🔴 AÇÕES, FIIs, DIVIDENDOS, BDRs: ONDE INVESTIR EM ABRIL? CONFIRA +30 RECOMENDAÇÕES AQUI

Liliane de Lima

É repórter do Seu Dinheiro. Jornalista formada pela PUC-SP, já passou pelo portal DCI e setor de análise política da XP Investimentos.

EXPECTATIVA X REALIDADE

Eleições 2022: Pesquisas do Ipec e Datafolha erraram resultados das urnas em até 20 pontos percentuais nos estados

As pesquisas acertaram que Lula despontaria na frente com o maior número de votos, mas erraram a ordem dos vencedores nos maiores colégios eleitorais do país

Liliane de Lima
3 de outubro de 2022
16:57 - atualizado às 11:33
Lula vs Bolsonaro como homem de ferro e capitão américa
Montagem mostra Lula vs Bolsonaro como Homem de Ferro e Capitão América - Imagem: Shutterstock / Filme Capitão América Guerra Civil / Marcos Corrêa-PR / montagem Brenda Silva

Se o resultado das eleições no primeiro turno surpreendeu a maioria dos analistas, as pesquisas de intenção de voto certamente são uma das responsáveis. Institutos como o Ipec (ex-Ibope) e Datafolha falharam em captar a tendência tanto para a votação de Jair Bolsonaro (PL) como das candidaturas apoiadas pelo presidente.

Mas o quão erradas foram as pesquisas dos dois institutos mais tradicionais? No caso da eleição presidencial, tanto o Ipec como o Datafolha acertaram que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficaria em primeiro lugar. A surpresa veio da diferença entre os dois candidatos.

Já nos estados, a discrepância chegou à casa dos 20 pontos percentuais — somando os votos a mais e a menos que os dois candidatos mais bem colocados tiveram em relação aos últimos levantamentos. Em locais como São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul as pesquisas erraram até mesmo a ordem dos vencedores.

Pesquisas x urnas

Na eleição presidencial, tanto a pesquisa do Ipec como a do Datafolha apontavam uma margem de 14 pontos percentuais para Lula na véspera do primeiro turno, com a possibilidade de o petista liquidar a fatura já no domingo.

As urnas, contudo, mostraram que a vantagem de Lula sobre Bolsonaro ficou em apenas 5,23 pontos percentuais e não foi o suficiente para evitar a disputa do segundo turno. Ou seja, as pesquisas erraram o resultado da eleição por quase 9 pontos percentuais.

Lula (PT)Bolsonaro (PL)Diferença em p.p
Urnas* 48,43%43,20%5,23
Ipec 51%37%14
Datafolha50%36%14
Pesquisas x urnas8,77
Fontes: Datafolha e Ipec

No final, o petista contou com 2,07 pontos percentuais a menos do que a média das duas pesquisas — dentro da margem de erro, vale ressaltar — e o candidato à reeleição teve 6,7 pontos além do que projetavam os levantamentos. 

Leia Também

Mas a diferença entre a expectativa das pesquisas e a realidade foi ainda maior em alguns estados. Em São Paulo, tanto o Ipec como o Datafolha indicavam um segundo turno entre Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) — com a liderança do petista.

No Ipec, Haddad lideraria o segundo pleito com 41% dos votos válidos e Tarcísio, com 31%. No Datafolha, o petista ficaria à frente com 39% e o ex-ministro de Infraestrutura do governo Bolsonaro, 31%. Ou seja, considerando a média das duas pesquisas, o candidato do PT tinha uma vantagem de nove pontos sobre o aliado de Bolsonaro. 

As urnas, contudo, trouxeram outro resultado: Tarcísio ficou na frente com 42,32% e Haddad ficou seis pontos percentuais atrás, com 35,70% dos votos válidos. Em suma, a diferença entre a média das duas pesquisas e o resultado foi de 15,6 pontos percentuais, considerando os votos que Tarcísio teve a mais e que o petista teve a menos na comparação com os últimos levantamentos.

A surpresa também aconteceu em outro cargo: o de senador. Márcio França (PSB), o aliado de Lula nessas eleições, teria 45% dos votos, caso o Datafolha da véspera se confirmasse. 

