.

E por que isso acontece, mesmo quando há cobrança de IR? Ora, o título público Tesouro Selic, negociado via Tesouro Direto, remunera algo próximo da taxa Selic, o que supera o retorno da poupança mesmo depois de descontar o IR e a taxa obrigatória de custódia de 0,2% ao ano.

O mesmo se pode dizer de um CDB que remunera 100% do CDI, uma taxa que costuma ficar bem próxima da Selic. Os CDB ainda contam com a vantagem de não sofrerem cobrança de taxa de administração ou custódia, e em bancos de médio porte é possível encontrar, com relativa facilidade, títulos que pagam mais de 100% do CDI.

Já as LCI e LCA, similares aos CDB, são isentas de IR assim como a poupança, e também não contam com um limite para a remuneração que possam vir a oferecer, ao contrário da poupança, que não sai muito daquele 0,5% ao mês mais alguma coisinha.

Vale lembrar, ainda, que a remuneração da poupança é mensal, isto é, só há rentabilidade no aniversário. Períodos “quebrados”, inferiores a um mês, não são remunerados. Já as demais aplicações conservadoras têm rentabilidade diária.

Além disso, seu nível de segurança é similar ao da poupança. Títulos públicos como o Tesouro Selic são até mais seguros, pois têm garantia do governo. E CDBs, LCIs e LCAs são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mesma garantia da caderneta. Conheça melhor a proteção do FGC.

Se você quiser saber como fica a rentabilidade de cada uma dessas aplicações financeiras - incluindo a poupança - daqui em diante, considerando uma Selic de dois dígitos e prazos maiores, eu trago as projeções nesta matéria.

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