Marcos Pontes (PL), o astronauta e também ex-ministro de Bolsonaro, que tinha 31% das intenções do eleitorado, foi quem conquistou a vaga de representação do estado com 49,68% dos votos válidos. 

VEJA TAMBÉM - BOLSONARO 'SE SUPEROU' E ENFRENTARÁ LULA NO 2° TURNO: veja como a batalha afeta seu bolso

Sem segundo turno no Rio de Janeiro 

No Rio de Janeiro, Claudio Castro (PL) foi reeleito no primeiro turno, com 58,67% dos votos válidos. Marcelo Freixo (PSB) foi o segundo colocado, com 27,38%. Uma diferença de 31 pontos percentuais entre os dois candidatos. 

Porém, a menos de 24 horas das eleições, as pesquisas apontavam outro cenário, com um possível segundo turno. Segundo o Ipec, Castro aparecia em primeiro lugar com 48%, e Freixo, 33%. Para o Datafolha, o resultado das urnas mostraria 44% dos votos válidos para o candidato à reeleição e 31% para o representante do PSB. 

Desta forma, a diferença entre a vantagem de Castro apontada na média das duas pesquisas e o resultado das urnas ficou em pouco mais de 17 pontos percentuais

No Senado, o resultado veio em linha com as pesquisas. Romário (PL) foi eleito com 29,19%. Ainda assim, o Datafolha projetava uma vitória do ex-jogador com 35% dos votos válidos. 

PT foi melhor do que as pesquisas projetavam na Bahia

As pesquisas não erraram apenas os resultados da votação de Bolsonaro e aliados. Na Bahia, ACM Neto (União Brasil) aparecia com 51% das intenções de voto pelo Ipec, contra 40% de Jerônimo Rodrigues (PT). O Datafolha trazia o mesmo percentual para ACM Neto e 38% para o petista na véspera da eleição.

As urnas, contudo, não só mostraram que haverá segundo turno como a posição dos candidatos foi invertida. Rodrigues contabilizou 49,45% dos votos válidos, enquanto ACM Neto ficou em segundo lugar, com 40,80%.

A diferença entre os candidatos nas pesquisas — considerando a média das projeções  — e nas urnas, portanto, foi de 20,65 pontos percentuais.

Rio Grande do Sul 

A inversão de favoritismo também aconteceu no Rio Grande do Sul. A última pesquisa Ipec, de 30 de setembro, apontava o ex-governador Eduardo Leite (PSDB) com 40% das intenções de voto, enquanto o ex-ministro Onyx Lorenzoni (PL) tinha 30%. A diferença era de 10 pontos percentuais. 

A projeção de segundo turno e a diferença entre os candidatos se confirmaram, mas com Onyx na frente. O ex-ministro conquistou 37,50% dos votos válidos e Leite ficou com 26,81% e quase não foi para o segundo turno. Ou seja, a diferença entre a pesquisa e o resultado, considerando os dois candidatos que ficaram à frente, foi de 20,69 pontos percentuais

No Senado, o Ipec apontava Olívio Dutra (PT) como o favorito, com 36%; Hamilton Mourão (Republicanos), teria 28% dos votos. Nas urnas, o ex-vice presidente conquistou a cadeira com 44,1%. 

Datafolha acerta em Minas Gerais 

O segundo maior colégio eleitoral do Brasil “obedeceu” às pesquisas eleitorais. Romeu Zema (Novo) foi reeleito com 56,18%, em linha com a última projeção do Datafolha em 1º de outubro, que projetava 56%. O Ipec também apontava vitória de Zema, mas com 50% dos votos válidos. 

O segundo colocado, Alexandre Kalil (PSD) obteve 35,08% dos votos nas urnas, em linha com os 35% do último Datafolha antes das eleições. No caso do Ipec, Kalil aparecia com 42% das intenções de voto.  

Metodologia das pesquisas eleitoras em xeque?

As pesquisas eleitorais, em geral, apontam tendências do eleitorado antes das eleições acontecerem. Em outras palavras, é uma fotografia do momento da coleta de informações pelos institutos de pesquisa. 

Além disso, cada instituto tem uma metodologia para o desenvolvimento do levantamento. O Ipec — fundado por executivos do antigo Ibope — faz uma pesquisa presencial em domicílio dos eleitores e, em média, entrevista 2 mil pessoas para a pesquisa nacional, sendo o mínimo 16 por município selecionado. 

Gênero, idade, escolaridade e condição de atividade são considerados pelo Ipec no momento das entrevistas. 

No caso do Datafolha, a pesquisa é realizada de forma presencial, em pontos de fluxo populacional, e o número de entrevistas varia entre 2,5 mil e 5,8 mil pessoas consultadas. Os dados utilizados para definição e seleção da amostra são baseados nos dados fornecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (julho/2022) e IBGE (Pnad 2019 e Estimativa 2021). 

Outro critério adotado pelo Datafolha é o recorte por sexo e idade. 

Para efeito de divulgação, as pesquisas são contratadas por veículos de comunicação e devidamente registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

O Seu Dinheiro procurou os institutos de pesquisa: o Datafolha não respondeu ao questionamento até a publicação desta reportagem; o Ipec se manifestou por meio de nota.

O instituto afirmou que segue "os mais altos padrões adotados internacionalmente nos métodos utilizados em suas pesquisas. As pesquisas eleitorais medem a intenção de voto no momento em que são feitas. Quando feitas continuamente ao longo do processo eleitoral, são capazes de apontar tendências".

Além disso, o Ipec reafirmou o "firme compromisso de seguir realizando seu trabalho com a mesma correção, seriedade e dedicação, especialmente a partir dos dados de uma eleição onde a divisão do país representa
uma maior dificuldade em se fazer estimativas".

*Os resultados eleitorais têm como fonte o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com a apuração de 99,99% das urnas, até as 14h do dia 03 de outubro. 

**A matéria foi atualizada às 17h20 para inclusão do posicionamento do Ipec.

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
EM BAIXA

Genial/Quaest: Aprovação do governo Lula atinge pior nível desde janeiro de 2023 e cai inclusive no Nordeste e entre mulheres

2 de abril de 2025 - 9:20

As novas medidas anunciadas e o esforço de comunicação parecem não estar gerando os efeitos positivos esperados pelo governo

E AGORA, LULA

O Brasil pode ser atingido pelas tarifas de Trump? Veja os riscos que o País corre após o Dia da Libertação dos EUA

2 de abril de 2025 - 6:29

O presidente norte-americano deve anunciar nesta quarta-feira (2) as taxas contra parceiros comerciais; entenda os riscos que o Brasil corre com o tarifaço do republicano

DIA 72

Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA

1 de abril de 2025 - 19:32

Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas

CLASSE MÉDIA NA MIRA

Nova faixa do Minha Casa Minha Vida deve impulsionar construtoras no curto prazo — mas duas ações vão brilhar mais com o programa, diz Itaú BBA

27 de março de 2025 - 16:33

Apesar da faixa 4 trazer benefícios para as construtoras no curto prazo, o Itaú BBA também vê incertezas no horizonte

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Esporte radical na bolsa: Ibovespa sobe em dia de IPCA-15, relatório do Banco Central e coletiva de Galípolo

27 de março de 2025 - 8:20

Galípolo concederá entrevista coletiva no fim da manhã, depois da apresentação do Relatório de Política Monetária do BC

DA TECNOLOGIA AO MEIO AMBIENTE

Lula firma acordos com Japão, mas frustração do mercado ajuda a derrubar as ações dos frigoríficos na bolsa

26 de março de 2025 - 16:45

Em rara visita de Estado ao Japão, o presidente brasileiro e o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, firmaram nesta quarta-feira (26) dez acordos de cooperação em áreas como comércio, indústria e meio ambiente

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Inocentes ou culpados? Governo gasta e Banco Central corre atrás enquanto o mercado olha para o (fim da alta dos juros e trade eleitoral no) horizonte

25 de março de 2025 - 6:39

Iminência do fim do ciclo de alta dos juros e fluxo global favorecem, posicionamento técnico ajuda, mas ruídos fiscais e políticos impõem teto a qualquer eventual rali

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Ainda sobe antes de cair: Ibovespa tenta emplacar mais uma alta após decisões do Fed e do Copom

20 de março de 2025 - 8:18

Copom elevou os juros por aqui e Fed manteve a taxa básica inalterada nos EUA durante a Super Quarta dos bancos centrais

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

De volta à Terra: Ibovespa tenta manter boa sequência na Super Quarta dos bancos centrais

19 de março de 2025 - 8:35

Em momentos diferentes, Copom e Fed decidem hoje os rumos das taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos

O QUE SABEMOS ATÉ AGORA

Isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil: o que muda para cada faixa de renda se proposta de Lula for aprovada

18 de março de 2025 - 18:43

Além da isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês, governo prevê redução de imposto para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7 mil; já quem ganha acima de R$ 50 mil deve pagar mais

ATO ESVAZIADO

Na presença de Tarcísio, Bolsonaro defende anistia e volta a questionar resultado das eleições e a atacar STF

16 de março de 2025 - 14:22

Bolsonaro diz que, “mesmo preso ou morto”, continuará sendo “um problema” para o Supremo Tribunal Federal (STF)

NOVAS PROMESSAS?

Isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, picanha e crédito para reforma de imóvel: as promessas de Lula

14 de março de 2025 - 16:15

Segundo o presidente, a maior isenção fiscal, que será oficialmente anunciada no dia 18 de março, visa aliviar a carga tributária sobre a classe trabalhadora

DIA 52

Brasil contra Trump, aço versus ovo: muita calma nessa hora

12 de março de 2025 - 19:38

Enquanto o Brasil lida com as tarifas sobre o aço e o alumínio que entraram em vigor nesta quarta-feira (12), se prepara para aumentar as exportações de ovos para os EUA, que também sofrem com aumento de preços

AMPLIANDO O ACESSO

Consignado para quem é CLT: o passo a passo do programa que promete baratear o crédito com garantia do FGTS

12 de março de 2025 - 19:04

A estratégia do governo é direta: ampliar o acesso a empréstimos mais baratos e tirar os trabalhadores das armadilhas do superendividamento

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Sem exceções: Ibovespa reage à guerra comercial de Trump em dia de dados de inflação no Brasil e nos EUA

12 de março de 2025 - 8:29

Analistas projetam aceleração do IPCA no Brasil e desaceleração da inflação ao consumidor norte-americano em fevereiro

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Decisão polêmica: Ibovespa busca recuperação depois de temor de recessão nos EUA derrubar bolsas ao redor do mundo

11 de março de 2025 - 8:29

Temores de uma recessão nos EUA provocaram uma forte queda em Wall Street e lançaram o dólar de volta à faixa de R$ 5,85

NO FLOW

Haddad solta o verbo: dólar, PIB, Gleisi, Trump e até Argentina — nada escapou ao ministro da Fazenda

8 de março de 2025 - 9:54

Ele participou na noite de sexta-feira (7) do podcast Flow e comentou sobre diversos assuntos caros ao governo; o Seu Dinheiro separou os principais pontos para você

EM MEIO À ALTA DOS JUROS

O último pibão de Lula? Economia brasileira cresce 3,4% em 2024, mas alta dos juros já cobra seu preço

7 de março de 2025 - 11:53

Depois de surpreender para cima nos primeiros trimestres de 2024, PIB cresce menos que o esperado na reta final do ano

VAI TER PICANHA?

Governo zera impostos de importação de alimentos em tentativa de conter alta dos preços — e já indica que vem mais medidas por aí

7 de março de 2025 - 10:04

Governo zera tributos para a importação de alimentos. O vice-presidente, Geraldo Alckmin, revelou que Lula aprovou uma série de outras medidas para conter a alta dos preços dos alimentos

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Mata-mata ou pontos corridos? Ibovespa busca nova alta em dia de PIB, medidas de Lula, payroll e Powell

7 de março de 2025 - 8:12

Em meio às idas e vindas da guerra comercial de Donald Trump, PIB fechado de 2024 é o destaque entre os indicadores de hoje

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar